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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 26/05/2019

26 de Maio de 2019

Diálogo com outras religiões é pauta de viagens apostólicas do Papa Francisco

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26 de Maio de 2019

Diálogo com outras religiões é pauta de viagens apostólicas do Papa Francisco

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29/03/2019 11:08 - Atualizado em 29/03/2019 11:10
Por: Nathalia Cardoso

Diálogo com outras religiões é pauta de viagens apostólicas do Papa Francisco 0

Foi divulgado no dia 25 de março o programa da viagem apostólica do Papa Francisco à Romênia, com início no dia 31 de maio e final em 2 de junho. Na ocasião, o Pontífice beatificará sete bispos mártires do comunismo. Entre seus compromissos, está agendado um encontro ecumênico. A questão, bem como o diálogo inter-religioso, marca a maioria das visitas apostólicas do Papa.

Em um dos encontros mais importantes do pontificado, em viagem apostólica aos Emirados Árabes Unidos, de 3 a 5 de fevereiro, o Papa assinou o “Documento sobre a fraternidade humana em prol da paz mundial e da convivência comum”, juntamente com o Grão Imã da Mesquita de Al-Azhar, no Egito, Sheik Ahmad al-Tayyeb, o mais importante do islamismo sunita. O acordo foi uma forma de celebrar o gesto de São Francisco de Assis de visitar a região, de maioria islâmica (muçulmana), 800 anos atrás. E a visita de Francisco foi a primeira de um Papa à Península Arábica, berço do islamismo.

O documento diz que Al-Azhar e o Vaticano, muçulmanos e católicos, vão, juntos, lutar contra o extremismo religioso e que nenhuma religião deveria, nunca, incitar violência, ódio ou guerra. A assinatura foi feita diante líderes religiosos de todo o mundo.

Dom Paulo Celso Dias do Nascimento, bispo referencial para a Comissão Arquidiocesana de Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso, afirmou que o Papa Francisco cria pontes e concretiza a “Igreja em saída”.

“Acredito que o mundo precisa muito disso: do respeito, da convivência pacífica. E o texto traz uma análise muito interessante quando diz que ‘dentre as causas mais importantes da crise do mundo moderno, se encontram uma consciência humana anestesiada e o afastamento dos valores religiosos’. Isso vem, até mesmo, para contrariar a ideia de que o islamismo é uma religião que favorece a violência. Esses desvios acontecem por parte de alguns. O Papa fala, mas os gestos dizem muito mais. Nesse encontro ele entrou de mãos dadas com o sheik”, ressaltou.

Para o secretário da Comissão Arquidiocesana de Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso, diácono Nelson Águia, o documento é um marco nas relações entre a Igreja Católica e o mundo muçulmano.

“O texto foi elaborado na sinceridade e na seriedade das duas religiões signatárias e servirá como um guia para as atuais e futuras gerações, para a implantação de uma cultura de respeito mútuo e compreensão da graça divina que a todos torna irmãos”, afirmou.

Dentre outras afirmações, o documento ressalta que o crente em Deus deve ver o outro sempre como um irmão. Se todos foram criados à imagem e semelhança de Deus, cada pessoa é fruto da vontade Divina, ainda que professe religião diferente das demais.

“É nesse ponto que reside o valor transcendente de cada pessoa. Juntos devemos compartilhar as alegrias, as tristezas e os problemas do mundo contemporâneo. O documento nos revela que as religiões devem acompanhar – juntas – o progresso científico e técnico e as conquistas da época atual, sempre na perspectiva da valorização da vida”, disse o diácono.

A carta chama a atenção, ainda, para a causa dos pobres, a quem Deus ordena que seja prestada caridade e atenção. Exilados, vítimas de guerras, de perseguições e injustiças também foram lembrados.

“Nós – crentes em Deus, no encontro final com Ele e no Seu julgamento –, a partir da nossa responsabilidade religiosa e moral e através deste documento, rogamos a nós mesmos e aos líderes do mundo inteiro, aos artífices da política internacional e da economia mundial, para se comprometer seriamente na difusão da tolerância, da convivência e da paz; para intervir, o mais breve possível, a fim de se impedir o derramamento de sangue inocente e acabar com as guerras, os conflitos, a degradação ambiental e o declínio cultural e moral que o mundo vive atualmente”, ressalta um trecho do documento.

A falta de distribuição equitativa dos recursos naturais, segundo a carta, causa mortes e doenças em todo o mundo, além de desastres ecológicos. O documento fala também sobre a importância da família para mudar o quadro de intolerância que se vive atualmente.

Ele é emblemático porque os islamitas não podem mudar de religião. Apesar de ter uma legislação que defende a igualdade e respeito entre as religiões, as cristãs ainda encontram muitas limitações no território considerado muçulmano. A esperança é de que, com a assinatura desse documento, novas portas se abram para o respeito e a tolerância no local.

Documento

O “contrato” não é uma declaração de emergência, pois não é fruto de nenhum conflito atual. Ele salienta o pluralismo e a diversidade de religião, cor, sexo, etnia e idioma e condena o fato de pessoas serem obrigadas a aderir a uma determinada religião ou cultura, bem como de impor um estilo de civilização que os outros não aceitam.

O desejo, segundo o diácono Nelson, é de que ele se torne, para as novas gerações, um guia rumo à cultura do respeito mútuo e da compreensão da graça divina, que torna todos os seres humanos irmãos. Papa Francisco, inclusive, se dirigiu a Ahmad al-Tayyeb, como “meu amigo e meu irmão”.

Segundo Dom Paulo, ao destacar o valor do documento para a construção da paz mundial, o Papa e o sheik afirmam ‘a forte convicção de que os verdadeiros ensinamentos das religiões convidam a permanecer ancorados aos valores da paz; apoiar os valores do conhecimento mútuo, da fraternidade humana e da convivência comum; restabelecer a sabedoria, a justiça e a caridade, e despertar o sentido da religiosidade entre os jovens, para defender as novas gerações a partir do domínio do pensamento materialista, do perigo das políticas da avidez do lucro desmesurado e da indiferença baseadas na lei da força e não na força da lei’.

Ele ressaltou, ainda, o fato de que qualquer religião pode tomar o documento como base porque ele prega a construção de uma fraternidade através de gestos de boa vontade. Porque a prática é quem determina se as pessoas são “de boa vontade”. O Imã (sheik) ter assinado o documento, segundo o bispo, significa que ele também está dizendo tudo o que o mesmo coloca como questão, uma vez que o islamismo também prega o bem e o amor ao próximo.

“Quando conhecemos o outro de perto, o amamos mais porque desfazemos a visão preconceituosa que temos dele. Santo Agostinho nos diz ‘Quanto mais conheço Jesus, mais sou impulsionado a amá-lo’. Por isso talvez fosse bom que conhecêssemos um pouco mais do “Alcorão” e do islamismo porque temos muitos valores comuns”, apontou. “Por isso, a visão descontextualizada da Igreja Católica faz com que muitos jovens falem mal da Igreja. Esse documento mostra uma tentativa de purificação das religiões para que não se deixem afetar por pequenos grupos que fogem do que é pregado de fato”, concluiu Dom Paulo.

Além disso, espera-se que o escrito chegue às autoridades e grandes líderes a fim de, com isso, multiplicar suas diretrizes. Segundo o diácono Nelson, ele não é uma ação concreta, mas é o começo de acordo de paz e fraternidade que pode render muitos bons frutos. A íntegra do texto pode ser lida na página oficial da Santa Sé: http://w2.vatican.va/.

Emirados Árabes

A Península Arábica compreende a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos (EAU), Omã, Bahrein, Kuwait, Qatar e Iêmen. Já a região dos EAU contém Abu Dhabi, Dubai, Xarja, Ajmã, Umm al-Quwain, Ras al-Khaimah e Fujeira, sendo Abu Dhabi a capital de Dubai. Dentre esses locais, Iêmen, Síria, Iraque e Líbia vivem em guerra há pelo menos oito anos.

Segundo o Relatório da Liberdade Religiosa de 2018 da Ajuda à Igreja que Sofre (ACN Brasil), 76,7% da população dos Emirados Árabes é muçulmana, enquanto 12,4% são cristãos, sendo 9% católicos.

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