Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 13/10/2019

13 de Outubro de 2019

Ele nada antepôs ao amor de Cristo...

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13/09/2019 11:25
Por: Redação

Ele nada antepôs ao amor de Cristo... 0

Estamos celebrando o centenário de nascimento de nosso estimado Dom Estêvão Bettencourt, OSB. Tendo recebido o nome de Flávio Tavares Bettencourt, ele nasceu no Rio de Janeiro, no dia 16 de setembro de 1919, filho de Antônio de Souza Bettencourt e Maria Tavares Bettencourt. Foi batizado na Matriz de Nossa Senhora da Glória (Largo do Machado) no dia 9 de novembro do mesmo ano, e fez sua primeira comunhão no dia 15 de agosto de 1930, na Capela do Colégio das Irmãs de Sion.

Tendo feito o antigo curso ginasial no Colégio de São Bento do Rio de Janeiro, conviveu ali com grandes monges e, assim, foi brotando sua vocação monástica. No dia 1 de fevereiro de 1936, ingressou no mosteiro e, tendo recebido, no dia 6 de outubro do mesmo ano, das mãos do então abade Dom Tomás Keller o hábito monástico, foi-lhe dado o nome de Estêvão, o protomártir (cf. At 7,59), em virtude de sua devoção aos mártires da Igreja primitiva.

Sempre dedicado aos estudos, Dom Estêvão foi enviado para Roma, onde permaneceu de 1937 a 1945. Fez o doutorado no Pontifício Ateneu Santo Anselmo, com tese sobre a “Doutrina Ascética de Orígenes de Alexandria”. Sua profissão monástica solene foi feita em 7 de novembro de 1940, em Monte Cassino. Recebeu o diaconato em 12 julho de 1942, na Basílica Santo Antônio de Pádua, em Roma, e sua ordenação presbiteral deu-se na Igreja de Santa Inês, grande mártir amada pelos romanos, na Piazza Navona, no dia 18 de julho de 1943.

Dom Estêvão não se contentou somente com o doutorado em Santo Anselmo. Frequentou, também, o Pontifício Instituto Bíblico e, retornando ao Brasil em 1945, completou aqui mesmo seus estudos de Sagrada Escritura com um seminário sobre a Sabedoria Personificada no Antigo Testamento, com a orientação de Dom Abade Tomás Keller e as devidas despensas do então reitor do Pontifício Instituto Bíblico.

Dom Estêvão passou a dedicar-se, então, com muito esmero, ao ensino da Sagrada Teologia, de modo particular na Escola Teológica da Congregação Beneditina do Brasil e, mais tarde, em tantos outros organismos educacionais de nossa arquidiocese, de modo particular do Seminário Arquidiocesano de São José.

A Escola de Fé Mater Ecclesiae e Luz e Vida, fundada em 1964 pelo também ilustre Dom Cirilo Folch Gomes, OSB, teve sua continuidade graças ao trabalho incansável de Dom Estêvão. Quando assumiu sua direção, na década de 80, ele criou os cursos por correspondência. Hoje, a escola conta com 21 livros que versam sobre os diversos tratados da teologia e mais três dedicados, exclusivamente, ao estudo da Sagrada Escritura. Além disso, Dom Estêvão compôs 66 opúsculos, tratando de diversos temas, na sua maioria de apologética, procurando esclarecer a fé e torná-la acessível a todos.

Não poderíamos deixar de citar, embora nem de longe tenhamos sido exaustivos, seus inúmeros artigos na revista “Pergunte e Responderemos”. Em alguns deles podemos sentir a profundidade espiritual deste grande homem de Deus. Em 1973, ele escreveu essa belíssima passagem sobre a oração: “A oração será sempre o primeiro e o último dos recursos aplicados pelo cristão em qualquer situação da vida; às vezes, as graves tribulações vêm a ser o impulso salutar que desperta o homem indiferente e autossuficiente para que se dirija ao Pai do céu; a tribulação pode ser, para o cristão, o momento de refazer a sua escala de valores e colocar em primeiro plano alguns deles que estejam esquecidos.”

Mais tarde, quase como já entrevendo, na altura dos seus 71 anos, algumas nesgas da vida eterna, escreveu: ““...com o olhar mais perspicaz ou liberto do colorido das metas terrestres ou imediatas, o ancião tem o coração mais livre para considerar os valores definitivos e encaminhar-se para eles sem tantos entraves...”

Sua Páscoa se deu no dia 14 de abril de 2008, deixando uma grande saudade no coração de muitos dos seus alunos, ouvintes, leitores, admiradores, irmãos de caminhada. Na sede das Escolas de Fé Mater Ecclesiae, guarda-se uma lembrança, que registra um dos seus últimos conselhos: “Guarde sua paz, entregue-se a Jesus. Continue a estudar e trabalhar firme. Não se preocupe com o passado, olhe o presente e o futuro com absoluta confiança em Deus”.

Dom Estêvão foi um verdadeiro filho de São Bento que soube “nada antepor ao amor de Cristo”. Que o seu exemplo nos ilumine para que, perseverando sempre nos caminhos do Senhor e, também, “nada antepondo ao amor de Cristo”, possamos ser-lhe fiéis, apesar de nossas debilidades.


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