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19 de Novembro de 2018

Três paróquias da Maré celebram 15 anos de fundação

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19 de Novembro de 2018

Três paróquias da Maré celebram 15 anos de fundação

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01/11/2018 10:53 - Atualizado em 01/11/2018 10:53
Por: Priscila Xavier

Três paróquias da Maré celebram 15 anos de fundação 0

A abertura da semana em preparação para a segunda edição do Dia Mundial dos Pobres acontecerá num dos maiores complexos de favelas do Rio de Janeiro: a Maré. Será no dia 10 de novembro, às 9h, na Paróquia Nossa Senhora da Paz, no Parque União, com missa presidida pelo Cardeal Orani João Tempesta.

Na ocasião, serão comemorados os 15 anos de criação das paróquias Nossa Senhora da Paz (onde haverá a celebração), Jesus de Nazaré, em Parque Maré, e Sagrada Família, em Nova Holanda, as quais receberam o título de paróquia, no dia 22 de novembro de 2003, durante o governo do então arcebispo do Rio, Dom Eusébio Oscar Scheid.

Apesar do pouco tempo enquanto paróquias, as três comunidades já possuem uma longa caminhada de fé, desde quando ainda eram capelas da Matriz de Nossa Senhora dos Navegantes, em Bonsucesso, fundada no dia 1º de janeiro de 1945, da qual foram desmembradas.

A missão evangelizadora na Maré teve forte participação do Movimento Contemplativo Missionário Padres de Foucauld, caracterizado pela assistência religiosa, promovida pelas irmãs de Foucauld, que chegaram à região ainda na década de 1960, além das Missionárias da Caridade.

Porém, um grande “apóstolo da Maré”, até mesmo nos dias de hoje, é o padre italiano Giuseppe Piero, que também faz parte do movimento contemplativo, e chegou à comunidade Nova Holanda em 16 de novembro de 1979, quando a região ainda tinha palafitas e já enfrentava a carência de políticas públicas e violência. Com sua bicicleta, padre Piero, devoto de São João Bosco, visitava e cuidava das periferias humanas e da juventude. A busca pelos últimos já era um dos carismas da comunidade em que atua, e a Maré é o lugar para colocá-la em prática.

Jesus de Nazaré

Aliás, foi a partir de padre Piero que teve início a Paróquia Jesus de Nazaré, no Parque Maré. Foi sua iniciativa de construir, num terreno abandonado, na Rua Ivanildo Alves, uma igreja, a qual foi erguida, em 29 de maio de 1994, a partir da arrecadação de fundos com seus amigos e familiares na Itália, além do empenho da comunidade paroquial.

Em 2001, o então diácono Francisco Ribeiro de Sousa chegou à comunidade e iniciou os trabalhos enquanto responsável pela então Capela Jesus de Nazaré. Já no ano de 2003, ele foi nomeado para ser administrador paroquial da nova igreja, onde permaneceu até 2006.

O sacerdote recordou os momentos vividos na Maré, além dos fiéis que deram a vida pela Igreja. “Foi um período muito bonito, a comunidade sempre foi fervorosa na oração, sempre pronta para o trabalho, mesmo diante da forte violência naquele período. A igreja fica, justamente, na chamada “divisa” entre duas comunidades. É emocionante ver que pude fazer parte da vida daquele povo que, apesar do sofrimento, é cheio de esperança. A Maré marcou minha vida. Recordo-me de tantos paroquianos, que já não estão mais aqui, mas que deram a vida pela obra de Deus. A fé dessas pessoas me encantou. Na Maré há muitos santos, e pude me santificar um pouco com eles”, lembrou.

Sagrada Família

Foi através de padre Piero, também, que a Paróquia Sagrada Família, na Nova Holanda, pôde dar seus primeiros passos. A construção, finalizada em 1992, também contou com a contribuição da família e de amigos do sacerdote, além do empenho da comunidade local. Não é à toa que o templo da paróquia é inspirado na Igreja de São Bartolo, na Itália.

O primeiro pároco da comunidade foi padre Geovane Ferreira Silva, que recordou os 13 anos em que esteve à frente da paróquia. “Chegamos num momento muito difícil, porque era um período de guerra entre as facções rivais. Mas também permanecemos num momento no qual já não havia esses confrontos. Tivemos a alegria de ver pessoas transformadas, e foi lá que começamos o Instituto Preciosa Vida, com pessoas que vieram, muitas vezes, do tráfico. Foi um tempo de muito aprendizado. Tudo valeu a pena. Vi a comunidade crescer, florescer; vi o amadurecimento do grupo jovem, a catequese passar de 40 para 900 crianças, uma comunidade viva trabalhando e assumindo, pastoralmente, aquilo que era sua missão”, comentou.

Atual pároco, padre Renato Teixeira, que está há quase dois anos na paróquia, relatou que essa é uma oportunidade de as demais pessoas enxergarem o outro lado da comunidade. “Meu olhar é o de que outra Maré é possível. Temos uma ideia quando estamos fora da Maré e outra quando estamos dentro dela. Hoje, vejo uma comunidade viva, animada, participativa e que apoia e deseja o trabalho da Igreja. Isso é um incentivo para o trabalho sacerdotal. Muitos veem pela televisão apenas um tipo de Maré. Nesta celebração, teremos a oportunidade de mostrar uma Maré viva, que reza e vive a espiritualidade”, disse.

Nossa Senhora da Paz

Em meados dos anos 1960, muitas pessoas já começavam a se reunir para rezar o Terço Mariano na comunidade Parque União. Esse era o início de uma igreja peregrina, que esteve em vários locais da região. Com a ajuda do então pároco da Igreja Nossa Senhora dos Navegantes, padre Amaro, conseguiu-se muitas doações, e a missa de inauguração aconteceu no dia 11 de maio de 1968.

Primeiro e único pároco da comunidade, padre João Damasceno da Cruz Filho está há 22 anos na Maré, onde atuou como vigário paroquial, durante sete anos, na Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes, sendo responsável pela então Capela Sagrada Família. Quando a igreja Nossa Senhora da Paz recebeu o título de paróquia, ele tornou-se o primeiro pároco.

De acordo com ele, “as paróquias da Maré têm uma história muito bonita, com a forte participação missionária do Movimento Contemplativo de Charles de Foucauld, com o padre Piero. Foram eles que plantaram as sementes do Evangelho. Hoje percebemos a beleza desse trabalho, plantado desde a época das palafitas, e que hoje ainda dão frutos; cada paróquia com sua vida organizada com pastorais e movimentos. O povo tem uma capacidade missionária, e os padres vêm para animar, cada qual com seu jeito. Mas, na verdade, quem constrói essa história bonita é o povo. É ele que nos ensina a sermos sacerdotes”, afirmou.

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