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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 29/09/2020

29 de Setembro de 2020

Educar o ser humano na sua dimensão integral

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Educar o ser humano na sua dimensão integral

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08/02/2020 00:00
Por: Redação

Educar o ser humano na sua dimensão integral 0

O Vicariato Episcopal para a Educação promoveu no dia 8 de fevereiro, no Colégio Santo Agostinho, no Leblon, um simpósio que refletiu a educação da juventude católica, tendo como tema: “Divini Illius Magistri: 90 anos”, que é o título de uma encíclica do Papa Pio XI, lançada no dia 31 de dezembro de 1929.

O simpósio é mais um evento que o vicariato promove com a finalidade de formar e atualizar os professores e pessoas engajadas no mundo da educação católica.

Em uma entrevista, o vigário episcopal para a Educação, padre Thiago Azevedo Pereira, aborda o assunto que faz parte das preocupações da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

Quando foi criado o Vicariato Episcopal para a Educação na Arquidiocese do Rio?
Padre Thiago Azevedo - Faz parte da missão da Igreja Católica a preocupação com o mundo da educação. Já existia na arquidiocese, desde a década de 1980, um departamento de ensino religioso, que acompanhava a dinâmica dos colégios católicos. Mas, no dia 15 de outubro de 2018, memória de Santa Teresa de Ávila e Dia dos Professores, o nosso arcebispo, Cardeal Orani João Tempesta, criou o Vicariato Episcopal para a Educação. A criação do vicariato no Rio, assim como aconteceu nas arquidioceses de São Paulo e Juiz de Fora, foi um pedido da Igreja no Brasil, algo que vem sendo discutido e ampliado, a cada ano, nas assembleias dos bispos.

Qual é a finalidade do Vicariato Episcopal para a Educação?
Padre Thiago Azevedo - A missão deste vicariato é conhecer, acompanhar e auxiliar os colégios católicos instalados no Rio de Janeiro e que estão ligados direta ou indiretamente à arquidiocese. O Rio tem cerca de 75 colégios católicos de ensino fundamental e ensino médio, mantidos por paróquias, irmandades, grupos e congregações religiosas.

Faz parte também das nossas preocupações o ensino religioso confessional nas escolas estaduais e municipais, que foi transformado em lei, em âmbito estadual, desde 2000, e em âmbito municipal, desde 2003.

Também acompanhamos os professores leigos, de modo geral, concursados, formados com dupla titularidade, alguns com licenciatura. Além disso, eles também devem ter uma formação teológica, e podem ser preparados na Escola Mater Ecclesiae ou no Instituto Superior de Ciências Religiosas, vinculados à arquidiocese.

O vicariato também acompanha as creches e universidades?
Padre Thiago Azevedo - Acompanhamos também as inúmeras creches que existem na Arquidiocese do Rio, vinculadas à Associação das Creches do Estado do Rio de Janeiro. Neste aspecto, temos que recordar a atuação do padre Enrico Arrigoni, da Paróquia Santa Cruz, em Copacabana. Ele acompanha e muito fez para que a prefeitura aumentasse a verba para a manutenção das creches conveniadas.

Com relação às universidades, podemos citar a Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), a Universidade Santa Úrsula e a Faculdade de São Bento.
Na PUC-Rio temos os padres jesuítas que estão à frente da reitoria, e, em âmbito espiritual, o padre Alexandre Paciolli de Oliveira, que é o reitor da Igreja Sagrado Coração de Jesus, instalada no próprio campus da universidade. Inserido neste trabalho está o MOVE - Programa de Liderança Católica, um núcleo de movimentação da liderança católica que atua especificamente dentro da PUC-Rio.

O link com a Universidade Santa Úrsula é feito pelo monsenhor Manuel Manangão, vigário episcopal para a Caridade Social, que consegue até bolsas de estudo para os menos favorecidos.

Quem pode participar dos eventos do vicariato?
Padre Thiago Azevedo - Na estrutura da Arquidiocese do Rio existem oito vicariatos territoriais e mais cinco não territoriais, ligados a pessoas ou atividades, como é o caso Caridade Social, Comunicação e Cultura, Vida Consagrada, Irmandades e, o caçula, o da Educação. O Vicariato para a Educação é muito amplo, e nele estão ligadas todas as pessoas que fazem parte do mundo da educação, começando pelos que estão envolvidos com os colégios católicos, como professores, funcionários, pais e alunos. O vicariato ainda contempla a Pastoral da Educação, formada por professores, mas também por estudantes acadêmicos. De modo geral, qualquer pessoa interessada na educação católica pode participar das atividades propostas pelo Vicariato Episcopal para a Educação.

Qual é o panorama da educação, hoje?
Padre Thiago Azevedo - A educação vive tempos difíceis. Quando se fala sobre o mundo da educação, muitas vezes ela é usada como forma de militância, e alguns acreditam que ela serve apenas para formar pessoas para o mercado de trabalho. Educação é muito mais. O grande desafio da educação hoje é educar o ser humano na dimensão integral: a formação da pessoa humana.

Diante de tempos difíceis, como está a realidade das escolas católicas no Rio de Janeiro?
Padre Thiago Azevedo - Apesar de todos os esforços, três colégios católicos do Rio encerraram suas atividades em 2019: o Instituto Padre Leonardo Carrescia, no Rio Comprido, o Colégio Guido de Fontgalland, em Copacabana, e recentemente, o Instituto São José, em Jacarepaguá. Isto aconteceu, devido à grande concorrência do mercado, uma luta acirrada, quando muitas escolas são mantidas com capital estrangeiro ou grandes investidores.

Outro fator são congregações religiosas com dificuldades de vocações. A falta de rejuvenescimento dentro da congregação impede de levar adiante uma obra, às vezes iniciada por santos fundadores.

Por outro lado, vemos a maioria das instituições de educação católica caminhando com dificuldades, mas, sobretudo, num panorama de perseverança e fidelidade, e algumas com filas de espera para matrículas.

O vicariato já é conhecido na arquidiocese?
Padre Thiago Azevedo - Cinco meses após a criação do Vicariato para a Educação, promovemos o primeiro Simpósio Arquidiocesano de Educação Católica, realizado no dia 23 de fevereiro de 2019, no Colégio Zacarias, no Catete.

Tivemos, entre outros conferencistas, o professor Felipe Nery, do Instituto Sophia Perennis, com sede em São Paulo, que nos ajudou a refletir o tema proposto, com a presença de 400 pessoas.

O simpósio possibilitou uma maior aproximação e interlocução com os diretores de colégios católicos, os professores de ensino religioso confessional e, principalmente, os pais e mães comprometidos com o mundo da educação.

Entre os frutos, percebemos que o vicariato ficou mais conhecido e as pessoas começaram a participar das atividades programadas. Também percebemos a formação de grupos de estudo para rezar e conversar sobre como educar os filhos a partir da lei de Deus
.
O que fazer quando uma família não tem condições financeiras de matricular um filho numa escola católica?
Padre Thiago Azevedo - A maioria dos colégios católicos são instituições filantrópicas, que precisam conceder 20% de bolsas para se manterem filantrópicas. Em todos os colégios, desde os mais caros até os com preços mais acessíveis, há bolsistas. Quem deseja buscar uma educação católica de qualidade para seus filhos, deve procurar, com todos os documentos exigidos, o setor de assistência social da instituição, que irá avaliar e definir a acessibilidade de uma bolsa integral ou parcial.

O que deve ser feito quando uma escola católica assume determinadas posturas que são contrárias a o que os pais desejam para seus filhos?
Padre Thiago Azevedo - Não há uma blindagem, e por isso os problemas do mundo também entram nas escolas católicas. Os pais não devem ir ou frequentar as escolas somente no início e no fim de cada ano, mas participar ativamente de todo o processo educacional de seus filhos. É preciso ter uma linha de interlocução com a direção da escola e com a coordenação pedagógica, e caso se veja alguma proposta diferente, o melhor caminho é cobrar uma postura católica.

O que é o projeto “A Igreja no Brasil, com o Papa Francisco, pelo Pacto Educativo Global”, realizado no dia 31 de janeiro, em Brasília, organizado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil?

Padre Thiago Azevedo - Junto com outros educadores de diversos estados brasileiros, eu estive presente neste lançamento, representando a nossa arquidiocese e o nosso vicariato. Este evento vai acontecer no dia 14 de maio, no Vaticano, por iniciativa do Papa Francisco, e a Igreja no Brasil abraçou o projeto com o desejo de contribuir com a educação global.

A Unesco reconhece que o Papa Francisco é no mundo hoje uma autoridade moral, que não fala só para quem está dentro da Igreja, mas para o mundo. Ele, com sua postura, pode cobrar ou resgatar este pacto de aliança pela educação. Sabemos que a educação é um direito universal, mas não é uma realidade, e por isso a necessidade de uma voz forte que possa clamar por uma educação digna e de qualidade de valores para as nossas crianças.

Entrevista: Raphael Freire
Texto: Carlos Moioli


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