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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/03/2019

21 de Março de 2019

Pastoral do Menor participa de campanha na Alemanha

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Pastoral do Menor participa de campanha na Alemanha

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15/03/2019 10:43 - Atualizado em 15/03/2019 10:44
Por: Da redação

Pastoral do Menor participa de campanha na Alemanha 0

A Adveniat, órgão da Conferência Episcopal Alemã, lança, anualmente, uma campanha de solidariedade, em favor da Igreja na América Latina e Caribe. Em 2018, a campanha teve como tema: "A Juventude - assumindo responsabilidades". Por sua atuação há 36 anos, através das ações da Pastoral do Menor, a Arquidiocese do Rio de Janeiro foi convidada a compartilhar o trabalho que realiza com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Participaram na Alemanha, entre os dias 16 e 18 de novembro de 2018, a coordenadora social da Pastoral do Menor, Regina Leão, e a jovem Suanny Martins, de 27 anos, assistida desde os dez anos pelos programas sociais da pastoral.

Advento

O encontro aconteceu dentro do tempo litúrgico do Advento e, nessa perspectiva, foi apresentado à Adveniat artigo elaborado pelo assistente eclesiástico da Pastoral do Menor, padre Aldo de Souto Santos, em coautoria com o assistente eclesiástico da Comissão Arquidiocesana de Assistência Religiosa ao Adolescente Privado de Liberdade, diácono Roberto dos Santos, e a coordenadora Regina Leão. O artigo aborda a busca de oportunidades para as crianças, adolescentes e jovens brasileiros, daí o título: "Dar-lhes uma oportunidade: jovens assumem responsabilidades".

Mesa brasileira

Durante o evento, Regina e Suanny integraram a mesa-redonda "Brasil 2018 - Juventude brasileira moldando o futuro", além de outras sessões de comunicação. Na sessão plenária que discutiu o tema "Juventude entre frustrações e engajamento", as brasileiras apresentaram a comunicação: "A situação de jovens discriminados e a falta de políticas públicas e o acesso à educação pública".

Cooperação internacional

Segundo a coordenadora, os assuntos abordados durante os encontros foram: direitos e violações dos direitos das crianças e adolescentes, marcos regulatórios, fundamentalismo religioso, situação política e econômica do Brasil, a corrupção, estratégias de superação e perspectiva futura diante do cenário atual. "E durante o evento, realizamos contatos com várias instituições de cooperação internacional, como a Cáritas Internacional, a organização Pão para o Mundo, a Misserior, e muitas outras. Esta experiência intercultural deu-nos a possibilidade de divulgação do trabalho da Pastoral do Menor arquidiocesana, bem como a troca de experiências culturais de realidades tão diferentes, a captação de recursos e manutenção dos financiamentos existentes, já que demos testemunhos e apresentamos resultados", destacou Regina. 

Perplexidade

Entre os testemunhos e resultados de que fala a coordenadora social, está o da jovem Suanny Martins, da comunidade de Acari, e que iniciou aos 10 anos de idade em projeto de contraturno escolar, com atividades de artes, cultura e lazer. Para Suanny, a participação nos projetos da Pastoral do Menor foi um divisor de águas na sua vida:

"Lembro de quando eu não podia ir ao projeto, por estar havendo operação policial na favela, e não tínhamos como sair de casa, então eu não tinha como chegar no projeto, eu ficava muito triste e chorava muito. Hoje eu continuo morando com minha mãe e meu irmão; e ajudo, com a minha renda, no sustento da minha família. Porém, só através dos cursos e oportunidades oferecidas pelo projeto, isso foi possível", afirmou.

Agora com 26 anos, Suanny é estudante de serviço social e, atualmente, trabalha como assistente administrativa no Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Rio de Janeiro (Cedeca), uma entidade de direitos humanos. A história da jovem carioca provocou perplexidade no público ouvinte:

"Quando Suanny contou seu testemunho, eles ficaram impactados: como pode uma jovem ser provedora da família? Como pode ela sair de casa às 7h e voltar às 23h, para manter os estudos e a casa? A questão da violência os deixou perplexos, porque eles não alcançavam as dificuldades desses jovens de comunidades, a questão de não poderem sair de casa ou voltar, por conta da violência e das operações policiais. E os jovens da Alemanha mostraram interesse em fazer um trabalho voluntário aqui, no Brasil", contou Regina Leão.

Passaporte da Cidadania

Outro resultado que a coordenadora apresentou durante o evento da Adveniat foi o testemunho de Juliana Cristina Barretos da Silva, de 22 anos. A jovem foi atendida pelo projeto "Passaporte da Cidadania", que contempla a realidade de jovens em situação de rua, por meio da inclusão digital e de atividades educativas e culturais.

"Realizamos ações de resgate desta situação de vulnerabilidade que é viver nas ruas. Hoje,  Juliana tem um lar, restaurou a relação com a filha que ela teve aos 15 anos de idade. Atualmente, é artista de dança de rua e com seu trabalho cultural mantém a sua família. Em uma mesa-redonda que já acontece há 25 anos, nesse evento, e que se chama "Mesa-Brasil", cuja temática era “Juventude: Esperanças e Frustrações”, apresentamos a história de Juliana, que hoje teatraliza, através da dança e da expressão corporal, a violência e o extermínio que assistimos diariamente no Brasil", declarou Regina.

Mudança radical

Em entrevista ao jornal “Testemunho de Fé”, em setembro de 2018, Juliana contou que, na época em que ingressou no projeto "Passaporte da Cidadania", vivia em situação de rua e tinha já 18 anos, mas queria tanto obter o acesso à internet, que mentiu sobre a própria idade. A "travessura", porém, foi determinante para mudar radicalmente a sua história:

“Quando eu conheci o ônibus do ‘Passaporte da Cidadania’, eu vivia em situação de rua, aqui, pelo Catete e Largo do Machado. Na época, eu tinha 18 anos e menti sobre a idade, pois eu queria muito estar no projeto para acessar a internet, assim, eu teria como me comunicar com os meus parentes de outros lugares. Eu sempre vivi em abrigos, porque minha mãe foi assassinada quando eu era muito nova. Desde os 9 anos, eu tenho contato com a rua, e sempre ia para instituições. Quando eu comecei a vir ao ônibus, as coisas foram melhorando. Eu fiz um curso de dança com a bailarina Débora Colker, aqui na Glória, gravei um clipe com Anitta e, depois, tive a oportunidade, também, de participar em um comercial de uma marca conhecida. Foi muito importante esse meu contato com a pastoral”, contou Juliana.

Financiamentos

Para Regina Leão, a participação da arquidiocese na campanha anual da Adveniat é importantíssima, porque a Pastoral do Menor completará 36 anos de existência este ano, e possui projetos de ações continuadas, portanto, o financiamento para a manutenção desses projetos é fundamental, assim como a divulgação deles, como forma de gerar novas captações:

"Atualmente, temos oito programas na Pastoral do Menor, entretanto nem todos eles têm financiamento, embora sejam de ações continuadas. Então, nossa participação foi para referendar tais projetos já existentes, junto à Adveniat, e garantir a manutenção, para outros que estão por vir, não só da Adventiat, mas também de outros financiamentos. Atendemos, em média, cinco mil crianças e adolescentes, todos em situação de vulnerabilidade social", esclareceu Regina.

Chance

"Os índices de mortalidade e de reincidência em atos infracionais, pelos jovens, são muito altos, justamente em função dessa vulnerabilidade", afirmou a coordenadora. Segundo ela,  pesquisas demonstram que "quanto maior o apoio, menor é a possibilidade de um jovem entrar para o tráfico de drogas. Os dados recentes do Observatório da Maré revelam que o principal fator da entrada dos jovens no mundo do tráfico é a questão da falta de renda, seguida pela necessidade de ajudar a família; a busca por 'status' vem num terceiro momento. A Pastoral do Menor é qualificada, por exemplo, para promover o Jovem Aprendiz, porém as empresas ainda não se dispõem a oferecer o número suficiente de vagas para todos os jovens capacitados nos nossos projetos e que aguardam uma chance de ingressar no seu primeiro emprego", pontuou Regina.

Proximidade

A coordenadora fez questão de ressaltar, por fim, a gratidão da pastoral ao apoio da Adveniat, que, segundo ela, não se resume ao envio de recursos e verificação dos resultados finais. Para Regina, é muito importante haver a proximidade de quem financia com quem executa, já que, segundo ela, a realidade no Brasil é muito desigual:

"Já é difícil, no nosso país, as classes mais ricas entenderem o que passa a população pobre e miserável, imagine as pessoas de outros países!? E países de primeiro mundo - onde tudo 'funciona': a educação, a saúde etc. A Adveniat é um parceiro que nós valorizamos muito, porque  deu a oportunidade de irmos testemunhar a nossa execução dos projetos que eles financiam, então houve a escuta e a oportunidade da transparência. Muitas vezes, o financiador nos cobra os resultados, mas não tem a clareza do processo. A Adveniat veio até nós, conheceu de perto as ações; elaboramos as propostas, mas eles também nos propuseram algumas reflexões; obtivemos a aprovação, porém só após o monitoramento deles é que nos foi feito o convite. Eles escolheram a Pastoral do Menor", disse.

Gratidão e motivação

E concluiu, dizendo: "para nós é gratificante constatar que não se tratou apenas de monitoramento do dinheiro investido, mas a valorização de todo um esforço da pastoral; a forma como a Adveniat trabalha nos possibilita muito mais, para além até do que é investido. Só temos a agradecer a Deus - porque vimos que tudo foi mesmo por obra do Espírito Santo;  à Adveniat, pela parceria; à Arquidiocese do Rio de Janeiro, na pessoa do nosso arcebispo, Dom Orani - e isso inclui desde o Setor Jurídico da arquidiocese até o Departamento Pessoal, praticamente toda a Mitra. Agradeço, ainda, aos conselheiros da Pastoral do Menor, bem como a toda a equipe dos nossos agentes que possibilitam a concretização dos projetos. E agradecemos também ao Vicariato para a Comunicação, que nos apoia sempre, divulgando os nossos trabalhos. Formamos todos uma verdadeira corrente do bem em favor da juventude, em nossa arquidiocese. E só nos resta pedir a Deus que permaneça nos dando muita força e muita fé, para continuarmos fazendo tudo aquilo que tem que ser feito", concluiu Regina Leão.

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