Arquidiocese do Rio de Janeiro

33º 24º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/11/2018

18 de Novembro de 2018

Missa em desagravo à memória do Museu Nacional; ‘Olhemos para frente, com confiança na superação’

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

18 de Novembro de 2018

Missa em desagravo à memória do Museu Nacional; ‘Olhemos para frente, com confiança na superação’

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

07/09/2018 10:16 - Atualizado em 07/09/2018 13:34
Por: Raphael Freire

Missa em desagravo à memória do Museu Nacional; ‘Olhemos para frente, com confiança na superação’ 0

temp_title1200px_Museu_Nacional_UFRJ_07092018133211

“A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro une-se ao povo de sua cidade no imenso pesar pelo incêndio que destruiu o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão”. Essas foram as palavras iniciais, em nota, do arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, depois que o fogo destruiu, no dia 2 de setembro, o maior museu de história natural do Brasil, que tinha um acervo com mais de 20 milhões de itens, como fósseis, múmias, peças indígenas, livros raros, além de quadros, móveis e objetos que pertenceram à nobreza de Portugal e do Brasil.

No documento, Dom Orani afirma ainda que “a Igreja Católica, por princípio de fé e esperança no conhecimento como garantia de liberdade e desenvolvimento, lamenta a perda desse imenso e importante acervo histórico e científico”, reconhecendo que o museu, uma instituição autônoma, integrante do Fórum de Ciência e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro, vinculada ao Ministério da Educação e que completou 200 anos em 2018, é uma das mais importantes instituições do gênero na América Latina, patrimônio educacional e cultural de todos.

Espírito de superação

“Fica o sentimento de pesar, tristeza e luto”, apontou o vigário episcopal para a Comunicação e a Cultura, cônego Marcos William Bernardo, destacando que o Museu Nacional “contava com um acervo não só da história do povo brasileiro, como também do início da nossa civilização, do povoamento das Américas – como era o caso do crânio de Luzia – e de outras tantas civilizações, e, com isso, fazíamos uma ligação com outras culturas”.

Cônego Marcos William contou que visitou muitas vezes e fazia questão de levar seus amigos para conhecer a riqueza e a importância do Museu Nacional.

“É uma perda inestimável, porque, por mais que, hoje, tenhamos tecnologia suficiente para reproduções, como os responsáveis já estão pensando, nós teremos apenas réplicas, as peças originais se foram e ficarão na memória”, afirmou.

À frente do vicariato responsável pela cultura, que tem a responsabilidade de preservar os bens históricos e culturais da Arquidiocese do Rio, cônego Marcos William transmitiu uma palavra de ânimo para os funcionários, professores e cientistas: “Que encontremos caminhos. Certamente, eles existem. O que passou ficou no passado”.

O vigário episcopal lembrou que a unidade de sentimentos do povo carioca irá conseguir reconstruir o prédio do museu, embora com outras características.  

“Olhemos para frente, com confiança na superação, para as grandes possibilidades. Temos mãos de obra especializadas. Acredito muito na superação dos profissionais e do povo brasileiro. Vamos reerguer esse museu”, afirmou.

Povo sem memória

Para o diretor artístico do Museu Arquidiocesano e coordenador da Comissão de Arte Sacra, monsenhor José Roberto Devellard, a perda é irrecuperável. De acordo com o sacerdote, o incêndio que destruiu o Museu Nacional é o retrato de um governo que não investe na cultura e na educação.

“Diante desta realidade que atingiu o maior museu de história do país, todas as pessoas já entenderam que a cultura não é uma opção do governo brasileiro, assim como não é a educação. Basta ver que o Rio de Janeiro, de acordo com o Ideb – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica –, é o único estado do Brasil que não atingiu a meta em nenhum segmento dos ensinos fundamental e médio. Esses dados foram divulgados um dia após o incêndio e mostram claramente que uma nação que não tem cultura e nem educação, não vai priorizar um museu. Infelizmente, nós, brasileiros, gostamos de discursos persuasivos e, agora, os responsáveis pelas verbas, como alguns ministros, por exemplo, estão horrorizados com o que aconteceu, mas eles foram os verdadeiros responsáveis por isso. Tenho amigos que trabalhavam no Museu Nacional como pesquisadores. Fui lá diversas vezes, e afirmo que os funcionários da instituição merecem ganhar um prêmio porque se dedicaram de corpo e alma por aquele lugar. É próprio do brasileiro dizer que somos um povo sem memória, e penso que todo esse episódio é a fotografia de um país que não valoriza a cultura”, afirmou monsenhor Devellard.

Tragédia anunciada

A museóloga Marli Assis Martins, que atua no Museu Arquidiocesano de Arte Sacra do Rio de Janeiro (Maas), situado no subsolo da Catedral de São Sebastião, ressaltou que o acidente poderia ter sido evitado. Segundo ela, esse episódio deve servir como lição para todos sobre o cuidado que se deve ter não só com o acervo, mas também com as instalações em que se encontram elementos tão importantes e significativos para a cultura e a história do Brasil.

“Esse incêndio no Museu Nacional é uma tragédia. Uma perda não só para a história do Brasil, mas também para a história das Américas e do mundo. Mesmo que se recuperem algumas peças, não representará tudo o que ficou na memória afetiva do povo que visitava o museu e agora foi perdido. Como museóloga, afirmo que essa situação era algo que se podia evitar. Como todos já estão dizendo, esse acontecimento foi uma tragédia anunciada porque há décadas se observava o descaso por parte das nossas autoridades. Perde-se a memória nacional, vários anos de estudo, produções acadêmicas e pesquisas que implicariam em conhecimentos futuros. Chorei muito e não acreditava no que os meus olhos estavam vendo no dia do incêndio. Lamentável tudo isso”, disse Marli.  

Missa em desagravo

Dirigindo as orações aos funcionários, entre os quais, historiógrafos, pesquisadores, museólogos e professores que atuavam no Museu Nacional do Rio de Janeiro, bem como ao povo da cidade e do Brasil, em luto pela inestimável perda, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé – Catedral até a década de 1970; Capela Real, nos tempos de D. João VI; e Capela Imperial, na época de D. Pedro I e D. Pedro II –, no Centro, celebrou uma missa em desagravo à memória do Museu Nacional no dia da Independência do Brasil, 7 de setembro. O pároco, padre Silmar Alves Fernandes, presidiu a celebração eucarística.

“Nós, diante dessa tragédia anunciada como tanto já foi dito, pensamos nessa missa em desagravo à memória do Museu Nacional. Coloquei a proposta para Associação dos Amigos da Antiga Sé (Samas) e eles acharam conveniente essa ideia porque é a nossa memória que é ofendida com esse incêndio. Pensamos nesse ato de reparação para também, de algum modo, chamar a atenção de alguns homens públicos, dos governos e das instituições. É mais do que justo realizar essa solenidade diante desse triste episódio”, destacou padre Silmar. 

Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.