Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/09/2019

20 de Setembro de 2019

Há 280 anos formando pastores missionários para a Igreja

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20 de Setembro de 2019

Há 280 anos formando pastores missionários para a Igreja

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30/08/2019 11:19
Por: Carlos Moioli

Há 280 anos formando pastores missionários para a Igreja 0

Em pleno Ano Vocacional Sacerdotal, o Seminário de São José celebra 280 anos de fundação, formando pastores missionários para uma ‘Igreja em saída’. A missa em ação de graças pelos 280 anos do seminário acontecerá no dia 5 de setembro, às 10h30, na Igreja de São Pedro, no Rio Comprido, presidida pelo arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta. A comunidade do seminário organiza as comemorações, sob a direção do reitor, cônego Leandro de Souza Câmara.

Semana missionária
De 4 a 10 de agosto, os seminaristas aproveitaram o período de férias e estiveram em missão em seis paróquias da arquidiocese. Eles foram enviados no dia 3 de agosto pelo Cardeal Orani João Tempesta, durante a celebração pelo Dia do Padre, realizada na Catedral de São Sebastião. Também houve o tradicional Curso de Inverno, em Itaipava, e o encontro dos seminaristas que fazem a experiência do movimento eclesial Comunhão e Libertação.

Comunidade São Filipe Néri
O ‘tempo de graça’ da missão foi realizado na Paróquia Nossa Senhora da Guia, em Lins de Vasconcelos, sob as orientações do pároco e também formador do Seminário de São José, padre Claudio dos Santos Fernandes. O anúncio do Evangelho foi feito nas casas, capelas, empresas, em escola de samba, hospital, numa cracolândia e na Fraternidade Sol de Assis.

“Vimos o quanto é difícil a forma como as pessoas se encontram na atualidade, e quanto elas têm sede de Deus, desse amor que sacia a todos, e o quanto fomos instrumentos usados por Deus, por pura graça, para sermos resposta a essas pessoas que tanto carecem de um sorriso, uma oração”, disse Dionatah Amorim da Silva, do terceiro ano de filosofia.

Segundo os seminaristas, o que ficou mais evidente como aprendizado da missão foi a capacidade de Cristo agir e comunicar a Sua graça mesmo em meio as imperfeições e fragilidades humanas.

“Diante de uma realidade social marcada pela violência, medo e desconfiança, a missão nos acrescentou muito enquanto pessoas e futuros consagrados. Tivemos a oportunidade de transmitir mensagens de paz e o anúncio de Jesus Cristo. A acolhida e o carinho dos paroquianos, e a graça de Deus sempre presente fez com que as pessoas se familiarizassem com nossa presença, e assim Deus nos foi levando a lugares mais improváveis”, disse Vinícius de Oliveira Alegria, do primeiro ano de teologia.

Comunidade São João Maria Vianney
No território da Paróquia Imaculada Conceição, no bairro São Vitor, em Campo Grande, os seminaristas puderam viver o que o Papa Francisco falou em uma das suas audiências em relação ao ardor missionário: “Na missão deve brilhar sempre a alegria e a misericórdia”.
Hospedados nas casas dos paroquianos, os seminaristas puderam conviver com a comunidade, nas capelas, participar do dia a dia do pároco, padre Walter Vieira Neto, fazer visitas nas casas, participar de momentos de formação em âmbito paroquial e presidir celebrações da Palavra nos círculos bíblicos.

A recepção calorosa do povo, que sedento da Palavra e da vivência da fé fortaleceu os seminaristas no ardor missionário e nas vocações: “Vimos o quanto o povo de Deus é generoso e reza pelas vocações”, afirmou o seminarista William Coutinho.

Allexsandro Martins Valente, do terceiro ano de teologia, contou que é o oitavo ano que ele faz uma ação missionária dentro e fora da arquidiocese, e se alegra em dizer que cada uma é uma verdadeira experiência de Deus.

“Pude encontrar em cada casa que visitei verdadeiras histórias de seguimento a Cristo, conversões sinceras e pessoas que não possuem medo de entregar a vida a Deus nas dificuldades de cada dia. Sou grato ao Senhor por tudo o que Ele tem feito em nosso favor nestes poucos dias de missão, quando sentimos as alegrias de um coração verdadeiramente sacerdotal, cujo carisma não se perde em meio às muitas atividades que são propostas, mas que se dedica por inteiro no cuidado para com as almas, confiadas por Nosso Senhor a cada um de nós, no redil que é a Igreja”, disse Allexsandro.

Na sua paróquia de origem, onde nasceu sua vocação, Gabriel dos Santos Sousa Bezerra, do terceiro ano de filosofia, disse que ficou edificado com o testemunhos de pessoas que são motivadas pela fé, mesmo na enfermidade, no desemprego e na solidão.

“Ao me deparar com cada irmão e irmã durante a missão, minha fé foi revigorada através das maravilhas de Deus que pude ouvir e ver de todos aqueles que abriram a porta de suas casas para nós. Ao ouvir ‘Como foi bom vocês virem na minha casa!’, senti no meu coração o Senhor me chamando mais uma vez a ser fiel ao chamado que Ele me fez, indo atrás das ovelhas que não podiam ir ao encontro do pastor”, disse Gabriel.

Comunidade São José de Anchieta
Realizada na Paróquia São Dimas, em Padre Miguel, a missão serviu para preparar os seminaristas na missão de ser um pastor de almas. “Avocação sempre é confirmada na pastoral”, disse o pároco, padre Claudio Barauna.

A missão foi constituída de três frentes de ação evangelizadora, com o apoio dos paroquianos que acolheram os seminaristas em suas casas, acompanharam nas visitas de casa em casa, cuidaram da cozinha e auxiliaram na liturgia.

Segundo o seminarista Álef Bragança, do primeiro ano de teologia, o tempo de missão é a melhor oportunidade de crescer na fé e no amor a Jesus Cristo, e de confirmação da vocação.

“A cada missão que faço sinto confirmar no meu coração o chamado a me doar por inteiro por amor à Igreja e pela salvação e cuidado das almas. É como um matrimônio místico, espiritual, que me inunda por inteiro, de forma que meu coração se dilata para amar a todas as pessoas”, disse Álef.
Além das visitas às casas realizadas no territorial paroquial, inclusive nas capelas, os seminaristas puderam lecionar algumas matérias filosóficas e teológicas no Curso de Férias, promovido pelo Instituto Superior de Ciências Religiosas (ISCR), juntamente com o Seminário de São José, contribuindo para a formação humana e doutrinária dos fiéis leigos. A terceira ação constituiu de momentos de louvor, celebrações eucarísticas e adoração ao Santíssimo, animada pela banda dos seminaristas, que também faziam pregações. A rotina da missão foi marcada pela primazia da oração sem, contudo, deixar de ser dada a devida importância ao trabalho pastoral.

“O tempo de missão é sempre desafiante e graças a Deus o é, pois isto nos pede a confiança total em Deus, que faz a obra. Assim foi em São Dimas, como toda paróquia precisa sempre de um impulso missionário, quer seja para ser instrumento de plantio, de rega ou de colheita da Palavra de Deus. O falar e o ouvir, que a missão exige especialmente para nós, seminaristas, nos recorda para o que fomos chamados e o quanto ainda a messe é grande”, disse Pedro Ivo, do primeiro ano de filosofia.

Comunidade São Josemaría Escrivá
A missão na Paróquia São Sebastião, em Bento Ribeiro, foi realizada por 18 seminaristas e dois diáconos, sob a orientação do pároco, padre Alexander Prata de Oliveira, que celebrou 20 anos de sacerdócio.

O território paroquial foi dividido em setores, onde duplas ou trios de seminaristas realizaram visitas às famílias, comércios, escolas e aos enfermos. Os seminaristas também deram testemunho vocacional, e estiveram pregando em celebrações, grupos de oração, terço na praça e no retiro paroquial. Eles também estiveram à frente do Curso de Férias. “A experiência da missão foi muito rica, porque estive trabalhando de forma específica na secretaria do Curso de Férias e pude perceber que as pessoas tinham um grande interesse por um aprofundamento maior daquilo que é a nossa fé e também, como diziam, de viver ainda melhor a sua fé”, disse Frederico Rodrigues Farias, do segundo ano de teologia.

O seminarista Eduardo Puell de Carvalho Rodrigues, do segundo ano de filosofia, contou que viveu momentos intensos durante as visitas que marcaram a sua vida e também das pessoas.

Durante uma visita, uma senhora abrindo o coração disse: “Eu não rezo, não queria ser assim, queria rezar”. Apresentei a ela a Rádio Catedral como um instrumento de evangelização da arquidiocese. Eram 15h, e estava sendo transmitido o Terço da Misericórdia, naquele dia conduzido por meu pároco de origem, padre Márcio Moura, que ao ver minha mensagem mandou ao vivo um abraço para quem eu estava visitando. Para minha alegria, pude vê-la na quarta-feira na missa e na sexta-feira, seu aniversário natalício, indo participar da missa para agradecer a Deus o dom da vida. A missão teve muitos frutos, esse foi apenas um deles”, disse Eduardo.

Walerson Jorge Santiago do Nascimento, do terceiro ano de filosofia, teve a alegria de fazer a missão na sua paróquia de origem e reavivar a infância, a juventude e história vocacional junto à comunidade em que foi gerada a sua vocação sacerdotal.

“Tive a alegria de ver uma comunidade se entregando e ajudando verdadeiramente ao serviço junto às atividades da missão. Um novo tempo se abriu em nossa comunidade: a graça de ver pessoas que se encontravam afastadas das atividades pastorais com o desejo de retorno ao serviço junto à paróquia. Isso tudo fez meu coração transbordar de alegria como um pastor que vê a casa de Deus ser restaurada, pois só quem conhece profundamente uma comunidade sabe das necessidades e tudo que precisa ser atingido. Depois das missões, tenho certeza, a minha paróquia de origem não é mais a mesma”, disse Walerson.

Comunidade São Luís Maria Grignion de Montfort
Realizada na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Paciência, a experiência missionária dos seminaristas mais velhos, também conhecida como Comunidade Matusalém, foi muita rica, porque eles viveram a missão conforme orienta o Evangelho: nada levaram pelo caminho a não ser um coração desejoso por anunciar a boa nova do Ressuscitado. Durante a missão, também foi realizado o Curso de Férias.

Na paróquia administrada pelo padre Sílvio de Barros Gomes, integrada por nove capelas, os seminaristas visitaram muitas casas, em duplas e de batinas. Aos que acolheram a visita pode-se ouvir, entender, compreender muitas histórias marcadas por situações nas quais se percebia claramente a ação de Deus intervindo naquele lar ou ainda, a descoberta e redescoberta da presença de Deus, a conversão e o retorno para a vida em comunidade na paróquia.

Dentre estes, os doentes e pessoas afastados da comunidade não foram esquecidos. Muito pelo contrário, receberam a gratidão, o amor em forma de sorriso e olhos atentos, e a oração cheia de esperança para animar a perseverança na vida de fé.

“Perpassando por cada rua, visitando as residências dos irmãos que encontrávamos, a cada enfermo em seu leito, fomos convidados a experienciar suas vidas, comungando desde suas alegrias aos sofrimentos em que estavam imersos. Ao entrar em cada história, pudemos viver a Palavra de Deus que diz: ‘Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram’ (Rm 12,15). Dentre tantas partilhas de vida escutadas, pude perceber a ação de Deus naquele povo, o mover de sua graça em cada momento de oração. Transbordava em nossos corações, ou seja, víamos Seu agir em cada pessoa, em cada alma entristecida, angustiada pelas penosas dores e aflições da vida cotidiana”, disse Pedro Henrique Ferreira Pereira, do primeiro ano de filosofia

Comunidade São Pio de Pietrelcina
Acolhidos na Paróquia São João Batista, em Rio das Pedras, pelo pároco, padre Marcos Vinício Miranda Vieira, e pelo vigário paroquial, padre Renato Lima, os 25 seminaristas se dedicaram no anúncio do Evangelho e no testemunho cristão com visitas nas casas. Também administraram o Curso de Férias, tiveram encontros com as pastorais e momentos de convivência com o povo de Deus.

O seminarista Caio Dias Pessoa, do terceiro ano de filosofia, contou que pôde conhecer pessoas que caminham junto de Deus, e outras que se encontram afastadas e abandonadas, como ovelhas sem pastor.

“Ao entrar em contato com a realidade dos moradores na região em que estávamos, vi a vida dura e difícil que têm. Mesmo com inúmeros sofrimentos, eles caminham com tamanha confiança no Senhor que, mesmo quando tudo parece ir na direção contrária, eles seguem adiante, carregando a cruz por mais um dia. O encontro com eles deixou em mim uma certeza: não há tempo a perder. Hoje, como seminarista, minha missão é rezar, em breve, no ministério que hei de exercer. Vou procurar conduzir muitas almas para o Reino de Deus”, disse Caio.

Bruno Fernandes Carvalho, do primeiro ano de filosofia, disse que a missão em Rio das Pedras foi uma grande oportunidade para evangelização e de conhecer uma realidade diferente da que conhece.

“Ao visitar as casas para rezar com as famílias pude ouvir diversas histórias marcantes que foram grandes testemunhos para mim, pois pude ver que mesmo nas dificuldades que eles passam, tanto financeira ou espiritual, nunca perderam a fé”, disse Bruno.
Curso de Inverno

Além da missão realizada em seis paróquias da arquidiocese, os seminaristas participaram nos dias 31 de julho e 1º de agosto do tradicional Curso de Inverno realizado na Fazenda São Joaquim das Arcas, em Itaipava, sendo ministrado pelo padre Ionaldo Pereira, doutor em administração com ênfase em administração paroquial, cujo tema foi “Educação Financeira”.

Comunhão e Libertação
Os seminaristas que vivem o carisma do movimento católico eclesial Comunhão e Libertação participaram de um encontro em Grumari, na zona oeste do Rio, de 22 a 25 de julho.

O movimento organiza anualmente encontros semelhantes em âmbito nacional nas férias, de acordo com a experiência vivida por cada indivíduo: para colegiais (alunos do ensino médio), universitários e jovens trabalhadores, adultos e sacerdotes.

Por terem um período de férias distinto dos demais universitários e para aprofundarem a vivência do carisma, esta foi a primeira vez que se realizou um encontro voltado para um grupo de seminaristas de modo específico. Semanalmente, alguns seminaristas do Seminário de São José se reúnem em um momento que se chama Escola de Comunidade, um momento privilegiado de partilha e crescimento espiritual, seguindo o carisma de Luigi Giussani. O grupo é guiado pelo padre Álvaro José da Silva, que acompanha os seminaristas e se empenhou na organização do primeiro encontro.

Carlos Moioli


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