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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 06/12/2019

06 de Dezembro de 2019

Congresso Latino-Americano de Cuidados Paliativos: ‘Para que tenham vida em plenitude’

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Congresso Latino-Americano de Cuidados Paliativos: ‘Para que tenham vida em plenitude’

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24/04/2019 11:02 - Atualizado em 15/05/2019 11:38
Por: Flávia Muniz

Congresso Latino-Americano de Cuidados Paliativos: ‘Para que tenham vida em plenitude’ 0

A Pontifícia Academia para a Vida, em parceria com a Arquidiocese do Rio, estará realizando entre os dias 25 e 30 de maio o Congresso Latino-Americano de Cuidados Paliativos. O evento acontecerá em duas etapas, dirigidas a públicos-alvos diferenciados: de 25 a 26, na Catedral Metropolitana, para seminaristas e agentes de pastorais; de 27 a 30, as conferências serão no auditório nobre que fica no 2º andar do Edifício São João Paulo II, e serão voltadas para os profissionais de saúde, bispos e ministros religiosos de quaisquer confissões.

Em um programa especial sobre cuidados paliativos, que irá ao ar no dia 24, quarta-feira, às 18h10, pela Rádio Catedral FM 106,7, a apresentadora Fátima Lima conversou com o médico e biofísico padre Aníbal Gil Lopes, membro da Pontifícia Academia para a Vida e da Academia Fé e Razão da Arquidiocese do Rio. Padre Aníbal está à frente da organização do congresso com o bispo auxiliar Dom Joel Portella Amado, que também participou do programa.

Sob o pálio

Partindo do sentido etimológico, padre Aníbal explicou que o termo 'paliativo' vem de 'pálio', isto é, aquilo que cobre, protege (manto, capa), "daí, o pálio com que se cobre o Santíssimo Sacramento, por exemplo. Nesse sentido, cuidados paliativos são todas aquelas medidas que dão conforto a um paciente que se encontra fora de uma possibilidade terapêutica real, ou seja: quando todos os recursos técnicos e farmacológicos para a cura de um paciente já se esgotaram, e ele necessita ser tratado para que se sinta bem e não tenha dor. Então, é o cobrir, o proteger, o acolher, fazer o outro ser mais pessoa, para que possa chegar à completude, isto é, completar a sua vida, com um final feliz", esclareceu padre Aníbal.

O médico esclareceu ainda que, para morrer bem, é necessário que façamos as pazes com nossa própria história, pois ao longo desta acumulam-se rancores, desencontros, entre outras mazelas. Por isso, segundo ele, "cuidados paliativos abrangem uma série de abordagens, que vão desde abordagens médicas, técnicas, até aquelas psicológicas, espirituais, que permitam que o morrer seja o grande momento em que a vida se completa; e de forma que, com todas as técnicas de saúde e cuidados, a pessoa não sofra", acrescentou.

Cuidado humano

Ainda de acordo com padre Aníbal, este assunto é extremamente relevante, porque, segundo ele, "para nós, católicos, a vida tem uma dimensão eterna, de completude, de 'completar-se', até pelo próprio significado da cruz na nossa vida. Tudo isso, para nós, se insere em cuidados paliativos, enquanto cuidados médicos, de enfermagem, fisioterapia, e também cuidados espirituais e psicológicos; e eu diria mais: o cuidado humano, porque envolve também a forma de cuidar, isto é, a forma de alimentar, de se aproximar, de tocar, de limpar, de dar o banho; uma série de coisas que vão além de uma visão meramente profissional e que entram dentro da nossa vida do cotidiano", pontuou o padre.

Interdisciplinaridade

De acordo com Dom Joel Portella, que é o bispo referencial para a Caridade Social, da Pastoral da Pessoa com Deficiência e da Assistência Religiosa, entre outras, um congresso sobre cuidados paliativos justifica-se, antes de tudo, pelo fato de "tratar-se de um assunto cuja importância cresce a cada dia, e por ser  uma realidade real, que eu diria urgente, porém não conhecida", disse Dom Joel.

O bispo ressaltou também o caráter interdisciplinar, já que, o cuidado com o doente, envolve profissionais e técnicas de diversas áreas do conhecimento. Também por isso, segundo ele, o congresso visa a uma maior divulgação e esclarecimento sobre o assunto, inclusive no meio católico, tendo em vista que "os cuidados paliativos exigem, necessariamente, a interdisciplinaridade. E quando nós nos mostramos pastoralmente sensíveis aos cuidados paliativos, a comunidade vai se organizando, para fazer acontecer a presença humana junto ao enfermo e à sua família", acrescentou.

Solidariedade

A este respeito, padre Aníbal demonstrou que cuidados paliativos não se referem apenas a doentes idosos e terminais. Eles se fazem necessários, também, nos casos de pessoas com doenças congênitas, raras, mas de alta gravidade, que inabilitam ainda na infância, cuja sobrevida pode ser de vários anos e exigirão cuidados diários por décadas, até o fim de vida desses indivíduos.

Nesse sentido, segundo o entrevistado, as comunidades devem estar sensíveis a serem solidárias, por exemplo, "com a mãe que cuida, dia e noite, de uma criança que não se mexe, que precisa ser alimentada, lavada etc., acamada 24 horas por dia, o ano inteiro. Enquanto é pequena, por algum tempo, ainda se consegue carregar, movimentar com certa facilidade. Porém, essa criança cresce. Como seria importante, então, em nossas comunidades religiosas, se essa mãe tivesse, uma vez por semana, um dia de folga; se houvesse alguém que se dispusesse a cuidar do seu filho, ao menos por um dia, ou uma parte do dia, para ela descansar ou para ela sair um pouco de casa. Por isso, cuidados paliativos envolvem também solidariedade", exortou.   

Cuidar de pessoas, não de doenças

Dom Joel, a propósito, lembrou que "a questão de medicamentos é importante, porém nenhuma doença envolve só remédio. É preciso olhar a pessoa do doente, e até mais: olhar a família, porque uma pastoral de cuidados paliativos, precisa contemplar também quem cuida, quem está com o doente", disse o bispo.

Já o representante da Pontifícia Academia para a Vida acrescentou que cuidados paliativos incluem pequenos gestos de solidariedade e compaixão:

"Se não olharmos a doença no seu contexto, isto é, no contexto familiar, social, nós acabamos por tratar de doenças e não de pessoas; e 'cuidados paliativos' significam tratar de pessoas, quando a doença não é mais tratável, ou quando não há mais uma alternativa eficaz para a cura. Porém, a pessoa tem que ser cuidada. Para nós, religiosos cristãos católicos, este aspecto é muito forte: é compaixão, solidariedade, misericórdia; é a capacidade de ir ao encontro do outro que precisa de nós", asseverou padre Aníbal.

Dimensão vocacional em gesto pascal

Segundo padre Aníbal, cuidados paliativos são, por fim, "um grande chamado para nós, católicos, a manifestarmos a nossa fé, por meio de gestos concretos de vida, como o que celebramos na Semana Santa e que culmina no Tempo Pascal: o gesto do servir, e eu só posso servir se eu abaixar-me, para lavar os pés, como Jesus nos ensina; gesto de humildade, de sermos húmus, sermos iguais; descer até o outro, olhá-lo não de cima para baixo, mas na horizontal, para reerguê-lo e 'subirmos' juntos, isto é, crescermos juntos", ressaltou.

Vida em potencial até o último momento

Padre Aníbal destacou também que os cuidados paliativos conferem plenitude ao doente e permitem que se potencialize toda a capacidade de vida até o seu último momento, oferecendo condições para que a pessoa permaneça contribuindo com a sociedade, a Humanidade inteira e a própria família com todas as suas potencialidades. E citou, como exemplos, o astrofísico Stephen Hawking e o general Eduardo Villas Bôas, ambos vitimados por doenças degenerativas neuromusculares de progressão lenta:

"Mesmo na sua debilidade, na sua fragilidade, se a pessoa for bem cuidada, num sadio contexto familiar e social, ela pode desenvolver atividades extraordinárias até o seu final. Sem fazer nenhum juízo de valor sobre suas posições políticas, a mim me impressiona bastante o general Villas Bôas. Ele participou ativamente de vários processos nacionais, em nossa história recente, tendo uma autoridade moral e um respeito imensos. Também o cientista Stephen Hawking, que comandava o seu computador com um olhar, e talvez tenha sido um dos cientistas mais brilhantes da História da Humanidade", elogiou.

Igreja Samaritana

Seguindo o mesmo raciocínio, Dom Joel explicou que, ao se interessar pelo tema, a Igreja vai na contramão da cultura de morte, numa sociedade do egoísmo:

"Pelo simples fato de existir, é um ser humano que ali está. Enquanto está vivo, ele tem a capacidade de fazer aquilo que Deus deu a toda pessoa humana: a capacidade de amar. E esse amor nós não podemos desprezar. Cabe a nós, como Igreja Samaritana, como sugere o Papa Francisco e o Documento de Aparecida, ser uma Igreja que vai 'ao encontro de', como o Bom Samaritano, aquele que parou e colocou óleo nas feridas. Então, aqui está o grande desafio: estamos interpelando uma sociedade do egoísmo, que valoriza aquilo que a pessoa pode 'render'. E se ela já não pode 'render', nós, como Igreja, queremos dar uma resposta de fraternidade e de solidariedade", concluiu Dom Joel.

Congresso

Pensando nisso, o Congresso Latino-Americano de Cuidados Paliativos é dirigido a diversos públicos-alvos, desde profissionais de saúde, a ministros de quaisquer confissões religiosas, incluindo seminaristas, religiosos e religiosas que prestam esses cuidados, além de agentes leigos e todos os que se interessam pelo tema ou que atuam em atividades afins. O evento conta com o apoio da Conferência Nacional dos Bispos dos Brasil (CNBB) e do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), da PUC-Rio, da Academia Brasileira de Medicina de Reabilitação e da Academia Nacional de Cuidados Paliativos.

A Rádio Catedral FM 106,7 transmitirá o programa "Cuidados Paliativos" todas as quartas-feiras do mês de maio, abordando temas que serão apresentados no congresso, esclarecendo dúvidas dos ouvintes e internautas, trazendo sempre, como convidados, organizadores e conferencistas, e atualizando os informes sobre o evento.

As inscrições já podem ser feitas pelo site www.paliativosrio2019.com.br até o dia 15 de maio.  

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