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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 31/10/2020

31 de Outubro de 2020

‘Se não podemos adentrar os templos para recebermos a Eucaristia, encontraremos Jesus imolado nas calçadas’

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31 de Outubro de 2020

‘Se não podemos adentrar os templos para recebermos a Eucaristia, encontraremos Jesus imolado nas calçadas’

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01/04/2020 00:00 - Atualizado em 07/04/2020 21:26
Por: Redação

‘Se não podemos adentrar os templos para recebermos a Eucaristia, encontraremos Jesus imolado nas calçadas’ 0

“A nossa pequena comunidade realiza, há quatro anos, um trabalho com moradores em situação de rua, mais precisamente em Campo Grande, na zona oeste da cidade. Nascemos pelos pobres e para os pobres, e por eles morreremos”, afirmou um dos fundadores da Comunidade Católica Missão Mariana, Igor dos Santos Rodrigues.

O trabalho teve continuidade mesmo com os perigos da pandemia do coronavírus. É realizado aos domingos pela manhã e à noite. São assistidas cerca de 60 pessoas, carinhosamente chamadas de 'filhas', durante a missão, nomeada pela comunidade, desde o princípio, de “Missão Mateus 25”.
“Diante deste tempo de isolamento social, percebemos que não poderíamos simplesmente cuidar de nós e virar as costas para aqueles cujo o isolamento e as ruas se tornaram um maior desafio diante de uma vida pautada no sofrimento. Quanto menor o número de pessoas circulando nas ruas, menor é a garantia do pobre de se alimentar”, explicou.

Igor explicou que muitas vezes são interrogados “por que” trabalham e se arriscam em acolher os moradores em situação de rua.

“Todo trabalho que fazemos e qualquer ‘risco’ que corremos são por causa do amor e da obediência. Somos Igreja, parte integrante do corpo místico de Cristo, e se a Igreja é viva e atuante, precisamos ser vivos e dinâmicos. A juventude, principalmente neste tempo, precisa ser um pulmão que garanta a respiração da Igreja”, disse.

Por outro lado, a comunidade encontra, constantemente, pessoas conscientes que apoiam e ajudam o trabalho solidário.

Neste tempo de pandemia, há um maior número de filhos nas ruas, mas encontramos no nosso caminho missionário muitas almas bondosas que nos ajudam com as providências, que nos oferecem orações e alimentos. Junto com o verdadeiro amor, que é o amor de Deus, conseguimos mitigar nas ruas a fome, a falta de atenção, esperança e de dignidade com que estes filhos sofrem diariamente”.

“Quando Cristo nos chama para amar, seu chamado de amor é maior que qualquer medo”, disse Igor, acrescentando ainda uma visão particular: “se não podemos adentrar os templos para recebermos a Eucaristia, encontraremos Jesus imolado nas calçadas”.

Carisma da humildade
A Comunidade Católica Missão Mariana nasceu através dos sonhos dos jovens Igor dos Santos Rodrigues e Maria Júlia Braga. Após o discernimento e acompanhamento pelas autoridades eclesiais, eles se consagraram com um carisma específico de ajudar a Igreja em todas as suas necessidades, alcançando as periferias dos corações mais necessitados. A nova comunidade, instalada na Paróquia Santa Clara, em Guaratiba, foi acolhida pelo Vicariato Episcopal para a Vida Consagrada, sob a coordenação de Dom Roberto Lopes.

“Somos uma comunidade criada por jovens, integrada, em sua maioria, por cerca de 20 jovens e dez adultos, que com o carisma da humildade, em plena obediência à Igreja, segue os passos da Virgem Maria. Neste sentido, somos impelidos a encher o coração da verdadeira alegria cristã na busca para construir um mundo melhor”, disse Igor.

Evangelização
Empenhadas em servir a Igreja em todas as suas necessidades, de acordo com Igor, as ações missionárias são realizadas em outras paróquias da região de Guaratiba. Entre as ações, o trabalho com os pobres, doentes e jovens envolvidos com as drogas, a defesa da vida e a restauração das famílias.

Servir Jesus nos pobres
“Jesus nasceu na humildade de um estábulo, em uma família pobre; as primeiras testemunhas são simples pastores. É nesta pobreza que se manifesta a glória do céu”, disse Igor, lembrando episódios da Palavra de Deus.

Ele destacou que o Reino pertence aos pobres e aos pequenos, isto é, aos que o acolhem com um coração humilde. Que Jesus é enviado para evangelizar os pobres, declarando que eles são bem-aventurados. Ainda, que foi aos "pequenos" que o Pai se dignou a revelar o que permanece escondido aos sábios e aos entendidos.

“Jesus compartilha a vida dos pobres desde a manjedoura até a cruz; conhece a fome, a sede e a indigência. Mais ainda: identifica-se com os pobres de todos os tipos e faz do amor ativo para com eles a condição para se entrar em seu Reino”, disse.

Desde o início, segundo Igor, os cristãos levam o pão e o vinho para a Eucaristia, seus dons para repartir com os que estão em necessidade. Este costume da coleta, sempre atual, inspira-se no exemplo de Cristo que se fez pobre para nos enriquecer.

“Para receber na verdade o Corpo e o Sangue de Cristo, entregues por nós, devemos reconhecer o Cristo nos mais pobres, seus irmãos”, disse.
“O abandono nas mãos da Providência do Pai do Céu liberta da preocupação do amanhã. A confiança em Deus predispõe para a bem-aventurança dos pobres. Eles verão a Deus”, acrescentou.

Os caminhos da missão
“O Espírito Santo é o protagonista de toda a missão eclesial. É Ele quem conduz a Igreja pelos caminhos da missão”, disse Igor.

“Esta missão, no decurso da história, continua e desdobra a missão do próprio Cristo, enviado a evangelizar os pobres. Eis porque a Igreja, impelida pelo Espírito de Cristo, deve trilhar a mesma senda de Cristo, isto é, os caminhos da pobreza, da obediência, do serviço e da imolação de si até a morte, da qual Ele saiu vencedor por sua Ressurreição”, concluiu.

Carlos Moioli


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