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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/08/2019

19 de Agosto de 2019

A presença da Igreja junto aos moradores em situação de rua

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19 de Agosto de 2019

A presença da Igreja junto aos moradores em situação de rua

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22/07/2019 15:28
Por: Redação

A presença da Igreja junto aos moradores em situação de rua 0

O arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta, esteve presente na missão com os moradores em situação de rua, na noite do dia 15 de julho, na área central da cidade. Ele esteve acompanhado de seminaristas, agentes da Catedral de São Sebastião, missionários da Comunidade Pequena Nuvem e consagrados da Toca de Assis e da Fraternidade Missionária O Caminho. Houve a distribuição de lanches e cobertores, encaminhamentos e até o acolhimento de moradores que aceitaram fazer tratamentos nas instituições terapêuticas católicas.

A missão foi uma iniciativa do pároco da Catedral, cônego Cláudio dos Santos, após receber uma doação de 900 cobertores da Ordem do Santo Sepulcro de Jerusalém. Os cobertores começaram a ser distribuídos na própria Catedral, que presta atendimento individual, a semana inteira, para os moradores em situação de rua, além da distribuição de alimentos por meio do projeto “Café que sustenta”.

“Começamos a distribuir os cobertores na Catedral para os moradores em situação de rua que vêm constantemente nos procurar para atendermos suas demandas. Como sobrou, decidimos ir para as ruas, ao encontro dos moradores, e convidamos Dom Orani, ele que sempre se faz presente quando realizamos qualquer evento de promoção social. Ele é um pastor com cheiro de ovelhas, e com certeza está atento à necessidade de cada pessoa, principalmente dos pobres, dos sofridos que vivem nas ruas de nossa cidade, e com este frio que estamos passando, ele com certeza tem esse desejo de, pelo menos, minimizar com um cobertor o sofrimento destes que estão nas ruas”, disse cônego Cláudio.

Solidariedade em rede
Segundo Wagner Ramos, responsável pelo “Café que sustenta”, a missão na rua vai além da distribuição de alimentos e de cobertores. Junto com o testemunho de uma Igreja samaritana, procura oferecer a oportunidade de quem deseja sair da situação de rua.
“Mais que um alívio imediato, nossa proposta é retirar os irmãos da rua, oferecendo condições para as suas recuperações. Trabalhamos um despertar de consciência para que eles possam aderir ao tratamento. Ao mesmo tempo, a missão significa a presença da Igreja junto aos mais pobres. De forma efetiva, é um grande testemunho para nossa sociedade, hoje paganizada”, disse.

Wagner Ramos lembrou ainda que o projeto “Café que sustenta” procura atender todas as demandas dos moradores em situação de rua. Num primeiro momento é feita uma pré-triagem para retirada de documentos, orientações na área da saúde, mas o foco principal são os encaminhamentos para as casas de recuperação.

“Em nossa arquidiocese trabalhamos em rede. Cada uma das instituições faz a sua parte, mas o foco principal é atender quem precisa. Nossa rede é composta, entre outras, pela Toca de Assis, Fraternidade O Caminho, Comunidade Pequena Nuvem, Comunidade Maranatá, Missionárias da Caridade e a Associação Solidários Amigos de Betânia”, disse.

Prediletos de Deus
Uma das comunidades que trabalham com moradores em situação de rua e também mantém uma casa de recuperação é a Fraternidade O Caminho, que atua no Rio há nove anos.

“Estamos em missão no Rio através de três comunidades: a casa de missão, na Glória, a de formação feminina, em Santa Cruz, e a casa de recuperação, em Campo Grande, nas quais acolhemos nossos ‘filhos’ que passam por um tratamento num período de nove meses”, disse a irmã Dulce Maria.

Presente na missão de rua, a consagrada disse que os moradores em situação de rua querem atenção, muitas vezes, mais que alimentos ou vestimentas. Ela também destacou a presença de Dom Orani na visita.

“A presença de Dom Orani na rua nos acompanhando significa que a Igreja também está presente. É importante que os ‘filhos’ vejam que o pastor se importa também com as suas ovelhas, com os pequeninos. O Evangelho nos ensina que eles, os pequeninos, são os filhos prediletos de Deus. O importante é essa presença junto com eles, que passam o dia inteiro na rua e as pessoas não conseguem enxergá-los. Eles querem um olhar, conversar, partilhar um pouco de sua vida, de suas necessidades”, disse irmã Dulce Maria.

Oração e ação
Entre os missionários da Comunidade Pequena Nuvem estava Marinalva Pereira de Carvalho, que destacou a importância do trabalho de rua.
“É muito bonita a união de forças para servir quem precisa. Falar de Jesus dentro de nossas igrejas é muito fácil. Precisamos sair dos bancos da igreja e ir para a rua. Dom Orani está entre nós, e devia ser um exemplo para todos. Nestes dias de frio, pedi em oração para que Deus fosse o ‘cobertor’ de quem está na rua passando frio. Mas, se eu não for às ruas, se não ir ao encontro deles, como eles serão aquecidos? A oração precisa ser acompanhada pela ação”, disse Marinalva.

Fundada e dirigida pelo diácono Edilson Ezequiel de Lima, a Comunidade Pequena Nuvem mantém três casas na arquidiocese: na Vila do João, na Maré, atende pessoas doentes; na comunidade Salsa e Merengue acolhe, de forma temporária, quem espera uma vaga nas comunidades terapêuticas; e em Engenheiro Pedreira é voltada somente para mulheres.

Por causa de Cristo
Com o coração cheio de gratidão a Deus, o irmão João Bosco, da Toca de Assis, manifestou sua alegria pela oportunidade de ir ao encontro dos irmãos que estão nas calçadas.

“Como é bom manifestar aos irmãos em situação de rua o amor de Deus na vida deles e dizer que eles não estão sozinhos, que têm pessoas que se interessam por eles e querem ajudá-los”, disse.

João Bosco acrescentou que os irmãos em situação de rua são a imagem do Cristo crucificado, chagado e abandonado pelas calçadas.
“Estamos na rua, por causa de Jesus. Ele nos ensinou o que fizermos aos mais pequeninos, é a Ele próprio que estamos fazendo. Ele nos ensinou ainda a amar verdadeiramente os pobres, porque d’Ele que vem todo esse amor. Ele nos dá a graça de ir ao encontro e de anunciar o amor de Deus na vida deles”, disse.

Ele desejou ainda que a misericórdia de Deus possa ser manifestada na vida de cada um que se propõe a cuidar dos mais pobres, e possa ajudá-los a despertarem para uma vida nova, para que possam sair das ruas.

“Há muitos irmãos em situação de rua. Parece difícil, mas o trabalho é de ‘formiguinha’. É preciso lançar as sementes na certeza de ver os frutos lá na frente. Nossa esperança é que as sementes cheguem aos corações e possam despertar em cada um a vida nova que somente Deus pode nos dar”, destacou João Bosco.

Surpresas de Deus
Um dos seminaristas que esteve na missão foi Rodrigo Brum Júnior, do segundo ano de teologia do Seminário de São José. Ele recebeu o convite de Dom Orani, após participar de uma celebração no Palácio São Joaquim, na Glória, que encerrou o período de sua turma de cerimonários do arcebispo. Ele ficou feliz pelo convite, já que não tinha nada planejado, afirmando ser um presente no seu primeiro dia de férias.

“O trabalho com os mais pobres é uma das áreas em que a Igreja pede que se trabalhe na vida dos sacerdotes. Não devemos esquecer que somos homens tirados do meio do povo para servir os homens, não só aqueles que vão até a igreja, mas também os que se encontram nas ruas, em situação de sofrimento, para ser uma presença do Cristo. Já que um dia nós queremos buscá-Lo transfigurado no sacerdócio. Mais uma vez, Deus me surpreendeu e me fez lembrar que os excluídos também são um reflexo d’Ele”, disse.

Bruno Brum também destacou a presença e a simplicidade de Dom Orani junto com os moradores em situação de rua.

“Com muita simplicidade Dom Orani anda no meio deles, faz questão de cumprimentar cada um, de não manter distância, de sentar no banco da praça para perguntar sobre a vida e a situação de cada um. O interesse dele mostra de fato que ele é o pastor da Igreja e da cidade do Rio. Ele é o pastor de todos, mas preferencialmente de quem está ferido, que precisa de um colo, de ajuda para caminhar. Tudo isso nos motiva para a missão, para o sacerdócio”, afirmou.

Carlos Moioli
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