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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/03/2019

21 de Março de 2019

Abrace a capela

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08/03/2019 10:59 - Atualizado em 08/03/2019 11:00
Por: Da redação / Fonte: Biblioteca Nacional

Abrace a capela 0

A Capela Nossa Senhora da Vitória, da Igreja São Francisco de Paula, no Largo de São Francisco, no Centro, hospeda a obra de Mestre Valentim, famoso artista do período colonial. O local está passando por uma restauração, que tem previsão de um pouco mais de três meses de duração. A inauguração da visitação guiada ao ateliê de restauro aconteceu no dia 20 de fevereiro.

No entanto, para que se continue a “descoberta” das obras de arte que existem no interior da capela, a paróquia e a Comissão de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro e de seu Interesse pedem a ajuda da população com doações e compra de ingressos da visitação guiada, feita por um responsável técnico, que apresentará as obras. A campanha de arrecadação de recursos recebeu o nome de “Abrace a capela”.

Daisy Ketzer, integrante da comissão arquidiocesana, contou que essa capela é emblemática porque tem as pinturas de um artista que foi escravo, alforriado, e que, segundo relatos estudou fora do Brasil e trouxe sua arte de volta para a terra onde havia nascido. A capela foi escolhida pela comissão para ser o primeiro patrimônio cultural restaurado.

“A partir de agora, começamos a campanha ‘Abrace a capela’. É uma campanha de arrecadação de recursos. Nós sabemos que está difícil. Não podemos contar muito com as leis de incentivo à cultura nesse momento, mas está sendo um ensaio para vermos como vai funcionar o restauro em outras igrejas também”, explicou ela.

Capela

Conhecida como “Capela do Noviciado”, ela teve a construção iniciada ainda no período colonial, em 1759, por iniciativa da Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula, que administra o local até hoje. O artista Valentim da Fonseca e Silva, conhecido como Mestre Valentim, famoso naquela época, foi um dos criadores do interior da capela, feito entre 1801 e 1813, quando ele faleceu. Ele foi escravo e teve sua alforria comprada graças à admiração ao trabalho que executava.

A Igreja de São Francisco de Paula é a segunda maior da cidade, só perde para a da Candelária, e é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Devido à ação do tempo, os vernizes das obras entalhadas no interior da capela foram ficando escuros e escondendo as particularidades das peças.

A capela, em estilo rococó, é uma das preciosidades da cidade e da arquitetura colonial brasileira e também hospeda obras de Manuel da Cunha, outro escravo alforriado. A talha dourada no fundo claro foi feita por Mestre Valentim. O estilo Rococó, surgido na França, deriva do Barroco, mas é mais leve e intimista.

Mestre Valentim

O artista nasceu escravo, em 1744, em Minas Gerais, e devido ao talento para as artes, acredita-se que foi enviado por seu senhor para ter aulas de pintura, em Lisboa, capital de Portugal. Quando voltou do exterior, ele foi alforriado por um comerciante, que comprou a liberdade dele da família do cônego Januário da Cunha Barbosa.

Mesmo havendo essa hipótese de que aprendeu sua arte em Portugal, é possível que a formação tenha vindo do contato com artistas mineiros e cariocas daquela época. Sua estadia no exterior nunca foi comprovada.

Ele atuou como escultor, entalhador e urbanista no Rio de Janeiro no momento em que a cidade era capital do Vice-Reino do Brasil. Além da talha das igrejas, durante o vice-reinado de Luís de Vasconcelos e Sousa (1779-1790), Mestre Valentim também projetou obras urbanísticas, como chafarizes e o Passeio Público do Rio, que foi o primeiro jardim público da cidade.

Na Igreja de São Francisco de Paula, ele também fez o altar-mor. Foi responsável ainda pelo retábulo e altar-mor da Igreja de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte, no Centro, além da urna, banqueta e andor, fachada e portal; e lampadários de prata para a igreja do Mosteiro de São Bento, entre 1781 e 1783.

Na Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, no Centro, realizou obras na capela-mor, na capela do noviciado e no altar de Nossa Senhora das Dores; na Igreja da Santa Cruz dos Militares, foi responsável pela talha, esculpindo a capela-mor, arco cruzeiro e parte da nave.

Decorou, ainda, a capela-mor da Igreja da Candelária, mas teve os seus adornos substituídos no final do século XIX. Foi também encarregado da reconstrução do Recolhimento de Nossa Senhora do Parto, após um incêndio ocorrido em 1789.

Em 1997, foi inaugurado o Memorial Mestre Valentim para preservar suas peças originais, em exposição no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Comissão de Preservação

Daisy contou que a comissão foi criada pelo arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta, no dia 28 de agosto de 2018, e tem como curador o padre Silmar Fernandes, que também é o comissário administrativo da Paróquia São Francisco de Paula.

“Uma das nossas missões é revitalizar, restaurar e proteger o patrimônio da Igreja. Nós sabemos que aqui no Rio, 117 dos patrimônios históricos pertencem à Igreja Católica. E é uma responsabilidade muito grande. Uma responsabilidade pastoral e de preservação desse patrimônio e cuidado com o que os nossos antepassados deixaram para nós como herança cultural e devocional”, apontou.

Segundo ela, a experiência com a capela no Centro vai abrir portas para novos projetos como, por exemplo, o restauro da Igreja São Pedro, no Encantado, já antigo e polêmico, devido à dificuldade em se obter a autorização para a restauração, mas que agora teve seu projeto aprovado pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH). “Estamos atuando lá, aqui e dando suporte aos padres para que saibam como conduzir suas igrejas que são tombadas”, afirmou.

“Temos apenas uma dificuldade no Centro que é o fato de as igrejas não serem como as de bairro, em que os fiéis abraçam as causas. As daqui são ‘de passagem’. As pessoas vêm aqui, assistem às missas e voltam para suas casas. Portanto, vamos ver como vai funcionar essa campanha”, disse ela, que sonha em ver todo o patrimônio histórico da Igreja Católica do Rio restaurado com o apoio da comissão. A Igreja São Francisco de Paula, que hospeda a capela, será o passo seguinte.

Como doar

A Comissão de Preservação arquidiocesana foi chamada para organizar a campanha de doações “Abrace a capela”.

“Estamos convidando todo cidadão que tenha interesse pelo patrimônio histórico e cada católico que tenha a sensibilidade de entender que o patrimônio histórico é a herança da fé católica no Rio de Janeiro a contribuir para mantermos toda essa obra com a dignidade e importância que merecem para que as futuras gerações possam ter acesso a toda essa herança da fé construída pelos nossos ancestrais”, afirmou Marcos Paulus Passos, integrante da comissão.

As doações podem ser feitas diretamente na conta bancária da instituição, no banco Bradesco, agência 0473-1, conta poupança 20576-1, em nome de Venerável Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula, cujo CNPJ é: 33.644.592/0001-33. Ao fazer a visitação guiada também se ajuda a obra. O site da igreja, com mais informações, é http://saofranciscopaula.com.br/.

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