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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 05/06/2020

05 de Junho de 2020

Ajudar a Igreja em suas necessidades

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Ajudar a Igreja em suas necessidades

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27/03/2020 16:43
Por: Redação

Ajudar a Igreja em suas necessidades 0

A Bíblia já alertava do perigo em relação ao ‘deus dinheiro’ quando nos dizia ser impossível servir a dois senhores, pois adoraremos a um e odiaremos o outro. É impossível, diz a Sagrada Escritura, servir a Deus e ao dinheiro. Nesse sentido, o Papa Francisco chegou inclusive a dizer, em uma homilia, que a conversão é certa quando chega ao bolso. Certamente ele não quis dizer que na Igreja pagamos para conseguir a conversão ou a salvação, mas manifestar que, em um mundo que idolatra o dinheiro, mostrar um certo desapego em relação a ele pode ser um sinal positivo.

Mas mesmo assim, o tema parece ser tabu em muitas realidades eclesiais. Como fazer para aproximar-nos de forma mais reconciliada desse assunto? Talvez uma rápida olhada no Antigo Testamento e no que mudou com a chegada de Jesus possa nos ajudar a entender um pouco melhor.
Na antiga aliança, é muito clara a obrigatoriedade do pagamento do dízimo. Ele servia para sustentar os sacerdotes que oficiavam no Templo (e mais antigamente na Tenda) os sacrifícios a Deus e também era utilizado para ajudar as pessoas mais necessitadas, como os pobres e as viúvas. Ele era composto, principalmente, por produtos agrícolas, não dinheiro.

No Novo Testamento, muda-se o cenário, porque Jesus mostra que dar pleno cumprimento à Lei é viver sob a ótica do amor.
“O dízimo, como pagamento de 10%, não é o centro de toda essa questão. O importante é a consciência do cristão de ser responsável por ajudar sua comunidade”.

No Catecismo da Igreja Católica, por exemplo, não se fala do dízimo propriamente. Mas quando fala do quinto mandamento da Igreja (“Ajudar a Igreja em suas necessidades”) lembra que os fiéis precisam ir ao encontro das necessidades materiais da Igreja, cada um conforme as próprias possibilidades.

É preocupar-se de que os ministros vivam dignamente, que a Igreja seja um local apropriado para o culto, mas, principalmente, que os pobres sejam assistidos em suas necessidades. Em suma, que se preocupe com sua comunidade de maneira análoga com que se preocupa com sua família.
E essa consciência pode se fazer concreta de várias formas. Doando uma quantia mensal que brote de uma espontânea generosidade, doando a cada missa no momento do ofertório ou ajudando em atividades pontuais, como a reforma de um espaço, a aquisição de cestas básicas para o Natal etc.

No ofertório, durante a Celebração Eucarística, podemos entender de forma mais profunda essa generosidade que estamos chamados a viver.
Nesse momento, o sacerdote está preparando a mesa para atualizar o maior dos sacrifícios: o de Jesus que se entrega por amor. E nós, seja levando o pão e o vinho até o altar, seja fazendo a nossa doação material, mostramos a nossa participação nesse mistério e nessa entrega de Jesus.
O que fazemos é sempre muito pouco, mas se colocamos esse pouco nas mãos de Deus, Ele multiplica esses dons de forma extraordinária e faz com que eles deem frutos de conversão e de santidade para nós e para o mundo inteiro.

Colaboração: João Antônio Johas

OLHOS
“Saibam de uma coisa: quem semeia com mesquinhez, com mesquinhez há de colher; quem semeia com generosidade, com generosidade há de colher. Cada um dê conforme decidir em seu coração, sem pena ou constrangimento, porque Deus ama quem dá com alegria. Deus pode enriquecer vocês com toda espécie de graças, para que tenham sempre o necessário em tudo e ainda fique sobrando alguma coisa para poderem colaborar em qualquer boa obra, conforme diz a Escritura: ‘Ele distribuiu e deu aos pobres; e sua justiça permanece para sempre’”. (2 Cor 9, 6-13)

“Todos os que abraçaram a fé eram unidos e colocavam em comum todas as coisas; vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam o dinheiro entre todos, conforme a necessidade de cada um”. (At 2, 44-45)

“Ao contrário, quando você der esmola, que a sua esquerda não saiba o que a sua direita faz, para que a sua esmola fique escondida; eu seu Pai, que vê o escondido, recompensará você”. (Mt 6, 3-4)

“E Jesus perguntou: 'de quem é a figura e inscrição nesta moeda?' Eles responderam: 'É de César'. Então Jesus disse: 'Pois devolvam a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus'. Ouvindo isso, eles ficaram admirados. Deixaram Jesus, e foram embora”. (Mt 22, 20-22)

A oferta do dízimo era um costume antigo na Bíblia (cf. Gn 14,17-20; 28,22; 1Sm 15,17). Daí, o povo da Antiga Aliança, certo de que Deus lhe havia entregue a Terra Prometida, ofertava o dízimo de tudo o que nela colhia (cf. Dt 26,1-4; Lv 25,23; 27,30-33).

O Novo Testamento recorda que os ministros do altar devem viver do seu trabalho. Afinal, o trabalhador é digno do próprio salário (cf. 1Cor 9,13; Mt 10,10; Lc 10,7). Além disso, trata da importância de partilhar (cf. At 4,32-37). Citam-se ainda para justificar as doações do Povo de Deus: Hb7,2.5.9; Lc 18,12 e Mt 3,6-12.

A Igreja, que sempre acolheu a oferta dos fiéis – primeiro, em produtos naturais e, depois, em dinheiro –, nos lembra, conforme os cânones 222 §1o e 1261 do Código de Direito Canônico, da obrigação de socorrer as suas necessidades materiais.

É certo que essa oferta se faz de modo livre: cada um estipula o valor a oferecer e a forma como o ofertará. Importa ser assíduo no compromisso.


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