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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 17/07/2019

17 de Julho de 2019

Igreja edificada sobre Pedro

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17 de Julho de 2019

Igreja edificada sobre Pedro

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12/07/2019 13:35
Por: Symone Matias

Igreja edificada sobre Pedro 0

A Igreja em Pedra de Guaratiba também está edificada sobre Pedro
 
A comunidade paroquial de Pedra de Guaratiba, na Zona Oeste, festejou o padroeiro São Pedro, com novena, visita da imagem do padroeiro nas comunidades, quermesse, procissão terrestre e marítima, e missa solene. A festa contou com a presença do arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta, que presidiu, no dia 30 de junho, a Solenidade de São Pedro e São Paulo.

Em uma entrevista para o “Testemunho de Fé”, o pároco, padre Marcus Vinicius Antunes da Trindade, discorreu em relação à festa do padroeiro deste ano e à maneira que a comunidade paroquial vive o carisma de São Pedro, o pescador que se tornou o primeiro Papa da Igreja de Cristo.
Testemunho de Fé - Como acontece a tradicional procissão de São Pedro?

Padre Marcus Vinicius Antunes da Trindade - Durante os festejos do padroeiro, acontece a procissão marítima. É uma tradição da paróquia, do bairro. A procissão terrestre sai da matriz com a imagem histórica de São Pedro num barco-andor, conduzida por pescadores, tradição que acontece desde que a igreja foi construída por volta de 1890. A imagem já estava presente na matriz, e se deduz que ela tenha vindo da Igreja de Nossa Senhora do Desterro, em Pedra de Guaratiba, que é de 1628. A imagem tem o mesmo estilo das demais imagens, que são de madeira. A procissão sai da igreja e percorre toda a beira da Baía de Sepetiba, na orla da praia, situada na Rua Barros de Alarcão. Essa rua é uma homenagem a Dom José de Barros Alarcão, que governou a recém criada Diocese de São Sebastião, de 1680 a 1700. Ele foi o segundo bispo nomeado, mas o primeiro que tomou posse.

TF – Qual é o trajeto da procissão?
Padre Marcus Vinicius - A procissão terrestre tem seu trajeto da matriz até a Baía de Sepetiba para o início da procissão marítima. Até 1988, a procissão começava no porto em frente da Igreja de Nossa Senhora do Desterro. O que não acontece atualmente, porque o píer está interditado e não o utilizamos, por segurança. Tudo indica que em volta da pequena igreja histórica moravam os colonizadores, e já existia no local uma tribo indígena tupinambá. Foram eles que deram o nome de Guaratiba ao local, palavra originada do tupi que significa ‘local onde há muitas garças’.

TF – Como é feito o embarque?
Padre Marcus Vinicius - O embarque é feito através de uma casa em um caico, isto é, uma pequena canoa, que leva o andor e os pescadores até uma embarcação maior, que fica atracada um pouco mais à frente da margem, dentro da Baia de Sepetiba, que abrange toda a área paroquial. Hoje, a procissão conta com entre 30 e 40 embarcações, e seguiu até um local chamado Ponta Grossa. Retornamos em frente a uma praça próxima da matriz, a Praça de São Pedro. Ali, desembarcamos e demos continuidade com a procissão terrestre até a Paróquia São Pedro. Tanto a procissão terrestre como a marítima são animadas pela banda Maestro Deozilio Pinto, e uma das músicas mais cantadas é a “A barca”. Durante o trajeto, paramos em frente ao Mercado de Peixe e à colônia dos pescadores para uma bênção. Neste ano, houve missa presidida por Dom Orani.

TF – Como foi a programação da festa do padroeiro?
Padre Marcus Vinicius – Se divide em algumas partes. A imagem peregrina de São Pedro visita todas as 23 comunidades da paróquia, e fica um dia em cada uma. Tem uma oração própria para os encontros. Para aqueles que não podem vir à capela, como é o caso dos doentes, a imagem visita suas casas. Uma comunidade recebe e, no dia seguinte, leva para outra comunidade. As pessoas vão a pé e de carro, é a tradição. Na semana da festa, a imagem peregrina retorna à matriz.

A segunda parte da programação é a novena de preparação para a festa. Convidamos os padres recém-ordenados da arquidiocese para celebrar, que refletem uma passagem bíblica sobre a vida de São Pedro.

TF – Como é organizada a festa social?
Padre Marcus Vinicius - Na quinta-feira que antecede a festa do padroeiro, durante a novena, todos os envolvidos participam de missa e do ofertório, trazendo cada um objeto que simboliza o seu trabalho. Em seguida, começamos a montagem das estruturas para os festejos que começam no dia seguinte. Ainda na quinta-feira, são montadas as barracas da quermesse. Ao longo da semana, os envolvidos de cada barraca usam o salão da matriz para preparar as comidas. Fazemos questão que a festa não seja profissional, seja uma quermesse. O bairro Pedra de Guaratiba parece uma cidade do interior. Já a festa é do povo, na qual as pessoas doam prendas, que são vendidas nas barracas. As pessoas trabalham, se doam. Tudo isso é muito bonito e gratificante, é uma tradição local.

TF – Como o dia do padroeiro foi comemorado?
Padre Marcus Vinicius - Neste ano, o dia 29 de junho, Dia de São Pedro, caiu num sábado, e tivemos uma programação diferente com missas às 8h e às 10h, dedicada aos pescadores, às 15h, aos doentes, e à noite, já com preceito dominical, que foi seguida de quermesse, com apresentação de danças caipiras. Encerrando os festejos, no dia 30 de junho, comemoramos os apóstolos São Pedro e São Paulo. É o Dia do Papa. Além das celebrações, houve o tradicional almoço com sopa de siri, arroz, pirão e peixe frito com molho de camarão, tudo doado pelos pescadores. Após a procissão, houve a missa presidida por Dom Orani, e ainda uma última, às 18h, seguida de apresentação da banda Maestro Deozilio Pinto.

TF – Teve alguma novidade na festa deste ano?
Padre Marcus Vinicius - Este ano, a novidade durante a Festa de São Pedro foi festejar por terra, mar e ar. Ocorreram procissões terrestres e marítimas, na qual o Clube Esportivo Ultraleve (CEU) apresentou-se com 12 ultraleves.

TF - Qual é a maior característica da comunidade sobre a devoção ao padroeiro?
Padre Marcus Vinicius - Os fiéis da Paróquia São Pedro, em Pedra de Guaratiba, têm um modo muito peculiar de festejar o padroeiro. É uma área pesqueira, e encontramos nas famílias um avô, um pai ou algum dos familiares que foram pescadores. É uma ligação muito forte com São Pedro, porque a paróquia está instalada em Pedra de Guaratiba, e o nome do padroeiro, segundo os evangelhos, significa ‘pedra’. Temos certeza que Jesus tem muito amor por essa paróquia, e nos concedeu a graça de ter São Pedro como padroeiro, dizendo ‘Tu és Pedro e sobre a Pedra de Guaratiba também edificará a minha Igreja’. Com certeza, Ele disse isso.

TF - Qual será o destino da arrecadação da quermesse?
Padre Marcus Vinicius - Os recursos financeiros arrecadados na festa deste ano serão destinados para a conclusão do restauro da matriz. Foi necessário redimensionar a estrutura do prédio para acolher mais pessoas, principalmente nas missas dominicais, e também para ter uma maior circulação delas. No inverno, o clima é muito frio, e no verão, muito quente. Para resolver a questão, redimensionamos a estrutura do prédio da igreja com a abertura de mais janelas, para aproveitar a brisa natural. Estamos preparando a parte interna do templo para sua dedicação. Iremos colocar vitrais com passagens bíblicas que retratam a vida de São Pedro. Cada painel do vitral corresponde a um dia da novena do padroeiro.

TF - O que a paróquia tem feito na área social?
Padre Marcus Vinicius - Para acompanhar e responder as necessidades da paróquia, devido ao crescimento populacional, procuramos aumentar nossa presença na área social através das creches administradas pela paróquia, da distribuição de alimentos para os mais necessitados e do acompanhamento das necessidades das famílias. Somos uma das paróquias mais distantes do centro comercial do Rio, porém nossa experiência paroquial é pautada pela unidade e pela dimensão da fé, sempre em unidade com a arquidiocese.


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