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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/11/2018

19 de Novembro de 2018

Odetinha, a pequena mística

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Odetinha, a pequena mística

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06/11/2018 10:58 - Atualizado em 06/11/2018 10:59
Por: Carlos Moioli / Flávia Muniz

Odetinha, a pequena mística 0

Já foi lançada esgotada a primeira edição italiana da biografia oficial da Serva de Deus Odete Vidal Cardoso, preparada pelo professor Gaetano Passarelli, que trabalha na Pontifícia Congregação para a Causa dos Santos, no Vaticano.

A biografia oficial de Odetinha no que tange às virtudes heroicas apresenta toda a documentação da sua história familiar, a sua origem, e contextualiza os locais onde ela nasceu, viveu e morreu, explicou o delegado da Comissão Arquidiocesana para a Causa dos Santos, Dom Roberto Lopes, que também é vigário episcopal para a Vida Consagrada, na Arquidiocese do Rio de Janeiro.  Na entrevista, Dom Roberto, que esteve em Roma acompanhando o trabalho, conta o processo da construção da biografia da candidata carioca aos altares.

TF – A equipe histórica teve dificuldades no levantamento histórico?

Dom Roberto – Odetinha nasceu em Madureira, e vivia em torno da Paróquia Santo Sepulcro. Todavia, foi uma dificuldade para a equipe do levantamento histórico, porque ela foi batizada em casa e os dados que tínhamos era da Paróquia Santo Sepulcro, onde seu batizado havia sido confirmado; porém seus documentos estavam na Paróquia de São Pedro, em Cavalcante.

TF – Que particularidades foram apresentadas pelas testemunhas?

Dom Roberto – Como se trata de um processo contemporâneo, temos um grande número de pessoas que conviveram - suas próprias colegas de escola, agregados, a babá, bispos, monsenhores e padres -, e algumas dessas estão ainda vivas. Por isso, também, nosso empenho em nos apressarmos em tomar os depoimentos dos mais idosos. Essas pessoas nos surpreendem, especialmente os monsenhores, quando relatam aspectos da vida espiritual de Odetinha, como seus encontros com Jesus, dos quais a mãe duvidava, presumindo tratar-se tão somente de “coisa de criança”, e eram os monsenhores e teólogos que os reconheciam e exortavam a que se levasse a sério, porque, de fato, ela brincava com Jesus. Como isso agora é oficial, passamos a conhecer os nomes das pessoas que conviveram e acompanharam o seu desenvolvimento, até onde lhes foi possível, da vida espiritual dela. É o caso, por exemplo, do monsenhor José Maria de Oliveira Vasconcellos.

TF – Como ficou o conteúdo da prática das virtudes pela Odetinha, que é o coração de toda a biografia?

Dom Roberto – O Capítulo 19 aborda suas virtudes. Tudo o que elaboramos, com quase cem perguntas, sobre o que a testemunha deverá falar, está ordenado segundo a metodologia e o critério da Igreja sobre as virtudes cardeais e teologais (fé, esperança e caridade), e a última pergunta é sempre - antes que a pessoa assine o seu depoimento - se ela acredita na santidade do Servo de Deus. O livro está muito bem escrito. O Passarelli já fez vários trabalhos para o Brasil sobre Padre Vítor, Nhá Chica e Irmã Dulce. São textos que merecem ser lidos. Ao mesmo tempo, mostra-nos a Odetinha como alguém muito próxima no dia a dia. Embora sendo uma criança, ela era muito criativa, e o autor mostra suas ações sociais, indo ao encontro das crianças nas creches, nos asilos e hospitais. Inclusive, quando a mãe se prepara para uma visita ao leprosário e lhe pergunta se a Odetinha não se sentiria bem e não quisesse ver a pessoa, a menina responde com uma maturidade impressionante e encara, sem problema nenhum, mesmo diante de enfermos com o corpo dilacerado.

TF – Por que o biógrafo a chama de pequena mística?

Dom Roberto – O livro está sendo vendido nas livrarias da Itália. É um trabalho muito bonito, inclusive as fotos retratam bem até os dias de hoje, sendo uma delas a do nosso cardeal, Dom Orani, em veneração diante do túmulo da Odetinha. Na visita a Roma tratamos dos direitos autorais, a fim de providenciar uma edição em português para os próximos dias. A apresentação é de Dom Orani, em um texto muito bem feito. Passarelli tem um estilo de diálogo com o leitor, com isso não se perdeu o essencial. No Capítulo 10, temos a força da Odetinha, pois sua vida de oração e sua mística foi toda centrada na Eucaristia. Isso é surpreendente, pois trata-se de uma menina de nove anos. Não por acaso o título do livro é “La piccola mística”, isto é, “A pequena mística”, pois revela, de fato, uma criança que viveu uma vida mística, numa profunda intimidade com o Senhor, e foi o que ela buscou.

TF – Como anda o processo de Odetinha?

Dom Roberto – O processo dela já está com a positio (parecer positivo) pronta. Nos próximos meses, haverá  reunião com consultores; entre março e abril deverá acontecer reunião com os cardeais e, na sequência, o decreto do Papa, tornando-a Venerável, o que deve ocorrer entre setembro e outubro.

TF – Quer dizer, que a vida de Odetinha já ultrapassou fronteiras?

Dom Roberto – Confesso que, ao procurar pelas livrarias de Roma, fiquei muito feliz de encontrar a nossa carioquinha nessas livrarias. E na livraria Áncora, mais próxima ao Vaticano, o gerente, que já me conhece, me viu e perguntou o que eu estava procurando. Eu disse que era o livro sobre a Odetinha, e ele me respondeu: “É que o último nós vendemos ontem, e já pedimos mais à editora”. Então, foi muito agradável saber que é uma menina brasileira, de Madureira, do Rio de Janeiro, e o povo italiano está em busca de conhecer sua história. Há também a possibilidade de se fazer consulta eletrônica. Considero esta uma forma bastante inteligente de se promover o livro. Em breve, haverá uma edição em português, que já está pronta, esperando a publicação. O próximo passo, então, é ela ser declarada Venerável. A partir daí, nossa função será apresentar à Santa Sé um milagre.

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