Arquidiocese do Rio de Janeiro

28º 24º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/03/2019

21 de Março de 2019

Madre Maria José de Jesus: mística e poetisa de Deus

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

21 de Março de 2019

Madre Maria José de Jesus: mística e poetisa de Deus

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

15/03/2019 10:19 - Atualizado em 15/03/2019 10:19
Por: Carlos Moioli / Priscila Xavier

Madre Maria José de Jesus: mística e poetisa de Deus 0

Abrir mão das alegrias desse mundo para contemplar as alegrias celestes. Essa foi a decisão de Madre Maria José de Jesus, que foi priora do Carmelo de Santa Teresa, localizado no bairro que carrega o nome da fundadora das carmelitas descalças.

Recordando o exemplo de humildade, obediência e fé, a comunidade carmelita se reuniu no carmelo, no dia 10 de março, para celebrar os 60 anos da entrada no céu da Serva de Deus Madre Maria José. A missa em ação de graças foi presidida pelo vigário episcopal para os Institutos de Vida Consagrada, Sociedades de Vida Apostólica, Movimentos Eclesiais e Novas Comunidades, Dom Roberto Lopes.

De acordo com ele, a celebração teve dois pontos centrais: “o primeiro deles é em ação de graças pelos 60 anos da entrada no céu da madre. Mas, também, marcamos a colaboração da Arquidiocese do Rio com a ordem carmelitana, a qual possui muitos santos, como Santa Teresa d’Ávila, São João da Cruz, Santa Teresa de Liseux e Santa Edith Stein”, comentou.

Segundo Dom Roberto, o processo de beatificação da madre já está em Roma. Ele foi iniciado a partir do Cardeal Eugenio de Araujo Sales, juntamente com o então padre Fernando Guimarães, hoje atual arcebispo militar. “Conversamos com o postulador da ordem carmelitana, frei Romano Gambalunga, e nos dispusemos a trabalhar juntos para acelerar o processo. Dessa forma, sugerimos às monjas a reeditar todos os escritos da madre. Durante a celebração, apresentamos um pequeno mostruário, bem como a cela onde vivia a madre no carmelo e documentos pessoais, como livros e escritos”, disse.

Dom Roberto acrescentou, ainda, que a meta é de que até outubro os trabalhos sejam concluídos. “Assim, o frei poderá entregar a documentação ao relator, e a aposition será finalizada, permitindo que a figura da madre Maria José seja mais conhecida”, contou.

Para ele, a Serva de Deus já foi reconhecida como santa por muitas personalidades da época em que ela vivera. “A madre foi uma grande mística, era uma grande poetisa, escreveu muitos livros, traduziu toda a obra de Santa Teresa d’Ávila. Foi considerada por Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade como uma das maiores poetisas religiosas do país. Na data de seu falecimento, a Academia Brasileira de Letras fez uma publicação no jornal declarando-a santa. Além disso, os próprios cardeais Joaquim Arcoverde, Sebastião Leme e Jaime de Barros Câmara deram testemunho e reconheceram a santidade de madre Maria José”, pontuou.

Morrer para o mundo e viver para Deus

Primogênita dentre os cinco filhos do casal Capistrano de Abreu – notável historiador cearense – e Maria José Castro Fonseca, Honorina de Abreu nasceu no Rio de Janeiro, em 18 de fevereiro de 1822.

Antes mesmo de completar 10 anos de idade, ela sofreu a perda da mãe, em consequência do último parto. Foi morar com o pai e os irmãos numa pensão, e viu nele e na avó materna, Adélia Josefina de Castro Fonseca, o consolo e o equilíbrio familiar.

Estudou com as irmãs vicentinas no Colégio da Imaculada Conceição, também no Rio, e cogitou até mesmo a possibilidade de tornar-se irmã de caridade. Porém, tal sentimento foi inundado pelo fervor da adolescência.

Na tenra idade, Honorina destacava-se entre as moças da sociedade não somente na beleza, no comportamento dócil e na bondade, mas também devido a sua inteligência e bagagem intelectual – nessa fase, ela falava perfeitamente sete idiomas.

Para a jovem, o que não faltava eram pretendentes. Mas, numa noite, em meio a um baile, acompanhada das primas, Honorina decidiu, subitamente, voltar para casa. Esse foi o marco de sua conversão, que iniciou com o abandono dos salões festivos e a radical mudança física, quando passou a se desfazer da elegância com a qual se vestia para usar somente uma saia cinza e uma blusa branca. Ela também se aproximou mais dos sacramentos e da direção espiritual.

Despojada das alegrias humanas, Honorina passou a frequentar o Mosteiro Concepcionista da Ajuda, descobrindo no Carmelo o seu ideal vocacional. Porém, o amor pela avó ainda a fez resistir ao chamado por longos dez anos, tempo em que se dedicou à família e ao apostolado entre os pobres, doentes e mais necessitados.

No dia 10 de janeiro de 1911, Honorina ingressou no Carmelo de Santa Teresa, aos 29 anos, tornando-se a carmelita descalça Maria José de Jesus. Quatro anos após sua profissão solene, ela foi escolhida como mestra do noviciado. Já em 1917, com apenas 35 anos de idade e seis anos de vida religiosa, foi eleita priora por unanimidade de votos, função a qual exerceu durante 27 anos dentre os 48 anos que viveu no carmelo, além de ser mestra inúmeras vezes. Esses números só não foram ainda maiores porque madre Maria José acreditava na necessidade de renovação nos diversos ofícios.

Ela foi a responsável pela tradução das obras completas de Santa Teresa de Jesus, trabalho o qual realizou por 23 anos – desde maio de 1936 até o ano de sua morte, em 1959 –, sem deixar de cumprir suas obrigações quanto à regra, os ofícios comunitários e às exigências enquanto superiora e mestra.

No intuito de transmitir sua experiência com Deus, Madre Maria José de Jesus escreveu diversas obras, além de ser reconhecida como uma das maiores poetisas religiosas do país por nomes da literatura brasileira, como Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira, o qual a definiu, prefaciando o livro “Sonetos e poemas”, escrito pela madre: “A poesia não era em Honorina atividade exercida por simples deleite. A poesia era para aquela alma toda voltada para Deus um meio a mais de se pôr em comunicação com Jesus, de receber em seus seio as dádivas inefáveis daqu’Ele a quem chamou em outro soneto: ‘O Divino Perdulário’”.

Nos últimos 12 anos de vida, a falta de saúde que a acompanhara desde os primórdios tomou proporções alarmantes: resfriados constantes, asmas, varizes, reumatismo, pernas e pés deformados, encurvamento da coluna que provocou o atrofiamento do tórax, além do esgotamento físico. Mesmo diante das dores e sofrimentos corporais, ela permanecia firme e em tudo seguia a comunidade.

Por conta da debilidade da saúde, os médicos aconselharam a internação da madre numa casa de saúde para o tratamento, atingindo-a num ponto certeiro: o afastamento da clausura e das irmãs. Três meses depois, na manhã do dia 11 de março de 1959, Madre Maria José de Jesus seguiu para a Casa do Pai, após uma síncope cardíaca.

Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.