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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/06/2019

19 de Junho de 2019

Natal no cárcere: ‘Isso é o que Jesus faria’

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Natal no cárcere: ‘Isso é o que Jesus faria’

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04/01/2019 15:11 - Atualizado em 04/01/2019 15:11
Por: Priscila Xavier / Symone Matias

Natal no cárcere: ‘Isso é o que Jesus faria’ 0

“Estava na prisão e viestes a mim” (Mt 25, 36). A passagem do Evangelho de São Mateus aponta que Jesus jamais fez acepção de pessoas, e a todos mostrou Seu olhar misericordioso. Seguindo o exemplo do Mestre, o Cardeal Orani João Tempesta presidiu a missa natalina no Presídio Evaristo de Moraes, em São Cristóvão, no dia 19 de dezembro.

A celebração contou com a presença do coordenador arquidiocesano e do Regional Leste 1 da Conferência Nacional dos Bispo do Brasil (CNBB), padre Roberto Magalhães, do padre Jailson Dias do Santos e de um grupo de seminaristas dos seminários Arquidiocesano de São José e Redemptoris Mater – todos ele participam das visitas às segundas e quartas-feiras na unidade.

De acordo com padre Roberto, essa é uma oportunidade para pregar a paz e o amor. “Nos períodos da Páscoa e do Natal, sempre são celebradas missas nas 33 unidades prisionais do Rio – incluindo os três hospitais (o psiquiátrico, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e outro para aqueles que estão em tratamento contra tuberculose), e as unidades femininas. O cardeal sempre faz questão de estar presente no cárcere para levar uma mensagem de paz e amor”, contou.

Na ocasião, ainda segundo o sacerdote, Dom Orani deu a bênção e visitou celas. “Ele também foi, inclusive, nas celas dos mais idosos, daqueles que estão acamados e já não conseguem mais sair da cama. Com eles, o cardeal rezou e também lhes deu a bênção”, disse.

Padre Roberto também relatou um momento inusitado durante a celebração. “Uma coisa interessante foi que o grupo de evangélicos tinha um sistema de som mais potente. Então, eles participaram da missa, cantaram algumas músicas conosco e, no fim da celebração, apresentaram algumas canções”, comentou.

Ele ainda salientou a importância de ir ao encontro daqueles que estão privados de liberdade. “Quando vamos fazer uma celebração, um louvor ou uma visita, somos um pouco da família desse detento que nos acolhe. As mulheres são as mais abandonadas e rejeitadas pelas famílias, recebendo poucas visitas. Muitos deles agradecem, dizendo que estão lá há tanto tempo e nunca foram visitados, mas que a Igreja não deixa de estar com eles. Isso é o que Jesus faria”, completou.

A missa de encerramento das atividades da Pastoral Carcerária aconteceu no dia 20 de dezembro, e foi presidida pelo padre Giuseppe Piero, que também realiza missões nas cracolândias. Ao todo, foram mais de 20 celebrações natalinas entre os presídios masculinos e femininos.

A unidade conta com a atuação de 14 agentes – sendo dois sacerdotes e um diácono, que visitam os cerca de 3 mil internos, dos quais 300 participaram da missa. “É um presídio muito antigo, com muitas dificuldades, mas onde a Pastoral Carcerária tem uma presença muito atuante com o trabalho religioso. Inclusive, nesse presídio, há a Capela Sagrado Coração de Jesus e Nossa Senhora Aparecida, na qual os detentos católicos participam das celebrações, dos terços, recebem os sacramentos, como o Batismo”, sublinhou o coordenador.

Ainda em 2018, padre Roberto destacou a chegada de novos membros à pastoral. “Em 2018, conseguimos o credenciamento de novos agentes para atuar no cárcere. Foram mais 80 pessoas, incluindo padres, seminaristas e membros da Comunidade Católica Sementes do Verbo, que atuam em Bangu, Água Santa e Benfica. É tudo muito difícil, porque passamos por uma investigação, é tudo muito rigoroso. Ao todo, atualmente, somos 120 agentes”, frisou.

Para padre Roberto, a missão da pastoral é anunciar a Boa Nova. “Após o cumprimento da pena, alguns nos procuram no sítio da pastoral, em Bangu, para dar continuidade ao trabalho. Nós os encaminhamos para a paróquia mais próxima ao local em que eles vivem. Uma parte vai, outra não. Mas essa não é a nossa preocupação. Levamos a Palavra, e o Senhor se encaminha para tocar os corações”, acrescentou.

A pastoral também já colhe frutos dentro dos presídios. “Realizamos um trabalho duas vezes ao mês na Unidade Materna Infantil, no Presídio Talavera Bruce, em Bangu. São 15 mães detentas que, quando grávidas, são encaminhadas para esse local, onde amamentam os filhos – que ficam em locais separados na unidade – até que estes completem, aproximadamente, um ano de idade. Já batizamos dez crianças nessa unidade. São as próprias mães que nos pedem o sacramento. Fazemos uma catequese com elas, celebramos, damos a lembrança de batismo e a vela, levamos um bolo com refrigerante para comemorarmos, tudo com a autorização da direção”, narrou.

O sacerdote também esclareceu a diferença do trabalho realizado junto com os menores privados de liberdade no Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase). “Quem faz o trabalho com os menores privados de liberdade é a Pastoral do Menor, por meio do padre Gilvan André da Silva e do diácono Roberto dos Santos. São eles que realizam o trabalho de contingenciamento, com uma abordagem diferente”, explicou.

Por fim, padre Roberto pediu a colaboração dos fiéis para a continuidade da missão da pastoral. “Gostaríamos que as pessoas se sensibilizassem e possam nos ajudar nesse trabalho, com a doação de materiais de higiene corporal e dental, camisetas brancas nos tamanhos G ou GG, porque levamos para as unidades e, principalmente, para os hospitais. Muitos dependem de nossa ajuda”, finalizou.

As doações podem ser entregues no sítio da pastoral, em Bangu, no endereço: Estrada Guandu do Sena, 2.051. O telefone para contato é (21) 2405-8112.

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