Arquidiocese do Rio de Janeiro

30º 15º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 04/07/2020

04 de Julho de 2020

Templos fechados, Igreja sempre aberta

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

04 de Julho de 2020

Templos fechados, Igreja sempre aberta

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

27/03/2020 16:33 - Atualizado em 27/03/2020 17:22
Por: Padre Carlos Augusto Azevedo da Silva

Templos fechados, Igreja sempre aberta 0

A pandemia do Covid-19 exigiu que medidas extremas fossem tomadas tanto pelas autoridades públicas, como pelas autoridades eclesiásticas, em vista da diminuição do risco de contágio, evitando aglomerações em espaços públicos, como são os nossos templos. Ao receber a recomendação do Ministério Público para que todos os templos religiosos fossem fechados e cancelada a participação do público em todas as celebrações religiosas que forem celebradas durante a pandemia, o Senhor Cardeal Dom Orani João Tempesta, imediatamente, comunicou a todos os sacerdotes e a todo povo de Deus essa drástica, porém, prudente decisão.

Essa ação nos causa tristeza. Confesso que ao fechar o templo sexta-feira (20/3) pela tarde, e fixar a comunicação do cardeal aos sacerdotes e fiéis, não pude evitar que lágrimas teimosas viessem aos meus olhos. Mas, ao mesmo tempo, fui tomado por uma forte certeza: o templo está fechado, contudo, a Igreja estará sempre aberta. Onde estiver um batizado, aí estará também a Igreja, pois nós somos membros do Corpo de Cristo, que é a Igreja.

Ao longo da história da Igreja, passamos por diversas dificuldades, perseguições, guerras e epidemias. Muitos foram os momentos de dor, de dúvida, de dificuldades, mas a fé nunca fraquejou. É necessário recordar que tudo começou, justamente, dentro de casa, com as portas fechadas, naquela época, por medo dos judeus, depois, por medo do Império Romano, agora, como prevenção contra a pandemia. As casas dos fiéis eram chamadas de domus ecclesiae ('igrejasdomésticas'). Só posteriormente, a partir do reconhecimento da fé cristã pelo imperador romano, que passamos a assumir na vida eclesial a estrutura do templum ('templo') como lugar de culto, como espaço sagrado, ou seja, a primeira experiência de Igreja se deu, justamente, nas casas dos fiéis.

Hoje, somos levados, novamente, às nossas casas, e muito comumente nos referimos à nossa casa como lar. Hoje, é necessário fazermos de nosso lar um lugar de testemunho, de oração e de fé. Somos desafiados a transformar esse momento de dificuldade em oportunidade de resgatar algo que tínhamos perdido, a convivência, a oração familiar, a partilha da Palavra.

Me dirijo, de forma especial, a cada fiel católico, mesmo as portas dos templos estando fechadas. Saibam que ali dentro, a cada dia, estaremos nós, sacerdotes, oferecendo o Santo Sacrifício da missa. Mesmo não podendo estar presente fisicamente, participem pelos meios de comunicação. De modo especial, acompanhem pelas redes sociais de sua paróquia, façamos de cada celular, cada computador um novo templo.

Ainda que não possamos lotar, como fazemos a cada domingo, os nossos templos, lotemos as nossas redes sociais. Em tempos difíceis, com tantas notícias ruins sendo transmitidas, ocupemo-nos de escutar a boa Notícia do Evangelho e anunciemos ao mundo: Esse tempo triste passará, a Esperança não decepciona!

Se agora precisamos nos distanciar, em breve estaremos novamente unidos, celebrando, juntos, os mistérios da nossa fé. Nesse tempo de isolamento, lembremo-nos, de modo especial, de nossos irmãos idosos. Façamos uma ligação, digamos a eles, vocês não estão sozinhos, mesmo a distância, nós permaneceremos sempre unidos, mesmo o templo estando fechado, nosso coração estará sempre aberto, nossas redes sociais ativas, nossas redes de TV e rádios católicas transmitindo sem cessar.

É tempo de recolhimento, de isolamento social, de cuidar do outro, de preservar o outro. Nesse tempo,
estar afastado fisicamente significa estar unido espiritualmente, cuidar do outro significa manter distância. É necessário que cada um faça a sua parte, com seriedade, com prudência, sem gerar pânico, sem espalhar falsas notícias, sem deixar de fazer a nossa parte.

Com a imagem de Jesus no deserto iniciamos o tempo da Quaresma. Hoje, é necessário passarmos por esse deserto, deserto do isolamento, deserto da quarentena, fazer de nossa casa esse deserto, para, então, passada essa pandemia, podermos, juntos, celebrarmos a vitória! Mesmo a distância, tenham certeza, permanecemos unidos. A fé que nos une é muito maior do que a distância física que, nesse tempo, nos separa.
Podemos, juntos, invocar o patrocínio do nosso padroeiro São Sebastião:

Ó Glorioso São Sebastião, recorremos a vós, que sois nosso padroeiro. Olhai pela cidade do Rio de Janeiro, pelo Brasil e por todo o mundo. Rogai por nós a Deus, e alcançai-nos a graça de vencer essa pandemia, que livres da doença, vitoriosos contra esse mal que nos assola, possamos adorar a Deus e celebrar os mistérios de nossa fé.

Concedei-nos, ó grande soldado de Cristo, a firmeza da fé, a fortaleza da esperança, a caridade que não cessa e, acima de tudo, um grande amor a Deus, manifestado, também, num verdadeiro amor e cuidado com nossos irmãos e irmãs.

Ó glorioso São Sebastião, nosso excelso padroeiro, livrai-nos dessa pandemia que afeta nossos corpos e confunde nossas mentes. Dai-nos a certeza que a esperança não decepciona e que Deus jamais nos abandona. Amém!

Padre Carlos Augusto Azevedo da Silva
Vigário Paroquial da Paroquia Divino Espírito Santo e São João Batista, no Maracanã


Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.