Arquidiocese do Rio de Janeiro

31º 22º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 14/11/2019

14 de Novembro de 2019

Médicos e juristas da América Latina e da Europa dialogam sobre o cuidado e a proteção da dignidade dos pacientes de Cuidados Paliativos

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

14 de Novembro de 2019

Médicos e juristas da América Latina e da Europa dialogam sobre o cuidado e a proteção da dignidade dos pacientes de Cuidados Paliativos

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

29/05/2019 00:00 - Atualizado em 31/05/2019 19:45
Por: Michele Freitas de Souza

Médicos e juristas da América Latina e da Europa dialogam sobre o cuidado e a proteção da dignidade dos pacientes de Cuidados Paliativos 0

O quinto dia do Congresso Latino-Americano de Cuidados Paliativos teve três painéis temáticos com diferentes visões que, postas em diálogo, contribuem para a compreensão e consequente cuidado e proteção das pessoas que enfrentam doenças que põem em risco a vida. Por isso, profissionais das áreas médica e jurídica do Brasil e do mundo trouxeram suas contribuições e refletiram aspectos médicos e legais que visam proteger a vida do paciente nessas situações de vulnerabilidade. Os conferencistas destacaram que o cuidado paliativo não é uma sentença de morte, pelo contrário, é uma forma de oferecer dignidade à pessoa que, através de uma doença, começa a caminhar para o fim de sua vida na terra. Sem, contudo, pretender acelerar esse processo natural.

O primeiro painel intitulado “Cuidados Paliativos: significado e aspectos médicos” foi mediado pelo Presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos, Dr. André Junqueira, e apresentou a visão de três médicos: a geriatra e membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Dra. Anelise Fonseca, trouxe a definição de Cuidados Paliativos aplicada a sua experiência como médica no contexto brasileiro e também como paciente em tratamento de câncer de mama; o sacerdote da Diocese de Ribeirão Preto (SP) e médico pediatra, Padre Tiago Gurgel do Vale, trouxe alguns aspectos bioéticos, dando especial atenção à necessidade do cuidado paliativo em um momento especialmente delicado da vida: a infância. Ele destacou, ainda, a situação dos bebês prematuros e dos prematuros extremos, que nascem com menos de 28 semanas de gestação, chamando atenção à necessidade de um olhar sensível para os pais e a família e para a dignidade humana dessas crianças; já a médica portuguesa Dra. Isabel Galriça Neto, com experiência há 25 anos como médica paliativista, convidou a um olhar integral sobre a pessoa doente e seu sofrimento, que também é físico, mas vai muito além da doença.

O segundo painel sobre os “Aspectos jurídicos dos Cuidados Paliativos” foi mediado pelo Ministro Paulo de Tarso e a desembargadora do Rio de Janeiro, Dra. Aglaé Tedesco, que defendeu o papel do poder judiciário nos casos em que há situações de conflito entre médico e paciente, ou quando, por questões de divergências familiares, por exemplo, a vontade do paciente não é respeitada ou nem sequer é conhecida. Ela ressaltou a importância da informação e da proximidade entre a equipe de saúde e o paciente, antes do agravamento da doença, para que seja tomada uma decisão apoiando o paciente e entendendo a sua vontade e respeitando-a. O advogado argentino, Leonardo Luiz Prucheta, mestre em direito e membro jovem da Pontifícia Academia Pró-vida, apresentou alguns aspectos da legislação sanitária da Argentina e apontou casos específicos que demonstram tendências importantes e possibilidades de melhorias na legislação que envolve os cuidados paliativos nos níveis local, nacional e mundial.

O último painel, mediado pela médica da Clínica da Família de Santiago, no Chile e especialista em medicina interna, Dra. Paulina Taboada, teve como tema o “Controle da dor, farmacologia e clínica”. A médica argentina, Dra María de Los Angeles Minatel, trouxe dados que revelam a desigualdade no acesso à medicação analgésica entre os países mais ricos e os mais pobres. Ela destacou que, uma vez que a dor tem muitas dimensões as intervenções também devem ser multidimensionais. De acordo com dados trazidos por ela, toda dor não tratada, dentro do sistema de saúde, é uma forma de tortura. O doutor e professor Gilberto de Nucci apontou o receio e a histeria gerada em torno dos medicamentos opióides. Ele citou casos de overdose nos Estados Unidos em 2016, causados pelo abuso de morfina sem prescrição médica. Outro dado interessante foi a relação observada entre o alto custo desses medicamentos na indústria americana, que abre espaço para o mercado paralelo e as graves falsificações de medicamentos. Dificilmente um paciente de cuidados paliativos, ou que esteja bem orientado, vai sofrer uma overdose, porque ele sabe como e quando utilizar a medicação. De acordo com o doutor “não há nenhuma vantagem em sentir dor e, em alguns casos, essa dor pode ser prevenida”.

O professor Roberto Soares de Moura reforçou a necessidade de buscar todas as alternativas disponíveis para aliviar a dor. Nesse sentido, é necessário construir uma relação de confiança entre o médico e o paciente. E foi categórico ao afirmar que “morrer já deve ser uma experiência difícil, morrer com dor é ainda pior”. E convidou os profissionais presentes a tratarem a dor e a dor total.

Após o último painel, houve um momento de debate em que a Dra Isabel Galrica e o cardiologista Dr. Pedro Spinetti se mostraram preocupados com o uso de morfina para sedação o que, na prática, acontece tanto no Brasil quanto em Portugal. Esse procedimento, amplamente reprovado pela comunidade médica, em vez de aliviar uma dor (que muitas vezes nem é expressa pelo paciente) pode levá-lo a uma intoxicação e, consequentemente, à morte. O que revelaria um despreparo, por parte desse profissional, e uma conduta criminosa e contrária à vida.

 

Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.