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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 15/12/2018

15 de Dezembro de 2018

‘Um lugar de moradia e dignidade’

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‘Um lugar de moradia e dignidade’

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10/08/2018 15:16 - Atualizado em 16/08/2018 16:25
Por: Carlos Moioli / Priscila Xavier

‘Um lugar de moradia e dignidade’ 0

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A moradia, um dos direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal, chegou às mãos de 17 famílias que vivem, há mais de 50 anos, na então Chácara do Barão de Chichorro, situada à Rua Ermínia Guimarães, 67, no Catumbi, em forma de certidão: o título de propriedade.

A cerimônia de entrega do documento dos imóveis aconteceu na sede social da própria chácara, no dia 3 de agosto, e os moradores receberam o registro pelas mãos do arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta.

O evento contou também com as presenças do coordenador da Pastoral de Favelas, monsenhor Luiz Antônio Pereira Lopes, do pároco da Igreja Nossa Senhora da Salette, padre Marcos Antônio Pereira de Queiroz, do coordenador do Programa Direito à Terra, da Fundação Centro de Defesa dos Direitos Humanos Bento Rubião, Valério da Silva, da defensora pública do Núcleo de Terra e Habitação, Maria Júlia de Miranda, da antropóloga do Instituto de Terras e Cartografia do Estado, Hermínia Helena Castro da Silva, e da advogada da Pastoral de Favelas, Eliane Sousa de Oliveira.

Ao fazer uso da palavra, Dom Orani destacou a missão da Pastoral de Favelas, e afirmou que, aos poucos, os caminhos são abertos para que outras pessoas também alcancem essa finalidade. “É uma alegria para a arquidiocese poder testemunhar esse momento. Quando a pastoral nasceu, há 40 anos, tinha o objetivo de defender a propriedade e moradia das comunidades, tendo início no Vidigal, com Dom Eugenio de Araujo Sales. Vemos que, aos poucos, abrem-se caminhos, para que os moradores das várias comunidades possam ter o título de propriedade e, ao mesmo tempo, possam vislumbrar o presente e o futuro com esperança e confiança, levando aos seus filhos e netos um lugar de moradia e dignidade”, declarou.

Já monsenhor Luiz Antônio destacou a necessidade de confiança na justiça e a moradia enquanto direito fundamental ao ser humano. “Esse momento, para todos nós, principalmente para as famílias, mostra que a justiça existe e que devemos acreditar nela. Enquanto religiosos, acreditamos na justiça divina. Mas também queremos que a justiça terrena, em nosso país, também seja cumprida. A união e a organização da comunidade, dos agentes, dos advogados que atuaram, permitiram que alcançássemos esse objetivo. A terra foi feita para todos nós, o direito à moradia é sagrado e abençoado. Foi Deus que nos deu, e nenhum ser o humano tem o direito de privar o outro disso. O povo acreditou que, unidos, pode vencer”, completou.

Monsenhor Luiz Antônio ainda frisou o trabalho realizado pelos advogados em favor da causa. “A figura da doutora Eliane Sousa de Oliveira foi de suma importância porque, quando a Fundação Bento Rubião não teve mais a possibilidade de continuar defendendo a comunidade, ela pegou o processo e deu prosseguimento à causa, e muito se empenhou para que tudo isso acontecesse no dia de hoje. Mas esse também foi um trabalho em conjunto, reconhecendo o esforço realizado anteriormente pelos também advogados Eliane Ataíde e Waldyr Alves da Costa”, sublinhou.

Para Hermínia, essa é mais uma história em que a vida imita a arte, porém, com um final feliz. “É uma alegria ver o sorriso no rosto das pessoas, o coroamento de uma luta, e sabendo que ainda temos uma saída. Quando estudamos a história da luta do Rio, pela terra e pela moradia, sempre vemos os mesmos personagens: a Igreja Católica, através de seus setores, ao lado dos trabalhadores e seus direitos, a Defensoria Pública, os moradores e comunidades. É uma honra estar ao lado dessas pessoas que conheci por meio da literatura. Espero que momentos como esse se reproduzam, porque todos nós merecemos boas notícias e felicidades”, acrescentou.

Moradora da chácara, Mônica Honorato agradeceu a todos que, junto com os moradores da chácara, lutaram para que esse momento acontecesse. “Esse é um dia muito especial, no qual adquirimos nossa certidão, pela qual lutamos com medo de perder a nossa moradia. Essa é a certeza de que mais ninguém pode nos tirar daqui. Agradecemos a Deus, à Fundação Bento Rubião, à Pastoral de Favelas, aos moradores da região, a todos que lutaram conosco. Faltam-me palavras diante de tanta emoção. Já faz um mês que não consigo dormir de tanta alegria, e creio que esse é o mesmo sentimento de todos”, finalizou.

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Fotos: Carlos Moioli


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