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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/10/2018

23 de Outubro de 2018

Seminário discute presença da Igreja nos meios digitais e crise nas instituições

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Seminário discute presença da Igreja nos meios digitais e crise nas instituições

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05/10/2018 18:04 - Atualizado em 05/10/2018 18:04
Por: Da Redação

Seminário discute presença da Igreja nos meios digitais e crise nas instituições 0

A chegada da internet, os avanços tecnológicos, o surgimento das redes sociais digitais e a fusão das mídias tradicionais (TV, rádio e jornal) com as mídias de massa modificaram, completamente, o que se entendia por comunicação. Tendo em vista as recorrentes transformações no mundo virtual, a Arquidiocese do Rio de Janeiro promoveu a 5ª edição do Seminário de Comunicação Social, no Centro de Estudos, no Sumaré, entre os dias 1º e 4 de outubro. Nesta edição, o evento trouxe como tema: “A cultura de convergência e as realidades de crise nas instituições”.

Anfitrião, o Cardeal Orani João Tempesta recordou que a iniciativa teve início em 2013 e permanece até os dias de hoje. “É uma oportunidade de a arquidiocese servir à Igreja. A proposta nasceu, justamente, a partir da Jornada Mundial da Juventude, em 2013. O evento foi tão importante que decidimos continuar todos os anos. Ele se une aos demais realizados, na arquidiocese, para servir à Igreja, não somente voltado para os sacerdotes, mas também para os agentes de pastoral, ligados às dioceses, formando pessoas de maneira científica, acadêmica, fazendo crescer ainda mais esse trabalho”, afirmou.

Coordenador do evento, padre Arnaldo Rodrigues destacou a importância da questão abordada no seminário. “A conclusão do tema deste ano tem em vista os acontecimentos mundiais. Percebemos que as mídias tradicionais estão se fundindo com as mídias de massa. Isso não é algo negativo, porém, não sabemos ainda que fim resultará; é sempre uma transformação constante. Por isso, muitas instituições estão (re) aprendendo a lidar com a comunicação. Entre todas as instituições, a Igreja também é uma delas. Consequentemente, em alguns momentos, surgem as crises institucionais. O objetivo é estudar essa convergência, tentando trazer respostas e reflexões para as crises, nesse novo cenário”, argumentou.

De acordo com o vigário episcopal para a Comunicação Social e Cultura, cônego Marcos William Bernardo, a convergência é fundamental para o diálogo com a sociedade. “Não podemos fugir da realidade atual com toda a evolução midiática. Hoje, precisamos falar da convergência de meios, que espelha um pouco a realidade social, que vive essa convergência. Não podemos mais pensar em um único meio para estabelecer o diálogo com a sociedade que é tão complexa. Essa temática é de grande importância para que saibamos trabalhar as identidades de cada meio, fazendo com que aconteçam sinergias, e que possamos nos posicionar em situações de crise. Sem essa integração de redes, temos muito mais dificuldades para tratar as crises institucionais, inclusive na Igreja”, acentuou.

Abertura

A abertura do seminário foi feita por Dom Orani, que tratou sobre os “Novos desafios para a Igreja do Brasil”. Em seguida, o responsável da redação em língua portuguesa do “Vatican News”, Silvonei José, abordou “A Igreja nos novos paradigmas da comunicação”.

Segundo ele, é necessário que a Igreja esteja presente no mundo virtual. “O primeiro desafio é a Igreja ter o conceito de que precisa estar presente no mundo virtual das redes sociais. Temos uma boa notícia há dois mil anos, que tem de ser contemplada tantas vezes, de modo e linguagem diferentes, com respostas diferentes para as indagações que o mundo pós-moderno nos apresenta, hoje. Creio que a Igreja tem esse grande desafio, tendo de criar uma nova linguagem, traduzindo a Boa Nova de maneira mais concreta. Uma das vertentes seria agir, mas, antes de tudo, testemunhar”, acrescentou.

Igreja: comunicadora da Boa Nova

O primeiro dia de palestras teve início com o seguinte questionamento: “Por que e quando o Papa é notícia?”, na palestra ministrada por Silvonei José. Depois dele, a responsável pelo Departamento de Comunicação da Copa do Mundo, em 2014, e das Olímpiadas, em 2016, Michelle Naili, discorreu sobre “Estrelas e meteoros. A mídia do mundo dos esportes”.

A terceira palestra, que refletiu “Da crise de identidade à crise da comunicação”, foi ministrada pela professora e publicitária Koca Machado, que também abordou a temática “Coroa britânica: uma marca global”, e pelo professor e jornalista Fernando Morgado, que, depois, discorreu sobre “Os veículos de comunicação e suas próprias crises”.

Para Koca Machado, “a convergência trata da junção de todas as mídias off-line do século 20, as TVs, rádios e jornais, com as mídias on-line, que são digitais. O que acontece é o engajamento de muito mais pessoas que têm opinião sobre tudo. Então, a máxima que conhecemos de ‘ter aquela velha opinião formada sobre tudo’, não existe mais. Por outro lado, nós, católicos, temos, na nossa Igreja, ensinamentos e dogmas que a gente não quer que mudem. O segredo não é mudar, mas absorver, ouvir e comunicar a mensagem que se recebe na convergência de mídias”, explicou.

Já Fernando Morgado destacou uma das causas que provocam as crises institucionais. “Para combater notícias falsas, é preciso ser ágil, trabalhar com a correção e fazer bom uso dos discursos disponíveis, como tecnológicos e humanos, com estruturas mais simples. Isso vale tanto para a mídia comercial quanto a religiosa, que precisa enfrentar uma série de mentiras divulgadas em todo momento. Por isso a importância de trabalhar novas estruturas a partir desse contexto tão difícil”, pontuou.

Por fim, o setor de comunicação da Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, no Pará, apresentou um vídeo sobre “Nazaré: views, likes e comments. O impacto cultural e midiático da maior expressão mariana do mundo”, em que se mostrou como acontece a contagem e divulgação do maior evento em honra a Nossa Senhora, no mundo.

Identidade e crise institucional

No terceiro dia de palestras, o seminário contou com a presença do professor da Faculdade de Comunicação Social Institucional e da Pontifícia Universidade de Santa Cruz, em Roma, padre Sérgio Tapia.

O sacerdote ministrou três conferências, com as seguintes temáticas: “Princípios gerais da comunicação de crise e media training”, “Comunicação oral como paradigma da gestão das mídias sociais” e “Técnicas de refraiming e comunicação não violenta”, a qual foi dividida em duas partes.

De acordo com padre Tapia, durante um período de crise, além da necessidade de comunicar a verdade, precisa-se, também, transmitir o melhor da instituição. “Para qualquer pessoa, a crise é um momento importante e difícil, que pode nos fazer crescer ou pode nos matar. Por isso, um comunicador que fala em nome da Igreja, deve entender como tirar proveito das crises, para transmitir o melhor da instituição”, destacou.

Ainda segundo ele, para a Igreja, levar a verdade faz com que os outros enxerguem, no trabalho e na pessoa do comunicador, o próprio Jesus. “Qualquer instituição tem problemas; nós, seres humanos, criamos os problemas, mas se não falarmos deles, nada poderá nos ajudar a resolvê-los e, sobretudo, muitas pessoas seriam enganadas pela instituição, se nós não dissermos a verdade. Isso é ainda mais importante para a Igreja, que proclama a Verdade, a qual fará de nós não somente um programa de trabalho, mas também a pessoa com quem nos encontramos: Cristo, nosso Senhor”, finalizou.

Comunicação e o cenário político

Por fim, o último dia do encontro contou com a presença do jornalista, escritor e comentarista político Gerson Camarotti, que falou sobre “A credibilidade posta em cheque no cenário político”.

Na ocasião, o jornalista ressaltou a importância do não posicionamento político-ideológico da Igreja. “A Igreja não tem de ter uma posição partidária. Política sim, partidária não. O que temos é o posicionamento das grandes lideranças, como por exemplo, a religião evangélica. E pedem voto. E eu acredito que a religião não pode estar atrelada à política do ponto de vista partidário”, sublinhou.

Ele também salientou a necessidade de advertir quanto à responsabilidade de cada indivíduo, no que se refere ao compartilhamento de conteúdo. “Um fato muito positivo, no Brasil, é o de que podemos escolher nossa própria religião. Isso é muito importante, institucionalmente. E não queremos regredir. Estamos em avanço. Devemos ter isso como marco muito positivo. Como estamos falando em comunicação, devemos ter, também, essa percepção e fazer um alerta sobre a responsabilidade na disseminação de qualquer notícia. Esse alerta também é o papel da Igreja”, afirmou.

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