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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/04/2019

18 de Abril de 2019

Igrejas do Rio de portas abertas na campanha para ajudar as vítimas das chuvas

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18 de Abril de 2019

Igrejas do Rio de portas abertas na campanha para ajudar as vítimas das chuvas

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12/04/2019 20:15 - Atualizado em 12/04/2019 20:16
Por: Da redação

Igrejas do Rio de portas abertas na campanha para ajudar as vítimas das chuvas 0

Entre os dias 8 e 9, a cidade do Rio de Janeiro viveu, mais uma vez, o drama  de ser atingida pela força das águas. As chuvas que atingiram o Estado desde a tarde de segunda-feira até a noite de terça-feira desencadearam cenas de devastação, destruição e perplexidade, além de medo, desespero, luto e dor. E, como antídoto, o instinto de sobrevivência deu as mãos ao altruísmo e, juntos, protagonizaram outras tantas cenas de empatia, coragem e solidariedade, em ações de mútuo socorro, as mais diversas e impensáveis.

Sensível ao drama dos cariocas, a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, como de costume, abriu as portas de suas paróquias para acolher, abrigar e auxiliar as centenas de pessoas que buscaram nas igrejas o refúgio e toda a provisão possível, em meio ao caos que resultou em dez mortes e centenas de desabrigados, além de um rastro de destruição por toda a cidade.

Ação concreta

O arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta, solicitou aos vigários episcopais que mobilizassem os vicariatos, através dos párocos, para que as igrejas se mantivessem de portas abertas e abrigassem os que buscavam refúgio, bem como para que servissem de postos de recebimento de doações para os que perderam tudo. 

De acordo com o vigário episcopal para a Caridade Social, monsenhor Manuel Manangão, a Cáritas Arquidiocesana disponibilizou, em caráter emergencial, R$ 10 mil para o Vicariato Santa Cruz e outros R$ 10 mil para Vicariato Jacarepaguá, as regiões mais afetadas:

“Sempre nesses momentos a Cáritas é acionada como elemento de ligação de todas as paróquias e capelas de nossa arquidiocese, primeiramente as mais próximas dos locais atingidos, como ponto de coleta das doações materiais: vestuário, calçados, produtos de higiene, alimentos, água etc. Além disso, a Cáritas também disponibiliza uma conta para emergências, isto é, para receber as doações em dinheiro, que vão sendo disponibilizadas, conforme a necessidade para cada local atingido. É um gesto de solidariedade e acolhimento que realiza de uma forma muito concreta o que a nossa fé nos apresenta como um princípio de vida”, disse monsenhor Manangão.

Para o arcebispo, a solidariedade das paróquias “é sempre uma presença da igreja arquidiocesana junto aos que sofrem. Contamos com a colaboração de muitos fiéis, e a Cáritas organiza e direciona esse trabalho. Nosso desejo é que as pessoas que passam por esse momento sintam a nossa proximidade, o nosso estar junto, nesse contexto de sofrimento e de dor, porém com a esperança de podermos ajudar, naquilo que nos é possível, a minorar um pouco as dores”, declarou Dom Orani.

Solidariedade e cidadania

A assistente social da Arquidiocese do Rio, Noranei de Souza, contou que diversas convocações foram feitas pelas redes sociais e junto aos grupos de coordenadores e lideranças de comunidades, e que as ações iam sendo direcionadas para as paróquias que funcionavam como ponto de apoio:

“Fizemos visitas com o vigário episcopal, padre Luiz Carlos Pereira, nas localidades do Vicariato Santa Cruz, onde tivemos comunidades completamente alagadas, e a todo instante chegam pessoas pedindo doações, que enviamos para as famílias, e algumas foram resgatadas de bote. Estivemos em Urucânia, Antares, Jardim Maravilha, Cesarão, Ilha de Guaratiba e Pedra de Guaratiba, entre outras. Havia pessoas ainda sobre lajes, porque o resgate ainda não havia conseguido chegar até lá. No momento, o que mais precisamos é de alimentos não perecíveis, higiene pessoal e água potável. E estamos articulando nossas ações todas em rede, tanto por parte da sociedade civil quanto da rede governamental”, disse Noranei, que é a responsável pelo atendimento social do Vicariato Santa Cruz.

Padre Luiz Carlos informou que algumas capelas estão em áreas de risco, por isso não foi possível o acolhimento nessas igrejas. Em contrapartida, algumas escolas, segundo padre Luiz, estavam se recusando a abrir para acolher os desabrigados: “Fizemos o pedido a quem de direito para que fossem liberadas as escolas em condições de acolher. E então foi possível distribuir as famílias dessas áreas para as escolas e capelas que podiam abrigá-las”, explicou o vigário episcopal. Os voluntários ainda prepararam e serviram quentinhas para os desabrigados.

Fraternidade, tecnologia e música

Logo nas primeiras horas da tempestade, os bairros da Gávea, Jardim Botânico e Lagoa, na Zona Sul, foram os mais atingidos. Diante desse quadro, a primeira igreja a se mobilizar para acolher quem estava ilhado naquelas imediações foi a Paróquia São José, na Lagoa, que abriu suas portas e disponibilizou banheiros, estacionamento, além de rede de energia para o carregamento de celulares e de acesso à internet aos que precisavam de refúgio e de meios para se comunicarem com seus familiares. “Abrimos a igreja e ela permaneceu aberta durante toda a madrugada. Algumas pessoas dormiram nos bancos, outras aproveitaram a presença de padres para pedir uma assistência espiritual”, contou a secretária paroquial, Anne Ramiro.

A igreja serviu também de ponto de abrigo para as crianças da Escola Parque que ficaram dentro do transporte escolar. Conduzidas até a paróquia, os pais puderam ficar mais calmos e chegar com tranquilidade para buscarem os filhos:

“A mobilização, a tecnologia e o acolhimento dão muito certo. São elementos que nos integram e que nos ajudam a dar um belo testemunho em qualquer situação emergencial, inclusive, no que tange a nossa população em situação de rua, que também estamos prontos para acolher em nossa paróquia”, ressaltou padre Omar, de quem partiu a iniciativa e a divulgação pelas redes sociais.

A sensibilidade do pároco, no entanto, foi um pouco além. Percebendo o nervosismo e a aflição dos que chegavam, padre Omar, que também é músico, pôs-se a tocar o piano da paróquia, para acalmar as pessoas, enquanto paroquianos e funcionários ofereciam socorro e atendimento aos que procuravam abrigo e ajuda.

Fé e obras

Além da mobilização pelas paróquias, a Arquidiocese do Rio convocou os fiéis e a sociedade para uma série de atos religiosos, com a ação litúrgica e social “Oremos pelo Rio”: no dia 12, houve  jejum e arrecadação de alimentos em todas as paróquias; nos dias 13, 14 e 15 ofereceram-se missas em sufrágio dos mortos em decorrência da tragédia e pelas famílias enlutadas.

A missa “O Rio Celebra” no sábado, dia 13, foi na Paróquia Santa Luzia, em Gardênia Azul. Foi feito apelo para que as pessoas levassem doações para esta celebração.

“Algumas capelas não puderam ser abertas porque as pessoas que têm as chaves estavam ilhadas nas suas casas e também as áreas de acesso às capelas ficaram alagadas. As regiões do Anil e Rio das Pedras foram muito atingidas. Pedimos também que durante o mutirão de confissões da Semana Santa, nas paróquias, as pessoas levem doações. Foi providenciada, também, a compra de colchões”, disse cônego Robert Józef Chrzaszcz, vigário episcopal do Vicariato  Jacarepaguá.

Além disso, foram elaboradas e divulgadas três intenções a mais para as Preces da Comunidade, a serem rezadas na Liturgia do Domingo de Ramos (14/4), podendo ser reiteradas em outras celebrações:

“Por todos os irmãos e irmãs desabrigados em nossa cidade, para que experimentem a força de Deus em suas vidas e possam, com a esperança em dias melhores, recomeçarem suas caminhadas; pelos falecidos em decorrência das últimas enchentes, para que, tendo seus pecados perdoados, sejam recebidos por Deus, e por seus familiares, para que a certeza da vida eterna os conforte neste momento de dor; por nós que habitamos nesta cidade, governantes e governados, para que, inspirados pela graça de Deus, possamos juntos trabalhar por um Rio de Janeiro de paz, justiça e bem comum”, referia o texto.

Fraternidade além fronteiras

O vigário episcopal do Vicariato Oeste, padre Felipe Lima Pires, estendeu sua solidariedade ao vicariato vizinho, em Santa Cruz, já que o vicariato sob sua responsabilidade pastoral não foi gravemente afetado:

“A arrecadação foi concentrada na Paróquia São Sebastião e Santa Cecília, sobretudo água, vestuário e alimentos, e encaminhamos tudo para Guaratiba, pois nosso vicariato não foi tão afetado. Todos nós sofremos e nos sensibilizamos com a causa daqueles que passam por essa situação, de perderem suas casas ou todos os seus bens. Esse é o papel da Igreja: zelar e cooperar no serviço do bem comum. Por isso, estamos empenhados em ações de fraternidade e solidariedade”, pontuou padre Felipe.

A Paróquia Santos Anjos, no Leblon, transformou-se também em um polo de arrecadação na Zona Sul. O pároco, padre Thiago Azevedo, declarou que a paróquia está sensível ao drama da Zona Oeste, em particular, às comunidades do bairro Jardim Maravilha, pertencente ao Vicariato Santa Cruz:

“Estamos arrecadando e enviando nossas doações de água, roupas para adultos e crianças, calçados e alimentos para a Paróquia Nossa Senhora de Fátima, de Jardim Maravilha, em Guaratiba, cujo pároco é o padre Marcelo Salvador. A região da nossa paróquia, propriamente, não foi tão afetada, como em outras áreas da Zona Sul, porém estamos solidários e irmanados”, disse padre Thiago.

Fraternidade e Políticas públicas

Padre Marcos Vinício Miranda Vieira, pároco da Paróquia São João Batista, recordou que a atual condição da cidade, em decorrência da tragédia, torna ainda mais pertinente o tema da Campanha da Fraternidade deste ano: “Fraternidade e Políticas Públicas”:

“Estamos em sintonia com o tema da campanha deste ano, no sentido de cobrar do poder público um olhar para os nossos pobres, os mais necessitados, vivendo em tantas situações de risco, para que lhes sejam oferecidas mais e melhor infraestrutura e dignidade”, exortou padre Marcos Vinício.

Comunga do mesmo ponto de vista o cônego Robert Chrzaszcz. A região nas proximidades do Canal do Anil, segundo ele, foi bastante atingida e, até o dia seguinte das chuvas, muitas comunidades estavam ilhadas:

“É triste ver que as situações e ações para remediar são as mesmas e para as mesmas pessoas, as mesmas famílias que já atendemos no ano passado e em anos anteriores. E nisso está a importância do alerta que faz a Campanha da Fraternidade: estamos sofrendo e remediando os mesmos problemas, por falta de políticas públicas”, lamentou cônego Robert.

Como colaborar

Para aderir à campanha de solidariedade pelas vítimas das últimas chuvas, as doações de alimentos não perecíveis, água mineral, colchonetes, fraldas, roupas, calçados, materiais de higiene e limpeza, móveis e utensílios podem ser feitas diretamente nas paróquias e capelas mais próximas dos locais atingidos pelas chuvas. A ajuda financeira também pode ser feita através da Cáritas Arquidiocesana, por meio de depósito: Banco Bradesco; conta corrente 48500-4; agência 0814 –1, CNPJ: 34267971/0001-14, em nome de Cáritas Emergência.

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