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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/01/2019

18 de Janeiro de 2019

Patrimônio, memória e arte sacra

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04/01/2019 15:44 - Atualizado em 04/01/2019 15:44
Por: Flávia Muniz / Symone Matias

Patrimônio, memória e arte sacra 0

Para comemorar o fim da primeira etapa de restauro do Palácio Universitário, a reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro inaugurou a exposição “Canteiro aberto - patrimônio, memória e arte sacra”, no dia 18 de dezembro, às 17h. A cerimônia - ocorrida no interior do palácio, no Campus da Praia Vermelha, na Urca - contou com a presença do arcebispo, Cardeal Orani João Tempesta, e de membros da Comissão de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural da Arquidiocese, além de representantes da Prefeitura do Rio, do Centro de Arquitetura e Urbanismo (CAU), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), professores, alunos e funcionários da universidade.

A exposição “Canteiro aberto” foi inaugurada pela vice-reitora da UFRJ, professora Denise Fernandes Lopez Nascimento, e pela superintendente fluminense do Iphan-RJ, Mônica da Costa. Convidado pela universidade, Cardeal Tempesta compareceu para dar a bênção à imagem de São Pedro de Alcântara, feita pelo artista Sandro Cunha, que fez desta a primeira peça da capela dedicada ao santo, em substituição à imagem original esculpida em mármore carrara e danificada ao calor do incêndio ocorrido em 2011, e que atingiu a capela do Palácio Universitário.

Construído no século XIX, o prédio serviu de hospital, o Hospício Pedro II. Atualmente, em suas instalações funcionam algumas faculdades, o Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, o Sistema Integrado de Bibliotecas e algumas decanias, entre outros organismos da universidade. O edifício sofreu avarias durante o incêndio, já ao término da obra de restauração da igreja dedicada a São Pedro de Alcântara. “À época, as obras eram apenas para restauração dessa capela, porém o edifício também precisava de reformas e, com o incêndio, assumimos a obra por completo. Ao longo de três anos, fomos fazendo ala por ala do edifício: recuperamos as fachadas e fizemos a restauração das coberturas; recuperamos todos os telhados e calhas de água da chuva, também as paredes externas, com um revestimento protetivo, já na cor ocre original; e, em breve, o prédio será pintado. Na segunda fase, que iniciamos agora, vamos nos concentrar na parte interna”, explicou João Carlos Nara Júnior, arquiteto urbanista que integra a Coordenação de Preservação de Imóveis Tombados do Escritório Técnico da UFRJ.

Pedra fundamental

Recriada a partir da face da imagem original em mármore, a restauração e bênção da imagem de São Pedro de Alcântara marcam o fim da primeira etapa, e sua entronização na capela equivale, segundo Nara, a lançar a “pedra fundamental” para o início da segunda fase das obras de restauro:

“Como primeira pedra dessa segunda fase, foi feita a entrega dessa imagem de São Pedro de Alcântara, talhada em madeira a partir da face em carrara que o escultor encontrou nos escombros da capela. Ele é de tradição protestante, mas sempre foi um apaixonado pela restauração, pelo patrimônio; e ficou impressionado pela expressividade da imagem de São Pedro de Alcântara (na peça original). Então, ele a refez, esculpindo em madeira. E ficou muito bonita. É uma imagem muito impressionante. E foi esta imagem que Dom Orani abençoou e ficou sendo a “pedra” da segunda fase das restaurações”, disse Nara.

Educação patrimonial

O arquiteto ressaltou, ainda, a importância desse tipo de trabalho, para despertar - na comunidade acadêmica e no público, em geral, que frequenta o espaço - o respeito e a valorização do patrimônio histórico:

“Foi possível perceber uma mudança de atitude por parte dos usuários do edifício, que são os professores, os alunos e os funcionários técnico-administrativos, porque, vendo a beleza do Palácio Universitário e a recuperação que estava sendo feita, as pessoas passaram a respeitar mais o prédio; não mais se fazem pichações nem se penduram cartazes, as pessoas passaram a entender o valor que tem esse patrimônio. Na verdade, no meu entender, seria simplório dizer que, para essas obras, apenas falte dinheiro, não é só isso. Acredito que, no Brasil, falta educação patrimonial. Muitas dessas coisas que temos precisado restaurar, precisamos, porque, antes, não foram conservadas”, declarou Carlos Nara.

Bênção da imagem

De acordo com o segundo secretário da Comissão Arquidiocesana de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural,professor Frederico Morato, o Escritório Técnico da UFRJ telefonou para o Curador da Comissão, o padre Silmar Alves Fernandes, formalizando o convite, para que Dom Orani estivesse presente à cerimônia e desse a bênção à imagem de São Pedro de Alcântara:

“O nosso curador da Comissão de Patrimônio da Arquidiocese, padre Silmar, foi procurado pelo Escritório Técnico da UFRJ. Foi pedido que o cardeal desse uma bênção à imagem de São Pedro de Alcântara, já que o evento marcava não só a inauguração da exposição, mas também o fim da primeira fase de restauração do Palácio Universitário, e há uma capela no interior do palácio, da qual São Pedro de Alcântara é o padroeiro. Há também diversas outras imagens, crucifixos - Sant’Ana, Senhor dos Passos, entre outros - entalhadas em madeira. Esse convite foi muito importante para nossa arquidiocese, porque durante muito tempo o meio universitário andou afastado do religioso”, ressaltou o professor Morato, que é também coordenador da Subcomissão de Assuntos Históricos da Arquidiocese.

História nacional

Ainda segundo o professor, a aproximação da universidade com a cultura da Igreja e a religiosidade católica é muito significativa: “A Igreja foi e é fundamental no processo de desenvolvimento histórico e cultural do Brasil. É uma instituição que - ao longo da história nacional, junto com outras culturas, é verdade - tem o seu destaque, como grande incentivadora da educação, da arte, do patrimônio histórico, artístico e cultural do país; então, esse convite é muito importante”, disse ele.

Morato considera também que o fato de ter partido da UFRJ o convite para a bênção do arcebispo representa um marco para a Arquidiocese do Rio, após a recente criação da Comissão de Patrimônio:

“Ainda que pareça que o convite tenha sido apenas para uma bênção da imagem de São Pedro de Alcântara, a verdade é que não foi só isso: marcava o fim da primeira etapa de restauração do Palácio Universitário, e estavam ali presentes a superintendente do Iphan e a vice-reitora da UFRJ; e a nossa recém criada Comissão Arquidiocesana de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural foi acionada e marcou presença, com o nosso arcebispo, nesse momento tão significativo. É algo muito importante, tendo em vista que o cardeal acaba de criar essa comissão e, mais recentemente também, a Subcomissão de História. Tudo isso representa, portanto, um resgate sem tamanho para a História da Igreja no Rio de Janeiro”, concluiu Francisco Morato.

Exposição

A exposição “Canteiro Aberto” permanece até o dia 8 de fevereiro de 2019, de segunda a sexta-feira (exceto feriados), das 10h às 16h, no Palácio Universitário da UFRJ, que fica na Av. Pasteur 250, Campus da Praia Vermelha, na Urca.

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