Arquidiocese do Rio de Janeiro

25º 18º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/10/2018

23 de Outubro de 2018

Dignidade e cidadania para todos

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

23 de Outubro de 2018

Dignidade e cidadania para todos

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

27/09/2018 18:56 - Atualizado em 27/09/2018 18:56
Por: Flávia Muniz / Giselle Martello

Dignidade e cidadania para todos 0

No dia 19 de setembro, no auditório do 3º andar do Edifício João Paulo II, sede do governo arquidiocesano, na Glória, a Pastoral do Menor celebrou parceria com a Amil Assistência Médica Internacional S.A e o Lyons Club do Rio de Janeiro, para uma nova etapa do projeto “Passaporte da Cidadania”. O projeto - que já é desenvolvido há cinco anos - contará com um ônibus doado pela Amil, equipado com computadores, para oferecer alfabetização digital a crianças e adolescentes em situação de rua. Além dos atendimentos já realizados pela pastoral, a unidade móvel passará a oferecer, também, serviço oftalmológico, disponibilizado pelo Lions Club carioca.
A reinauguração do ônibus para o projeto se deu no dia 24 de setembro, na Rua do Catete, próximo ao Colégio Santo Antônio Maria Zaccaria, no Catete. A ideia é ir ao encontro dos adolescentes e jovens e aproximá-los das ações da pastoral.
“A Pastoral do Menor já tem 30 anos de atuação. E o projeto ‘Passaporte da Cidadania’ surgiu da necessidade que sentimos de olhar os tidos por ‘indesejáveis’, os menores vítimas da discriminação da sociedade, os marginalizados. Começamos a imaginar uma maneira de atraí-los. Sabemos que a tecnologia é algo que os fascina. Porém, em geral, eles têm muito medo de se fixarem em uma instituição, por medo de serem trancafiados. Assim, nasceu a ideia de ir ao encontro deles, apresentando alguma mobilidade, daí o ônibus. Procuramos, sempre, estar próximos a alguma igreja da arquidiocese. A proposta é permanecermos por quatro ou cinco meses e, depois, a paróquia deve dar continuidade aos encontros com eles”, explicou a fundadora e conselheira da Pastoral do Menor na Arquidiocese do Rio, Maria Cristina Noronha de Sá.
Uma equipe de educadores sociais leva aos menores a capoeira, os passinhos de dança e diversas outras atrações culturais, como forma de atraí-los ao aprendizado da informática, às lições de cidadania e à participação nas demais ações socioeducativas da pastoral.
“Eles são cativados, chegam e se assentam junto ao computador. E, para nós, ali, não existe o ladrão, não existe o viciado. Existe a pessoa humana que quer ser vista e estabelecer relacionamento. Este trabalho tem possibilitado o resgate de jovens que vivem nas ruas, sem condições de sobrevivência e, no mais das vezes, violentados. Criamos, também, algum tipo de empreendedorismo. Temos casos bem sucedidos, em que conseguimos moradia, e alguns têm deixado a dependência química e se tornado microempreendedores individuais. Tem sido uma experiência - qualitativamente - muito exitosa”, disse Maria Cristina.
Além do atendimento móvel aos menores em vulnerabilidade social, a pastoral também está celebrando a parceria de 12 anos com o Lions Clube do Rio de Janeiro, que passará a oferecer o serviço oftalmológico.
“Nosso serviço compreenderá três fases: o pré-diagnóstico, que é o teste de acuidade visual, podendo ser feito por leigos, agentes das comunidades. Forneceremos a metodologia e o material básico para isso. Aquelas pessoas, cuja acuidade for reprovada, serão relacionadas e encaminhadas ao exame oftalmológico, isto é, com o médico. Nós iremos à unidade para fazermos esse atendimento e o exame. A partir de um número razoável de pessoas que necessitem, o Lions, com seus outros parceiros, disponibilizará a doação de óculos. Assim, pretendemos oferecer um serviço oftalmológico com começo, meio e fim, nesse grande e maravilhoso projeto da Pastoral do Menor”, explicou Lucino Odorizzi, representante do Lions Club do Rio de Janeiro.
Jones da Silva Pereira é o educador de informática, e levará, para o serviço itinerante, o trabalho que realiza no programa de inclusão digital da pastoral, no polo de Nova Sepetiba, zona oeste da cidade:
“Desenvolvemos o que chamamos de Simulação Empresarial em Informática para Aprendizes (Seia). Aproximamos o jovem do mercado de trabalho, na prática. Simulamos a rotina empresarial, em áreas específicas: marketing, administrativo, financeiro etc. Com isso, eles se desenvolvem em rotina empresarial, efetivamente, e vão ganhando experiência. Muitos programas preparam o jovem para o processo seletivo, isto é, para a contratação. Nosso diferencial é prepará-los para o que acontece, nas empresas, pós-processo seletivo. Por isso, também ensinamos sobre disciplina, vestuário, assinatura de ponto e plano de carreira. Ele ‘entra’ com o cargo simulado de ‘auxiliar’, e pode chegar a ‘assistente’, ‘coordenador’ etc.”, explicou o educador.
Outra atividade muito apreciada pelos menores é a capoeira. Ulisses de Oliveira Martins é o educador e explicou a sua atuação: “Dou aulas de capoeira com alguns eixos, sendo o mais importante o da percepção, de cada um deles, como afro-brasileiros, entendendo a capoeira como parte desse conhecimento de si mesmos, das suas histórias e como cidadãos com direitos e deveres, na valorização e na união de suas raças, para alcançarem a cidadania e a dignidade humana plenas”, ressaltou.
No dia 24, a reinauguração do ônibus contou com a presença e a bênção do arcebispo, Cardeal Orani João Tempesta. Com ele, estiveram, também, o bispo auxiliar da arquidiocese e referencial para a Caridade Social, Dom Joel Portella Amado, e o assistente eclesiástico da Pastoral do Menor, padre Aldo de Souto Santos, além de conselheiros, coordenadores, agentes pastorais e parceiros da Pastoral do Menor.
O ônibus do projeto “Passaporte da Cidadania” visita bairros e comunidades carentes, auxiliando moradores em situação de rua e sendo, para eles, uma verdadeira fonte itinerante de cultura, conhecimento e cidadania. Mais moderna e espaçosa, a unidade abrigará atividades como artes, educação, tecnologia, serviço odontológico e, agora também, oftalmologia, para os atendidos pelo projeto - tudo gratuitamente.
Para Dom Orani, o projeto possibilita a “crianças, adolescentes e adultos, em situação de rua, encontrarem o caminho de uma vida digna. O ônibus antigo ficou muito velho com o tempo, mas, agora, vai para a Catedral e será ainda útil em outras funções da Pastoral de Rua. Recebendo esse, totalmente novo, com os serviços nele oferecidos, haverá a retomada das ações (itinerantes) da Pastoral do Menor, com as quais vamos evangelizando, levando formação; e, com a ajuda dos parceiros, possibilita-se às pessoas de rua saírem desta situação, para uma vida melhor”, disse o cardeal.
Padre Aldo comentou sobre as oportunidades que se abrem para os jovens que ao entrarem no projeto começam a deixar o mundo das ruas e são reinseridos socialmente:
“Eles percebem que não estão sozinhos e que há pessoas e projetos, da Igreja Católica, voltados a levar formação até eles, como também arte, higiene pessoal, entre tantas outras ações, para que se reergam na vida, com fé e o apoio de pessoas preparadas para ajudá-los. Esse projeto tem o objetivo de os fazer crescerem e se tornarem cidadãos, de fato”, destacou padre Aldo.
A cerimônia contou, ainda, com a presença da representante da Amil Assistência Médica Internacional S.A, a advogada de patrimônio, Roberta Velez Xavier Gama, que ressaltou a alegria do grupo Amil em ajudar o próximo. Ela comentou como aconteceu a parceria da empresa com a pastoral.
“Nós escolhemos a Pastoral do Menor para doarmos esse ônibus, através de um funcionário nosso, que, nos finais de semana, é voluntário do projeto ‘Passaporte da Cidadania’ e nos falou do antigo ônibus. A Amil se sensibilizou e resolveu doar esse, que por muitos anos foi utilizado pela empresa e por nossos colaboradores. Hoje, estamos entregando à arquidiocese, no intuito de que esse projeto tão importante da Pastoral do Menor possa ajudar as pessoas carentes e moradoras de rua a terem formação e assistência necessárias, para saírem desse contexto e terem uma dignidade maior em suas vidas”, finalizou Roberta Velez.
Testemunho de Juliana Cristina Barretos da Silva, de 22 anos
“Quando eu conheci o ônibus do ‘Passaporte da Cidadania’, eu vivia em situação de rua, aqui, pelo Catete e Largo do Machado. Uma amiga minha conseguiu entrar no projeto, e eu vim com interesse de acessar a internet. Na época, eu tinha 18 anos, e tudo começou naquele momento. Eu menti a idade, pois eu queria muito estar no projeto para acessar a internet, porque, assim, eu teria como me comunicar com os meus parentes de outros lugares. Eu sempre vivi em abrigos porque minha mãe foi assassinada quando eu era muito nova. Desde os 9 anos, eu tenho contato com a rua, e sempre ia para instituições. Depois que engravidei, eu fui parando de usar drogas e tentando ajuda; e foi quando eu comecei a vir ao ônibus. Então, as coisas foram melhorando. Eu fiz um curso de dança com a bailarina Débora Colker, aqui na Glória, gravei um clip com Anitta e, depois, tive a oportunidade, também, de participar em um comercial de uma marca conhecida. Atualmente, estou no projeto ‘Poesia dos pés’ e também sou coordenadora de um projeto social de dança gratuito na Comunidade Tabajara. Foi muito importante esse meu contato com a pastoral. Às vezes, sentimos vontade de gritar que ninguém está nos ouvindo, mas eles estão ali para nos ajudar; na formação, sim, mas principalmente para nos ouvir”, finalizou Juliana.

Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.