Arquidiocese do Rio de Janeiro

32º 20º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/04/2019

18 de Abril de 2019

Cardeal Orani: dez anos de missão na Arquidiocese do Rio

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

18 de Abril de 2019

Cardeal Orani: dez anos de missão na Arquidiocese do Rio

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

12/04/2019 20:32 - Atualizado em 12/04/2019 20:32
Por: Nathalia Cardoso / Priscila Xavier

Cardeal Orani: dez anos de missão na Arquidiocese do Rio 0

Há dez anos, o Cardeal Orani João Tempesta tomou posse como arcebispo metropolitano da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Incansável, sempre buscou estar junto do povo de Deus, promovendo a que todos pudessem se sentir parte da unidade da Igreja, o bem comum e uma pastoral de conjunto, não excluindo ninguém, mas abrindo espaço para o Corpo Místico de Cristo.

O núncio apostólico no Brasil, Dom Giovanni d’Aniello, enviou uma carta de felicitação ao cardeal. No documento manifesta sua alegria pela passagem dos dez anos de pastoreio de Dom Orani na Arquidiocese do Rio de Janeiro, “marcados pela custódia, sustento, direção, atenção e vigilância, em nome de Cristo, o bom Pastor”: “O seu pastoreio tem sido expressão de uma experiência viva de uma relação cotidiana com o Senhor, como aprendeu na escola de serviço de São Bento, ‘para que todos sejam um’ (Jo 17,21), conforme o desejo de Jesus”, diz o documento.

Círio de Nazaré

Uma das maiores manifestações religiosas em honra a Virgem Maria, o Círio de Nazaré reúne milhares de romeiros numa caminhada de fé pelas ruas de Belém, no Estado do Pará. Justamente por ter sido arcebispo da capital paraense, ao ser nomeado pelo Papa São João Paulo II para estar à frente da Arquidiocese do Rio de Janeiro, Dom Orani trouxe consigo, também, a devoção dos povos da Amazônia.

Na capital carioca, a primeira edição do Círio aconteceu também em 2009, mesmo ano de sua posse. Diferentemente do tradicional Círio paraense, que sempre acontece no segundo domingo de outubro, na Arquidiocese do Rio há uma programação que dura três dias, geralmente no mês de agosto e início de setembro, nas quais a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, vinda de Belém, juntamente com a equipe formada pelos diretores e pela guardas de Nazaré, visita hospitais, entidades públicas, igrejas e comunidades.

Além da promoção de eventos que nutrem, cada vez mais, a fé e a unidade da Igreja, também é notória a presença do pastor junto às suas ovelhas, celebrando cada passo da comunidade paroquial.

Trezena de São Sebastião

Quando criou a Trezena de São Sebastião, em 2010, o cardeal tinha a intenção de melhor aproveitar as festividades em homenagem ao padroeiro da cidade, no dia 20 de janeiro. Foi então que surgiu a peregrinação de 13 dias com a cópia da imagem histórica de São Sebastião, até então pouco conhecida pelos fiéis.

O convite à reflexão é feito através do livreto da Trezena que, sob um tema diferente a cada ano, é utilizado na realização das celebrações. O conteúdo, que inclui a oração missionária, é desenvolvido pela coordenação de pastoral da arquidiocese.

A escolha dos locais visitados começa dando prioridade aos locais dedicados a São Sebastião, como as paróquias, capelas e instituições que o têm como padroeiro. Depois disso, são definidos os lugares considerados missionários, escolhidos a partir do tema e dos acontecimentos do ano: hospitais; o Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), onde se encontram jovens privados de liberdade; presídios e casas de repouso estão entre os lugares que recebem a visita de São Sebastião e sua comitiva. Todos os vicariatos da arquidiocese são contemplados nessa peregrinação. Dessa forma, o cardeal se faz presente na vida das comunidades. Assim, pode conhecer um pouco mais de seus anseios e alegrias. A visita a órgãos públicos e militares se deve ao fato de o padroeiro, em vida, ter sido militar. Este ano, foram incluídos os principais clubes de futebol da cidade, devido à devoção que os torcedores têm por santos católicos e por serem símbolos do esporte na cidade.

Foi durante uma trezena, em 2014, que Dom Orani recebeu a notícia de que seria criado cardeal.

Unidade

A unidade da Igreja sempre foi um tema central no arcebispado de Dom Orani, sendo este, inclusive, seu lema de episcopado: “Para que todos sejam um”. Assim, houve um maior empenho para que toda a Igreja do Rio pudesse participar em unidade dos principais eventos religiosos.

O objetivo da Festa da Unidade é fazer com que todos sejam uma só arquidiocese, em comunhão. Para isso é realizada a festa, desde 2013, com o intuito de reunir e integrar todos os vicariatos.

Além de celebrar a unidade, a arquidiocese unida produz frutos através de um gesto concreto. A cada ano, é pedido para que os fiéis levem algum tipo de doação, que é encaminhada aos que necessitam. Na edição de 2016, por exemplo, foram arrecadadas 180 toneladas de alimentos para a campanha “Alimente a esperança, ajude o Haiti”. As doações foram enviadas ao país, que é o mais pobre da América Latina e sofre até hoje as consequências de um terremoto ocorrido em 2011.

Além da coordenação de pastoral, que organiza, e dos apoiadores, há também um projeto de marketing para a divulgação, e todos os vicariatos se envolvem na preparação da festa. Geralmente, estes se organizam para irem vestidos com as camisas de suas respectivas cores. São elas: Vicariato Urbano, branco; Norte, verde; Santa Cruz, azul escuro; Sul, azul claro; Suburbano, cinza; Oeste, vermelho; Leopoldina, amarelo; e Jacarepaguá, laranja.

Essa comunhão também acontece durante a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo – Corpus Christi, na qual os fiéis se reúnem para, junto com o clero, proclamarem publicamente a fé em Jesus Cristo pelas ruas do Rio de Janeiro, numa procissão que tem início na Igreja da Candelária em direção à Catedral Metropolitana, ambas no centro da cidade.

Há, além disso, a participação da juventude e de membros de paróquias, capelas, movimentos, comunidades, institutos, colégios e congregações religiosas na confecção do tradicional tapete, por onde o Santíssimo Sacramento passa.

Outra celebração que ganhou força na Arquidiocese do Rio, através do estímulo de Dom Orani, foi a Festa de São Jorge, que acontece no dia 23 de abril, data em que a Igreja recorda o exemplo do santo militar, que defendeu a fé cristã e, por isso, foi perseguido, preso e morto pelo imperador Diocleciano.

Jornada no Rio e juventude católica

O Rio de Janeiro, foi escolhido para sediar a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em 2013, sob o lema: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações!” (Mt 28, 19). A JM foi instituída pelo Papa São João Paulo II, em 1985. 

Dom Orani, o anfitrião, fez parte da comitiva que acompanhou as visitas do Papa Francisco pela cidade durante esse período. Essa foi a primeira vez visita apostólica do Papa Francisco após sua eleição. Quase quatro milhões de jovens do mundo inteiro participaram da missa de envio no dia 28 de julho daquele ano, na Praia de Copacabana, e o evento deixou muitos legados, principalmente na área social.

Outro legado deixado pela JMJ foi o incentivo à participação dos jovens na Jornada Diocesana da Juventude (JDJ), dimensão diocesana da JMJ, surgida já em 1985. Dom Orani, faz questão de participar ativamente de todos os eventos e atividades importantes. Ele é um grande incentivador de propostas que visem à unidade e fortalecimento da fé, como o faz a JDJ.

O intuito do evento é fazer um encontro anual em preparação para a Jornada Mundial, que ocorre a cada três anos. Para isso, as dioceses do Brasil se reúnem no Domingo de Ramos ou em uma data próxima, em comunhão com dioceses do mundo inteiro, para, juntos, refletirem a mensagem do Papa. Dom Orani é quem preside as celebrações.

Outro evento que reúne a juventude sob a bênção do cardeal é a festa de celebração do Dia Nacional da Juventude (DNJ). A data internacional surgiu durante evento dedicado à juventude promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU). A juventude católica geralmente celebra a data no último domingo de outubro.

Pastoral do Menor

Durante o governo de Dom Orani, a Pastoral do Menor ganhou um grande incentivador de suas atividades. Depois da chegada do cardeal, foi criado o projeto “Passaporte da Cidadania” e firmada uma parceria com a Marinha do Brasil para que os jovens da pastoral pudessem participar do Programa Forças no Esporte (Profesp).

A Pastoral do Menor atua em 31 polos no Rio de Janeiro, com abrangência de 319 favelas. No relatório de 2018 da pastoral, o Projeto Pleitear teve 2.704 participantes; o Desenvolvimento Comunitário, 2.272; Inclusão Digital e Cidadania, 2.996 educandos; o Passaporte da Cidadania realizou 914 atendimentos e 33 visitas institucionais; a Unidade Móvel de Saúde Bucal realizou 741 atendimentos; e a assistência religiosa a adolescentes em cumprimento da medida de internação e semiliberdade fez 12.240 atendimentos.

O “Passaporte da Cidadania”, da Pastoral do Menor, foi criado em 2013, como um dos legados da JMJ no Rio. O projeto consta de um ônibus, que tem o objetivo de atender crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, principalmente os expostos à dependência química. A unidade móvel oferece alfabetização digital e atendimento social da pastoral. O cardeal também assinou, em 2017, um convênio com a Marinha do Brasil para que crianças e adolescentes da Pastoral do Menor participem do Programa Forças no Esporte (Profesp), da Marinha.

Cardinalato

No dia 12 de janeiro de 2014, o Papa Francisco nomeou 19 novos cardeais, provenientes de 12 países diferentes. Na lista havia apenas um brasileiro: Dom Orani João Tempesta. O anúncio foi feito no final da Oração do Ângelus. Naquele momento, o arcebispo tinha acabado de presidir missa, ao vivo, pela TV Brasil, com a presença da imagem peregrina de São Sebastião, durante a trezena em honra ao padroeiro do Rio.

Dom Orani recebeu as insígnias cardinalícias no dia 22 de fevereiro, tornando-se, assim, titular da Paróquia Santa Maria Mãe da Providência, situada no bairro de Monteverde, em Roma. A celebração em que Dom Orani foi criado cardeal contou com a presença do Papa emérito Bento XVI, e de familiares, amigos, diocesanos e peregrinos brasileiros.

Comunicação Social

Antenado ao mundo e à sociedade que o cerca, Dom Orani sempre buscou manter o diálogo constante com todos e, para isso, prezou pelo Sistema de Comunicação da Arquidiocese do Rio. Tanto é que, após a realização da Jornada Mundial da Juventude, em 2013, cuja sede era o sétimo andar do Edifício São João Paulo II, na Glória, houve uma integração dos meios de comunicação – jornal “Testemunho de Fé”, portal ArqRio, Rádio Catedral, WebTV Redentor e mídias sociais, os quais tornaram-se o Sistema ArqRio, na sede do Vicariato para a Comunicação Social e Cultura.

Incentivador da Pastoral de Comunicação (Pascom), Dom Orani, em sua gestão, criou o Seminário de Comunicação Social, que acontece anualmente no Centro de Estudos do Sumaré, no Rio Comprido, desde 2014. Uma oportunidade de formação para o clero, profissionais de comunicação e agentes da Pascom, com palestrantes brasileiros e internacionais, que buscam refletir sobre temas que tocam concretamente o apostolado da Igreja.

Além disso, Dom Orani também é presidente do conselho superior do Instituto Brasileiro de Comunicação Cristã (Inbrac), mantenedor da RedeVida de Televisão e que colabora com a promoção de diversas ações institucionais e de promoção humana.

Também foi por meio da RedeVida que o cardeal deu início às celebrações da missa nas comunidades paroquiais, intitulada “O Rio Celebra”, cujo principal objetivo é o anúncio da Boa Nova. A missa acontece desde sua chegada à arquidiocese.

Ele foi também presidente do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional, cargo no qual permaneceu entre os anos de 2012 e 2014. Antes disso, foi neste mesmo conselho, um dos cinco representantes da sociedade civil, de 2004 a 2007.

Processos de beatificação

Enquanto arcebispo do Rio, Dom Orani participou da abertura de três processos de beatificação: de Odette Vidal Cardoso (Odetinha), de Guido Vidal França Schäffer e do casal Zélia e Jerônimo. As aberturas dos três processos de beatificação ocorreram durante a Trezena do padroeiro da cidade.

Dom Orani deu início ao processo de beatificação de Odetinha em janeiro de 2013, com um ato jurídico canônico, que instaurou o Tribunal para verificar a vida, as virtudes e a fama de santidade da candidata aos altares. Com isso, ela passou a ser chamada Serva de Deus. Dois anos depois, durante o ato de abertura do processo de Guido, foi encerrado o processo arquidiocesano de Odetinha e enviado ao Vaticano.

Nascida em Madureira, Odetinha faleceu aos 9 anos de idade, vítima de paratifo, uma doença infecciosa. Ela ajudava os pobres e costumava dizer: “Eu vos ofereço, ó meu Jesus, todos os meus sofrimentos pelas missões e pelas crianças pobres”.

Já Guido era seminarista, médico e surfista. Faleceu aos 34 anos, surfando na Praia do Recreio, em um trecho que hoje leva seu nome: Praia do Guido. A abertura do processo de beatificação foi feita por Dom Orani em 2015, assim como a celebração de suas exéquias quando faleceu, em 2009, pouco depois da chegada do arcebispo no Rio. Guido é conhecido como o ‘anjo surfista’. Seu processo de beatificação também já foi finalizado em nível arquidiocesano, em 2017. Agora, compete ao Vaticano validar as informações para que ele e Odetinha possam ser chamados de Veneráveis.

Já o casal Zélia e Jerônimo teve o processo de beatificação aberto em 2014, mas este ainda está na fase arquidiocesana. Jerônimo de Castro Abreu Magalhães nasceu em Magé, na Baixada Fluminense, em 1851, e Zélia Pedreira Abreu Magalhães, em 1857, em Niterói. No dia 27 de julho de 1876, se casaram. Chegaram a morar em Petrópolis, mas se estabeleceram no município de Carmo, no Estado do Rio. Tiveram 13 filhos, dos quais morreram quatro. Os outros nove se consagraram a Deus: três se tornaram sacerdotes e seis, religiosas.

Periferias existenciais

Dom Orani realiza, com frequência, celebrações nas chamadas cracolândias. Os locais são marcados pela presença de pessoas em situação de rua que acabam por se abrigar em áreas isoladas, como debaixo de viadutos e próximas as linhas de trem.

Um local que comumente recebe a visita do cardeal é a região chamada de Bandeira Dois, popularmente conhecida como B2, onde realiza celebrações no Natal, na Páscoa, no Dia Mundial dos Pobres e durante a Trezena de São Sebastião.

A ação do trabalho social em rede que existe na Arquidiocese do Rio, regularmente, é também graças a seu incentivo. As fraternidades Toca de Assis, O Caminho, as comunidades Charles Foucauld, Maranathá e Sementes do Verbo, entre outras, realizam ordinariamente um trabalho de assistência espiritual nesses locais. Além disso, levam alimentos e serviços, como cortes de cabelo.

Também nessa rede se encontra o trabalho na Catedral Metropolitana de São Sebastião, no Centro. No Natal e na Páscoa, as duas maiores festas do cristianismo, é realizada uma confraternização, momento no qual pessoas em situação de rua têm a oportunidade de almoçar lado a lado com o cardeal, além de receber as refeições das mãos do próprio pastor da arquidiocese.

Mas o trabalho não é apenas pontual: ao longo de todo o ano, aos sábados e domingos, a equipe social da Catedral oferece café da manhã para 300 moradores de rua. Nos feriados católicos esse número aumenta. A região do Centro concentra a maior parte da população em situação de rua da cidade. Por isso, o trabalho na Catedral é tão significativo.

Rede Dom Helder Câmara

A Rede Dom Helder Câmara de Economia Solidária foi criada em 2015. Com ela, o Vicariato para a Caridade Social tem construído um plano de ação para apoiar as iniciativas de geração de emprego e renda, através da organização de redes de produção, comercialização e prestação de serviço. Dessa forma, a arquidiocese não faz assistencialismo e, sim, uma assistência real, capaz de transformar vidas.

Jogos Olímpicos

Nos Jogos Olímpicos Rio 2016, Dom Orani recebeu a tocha olímpica aos pés do Cristo Redentor no dia 5 de agosto, pouco antes do início dos Jogos. O cardeal abençoou o fogo olímpico e discursou sobre a paz.

Além disso, a Igreja Católica promoveu, à época, sob a bênção de Dom Orani, os eventos sociais: “Rio se Move” e “100 dias de Paz”. No primeiro, em parceria com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) e entidades alemãs, o objetivo foi dar visibilidade a iniciativas existentes na Cáritas arquidiocesana, em prol dos que sofrem da exclusão social presente na dinâmica dos grandes eventos, assim como às ações da Pastoral do Esporte. Já nos “100 dias de paz” foram realizadas atividades antes, durante e depois dos Jogos Olímpicos, com a finalidade de atingir jovens, atletas e o público em geral, levando os valores cristãos católicos ao esporte. Os “100 dias de paz” fundamentam-se na Trégua Olímpica, criada no século VIII a.C, com o objetivo de estabelecer a paz entre os países em conflito.

A Arquidiocese do Rio também se fez presente nos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio, sob a bênção do Cardeal Tempesta, com um sacerdote escolhido pelo Comitê Olímpico para ser o responsável pelo Centro Inter-religioso da Vila dos Atletas.

Copa do Mundo

Na Copa do Mundo no Brasil, em 2014, o arcebispo recomendou às paróquias que abrissem suas portas para receber os fiéis de outras nacionalidades. Elas disponibilizaram, na ocasião, confissões, atividades e celebração de missas em outras línguas, de forma a abranger também os turistas que vieram para assistir às partidas de futebol.

A Comunidade Do Caos à Glória também preparou uma missão especial para a Copa: a “FazPaz”. Cerca de 70 jovens, membros, saíram fantasiados de anjos e foram para as portas dos estádios de futebol. Levaram traves, bola, e torciam por quem topava participar da brincadeira. Ao final, evangelizavam. Assim, deram testemunho da Igreja missionária, que vai ao encontro de suas ovelhas.

A ação já era realizada desde 2012, quando foi desenvolvida no Campeonato Brasileiro e na Copa das Confederações.

Os “100 dias de paz” também aconteceram na Copa do Mundo, impulsionados pela Pastoral do Esporte, com a finalidade de aproveitar o momento para buscar algo que o esporte proporciona: a união entre os povos.

Gestão para a fé

Como arcebispo do Rio exerce o ofício de presidente da Fundação Rádio Catedral, Grão-Chanceler da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) e presidente da Pastoral do Menor. Também foi o presidente do Comitê Organizador Local da Jornada Mundial da Juventude (JMJ Rio2013). Exerce, desde o dia 12 de maio de 2011, o ofício de presidente do Regional Leste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Na gestão do cardeal também foram criados três novos vicariatos. O primeiro deles é o Santa Cruz, em âmbito territorial, tornando-se o oitavo vicariato da arquidiocese. Depois, em 2018, surgiu o segundo, destinado às associações públicas de fiéis ditas irmandades, confrarias, ordens terceiras e devoções, e o terceiro dedicado à educação, o qual realiza mensalmente formações aos educadores.

Também no ano de 2018, houve o primeiro encontro entre as instituições católicas que administram unidades de saúde, durante o 1º Congresso Brasileiro de Instituições Católicas de Saúde, uma oportunidade para o debate acerca da questão e também um momento de partilha sobre os principais anseios e desafios dessas unidades.

Ainda pensando sobre a formação e a unidade do clero, Dom Orani deu continuidade ao legado deixado pelo Cardeal Eugenio Sales, com a promoção do Curso Anual dos Bispos, que teve início da década de 1990, quando o Cardeal Ratzinger aceitou o convite de Dom Eugenio e marcou presença no primeiro encontro.

Questões atuais

Além disso, Dom Orani sempre buscou estar inserido nos debates relacionados à ideologia de gênero, Movimento Pró-Vida, ensino religioso, colocando-se contra as todas as ideologias contrárias à vida e à dignidade humana, prezando sempre pelo bem comum, pelo diálogo e a cultura da paz em todas as suas esferas.

Ordenações

Ao longo desses dez anos, nove bispos foram ordenados na Arquidiocese do Rio, pela imposição das mãos do arcebispo, os quais são: Dom Paulo Cezar Costa, hoje bispo de São Carlos, em São Paulo; Dom Pedro Cunha Cruz, agora bispo da Diocese de Campanha, em Minas Gerias; Dom Nelson Francelino Ferreira, bispo de Valença; Dom Luiz Henrique da Silva Brito, recentemente nomeado bispo diocesano de Barra do Piraí-Volta Redonda, além dos atuais bispos auxiliares: Dom Roque Costa Souza, Dom Joel Portella Amado, Dom Juarez Delorto Secco, Dom Paulo Celso Dias do Nascimento e Dom Paulo Romão.

Tendo em vista a importância da vida comunitária na formação de um sacerdote, Dom Orani fez do Seminário Arquidiocesano de São José, no Rio Comprido, um complexo na área da formação, onde estão os seminários Maior, Menor – reaberto pelo arcebispo, Propedêutico e o missionário Redemptoris Mater. Além disso, abrange a Escola Diaconal Santo Éfrem, o Instituto Superior de Direito Canônico (ISDC) e Instituto Superior de Ciências Religiosas (ISCR).

Houve, também, a oportunidade de os sacerdotes e seminaristas concluírem seus estudos em universidades de Roma, Itália, na Terra Santa e em Pamplona, na Espanha. Além disso, despertou em todos, não somente no clero, o desejo pela missionariedade, fazendo com que a arquidiocese contribua com o anúncio da Boa Nova, a partir do envio de sacerdotes, seminaristas, religiosos e leigos, pertencentes às novas comunidades, aos mais diversos lugares do país.

Vocações

Neste ano, em que celebramos o despertar vocacional – Ano Vocacional Sacerdotal –, Dom Orani convidou os seminaristas a estarem junto com ele nas visitas feitas com o padroeiro na Trezena de São Sebastião para darem seu testemunho. Assim, os testemunhos chegaram a muitos lugares, em todos os vicariatos do Rio de Janeiro. A proposta era ajudar aqueles que ainda possuíam dúvidas quanto à vocação sacerdotal.

E ajudar a essas pessoas é também o trabalho do Grupo Vocacional Arquidiocesano (GVA), um grupo de discernimento vocacional coordenado pelo monsenhor José Mazine. Dom Orani sempre busca conviver com os seminaristas e jovens nas comunidades paroquiais, incentivando, com seu exemplo, a vida sacerdotal ou religiosa. As reuniões do GVA acontecem no Seminário de São José.

Ecumenismo e diálogo inter-religioso

O ecumenismo e o diálogo inter-religioso são temas caros ao arcebispo do Rio. Dom Orani deu continuidade ao Curso Anual dos Bispos, criado por seu antecessor, Dom Eugenio Sales. Entre os assuntos debatidos costuma estar a questão do diálogo com outras religiões.

Em 2017, Dom Orani recepcionou na arquidiocese o secretário do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso (PCDI), Dom Miguel Ángel Ayuso Guixot, dos Missionários Combonianos do Coração de Jesus (MCCJ), que ministrou três conferências no Curso dos Bispos relativas ao que tange a questão do diálogo inter-religioso nos dias atuais.

Durante a JMJ Rio2013, foi realizado o primeiro seminário inter-religioso de jovens, na PUC-Rio, que contou com a presença de 150 pessoas de três diferentes denominações monoteístas – católicos, judeus e muçulmanos – e deu origem ao grupo Juventude Inter-Religiosa do Rio de Janeiro (JIRJ). O encontro foi registrado pelo diretor de cinema Cacá Diegues e registrado no filme “Rio de Fé”, lançado em outubro daquele ano.

O Centro Dom Vital também costuma realizar reuniões, seminários e eventos relacionados ao tema. O Ciclo do Diálogo Inter-religioso, por exemplo, é realizado desde 2015 e conta sempre com a presença de Dom Orani na abertura.

Depois de um encontro histórico com o Papa Francisco, em 2016, em Cuba, o Patriarca Kirill, da Igreja Ortodoxa Russa, esteve no Rio de Janeiro, cumprindo uma agenda de visitas na Antártida e na América Latina. Ao chegar à Base Aérea do Galeão foi acolhido por Dom Orani. No dia seguinte, o cardeal também o recebeu aos pés do Cristo Redentor, no santuário, para uma celebração ecumênica.

Nos 500 anos da Reforma Protestante, celebrados em 2017, líderes religiosos, incluindo Dom Orani, e cerca de 50 pessoas, de mais de 15 denominações diferentes do Brasil e dos EUA, foram ao alto do Corcovado para testemunhar que é possível professar diferentes credos, vivendo a tolerância e o amor, num trabalho conjunto por uma sociedade mais pacífica, justa e fraterna.

O evento integrou a primeira Conferência Internacional de Louvor e Adoração Somos Um, que aconteceu na Cidade das Artes e reuniu, pela primeira vez no Brasil, lideranças nacionais e internacionais da música católica e evangélica.

Ecumenismo e diálogo inter-religioso também foram temas do 8º Simpósio Internacional de Teologia da PUC-Rio, ocorrido em 2017. Sob a perspectiva do Documento de Aparecida (DAp), resultante da Conferência Episcopal Latino Americana de Aparecida (Celam), Dom Francisco Biasin refletiu o tema na presença de sacerdotes, seminaristas, professores e alunos do curso de teologia da universidade.

No evento “Grandes cidades: desafios para a unidade e a paz”, o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Cardeal Kurt Koch, visitou, acompanhado de Dom Orani, a Catedral Anglicana do Rio de Janeiro, em 2015.

Cáritas

Em 2016, a Cáritas do Rio completou 40 anos de história. Sob o comando de Dom Orani desde 2009, a instituição já realizou milhares de ações de atendimento humanitário em diferentes áreas. Em parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) realiza assistência a pessoas que fugiram de outros países, devido a conflitos e perseguições. Só no ano de 2015, cerca de 3.900 estrangeiros foram assistidos, vindo dos países da República Democrática do Congo, Angola, Síria e Colômbia.

Os estrangeiros encontram aqui a possibilidade de recomeçarem a vida. Eles chegam à Cáritas através da Polícia Federal, do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) ou por indicação. A partir daí, o trabalho desenvolve-se em três eixos: acolhida, proteção e integração local.

Na década de 1970, vários países da América do Sul estavam sob o comando de governos militares, e algumas pessoas perseguidas por esses regimes vinham ao Rio de Janeiro em busca de proteção. 

Procurado por um grupo de cinco chilenos em 1976, o então arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Eugenio Sales, decidiu instalar um serviço permanente de atendimento aos refugiados, oferecendo abrigo e buscando encontrar um terceiro país que pudesse protegê-los, uma vez que o Brasil também vivia um regime militar. O cardeal designou a Cáritas Rio para assumir essa tarefa em nome da arquidiocese, dando início ao primeiro trabalho sistematizado de atendimento aos refugiados do Brasil. 

Além do Acnur, que o apoia desde o primeiro momento, o Programa de Atendimento aos Refugiados e Solicitantes de Refúgio da Cáritas Rio hoje tem o respaldo do Ministério da Justiça e conta com a parceria de diversos órgãos, ONGs e instituições, atendendo a pessoas de mais de 60 nacionalidades.

Venezuela, nosso país vizinho, que tem passado por uma crise política desde 2014, recebeu ajuda da Cáritas, que enviou pessoas para a fronteira, em Pacaraima (RO), para atender pessoas que necessitavam de auxílio espiritual e físico. O governo federal, em julho de 2018, enviou 36 solicitantes de refúgio e migrantes para o Rio. Eles foram recebidos na casa de acolhida Papa Francisco, localizada no Recreio dos Bandeirantes, com apoio da Acnur, inaugurada para este fim, no mesmo mês.

Em 2010, um terremoto atingiu o Haiti, o país mais pobre da América Latina, deixando mais de cem mil vítimas fatais. Dentre elas estava a fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns. Na época, a Cáritas fez a campanha SOS Haiti, de arrecadação de recursos financeiros. Foram enviados R$ 225 mil e navios fretados para auxiliar no transporte das doações. Quatro anos depois, em 2014, a campanha “Alimente a esperança – Ajude o Haiti”, que envolveu toda a arquidiocese durante aquele ano, somou 180 toneladas de alimentos arrecadados e enviados aos haitianos.

Sempre que acontecem situações de desastres naturais ou tragédia, seja na cidade, no estado, no Brasil ou no mundo, rapidamente a Cáritas do Rio entra em contato com Dom Orani para que possam tomar medidas de apoio. Em geral, são realizadas campanhas de arrecadação de recursos financeiros e demais itens de primeira necessidade. Em alguns casos são enviados meios de transporte fretados para ajudarem no translado das doações que chegam dos mais diversos lugares. A Cáritas está em constante evolução no que diz respeito à prestação de apoio, seja ele espiritual, material ou financeiro.

Entre o final de 2009 e o início de 2010, as chuvas de verão assolaram o Estado do Rio de Janeiro, deixando mais de 70 pessoas mortas. A principal área afetada foi Angra dos Reis. A Cáritas, que sempre se solidariza em situações como essa, fez uma campanha para arrecadar recursos financeiros, alimentos, roupas, entre outros itens, para os desabrigados.

Em abril daquele mesmo ano, foi registrado um volume recorde de chuva em um único dia no estado. O temporal deixou 251 mortos, mais de 11 mil desalojados e 3.262 desabrigados. Dessa vez Niterói foi o lugar mais afetado. No entanto, muitas favelas do Rio de Janeiro também sofreram as consequências. As paróquias abriram suas portas para abrigar as pessoas. Dom Orani fez questão de visitar um dos locais, o Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, para levar uma mensagem de esperança e acolhida.

Quando chegou junho, mais uma vez as chuvas castigaram uma região do país: dessa vez, foi o Nordeste. Alagoas e Pernambuco foram os estados mais prejudicados, e as mortes chegaram a 45. As duas cidades ficaram sem abastecimento elétrico, sem telefone e sem comida. A Cáritas deu todo o suporte possível.

Alguns anos mais tarde, em 2015, Mariana, no interior de Minas Gerais, sofreu as consequências do rompimento das barragens de Fundão e Santarém, da Mineradora Samarco. Dom Orani enviou uma mensagem à Arquidiocese de Mariana – na pessoa de seu arcebispo, Dom Geraldo Lyrio Rocha –, para prestar solidariedade a todos os marianenses. O acidente deixou centenas de vítimas. A Arquidiocese do Rio já havia começado uma nova forma de ação nesses casos. Foi criada uma conta de emergências da Cáritas para arrecadar doações permanentemente. Dessa forma, os recursos já podem ser enviados imediatamente após o ocorrido, oque facilita a ação de quem está agindo nesses locais.

No início de 2018, mais um acidente como esse ocorreu e rapidamente houve o apoio da Cáritas: Brumadinho, também no interior de Minas, foi destruída pelo rompimento de uma barragem da Vale. O acidente deixou 225 mortos e 68 desaparecidos. Dessa vez a Cáritas pôde enviar, imediatamente, R$ 100 mil.

O último infortúnio que mobilizou a arquidiocese ocorreu no último dia 8 de abril: uma forte chuva deixou dez mortos e a cidade do Rio em estado de calamidade pública. No dia 10, o vigário episcopal para a Caridade Social, monsenhor Manuel Manangão, afirmou que a Cáritas enviou R$ 10 mil para o Vicariato Santa Cruz e o mesmo valor para o Vicariato Jacarepaguá, como auxílio inicial para as ocorrências emergenciais das comunidades. No dia anterior, juntamente com o arcebispo, Cardeal Orani João Tempesta, o sacerdote anunciou o início de uma campanha emergencial de arrecadação de donativos e recursos financeiros, através da instituição.

ISCR

Foi também no governo episcopal de Dom Orani que foi criado o Curso de Férias pelo Instituto Superior de Ciências Religiosas (ISCR), há cinco anos. Em parceria com o Seminário de São José, o ISCR oferece aos leigos cursos de diversas áreas ligadas à teologia nas férias do início e meio do ano. As disciplinas são ministradas por seminaristas e o valor de investimento é simbólico, possibilitando, assim, a participação de todos.

Brasil campeão

O Brasil é o segundo país em número de transplantes no mundo, de acordo com o Ministério da Saúde. No primeiro semestre de 2018, foram feitos quase 13 mil transplantes. O Hospital São Francisco de Assis na Providência de Deus (HSF), que durante o governo de Dom Orani mudou de direção e passou a ser coordenado pela Associação e Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus – que o ajudou a quitar suas dívidas e continuar seu trabalho –, foi o que fez o maior número de transplantes no Estado do Rio até agora. Na cidade é o primeiro em transplante de rins e o segundo em transplante de fígados. De acordo com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), a unidade é a quarta no ranking nacional quando se trata de transplante de rins. Dom Orani busca sempre o melhor para a população e consegue levar a cidade do Rio a outro patamar de ações sociais que rendem bons frutos.

Pátio dos Encontros

Dom Orani também foi anfitrião do Pátio dos Gentios, uma iniciativa do Vaticano ligada ao Pontifício Conselho da Cultura que tem como objetivo promover o diálogo entre cristãos e não cristãos. A primeira edição aconteceu em Paris, em março de 2011, sob a condução do Papa emérito Bento XVI. O encontro já se concretizou em várias cidades da Europa e da América, e, em 2016, foi a vez do Rio de Janeiro. Na edição, o evento adotou o nome de Pátio dos Encontros e teve como tema: “Ética e Transcendência”. O encontro contou com a participação do presidente do Pontifício Conselho da Cultura, Cardeal Gianfranco Ravasi.

Preservação do patrimônio histórico

Dom Orani também deu sua bênção, em 2018, à Comissão de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural da arquidiocese. A comissão é constituída por clérigos, religiosos, leigos católicos ou técnicos de formação acadêmica, que têm buscado, assessorar e analisar os projetos de restauração e intervenção de patrimônios históricos em todo o território arquidiocesano.

Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.