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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/04/2019

18 de Abril de 2019

Mantendo a vida

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05/04/2019 10:49 - Atualizado em 08/04/2019 19:49
Por: Nathalia Cardoso

Mantendo a vida 0

A Paróquia Nossa Senhora do Loreto, da Ilha do Governador, oferece à comunidade, gratuitamente, um serviço de atendimento psicológico. Os terapeutas atuam voluntariamente na orientação de um grupo de prevenção ao suicídio. O atendimento é realizado no Ambulatório do Samaritano, no pátio interno da paróquia, às quintas-feiras, às 13h. As inscrições podem ser feitas no site http://pnsloreto.com/sebastiao/.

Entre os profissionais que prestam esse trabalho à comunidade está o psicólogo Sebastião Carlos Ferreira, especialista em terapia de casal e família pela PUC-Rio. Ele coordena uma equipe composta por profissionais já formados e por estudantes. Essa equipe realiza atendimentos individuais para casal, família e grupos de adultos, adolescentes e crianças.

Sebastião faz parte do Grupo dos Psicólogos Católicos (GPC). Ministrou no dia 25 de setembro de 2018 – época do Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção do suicídio – uma palestra com o tema: “Suicídio: Prevenção para salvar vidas”. Ele realiza atendimentos voluntários na Paróquia Nossa Senhora do Loreto desde junho de 2018 e, atualmente, atende a 46 pacientes na faixa de 17 a 55 anos.

No ano de 2018, foram realizados 376 atendimentos de crianças, 67 de adolescentes e 881 de adultos. Esse total inclui sessões individuais e de grupo.

“As tragédias ocorridas recentemente em Suzano (SP) e na Nova Zelândia nos mostram a necessidade de nos engajarmos, cada vez mais, em ações voltadas para a saúde mental com o intuito de ajudar as pessoas a enxergarem que a vida vale a pena”, afirmou Sebastião.

O número de mortes por suicídio, em termos globais, foi em torno de 900 mil pessoas em 2003. Na faixa etária entre 15 e 35 anos, o suicídio está entre as três maiores causas de morte. Nos últimos 45 anos, a mortalidade tem atingido os mais jovens (entre 15 e 45 anos). Para cada suicídio há, em média, cinco ou seis pessoas próximas ao falecido que sofrem consequências emocionais, sociais e econômicas. Mas de acordo com o Centro de Valorização da Vida (CVV), 90% dos suicídios podem ser evitados.

O grupo liderado por Sebastião utiliza para o atendimento os conceitos da logoterapia. A abordagem, criada pelo psicólogo e psiquiatra Viktor Frankl, trabalha com a questão do sentido da vida.

“Para Frankl, cada um de nós tem direito a usar sua liberdade para fazer escolhas em qualquer situação que esteja vivendo e dar um sentido para a vida. Ainda, segundo ele, até mesmo o sofrimento tem um sentido na vida. Aos pacientes que procuram esse grupo é recomendada a leitura do livro “Em busca de sentido”, de Viktor Frankl”, pontuou Sebastião.

Os componentes do grupo de apoio assinam um acordo de manutenção da vida, o qual dispõe de algumas regras a serem seguidas em momentos de crise. Caso as medidas não sejam suficientes, o paciente deve entrar com o terapeuta utilizando um código fornecido para identificar a emergência e recebe uma ligação de retorno. Se ainda assim a crise persistir, o paciente recebe uma visita do psicólogo.

Outra técnica utilizada pelos terapeutas foi levar os pacientes a um jogo de paintball –esporte de combate, individual ou em equipes, em que se usa um marcador de ar comprimido, nitrogênio ou CO2 para atirar bolas com tinta colorida nos oponentes – na modalidade de Real Action, seguindo as regras Milsim.

Isso significa que eles participaram da simulação de uma situação militar mais aproximada da realidade em que tiveram que traçar estratégias de guerra e, com armas airsoft – armas de pressão –, dividiram-se em duas equipes. O objetivo do jogo é ‘matar’ todos os oponentes.

“Eu pensei que tinha de arrumar uma forma deles ‘se matarem’. E assim surgiu a ideia do paintball. Os pacientes receberam treinamento e jogaram por quase 120 minutos. Após o término do tempo, solicitaram que o jogo fosse prorrogado por mais duas horas. Se fosse possível, teriam continuado a jogar. Observamos que durante o jogo aqueles que queriam tirar a própria vida estavam preocupados em não serem atingidos e em proteger os outros membros do grupo”, sinalizou Sebastião.

Após essa atividade, foi criado um projeto que utiliza o paintball como terapia. O grupo Adorre tem como propósito ressignificar a dor da alma.

“Utilizamos as técnicas do paintball para criar um cenário em que os participantes poderão vivenciar momentos similares com os quais Frankl conviveu nos campos de concentração. A permanência do grupo nesse espaço terapêutico será de uma semana com acompanhamento 24h pela equipe de psicologia”, contou.

Quando todas as possibilidades não são suficientes para manter a vida de um paciente, a equipe faz o atendimento “Pósvenção ao suicídio”, no qual a equipe de psicologia presta assistência aos familiares em luto.

Sentido da vida

Quando chegou à Paróquia Nossa Senhora do Loreto, Sebastião sugeriu que os atendimentos fossem feitos aos sábados, assim, contemplaria as famílias que durante a semana costumam estar ocupadas nos compromissos de rotina. Conseguiu, ainda, estagiários voluntários. Assim, a fila de espera para atendimentos que era de cerca de cem pessoas, passou a quase zero. Hoje, a equipe conta com mais de 20 estagiários.

Duas pessoas que receberam o atendimento também começaram a fazer o trabalho de co-terapia, o mesmo que dos estagiários. De acordo com Sebastião, essas pessoas têm, com isso, uma forma de dar sentido às próprias vidas, a partir do momento que se veem ajudando a outras pessoas, agora que elas já não têm mais ideias suicidas.

Informações úteis

O estado também fornece atendimento psicossocial através dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), cujo site é http://www.rio.rj.gov.br/web/sms/caps, e Unidades Básicas de Saúde (saúde da família, postos e centros de saúde). O Centro de Valorização da Vida (CVV) pode ser contatado através do site (https://www.cvv.org.br/), telefone (188) e redes sociais.

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