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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 22/09/2019

22 de Setembro de 2019

Cuidados paliativos: uma resposta da Igreja em defesa da vida

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Cuidados paliativos: uma resposta da Igreja em defesa da vida

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28/05/2019 20:32 - Atualizado em 29/05/2019 14:48
Por: Priscila Xavier / Daniela Oliveira

Cuidados paliativos: uma resposta da Igreja em defesa da vida 0

Preservar a vida, desde a concepção até a morte natural. Esse é um dos pontos defendidos pelo Congresso Latino-Americano de Cuidados Paliativos, que acontece no Edifício São João Paulo II, na Glória, promovido pela Academia Pontifícia para a Vida e a Arquidiocese do Rio de Janeiro.

O terceiro dia de conferência, 28 de maio, teve início com a celebração eucarística presidida pelo arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta. A missa foi concelebrada pelo bispo auxiliar do Rio, Dom Paulo Celso Dias do Nascimento, pelos membros da Academia Pontifícia para a Vida monsenhor Andrea Ciucci e Ricardo Mensuali, do bispo auxiliar da Diocese de La Plata, na Argentina, Dom Alberto Bochatey, além dos demais sacerdotes e diáconos.

O Cardeal Orani frisou, na homilia, a importância de a Igreja prosseguir na defesa da vida. “O Documento de Aparecida lembra que vivemos uma mudança de época, com questionamentos importantes, os quais somos chamados a, enquanto Igreja, refletir e responder de acordo com a nossa fé. Vimos que, pela ação do Espírito Santo, falamos sobre a vida. Mas isso não se faz sem dificuldades: ‘Se perseguiram a mim, perseguirão também a vós’. Mesmo assim, a Igreja segue anunciando a vida, em diálogo com uma sociedade em mudança, defendendo a vida desde a sua concepção até a morte natural. Que neste congresso consigamos dar muitos frutos, inspirados pela Solenidade de Pentecostes que se aproxima”, disse.

A primeira conferência do dia foi ministrada pelo Andrea Ciucci, que representou o presidente da academia, Dom Vincenzo Paglia, impossibilitado de conduzir a apresentação por motivos médicos.

Na ocasião, monsenhor Andrea leu a apresentação de Dom Vincenzo, na qual o presidente destacou o avanço tecnológico, tanto de maneira positiva quanto negativa. “Utilizando os meios que estão em nosso alcance, o ser humano e, na realidade, todas as formas de vida, podem ser analisadas, estudadas e manipuladas nos mínimos detalhes. A possibilidade desse nível de manipulação das estruturas sensoriais, motoras, neurocognitivas e geneticocognitivas abrem novos e indesejáveis horizontes, que devemos defender intelectualmente, de maneira que sejam possibilitadas soluções ético-humanísticas que estejam à altura das possibilidades tanto positivas quanto negativas para a sociedade civil e, em geral, para todas as formas de interação humana”, comentou.

Na conferência criticou-se, ainda, o desejo de modificação do relógio biológico, sentimento impulsionado, justamente, pelo avanço tecnológico. “A sociedade tecnologicamente avançada se prepara para dar um salto qualitativo. A ciência de hoje em dia é capaz de intervir na vida de cada indivíduo, nas gerações futuras, mas sem nenhuma melhoria à condição de existência humana. O desejo do homem de dominar a natureza está se convertendo no desejo de cada coração de controlar e potenciar o relógio biológico. Hoje em dia, a única realidade em que vale a apena confiar parece ser a vida que o homem acredita poder construir com suas próprias mãos. A promessa de uma vida longa, uma 'imortalidade', é o argumento mais convincente que a sociedade tecnológica pode oferecer”, completou.

Durante a segunda conferência, monsenhor Ricardo Mensuali apresentou o White Book for Global Palliative Care Advocate (Livro Branco para a Defesa Global de Cuidados Paliativos – tradução literal), que é uma ferramenta para o auxílio na tomada de decisão médica. “Nele, há recomendações dirigidas aos diferentes ambientes e profissionais que lidam – ou pelo menos deveriam lidar – com os cuidados paliativos, como médicos, políticos, administradores do bem público, universidades, trabalhadores do setor da saúde, mas também são dirigidos aos enfermos. Cada um de nós pode encontrar as nossas próprias páginas de acordo com nosso trabalho”, comentou.

Monsenhor Mensuali também contou a motivação para a publicação do livro. “Há três anos, houve um congresso da Associação Mundial dos Médicos, em Roma. Na ocasião, o presidente nos pediu para realizar o congresso no Vaticano. Ele nos disse que dentro da associação, que tinha médicos de diferentes visões, havia uma tendência: muitos queriam que a eutanásia ganhasse espaço e isso afetaria as legislações de diversos países. O intuito dele era fazer com que a palavra da Igreja pudesse alcançar esses médicos, uma vez que o trabalho deles é salvar vidas, cuidar dos doentes e, portanto, evitar a morte”, contou.

O sacerdote ainda acrescentou que “o Papa Francisco enviou uma mensagem para aquele congresso que dizia: 'Precisamos de sabedoria porque, hoje, é cada vez mais forte a tentação de insistir em tratamentos que provocam fortes efeitos no corpo humano, mas que nem sempre beneficiam o bem integral da pessoa'. Os cuidados paliativos são, portanto, a nossa resposta. A Igreja tem há séculos o papel de estar ao lado daquele enfermo. Esse papel precisa ser fortalecido e aprofundado”, concluiu.

O início dos trabalhos no período da tarde foi conduzido por Dom Alberto Bochatey, bispo auxiliar de La Plata, na Argentina. Em sua palestra, Dom Alberto apresentou os aspectos éticos-existenciais sobre morte e o morrer, destacando ainda o papel da Igreja no apoio as famílias que tratam de parentes em estado vegetativo ou terminal. As ações positivas, de acordo com o bispo, consistem em “sustentar as famílias, não deixando-as sozinhas com seus dramas humanos, psicológicos e econômicos”, explicou. Padre Aníbal encerrou o painel abrindo o debate para o pública após breve reflexão.

 

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