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06 de Dezembro de 2019

Papa Francisco encerra Sínodo da Amazônia

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01/11/2019 14:30
Por: Radio Vaticano

Papa Francisco encerra Sínodo da Amazônia 0

Papa Francisco encerra Sínodo da Amazônia
‘Ouvir o grito dos pobres, grito de esperança da Igreja’

O documento final do Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-amazônica foi votado e aprovado no dia 26 de outubro, depois de três semanas de discussões. O texto foi divulgado a pedido do Papa Francisco. Na votação, os padres sinodais aprovaram, quase por unanimidade, todos os 120 parágrafos do texto. O quórum mínimo de aprovação era de 120 votos a favor, dois terços do total de 181 padres sinodais votantes.
Tendo como relator-geral do Sínodo o presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia, Cardeal Cláudio Hummes, o texto foi dividido em cinco capítulos, e pede uma conversão que tem diferentes significados: integral, pastoral, cultural, ecológica e sinodal.

Entre tantos temas apresentados estão: a Igreja com rosto indígena, migrante, jovem, um chamado à conversão integral, um diálogo ecumênico, a importância dos valores culturais dos povos amazônicos, a dimensão socioambiental da evangelização, um Igreja ministerial e novos ministérios, além da presença e vez da mulher, e muitas outras propostas.

Ainda no dia 26 de outubro, depois de participar ativamente das três semanas de trabalhos sinodais, o Papa Francisco, a partir de sua experiência, compartilhou sua perspectiva e revelou algumas decisões sobre o Sínodo da Amazônia.

Antes de tudo, agradeceu a todos pelo testemunho de “trabalho, escuta e busca” para colocar em prática o “espírito sinodal”. “Estamos percebendo sempre mais o que é este caminhar juntos e estamos entendendo o que significa discernir, o que significa escutar, o que significa incorporar a rica tradição da Igreja nos momentos conjunturais.”

Exortação pós-sinodal
Francisco citou o compositor austríaco Gustav Mahler, que dizia que a tradição é a salvaguarda do futuro e não a custódia das cinzas. E confidenciou que ainda não tomou uma decisão sobre o tema do próximo Sínodo, que pode ser justamente o da sinodalidade, já que foi um dos três temas que recebeu votação majoritária.

Sobre a Exortação Pós-sinodal, o Papa recordou que não é obrigatória, que o mais simples seria dizer: “Eis aqui o documento, vejam vocês”. “Em todo caso, uma palavra do Papa sobre o que se viveu no Sínodo pode ser uma boa coisa, e gostaria de fazê-lo antes do final do ano, de modo que não passe muito tempo.”

As quatro dimensões
O Pontífice falou, na sequência, sobre as quatro dimensões tratadas no Sínodo Amazônico: cultural, ecológica, social e pastoral.
Quanto à primeira, foram abordados temas como a inculturação, a valorização das culturas e a tradição. Sobre a segunda, o Papa manifestou sua admiração pelo Patriarca Bartolomeu de Constantinopla, um dos pioneiros na conscientização do problema ecológico e da exploração compulsiva, da qual a Amazônia é um dos alvos principais.

Já a dimensão social chama para a causa da exploração das pessoas e a destruição da identidade cultural. A quarta dimensão – a pastoral – é “a principal”. “O anúncio do Evangelho é urgente, urgente. Porém, que seja entendido, assimilado e compreendido por essas culturas.” Para Francisco, uma das expressões fundamentais é “criatividade nos novos ministérios”, inspirados no documento “Ministeria Quaedam” de Paulo VI.

O Papa assumiu o compromisso de reforçar a Comissão para o Estudo do Diaconato Permanente. “Vocês sabem que se chegou a um acordo entre todos sobre o que não estava claro. Recolho o desafio que foi lançado: “que sejamos ouvidas”… recolho este desafio”, disse Francisco em meio aos aplausos.

Outro tema mencionado pelo Pontífice foi “reforma”: para a formação sacerdotal, para o zelo apostólico e para a redistribuição do clero, inclusive entre continentes. A este ponto, fez um agradecimento aos verdadeiros sacerdotes “fidei donum” que “não se apaixonam pelo Primeiro Mundo”.

Mulheres, reformas e ritos
Francisco falou também da mulher: “Nós não nos damos conta do que significa a mulher na Igreja.” O seu papel vai muito além da “parte funcional”, afirmou mais uma vez entre aplausos.

A Rede Eclesial Pan-amazônica (Repam) também foi mencionada como modelo a seguir para uma “semi-conferência episcopal” para a região ou um “Celam amazônico” (Conselho Episcopal Latino-americano). Outra sugestão, desta vez dentro da Cúria Romana, seria criar uma seção amazônica no Dicastério para a Promoção Humana Integral.

Quanto à abertura a novos ritos, Francisco disse que este aspecto cabe à Congregação para o Culto Divino e pode ser realizado segundo certos critérios e “eu sei que se pode fazer muito bem e fazer as propostas necessárias para a inculturação”.

Elite católica
Por fim, os agradecimentos a quem trabalhou “escondido” nas secretarias, e também aos meios de comunicação. Aos profissionais da imprensa, um conselho: do Documento final, ressaltar sobretudo a parte da “diagnose” feita, porque “é realmente a parte em que o Sínodo mais se expressou: diagnose cultural, social, pastoral, ecológica, porque a sociedade deve assumir a sua responsabilidade.

Mais importante do que saber o que foi decidido sobre um aspecto particular, disciplinar, ou “qual partido venceu”, é saber que “todos vencemos com as diagnoses feitas e com o que foi avante nas questões pastorais e intereclesiásticas”.

Francisco falou de grupos da elite cristã, sobretudo católica, que se preocupam com “miudezas” e se esquecem das grandes coisas. A propósito, citou uma frase do escritor francês Charles Péguy: “Porque não têm a coragem de estar com o mundo, creem estar com Deus. Porque não têm a coragem de comprometer-se nas opções de vida do homem, creem lutar por Deus. Porque não amam ninguém, creem amar a Deus”.

Ao se desculpar pela “petulância”, o Papa concluiu de maneira “tradicional”: pedindo que rezem por ele.

Missa de encerramento do Sínodo
“A ‘religião do eu’ continua, hipócrita com os seus ritos e as suas ‘orações’, porém, muitos são católicos, se confessam católicos, mas se esqueceram de ser cristãos e humanos”, disse o Papa Francisco em sua homilia, na missa de encerramento da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-amazônica, no dia 27 de outubro, na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Na homilia, o pontífice refletiu sobre a parábola de Jesus que aborda a oração do fariseu e do publicano, dando ainda destaque para a primeira leitura, sobre a ‘oração do pobre’. Segundo o Papa, os erros do passado não foram suficientes para causar ferimentos aos irmãos e à irmã terra, prova disso é o rosto desfigurado da Amazônia. “Rezemos pedindo a graça de não nos considerarmos superiores, não nos julgarmos íntegros, nem nos tornarmos cínicos e escarnecedores. Peçamos a Jesus que nos cure de criticar e queixar dos outros, de desprezar seja quem for: são coisas que desagradam a Deus”, disse.

A oração do publicano, conforme afirmou o Papa, ajuda a compreender o que é agradável a Deus. “A oração nasce do coração, é transparente: coloca diante de Deus o coração, não as aparências. Rezar é deixar-se olhar dentro por Deus, sem simulações, sem desculpas nem justificações”, disse o pontífice, destacando que “do diabo, vêm escuridão e falsidade; de Deus, luz e verdade”.

O Papa sublinhou que todos devem considerar a necessidade da salvação, porque a religião de Deus é misericórdia com quem se reconhece miserável. Considerar-se justo é deixar Deus, o único justo, fora de casa. Peçamos a Deus “a graça de nos sentirmos necessitados de misericórdia, pobres intimamente. Por isso, faz-nos bem frequentar os pobres, para nos lembrarmos de que somos pobres, para nos recordarmos de que a salvação de Deus só age num clima de pobreza interior”.

Pobres: os porteiros do Céu
O Livro do Eclesiástico fala que a oração do pobre “chegará até as nuvens”. “Enquanto a oração de quem se considera justo fica por terra, esmagada pela força de gravidade do egoísmo, a do pobre sobe, direta, até Deus.

O sentido da fé do Povo de Deus é ver nos pobres “os porteiros do Céu”: aquele “sensus fidei” que faltava no Documento final. São eles que nos abrirão, ou não, as portas da vida eterna; eles que não se consideraram senhores nesta vida, que não se antepuseram aos outros, que tiveram somente em Deus a sua própria riqueza. São ícones vivos da profecia cristã”.

“Neste Sínodo, tivemos a graça de escutar as vozes dos pobres e refletir sobre a precariedade de suas vidas, ameaçadas por modelos de progresso predatórios. No entanto, precisamente nesta situação, muitos nos testemunharam que é possível olhar a realidade de modo diferente, acolhendo-a de mãos abertas como uma dádiva, habitando na criação, não como meio a ser explorado, mas como casa a ser protegida, confiando em Deus. Ele é Pai e ‘ouvirá a oração do oprimido’. Quantas vezes, mesmo na Igreja, as vozes dos pobres não são ouvidas, acabando talvez desprezadas ou silenciadas porque incômodas.”

Francisco concluiu dizendo que devemos rezar “pedindo a graça de saber ouvir o grito dos pobres: é o grito de esperança da Igreja. Assumindo nós o seu grito, temos a certeza de que a nossa oração atravessará as nuvens”.

Rádio Vaticano


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