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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 05/08/2020

05 de Agosto de 2020

Uma quarentena missionária

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05 de Agosto de 2020

Uma quarentena missionária

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01/04/2020 00:00 - Atualizado em 07/04/2020 18:48
Por: Redação

Uma quarentena missionária 0

A Quaresma desse ano tem sido diferente, por consequência de uma epidemia global da Covid-19, que fez com que fossemos orientados a permanecer em nossas casas, numa forma de quarentena, chamada de isolamento ou distanciamento social. Para, dessa forma, minimizarmos a possibilidade de transmissão do vírus, de modo especial, aos mais idosos e portadores de doenças crônicas. Seguindo as orientações das autoridades sanitárias e por recomendação do Ministério Público, as igrejas da Arquidiocese do Rio de Janeiro, assim como grande parte das igrejas espalhadas pelo Brasil, precisaram ser fechadas e as missas passaram a ser celebradas sem a presença dos fiéis, para assim evitarmos os deslocamentos e aglomerações das pessoas.

Tudo isso aconteceu em pleno tempo litúrgico da Quaresma, tempo em que somos convidados a fazer a experiência do deserto em nossa vida, colocando-nos em contato íntimo com Deus, olhando para nossa realidade a fim de buscarmos uma verdadeira mudança de vida e de atitudes. Nesse contexto, passamos a experimentar as medidas restritivas impostas pelas autoridades públicas. Um olhar pessimista pode ver essa realidade como um empecilho para a vivência da fé, como dificuldade, como impedimento. Mas um olhar de esperança pode enxergar uma grande riqueza nesses tempos difíceis que estamos atravessando. É esse olhar de esperança que lhes convido a lançarmos, agora, sobre essa realidade.

Estamos vivendo na Arquidiocese do Rio de Janeiro o Ano Missionário, oportunidade para mostramos o rosto missionário presente nas mais diversas atividades de nossa, dinâmica, realidade eclesial. E, justamente, nesse tempo, fomos afetados por essa epidemia global: templos fechados, pessoas em casa, ruas vazias, comércio sem funcionar, empresas sem expediente. Poderia parecer um balde de água fria em todo nosso planejamento pastoral, mas o que temos visto é justamente o contrário. Podemos estar vivendo esse período de isolamento, sim! Mas podemos ter a certeza que isolamento não significa estar sozinho. Ao acessarmos nossas redes sociais podemos verificar, como nunca, a presença da Igreja ali. São padres, bispos, religiosos, seminaristas, leigos, consagrados. Verificamos um enfervecer de tantas atividades e tanta criatividade voltadas para o anúncio do Evangelho, para a ação pastoral, divulgação e celebração da nossa liturgia católica, e piedade popular.

Surgem as hashtags #IgrejaDomestica e #IgrejaOnLine, e o que verificamos? Padres celebrando, cotidianamente, a Santa Missa. Diga-se de passagem, muitas vezes a participação tem sido maior do que temos, costumeiramente, nas celebrações semanais: seminaristas rezando a Liturgia das Horas, oferecendo momentos de formação ao vivo pelas redes sociais, lives várias vezes ao dia, com convidados, músicos e especialistas em temas específicos; verificamos momentos de oração do Santo Terço, de meditação da Via-Sacra e muitas outras iniciativas, que surgiram a partir das dificuldades apresentadas durante essa epidemia global.

Um momento especial marcou esse tempo de isolamento: era dia 27 de março, sexta-feira, quando surgiu um homem de branco caminhando na Praça de São Pedro, silenciosa e deserta. Era o Papa Francisco, rezando por nós e rezando conosco. Essa cena emocionou o mundo, e surge, então, em todos os cantos do mundo a frase: “ele não estava sozinho, eu estava na praça”. Fiéis do mundo inteiro se uniram ao Papa, ainda que espiritualmente, manifestando essa comunhão espiritual, essa filiação, esse amor ao sucessor do apóstolo Pedro.

Como é bonito ver o modo como conseguimos nos adaptar diante das dificuldades que nos são impostas. E olhando para nossa História percebemos que sempre foi assim, justamente nos momentos de maiores dificuldades, verificamos, também, os momentos de maior florescimento da Igreja. Lembremos que em tempos de perseguição e martírio, o que se ouvia era: “sangue de mártir, semente de cristão”. Quanto mais a Igreja era perseguida e seus filhos assassinados, mais a Igreja crescia e mais filhos surgiam. Em tempos de grande afastamento dos ideais do Evangelho, foi também tempos de grandes santos e doutores da Igreja. As dificuldades do tempo presente são também oportunidade para nos reinventarmos, sairmos da inércia, do comodismo, e já podemos testemunhar isso, de modo prático, simples e verdadeiro.

Nesse tempo de Quarentena, mostramos ainda mais nossa vocação missionária. Ser missionário é não deixar de anunciar o Evangelho, a boa notícia de Cristo. Em tempos de dificuldades, de notícias tóxicas, tristes e alarmistas, nós podemos verificar nas redes sociais católicas a presença de nossos pastores, dos nossos fiéis, levando ao mundo uma palavra de esperança, palavra de conforto, palavra de fé.

Essa Quarentena tem mostrado-se verdadeiramente missionária, em tempos de recolhimento e isolamento. Creio que nunca nosso povo se sentiu tão acolhido, tão amado, a Igreja fazendo-se tão próxima.

Se muitos são os profetas da desgraça, arautos do caos, disseminadores do desespero, nessa Quarentena, nós temos sido profetas da esperança, missionários do amor, instrumentos de unidade. Quando olhamos a realidade com o olhar adequado, podemos verificar quanta coisa boa essa Quarentena está nos proporcionando. Como sairemos mais fortalecidos. Como será inesquecível o dia que voltarmos a nos encontrar fisicamente como comunidade de fé.

Ao final dessa Quarentena, não sairemos como entramos, deveremos sair muito melhores, na certeza de que nossa missão é exercida no dia a dia, nas nossas atitudes, manifestando através de nossa presença nesse mundo a presença daquele a quem seguimos. Por isso, essa Quarentena tem se manifestado verdadeiramente missionária, pois podemos, através de nossa presença da vida do irmão, manifestar a presença do próprio Cristo, que diz: "Não tenha medo, eu estou contigo!"

Padre Carlos Augusto Azevedo da Silva
Vigário paroquial da Paróquia Divino Espírito Santo e São João Batista, no Maracanã


 
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