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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 26/06/2019

26 de Junho de 2019

Doença celíaca: você sabe o que é?

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27/05/2019 20:18 - Atualizado em 21/06/2019 14:15
Por: Flávia Muniz

Doença celíaca: você sabe o que é? 0

De cada oito pessoas, somente uma está diagnosticada. As outras sete restantes não sabem se são portadoras ou não, mas podem estar apresentando sintomas ou enfermidades - tratadas isoladamente, por especialidade médica - e que, na verdade, podem estar relacionados à doença celíaca: uma patologia grave, desconhecida, que pode levar à morte. A informação é da presidente da Associação dos Celíacos do Brasil, no setor Rio de Janeiro, (Acelbra-RJ), Suzane Boyadjian. 

Para chamar a atenção para a doença celíaca, o Santuário Cristo Redentor foi iluminado na cor verde, no dia 20 de maio, das 19h às 20h. Suzane acredita que a iluminação do monumento deu visibilidade ao assunto, “tanto às pessoas que já têm acesso à informação e já conhecem a doença, quanto às pessoas que nunca ouviram falar e que a conheceram a partir dessa ação. Estou muito feliz, porque nós conseguimos iluminar o Cristo Redentor, nessa proposta e ainda em maio, que é o mês dedicado à conscientização sobre a doença celíaca”, afirmou ela. 

Contém glúten

Trata-se de uma doença autoimune, desencadeada pela ingestão de glúten, em pessoas geneticamente predispostas. Essa proteína está contida no trigo, na cevada, no centeio, no malte e na aveia. Esta última, em geral, não faz mal para a maioria dos celíacos. Entretanto, mundialmente, sofre contaminação por glúten em toda a sua cadeia produtiva e, por isso, a aveia entra, também, na lista dos cereais proibidos aos celíacos. 

“O tratamento, em geral, é a dieta zero glúten. E chamamos atenção para a doença celíaca, porque as pessoas precisam ser diagnosticadas. É uma doença grave, crônica, mas pouco falada. Foi muito associada à moda, pelo fato de que, se você retirar o glúten da alimentação, você emagrece. Na realidade, existem muitas outras enfermidades, hoje, relacionadas ao glúten, que precisam ser tratadas. Nossa função é multiplicar essa informação e fazer com que as pessoas consigam ser diagnosticadas”, explicou Suzane.

O diagnóstico

A presidente da Acelbra lembra os riscos de um diagnóstico mal feito e, enquanto este não é providenciado, não se deve retirar o glúten da dieta: “Existem exames, por meio de sorologia, cujos resultados devem ser confirmados por uma endoscopia digestiva alta com biópsia do intestino delgado. Ocorre que, se a pessoa retirar o glúten da dieta, antes desse diagnóstico, não será possível reintroduzi-lo, sem que a pessoa se sinta mal, então haverá dificuldades de a pessoa voltar a ingerir o glúten. E, para a confirmação da doença celíaca é necessário estar ingerindo o glúten, sem isso o diagnóstico é frustrado”, advertiu Suzane. Ela informou, também, que o Sistema Único de Saúde (SUS) já possui protocolo clínico, com o passo a passo para esse diagnóstico, porém, segundo ela, “quase não é usado, e muitas pessoas ficam sem esse diagnóstico, por desinformação e desinteresse dos médicos em utilizá-lo”, denunciou. De acordo com ela, “é possível fazer nas clínicas da família. Caso algum médico se recuse, vá ao site e imprima o protocolo clínico, apresente-o na unidade de saúde e solicite o seu exame”, orientou Suzane.  

Inclusão sacramental

O cânon 925 do Código de Direito Canônico assim estabelece: “Distribua-se a sagrada comunhão só sob a espécie de pão ou, de acordo com as leis litúrgicas, sob ambas as espécies; mas, em caso de necessidade, também apenas sob a espécie de vinho”. A este respeito, Suzane contou sua emoção ao receber a Eucaristia, pela primeira vez, após o diagnóstico:

“Como católica, eu me senti realmente acolhida pela Igreja, não tenho dificuldade nenhuma em fazer a comunhão apenas na espécie do vinho - o Sangue de Cristo. É mesmo uma questão de inclusão; e é muito bonito, porque, normalmente, quando eu vou comungar, os padres informam aos irmãos presentes: ‘Esta senhora está comungando assim, por ser celíaca, ela tem intolerância ao glúten presente na hóstia’; e eles ainda se dispõem a tirar dúvidas, depois. Então, isso é também uma catequese. Fiquei emocionada ao ver tanto carinho da Igreja, tanto acolhimento”, disse ela.

Coerência

Suzane relatou que há celíacos que comungam na hóstia com glúten, porque acham que como a hóstia foi consagrada, esta não tem mais o glúten, pois é o Corpo de Cristo. No entanto, relembrou ela, “a matéria é a mesma, o glúten permanece presente. Então, cuide da sua saúde, porque a contaminação cruzada também mata. No meu caso, é um testemunho também, já que, sendo celíaca e presidente da Acelbra, eu ‘prego’ a dieta zero glúten. Como, então, posso comungar na hóstia com glúten? Se a própria Igreja nos abre a possibilidade, devo ser coerente e dar esse testemunho”, pontuou Suzane.

Orientação litúrgica, canônica e pastoral 

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aprovou, no dia 16 de junho de 2016, as “Orientações pastorais sobre o acesso das pessoas celíacas à Comunhão Eucarística”. O texto baseia-se na indicação da Congregação para a Doutrina da Fé, a qual afirma que os “ordinários podem conceder aos presbíteros e aos leigos afetados pela doença celíaca a permissão de usar pão com pouca quantidade de glúten”. Ainda segundo a congregação, “essa quantidade deve ser suficiente para a obtenção da panificação, não podendo ser acrescentada nenhuma matéria estranha à substância do pão”. A CNBB também orienta uma “organização litúrgica que inclua procedimentos adequados às necessidades das pessoas celíacas, para que elas não venham a sofrer discriminação e se sintam plenamente acolhidas e integradas na vida da Igreja”. 

As “Normas Litúrgico-Canônico-Pastorais da Arquidiocese do Rio” dispõem que “o fiel que sofre de doença celíaca, de sorte a ficar impedido de comungar sob a espécie do pão, pode comungar somente sob a espécie do vinho (cf. Carta Circular da Congregação para a Doutrina da Fé aos Presidentes das Conferências Episcopais de 24 de julho de 2003). Nestes casos, é recomendado que tais fiéis, individualmente, levem à missa um pequeno cálice e o entreguem, antes da celebração, para ser colocado sobre o altar com um pouco de vinho a ser consagrado e por eles consumido. Terminada a celebração, é feita a devida purificação pelo ministro, e os comungantes celíacos devem levar de volta o seu próprio cálice”, diz o texto.

Canonista e auditor do Tribunal Eclesiástico Interdiocesano do Rio de Janeiro, padre José Edilson de Lima ressalta que “é muito importante procurar o pároco e relatar a situação; e é importante também que seja facilitado o acesso à Eucaristia para todos os celíacos”, afirmou ele. 

Ações que salvam vidas

Suzane informou ainda que está em tramitação um projeto de lei sobre a doença, por exemplo, para que famílias que tenham portadores de doença celíaca recebam alguma assistência para a alimentação desse portador. Igualmente, uma lei que viabilize tornar mais baratos os insumos, que em geral são muito caros. Por outro lado, explicou ela, “estamos também conscientizando as redes de supermercados para melhor esclarecimento dos consumidores, nas gôndolas e nas etiquetas. Também nas escolas, pois já está previsto em lei: se a criança é celíaca, a escola é obrigada a oferecer uma merenda diferenciada, sem glúten. Enfim, são pequenas ações, mas que salvam a vida dos celíacos”, defendeu ela.

Documentos

Você encontra o protocolo clínico para o diagnóstico da doença celíaca no site do Ministério da Saúde, acessando o link: http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2016/fevereiro/05/Doen--a-Cel--aca---PCDT-Formatado---port1449-2015.pdf

Sobre a Associação dos Celíacos do Brasil, no setor Rio de Janeiro, você obtém informações, acessando: www.acelbra-rj.com.br, ou www.facebook.com/acelbrarj, ou também pelo e-mail faleconosco.acelbrarj@gmail.com

As orientações pastorais da CNBB podem ser acessadas no endereço http://www.cnbb.org.br/cnbb-divulga-orientacoes-pastorais-sobre-o-acesso-de-pessoas-celiacas-a-comunhao-eucaristica/

E as Normas Litúrgico-Canônico-Pastorais da Arquidiocese do Rio você acessa em http://www.arqrio.com.br/curia/paginas.php?normlitcanpas

 

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