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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 14/12/2018

14 de Dezembro de 2018

Dom Gilson Andrade e o Sínodo da Juventude: Igreja da escuta e do testemunho

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14 de Dezembro de 2018

Dom Gilson Andrade e o Sínodo da Juventude: Igreja da escuta e do testemunho

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23/11/2018 11:00 - Atualizado em 23/11/2018 11:00
Por: Flávia Muniz

Dom Gilson Andrade e o Sínodo da Juventude: Igreja da escuta e do testemunho 0

O Sínodo dos bispos sobre a juventude se encerrou no dia 28 de outubro. Agora, a Igreja inicia a “polinização” dos assuntos tratados, dos temas debatidos, das experiências compartilhadas, do aprendizado repartido, das propostas acolhidas e das diretrizes traçadas. Enquanto a Igreja do Brasil aguarda a publicação da edição brasileira do documento final, a Arquidiocese do Rio acolheu, nos estúdios da Rádio Catedral FM, o bispo co-adjutor da Diocese de Nova Iguaçu, Dom Gilson Andrade da Silva, que esteve presente à XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, cujo tema foi: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

Muito à vontade, Dom Gilson dividiu os estúdios com a apresentadora Fátima Lima e o bispo auxiliar Dom Antonio Augusto Dias Duarte, que foi bispo animador do Setor Juventude arquidiocesano e acolheu o visitante, manifestando sua alegria “de poder ouvir Dom Gilson falar sobre o Sínodo e aprender mais sobre os jovens, que são a renovação da Igreja e do mundo”, disse Dom Antonio Augusto.

Pluralidade

O Sínodo teve início no dia 3 de outubro e foram 15 dias de intenso trabalho, durante os quais, segundo Dom Gilson, bispos, sacerdotes, religiosos e jovens do mundo inteiro puderam ter “uma imagem privilegiada da Igreja, única. Foi uma das primeiras coisas que nós constatamos: a pluralidade das realidades. Quando se fala de juventude, não é fácil falar no singular e, inclusive, o documento final recolhe isso, também, de falar no plural. São realidades muito diferentes, na Europa, na África, na Ásia, na América e na Oceania. Todos juntos vivíamos esse clima bonito de fé entre irmãos e a preocupação pela evangelização da juventude e o discernimento vocacional”, explicou Dom Gilson.

Números

Cerca de 266 padres sinodais, 23 especialistas ligados aos vários temas tratados e mais de 30 jovens oriundos de várias partes do mundo tiveram a oportunidade de participar, falar e ouvir, tendo como norteador o chamado  “Instrumentum laboris” (“Instrumento de trabalho”), que consiste num texto que orienta o pré-Sínodo: “O Papa pensa sempre num processo. Por isso, houve o pré-Sínodo, o Sínodo e o pós-Sínodo, que é o momento que vamos viver agora. Houve também o questionário que foi aplicado, no mundo inteiro, pelas conferências episcopais,  e o questionário on-line, do qual muitos jovens puderam participar e responder, além do seminário, que houve em Roma, sobre a juventude. As conclusões desses trabalhos, então, compunham o “Instrumentum laboris” e, a partir dele, desenvolveram-se as três semanas do Sínodo, sendo cada semana, para um cada um desses capítulos”, esclareceu o padre sinodal.

Aproximar-se, escutar e encontrar Jesus

Segundo Dom Gilson, uma das primeiras coisas que o Sínodo evidenciou foi a problemática da escuta. Há uma tendência natural, até mesmo pelo distanciamento entre gerações e a dificuldade de linguagem, gerando, por isso mesmo, a dificuldade na comunicação. Para ele, a Igreja, no entanto, colocou-se, neste Sínodo - e é, também, a proposta para o pós-Sínodo - numa atitude de escuta, procurando ouvir o que os jovens têm a pedir, estabelecendo o diálogo com eles: “Na primeira semana, se houve um verbo que foi inflacionado foi este: escutar. A Igreja se colocou na escuta dos jovens. Vivemos um tempo novo. É preciso compreender que há uma cultura nova, que tem seus pontos positivos e pontos negativos. A Igreja entendeu isso e se colocou à escuta. E os jovens gostaram disso, dessa proximidade. Eles estão abertos, eles têm procuras: sobre o sentido da vida, procura de Deus, da figura de Jesus Cristo. No Sínodo se falou muito sobre o fascínio da pessoa de Jesus. E a Igreja entendeu que precisava buscar meios de ajudar o jovem a se encontrar com Jesus Cristo, porque Ele é uma pessoa fascinante. Precisamos anunciá-Lo de novo. Parece uma coisa um tanto óbvia, dizer que a Igreja tem que anunciar Jesus Cristo, mas, a verdade é que, devemos estar atentos, porque podemos falar de tantas coisas e esquecermos de falar do essencial: a pessoa de Jesus. E é só a partir do encontro com Ele que se desenvolve tudo o mais: o interesse pela doutrina, pelas outras coisas relativas à fé”, afirmou.

Testemunho

Citando as palavras do Papa Emérito Bento XV, durante a Conferência de Aparecida, Dom Gilson recordou que a Igreja não cresce por proselitismo, a Igreja cresce por atração: “Por isso, na terceira semana do Sínodo, a palavra que ficou ressoando com muita frequência foi  ‘testemunho’. Tanto assim que o documento final se conclui com o chamado à santidade. Ainda hoje, tocam os corações, despertam as pessoas os testemunhos de coerência de vida, de amor fraterno; as testemunhas continuam falando alto”, ressaltou ele.

Durante o Sínodo, aconteceu a canonização de Paulo VI, e, de acordo com Dom Gilson, foram muito repetidas as palavras do ‘Grande Papa’, segundo as quais o mundo de hoje prefere as testemunhas aos mestres. E se escutam os mestres, é porque, antes, eles foram testemunhas: “Essa linguagem do testemunho é muito viva. Foi importante, por exemplo, ouvir de representantes de Igrejas que estão passando por momentos difíceis de perseguição, no Oriente e na África, testemunhos de martírio, que pensamos só ter havido no início do cristianismo, mas não, eram fatos ocorridos há dois anos atrás, como é caso de um jovem do Oriente, identificado como cristão em um ônibus e, por causa disso, foi retirado do veículo e assassinado, por ele confessar-se cristão e recusar-se a renunciar a Jesus Cristo. E há também os testemunhos da vida do dia a dia, de jovens que procuram, através da fé, iluminar as suas profissões, as suas vidas nas universidades. Isso a Igreja também pretende colocar em evidência: a força do testemunho”, disse Dom Gilson.

Perspectivas sinodais

Bispo animador da Pastoral Familiar, Dom Antonio Augusto elogiou Dom Gilson, por demonstrar a estreita ligação entre o Sínodo da Família, ocorrido em 2015, e o dos jovens, que o Papa acentuou como uma continuidade:

“Ao falar da família, em 2105, obviamente é nela que estão os jovens. A partir da família bem constituída, na qual os valores são transmitidos com o exemplo e com a Palavra, eles têm que aprender a ser cristãos e cidadãos.  Há, portanto, uma continuidade entre o documento já conhecido, “Amoris Laetitia”, e o que agora virá, deste último Sínodo, para que se possa trabalhar pastoralmente. Que jovens devem sair das famílias? Jovens que vão construir uma sociedade mais humanizada, que trabalhem pelo desenvolvimento e progresso da sociedade, ou serão jovens cada vez mais engolidos pela sociedade, que está cada vez mais longe de Deus e, consequentemente, mais longe do ser humano. Então, precisamos preparar jovens que sejam agentes transformadores, como dizia o Papa São João Paulo II, os criadores de uma civilização do amor”, lembrou Dom Antonio.

Assista a íntegra da entrevista com Dom Gilson Andrade:




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