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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/11/2018

19 de Novembro de 2018

Papa: testemunhar é romper um costume, uma maneira de ser

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Papa: testemunhar é romper um costume, uma maneira de ser

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08/11/2018 10:54 - Atualizado em 08/11/2018 10:54
Por: Vatican News

Papa: testemunhar é romper um costume, uma maneira de ser 0

O Papa Francisco celebrou a missa nesta quinta-feira, 8 de novembro, na Casa Santa Marta, e em sua homilia destacou três palavras: testemunho, a murmuração e a pergunta.

A reflexão se desenvolveu a partir do Evangelho de Lucas, da liturgia do dia: “Os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. 'Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles.'”

O testemunho faz a Igreja crescer

Primeiramente, há o testemunho de Jesus: “Uma coisa nova para aquele tempo”, ressaltou o Papa, “porque encontrar os pecadores tornava a pessoa impura, assim como tocar um leproso”. Por isso, os doutores da lei se distanciavam. Francisco observou que “nunca na história o testemunho foi uma coisa confortável para as testemunhas, que muitas vezes pagam com o martírio, e para os poderosos”.

“Testemunhar é romper um costume, uma maneira de ser. Romper para melhorar, para mudar. Por isso, a Igreja vai adiante para testemunhar. O que atrai é o testemunho, não as palavras, que certamente ajudam, mas o testemunho é o que atrai e faz a Igreja crescer. Jesus testemunha. É algo novo, mas não muito novo, porque a misericórdia de Deus existe desde o Antigo Testamento. Os doutores da lei nunca entenderam isso: ‘Eu quero misericórdia e não sacrifícios’. Eles liam, mas não entendiam o que fosse a misericórdia. Jesus com sua maneira de agir, proclama essa misericórdia com o testemunho.”

O testemunho “sempre quebra um costume e coloca a pessoa em risco”, disse o Papa.

Testemunho de Jesus provoca murmuração

O testemunho de Jesus provoca murmuração. Os fariseus, os escribas, os doutores da lei diziam: ‘Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles’. Não diziam: ‘Mas, olha, este homem parece ser bom, pois busca converter os pecadores’. Um comportamento que consiste em fazer sempre “um comentário negativo para destruir o testemunho”. “Este pecado da murmuração é cotidiano, tanto no pequeno quanto no grande”, observou Francisco, ressaltando que na vida, nós murmuramos “porque não gostamos disso e daquilo”, e ao invés de dialogar ou “tentar resolver uma situação conflituosa, murmuramos escondido, sempre em voz baixa, pois não temos a coragem de falar claramente”.

Assim acontece também “nas pequenas sociedades”, “nas paróquias”. “Quanto se murmura nas paróquias? Por muitas coisas”, disse o Papa, evidenciando que se há “um testemunho que eu não gosto ou uma pessoa que eu não gosto, logo se desencadeia a falação”:

“E na diocese? As lutas entre as dioceses. As lutas internas nas dioceses! Vocês sabem disso. E também na política. Isso é feio. Quando um governo não é honesto, procura sujar os adversários com a murmuração. Que seja difamação, calúnia, procura sempre. Vocês conhecem bem os governos ditadores, pois viveram isso. O que faz um governo ditador? Primeiro, toma os meios de comunicação com uma lei e dali começa a murmurar, a menosprezar todos aqueles que são um perigo para o governo. O murmúrio é o nosso pão cotidiano no âmbito pessoal, familiar, paroquial, diocesano, social ...”

A pergunta de Jesus

“Trata-se de um subterfúgio para não olhar a realidade, para não permitir que pensemos”. Jesus sabe, mas é bom e ao invés de condená-los pela murmuração, faz uma pergunta. “Usa o mesmo método que eles usam”, ou seja, o de fazer perguntas. Eles fazem perguntas para colocar Jesus em dificuldade, “com má intenção”, “para fazê-lo cair”: por exemplo, com uma pergunta sobre os tributos a serem pagos ao império ou sobre repudiar a própria esposa. Jesus usa o mesmo método, “mas depois vemos a diferença”. Jesus lhes diz:

“Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la?, como recorda o Evangelho de hoje. “O normal seria que eles entendessem”, ao invés disso, eles fazem o cálculo: “Eu tenho 99”, uma se perdeu, “está chegando o pôr do sol. Começa a escurecer”:

“Deixemos pra lá aquela perdida e entre perdas e ganhos teremos lucro. Salvemos estas”. Essa é a lógica farisaica. Essa é a lógica dos doutores da lei. “Qual de vocês? E eles escolhem o contrário de Jesus. Por isso, não conversam com os pecadores, com os publicanos, não vão até eles porque: “É melhor não se sujar com essa gente, é um risco. Conservemos os nossos”. Jesus é inteligente em lhes faz essa pergunta: entra na sua casuística, mas os deixa numa posição diferente em relação àquela justa. “Qual de vocês? Ninguém diz: “Sim, é verdade”, mas todos: “Não, não o farei”. Por isso, são incapazes de perdoar, de serem misericordiosos, de receber.

A lógica do Evangelho contrária à lógica do mundo

Por fim, o Papa recordou mais uma vez as três palavras de sua reflexão: “testemunho”, que é provocador, “que faz a Igreja crescer”, “murmuração” que é “como uma guarda do meu interior para que o testemunho não me fira”, e “a pergunta” de Jesus. Francisco também recordou as palavras alegria e festa, que essas pessoas não conhecem: “Todos aqueles que seguem o caminho dos doutores da lei não conhecem a alegria do Evangelho”, sublinhou o Pontífice, que concluiu com a seguinte frase: “Que o Senhor nos faça entender essa lógica do Evangelho contrária à lógica do mundo”.

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