Arquidiocese do Rio de Janeiro

39º 24º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/12/2018

18 de Dezembro de 2018

‘Ser servidor de todos’

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

18 de Dezembro de 2018

‘Ser servidor de todos’

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

30/11/2018 10:12 - Atualizado em 02/12/2018 13:35
Por: Nathalia Cardoso

‘Ser servidor de todos’ 0

Cônego Marcos William

Calça social preta, clergyman branco e pasta preta nas mãos, correndo... É assim que cônego Marcos William Bernardo geralmente é visto no 7º andar do Edifício São João Paulo II, na Glória, onde funciona o Sistema de Comunicação da Arquidiocese do Rio, administrado por ele. Cônego Marcos é vigário episcopal para Comunicação Social e Cultura desde 2005.

Nos dias em que chega com mais tempo, para e troca algumas palavras com alguém, brinca e ri com vontade. Todos, na redação, percebem, uma vez que sua voz é marcante e suas risadas são descontraídas. Ele não gosta de falar sobre si mesmo, mas sobre a vida e a filosofia - aí sim, despende horas a falar, dependendo dos compromissos e do dia. Foi difícil conseguir 20 minutos na agenda lotada para falar sobre a própria história...

História essa que é marcada, agora, pelos 30 anos de sua ordenação sacerdotal e pela dedicação à Igreja, que serão celebrados no dia 3 de dezembro. O arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta, presidirá a celebração Eucarística, às 18h, na paróquia em que o cônego Marcos é pároco desde 2003: Imaculada Conceição, em Botafogo.

Realizações

Cônego Marcos tornou-se vigário para Comunicação Social no dia 17 de junho de 2005, por determinação do então arcebispo do Rio, Dom Eusébio Oscar Scheid. O Vicariato tinha como objetivo integrar todos os segmentos de comunicação da arquidiocese. Naquela época, cônego Marcos não tinha tanta vivência na área, uma vez que sua formação é em teologia e filosofia.

“Foi uma experiência nova, porque era um campo desconhecido por mim, do ponto de vista teórico. Do prático, nem tanto, porque eu tinha programas de rádio e televisão, que transcorriam com muita facilidade. Eu assumi o vicariato para dar um corpo mais robusto à comunicação da arquidiocese. Atualmente, temos o Sistema de Comunicação, que não é perfeito, mas que tentamos aperfeiçoar a cada dia”, pontuou o sacerdote.

Cristo Redentor

Ao assumir o Vicariato para   Comunicação, que à época ainda não tinha a “cultura” acrescentada na nomenclatura, cônego Marcos assumiu também a responsabilidade pelo Cristo Redentor. O Cristo é a “igreja da comunicação”, afirmou. Ele foi o primeiro reitor, justamente naquele período em que o Cristo Redentor foi elevado a santuário, por Dom Eusébio, em 2006.

“Minha missão era a de retomar o sentido religioso do monumento. E conseguimos, graças a Deus”, contou.

Tanto que, recentemente, houve uma reunião com o presidente da República, Michel Temer, no dia 12 de outubro deste ano, em que ele agradeceu pela boa administração que a Igreja faz do Cristo.

“Nesse momento, foi ressaltada a importância de a Mitra estar sempre à frente da administração dele, pois é um símbolo religioso, além de um equipamento de turismo”, afirmou.

Rotina

Com todas as atividades que realiza, cônego Marcos tem uma rotina agitada. Dá aulas de filosofia na PUC-Rio e no Seminário de São José, tem reuniões semanais de governo diocesano e com o Sistema de Comunicação da Arquidiocese, apresenta um programa na Rádio Catedral, da qual é diretor geral, e realiza atividades na paróquia, dentre as quais consta o acompanhamento de conselhos, ministérios, pastorais, associações, movimentos de espiritualidade, uma obra social e círculos bíblicos. “Conto com vigários paroquiais, colaboradores de extrema importância, mas é sabido que o pároco é peça fundamental dentro de uma Igreja”, frisou.

Nos últimos tempos, aproximou-se mais da família para ajudar a cuidar do pai, Wilson Bernardo, que tem problemas de saúde.

Família e despertar vocacional

Cônego Marcos é filho de Wilson Bernardo e Maria Luzia Bernardo, que gostava de ser chamada de dona Nativa. Tem três irmãos: Wilson Antônio, Josefa Maria e Josimar Fátima, falecida aos 29 anos, em um acidente de carro.

Josefa foi voluntária durante sete anos na Paróquia Nossa Senhora do Parto, da qual cônego Marcos foi vigário paroquial.

“Eu me casei e saí de casa cedo. O período dele de descoberta da vocação e de seminário, ele compartilhou mais com meus outros irmãos. Mas eu participei de quase todos os momentos importantes da vida dele, para apoiar. Quando se tem um sacerdote na família, é preciso dar apoio, porque há muitos momentos de dificuldades”, contou Josefa, com uma sacola de fotos das datas marcantes da vida de seu irmão.

Ela disse que em suas atividades ministeriais, que têm a ver com a vocação, cônego Marcos tem um grande propósito e dedicação. É comprometido nas missões que lhe são confiadas. Desde que se formou, tem um bom desempenho nas funções. “Ele foi cerimoniário de mais de um cardeal e sempre atuou com muita presteza. O que temos aí é uma grande vocação, porque a gente só faz bem-feito quando é vocacionado”, afirmou ela.

A outra irmã, Josimar, foi quem acompanhou o jovem Marcos quando ele percebeu que sentia o desejo de ser padre.

Marcos, que tem 55 anos, nasceu em Colégio, no dia 30 de abril de 1963, e frequentou a Paróquia São Miguel Arcanjo, no mesmo bairro. Serviu, como coroinha, na Paróquia São José, em Barros Filho, durante três anos. Depois desse período, começou a perceber o desejo vocacional e, por conta própria, fez discernimentos vocacionais. Foi no Colégio Santo Inácio, dos padres jesuítas, em Botafogo, que recebeu orientação.

“Em princípio, minha vocação seria a de seguir a vida religiosa entre os jesuítas, mas, em um encontro em Jacarepaguá, eu conheci o padre Geraldo Magela, que, na época, era diácono. E ele me falou de seminário. Aquilo me chamou a atenção”, contou ele, que na ocasião tinha 16 anos e desconhecia a existência do Seminário São José.

Josimar sempre o acompanhava, mas um dia passou a não ir mais com ele. “Em um determinado momento, ela foi muito sincera, e me disse: ‘Meu irmão, eu não vou mais te acompanhar. Acho bonito o que está fazendo; você parece ter vocação, mas eu não tenho. Torço por você! Vá em frente!’”, contou ele.

E, dali em diante, ele seguiu sua jornada sozinho. A mãe, hoje falecida, por ser de família muito católica, dizia: “Meu filho, pense bem. E repense se é isso mesmo o que você quer para a sua vida”. Dona Nativa teve três pessoas religiosas na família. “Ser padre era algo que eu não esperava para a minha vida. Meu irmão era quem se mostrava vocacionado. Isso só me ocorreu tempos depois, quando ele já não pensava mais na ideia”, contou cônego Marcos.

Caminhada vocacional

Depois do encontro com o padre Geraldo Magela, o jovem Marcos foi conhecer o Seminário de São José. Encontrou Dom Joel Portella Amado, que, na época, era diácono. Ele sugeriu que Marcos tivesse uma experiência de trabalho antes de entrar para o seminário. “Foi quando entrei para o Exército e comecei a faculdade de filosofia. Trabalhava no quartel durante o dia e fazia faculdade à noite”, disse.

Após um ano de serviço no quartel, foi para um retiro no Centro de Estudos do Sumaré, no Rio Comprido, acompanhado pela irmã Maria Cecília Tostes, da Congregação Nossa Senhora de Sion, coordenadora da Pastoral Vocacional. De lá, seguiu para o retiro vocacional em Itaipava, na Fazenda São Joaquim das Arcas, do Seminário de São José. Foi, então, admitido como seminarista.

“Foi quando deixei minha casa. Nesse momento, minha mãe já aceitava melhor a ideia. Para ela, era importante que eu completasse meus estudos ‘secundários’. Ela acreditava que a família era responsável por, antes de tudo, proporcionar uma educação de qualidade para que o indivíduo pudesse fazer suas próprias escolhas”, contou ele.

Aos 18 anos, em 1981, entrou para o Seminário de São José. Durante o tempo em que estava estudando filosofia, tornou-se repetidor, no seminário. Ajudava os colegas a entenderem melhor a matéria.

Atividades pós-ordenação

Cônego Marcos foi ordenado diácono em abril de 1988, na Paróquia Maria Mãe da Igreja e São Judas Tadeu, em Padre Miguel, local em que atuava como seminarista.

No final do ano, no dia 3 de dezembro, foi ordenado padre e enviado à Paróquia Santa Rita de Cássia, em Jardim Palmares. Lá, permaneceu como vigário paroquial por dez meses e administrou as capelas das comunidades de Urucânia, Saquaçú, Manguariba, Jesuítas e Canto do Rio. Só na paróquia, o sacerdote prestava assistência a cerca de cinco mil pessoas.

Depois, foi transferido de volta para a Paróquia Maria Mãe da Igreja e São Judas Tadeu, em Padre Miguel, comunidade em que ficou por um ano. Concomitantemente, foi diretor de estudos do seminário. Morava lá e ia para a paróquia nos finais de semana.

Ao término desse período, foi para a Alemanha, a fim de aprender o idioma local. Em seguida, foi para Roma. Ficou lá por cinco anos e também aprendeu italiano. Fez suas pós-graduações lá. Foi também pároco em Montebuono, na Itália. “Tive uma inserção muito grande na vida pastoral da Diocese de Vescóvio”, contou.

Quando voltou para o Brasil, foi para a Igreja Nossa Senhora do Parto, no Centro. Ele criou, sob a supervisão de Dom Eugenio Sales, o “Pronto-socorro espiritual”, um lugar para atender trabalhadores, oferecendo assistência constante. “Desenvolvemos trabalhos com pessoas de rua e trabalho de amparo maternal, do qual eu era o diretor espiritual”, contou.

Ele foi vigário paroquial no momento em que a Nossa Senhora do Parto deixava de ser administrada pelos jesuítas e passava a ser administrada pela arquidiocese.

Atuação intelectual

Padre Marcos William Bernardo é formado em Filosofia e em Teologia. Concluiu dois mestrados (Teologia e Filosofia) e um doutorado (Filosofia), em Roma. Em 2011, tornou-se cônego. Além de português (sua língua materna), italiano e alemão, ele fala inglês e francês.

Entre suas publicações, encontram-se os livros: “Reflexão filosófica sobre a experiência mística”, “Pressupostos epistemológicos para a Teologia dogmática” e “Igreja e trindade”. Em 2013, publicou “Por que a religião? A religião está aí”, que tem como objetivo, sob a perspectiva da fenomenologia, suscitar reflexões e debates acerca da essência da religião, levando em consideração a vivência das pessoas. Isso sem destacar nenhuma religião, e sim o fenômeno religioso em si.

Agora, ele tem outro livro em vistas de publicação: “A perifenomenologia”, que visa refletir sobre aquilo que o homem pensa saber e ser. A publicação apresenta observações sobre o método fenomenológico. “Tive a colaboração dos meus alunos do Seminário São José. Eles me ajudaram na elaboração e pesquisa, e, hoje, esse material já está bem encaminhado para uma publicação, que será feita em breve”, explicou.

Sacerdócio

Cônego Marcos trabalhou como cerimoniário desde seminarista. Acompanhou a transição entre os três cardeais, Dom Eugenio de Araújo Sales, Dom Eusébio Oscar Scheid e Dom Orani João Tempesta. Esse fato, segundo ele, foi bom porque permitiu que a contribuição para o crescimento do povo de Deus na cidade fosse melhor percebida. “Cada um, com seu valor, com sua personalidade e mostrando o agir de Deus, apresenta graças, que Ele mesmo quis e quer conceder à Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro”, afirmou.

Para ele, ser padre é “ser servidor de todos” (1 Cor 4, 1), conforme diz seu lema de ordenação, independente de qualquer coisa. “O padre se coloca como reflexo de Cristo na sociedade. Não para ser um alter Christi (outro Cristo), mas para ser Cristo para o outro. Tem que exalar o odor de Cristo, deixar que o outro se envolva por esse odor e goste dele, a ponto de segui-Lo, e não ao padre”, pontuou.

Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.