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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 04/04/2020

04 de Abril de 2020

Missão Amor Que Cura

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27/12/2019 18:23
Por: Redação

Missão Amor Que Cura 0

‘Nossa presença é o sinal de que Deus te ama e não se esqueceu de você’

“No ‘ide’ de Jesus estão presentes os cenários e os desafios sempre novos da missão evangelizadora da Igreja, e hoje todos somos chamados a esta nova saída missionária. Cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho”, escreveu o Papa Francisco em sua primeira exortação apostólica, “Evangelii Gaudium”, após o Sínodo dos Bispos, em 2013. Um dos exemplos dessa Igreja em saída a qual o Pontífice se refere pode ser testemunhado na “Missão Amor que Cura”, que procura levar ajuda material e espiritual às pessoas em extrema vulnerabilidade social.

Fundada em 2015 pelo Hospital São Francisco de Assis na Providência de Deus, na Tijuca, a missão tem trabalhos sociais voltados para pessoas em situação de rua, população carcerária e pessoas em extrema pobreza, principalmente no Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, onde, até 2012, funcionava o maior lixão da América Latina. O projeto visa levar assistência médica, alimentos, roupas e remédios, tendo feito mais de 1.800 atendimentos médicos em 13 missões realizadas durante o ano de 2019.

Segundo o idealizador da missão e diretor geral do Hospital São Francisco na Providência de Deus, frei Paulo Batista, apesar do fechamento do lixão, ainda há despejo irregular de lixo no Jardim Gramacho e muitas famílias ainda vivem da reciclagem e em condições de extrema pobreza.

“Mesmo com o fechamento do lixão, ainda há uma área de despejo ilegal, onde as pessoas vivem do lixo, no lixo e como se fossem lixo. Essas pessoas em situação de extrema pobreza vivem em barracos de madeira e lona achadas no meio do lixo, com um ou dois cômodos no máximo. Há famílias de até dez pessoas convivendo no mesmo ambiente. Faltam acesso à educação, saúde, esgoto, água tratada ou qualquer tipo de saneamento básico. O único atendimento que essas pessoas recebem vem de ONGs e organizações religiosas”, disse.

A missão em Gramacho acontece uma vez por mês e é acompanhada por médicos, odontologistas e enfermeiros voluntários, com distribuição de medicamentos e mais de 500 alimentos por visita. O projeto também tem o apoio da organização de jovens do Colégio Santos Anjos, que brinca com as crianças durante os atendimentos, com o objetivo de integrar e passar valores.

Entre as organizações que atuam no Jardim Gramacho, a Missão Amor que Cura é a única voltada ao atendimento médico, o que torna o trabalho voluntário ainda mais importante.

“Observo que os missionários vão com um amor incomparável. Pessoas que, mesmo tendo seus consultórios e suas atividades, renunciam a tudo isso durante um sábado no mês para ir a Gramacho. Quando você olha esses exemplos é impossível não questionar a sua própria postura. Eles nos contagiam. Por diversas vezes eu vi missionários que levantaram de suas cadeiras em seus postos para adentrarem as casas das pessoas, passando pelo meio do lixo e indo aonde ninguém chega para atender alguém que não consegue sair da cama. De todas as organizações que oferecem ajuda às pessoas ali, a única direcionada à saúde é a Amor que Cura. É a única forma que muitas daquelas pessoas têm de conseguir um remédio ou um atendimento médico”, afirmou frei Paulo.

Ele ainda ressaltou a importância do serviço espiritual prestado pela Missão Amor que Cura no bairro.

“O mais triste de perceber nessas situações é que muitos valores ainda não chegaram a essas pessoas. Quando chegamos lá, há quase quatro anos, encontramos necessidade extrema de uma missão. Não havia naquela comunidade nenhuma referência religiosa. Quando chegávamos vestindo os hábitos, as pessoas nem entendiam o que era aquilo. Quando falávamos de Deus em um sentido católico, percebíamos que não havia nenhuma referência ali sobre o que estávamos falando. Hoje, percebemos que muita coisa já mudou, já conseguimos celebrar missa com eles”, disse.

Em 2017, a missão passou a atuar nas unidades prisionais do Rio de Janeiro a pedido da Pastoral Carcerária e da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária, que relatavam que muitas pessoas dentro dos presídios não recebiam atendimento médico.

“Começamos em Japeri. Na primeira vez fomos com três médicos e todos os presos estavam com escabiose, que é uma doença de pele. Alguns se coçavam tanto que sangravam, os uniformes tinham manchas de sangue. Tivemos que retornar, e conseguimos acabar com os casos de escabiose. A partir daí a gente começou a ser solicitado para atuar em várias unidades”, contou frei Paulo.

Segundo frei Paulo, a missão vai mensalmente a unidades prisionais, com uma média de mil atendimentos por visita. Ele também destacou que a missão no cárcere é um exemplo do chamado e do perdão de Deus.

“Na missão no cárcere nós sentimos fortemente o chamado de Deus, porque percebemos que o sistema prisional é totalmente esquecido e abandonado. Há uma revolta da sociedade. Muitas vezes, nós cristãos repetimos frases nada cristãs referentes a esse sistema. Nós somos chamados a responder com amor, como Jesus fez. Se Deus respondesse às nossas atitudes como respondemos a atitudes dos outros para conosco, nem existiríamos mais”, destacou a importância do atendimento espiritual nas visitas, indo além do cuidado imediato.

“Quando chegamos às unidades prisionais, não oferecemos apenas o atendimento médico, nós também falamos sobre a pessoa de Jesus, e anunciamos: ‘Nossa presença é o sinal de que Deus te ama e não se esqueceu de você’. Após a missão, alguns presos nos procuram e perguntam onde é o nosso endereço, porque querem continuar conosco, nos ajudar. A missão realmente cura, levamos aquilo que é a necessidade básica e imediata, que é a assistência à saúde, mas eles ficam com algo que é eterno, que é o amor de Deus”, disse.

A Missão Amor que Cura é mantida pela Associação Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus e depende de doações e voluntários para realizar as visitas. Os profissionais que desejam se voluntariar podem entrar em contato pelos e-mails amorquecura@alsf.org.br e contato@amorquecura.org. As doações podem ser feitas no Hospital São Francisco na Providência de Deus, localizado na Rua Conde de Bonfim, 1.033, na Tijuca, ou por meio do site www.amorquecura.org.

Entrevista: Carlos Moioli
Texto: João Guilherme Novais
 
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