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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 15/08/2018

15 de Agosto de 2018

Zeth, ‘o anjo bom do Leblon’

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Zeth, ‘o anjo bom do Leblon’

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01/06/2018 11:11 - Atualizado em 01/06/2018 11:11
Por: Priscila Xavier / Symone Matias

Zeth, ‘o anjo bom do Leblon’ 0

Bispo e doutor da Igreja, Santo Agostinho já dizia que “as palavras convencem, mas o testemunho arrasta”. Num século em que a moral e os bons costumes têm perdido cada vez mais espaço, a vida e o testemunho dos santos, daqueles que colocaram em prática o pedido de Jesus – ‘Sede perfeitos assim como o vosso Pai celeste é perfeito’ (Mt 5,48) –, têm alcançado cada vez mais corações. Um deles é o de Maria José da Silva Oliveira, mais conhecida como Zeth, de 85 anos.

Nascida na Bahia, Zeth mudou-se para o Rio de Janeiro em 1954, logo após casar-se com Gastão Maia de Oliveira. Na chegada à cidade carioca, o esposo – que era militar, foi escalado para realizar a segurança durante o único Congresso Eucarístico Internacional ocorrido no Brasil, no Aterro do Flamengo, em 1955.

Foi justamente nesse evento que ela encontrou uma de suas maiores inspirações na caminhada de fé. “Quando vi Dom Helder Pessoa Câmara – então bispo auxiliar do Rio, atravessei toda a barreira de segurança para alcançá-lo e pedi sua bênção”, recordou.

O fato era que o sacerdote, naquele período, lutava, incansavelmente, pela causa dos mais pobres e necessitados. Dessa forma, era chamado pelo Papa, hoje São João Paulo II, de ‘Irmão dos pobres. Meu irmão’.

Mas, como boa baiana católica, Zeth também têm admiração por outra religiosa, a qual recebeu, tal como Dom Helder, o título de Serva de Deus: Irmã Dulce dos pobres. “Eu sempre a via, durante a tarde, com a veste corada de sol, indo em direção à Igreja Nossa Senhora da Palma. E quantas vezes ouvi dentro de minha própria casa as pessoas dizerem: ‘fecha porta, porque lá vem a freira pidona’”, lembrou.

A admiração pela religiosa aumentou ainda mais quando Zeth descobriu que seu dentista, Augusto Lopes Pontes, era pai de Irmã Dulce. “Foi assim que decidi me aproximar mais dela. Hoje, tenho três primas que são voluntárias na Casa Santo Antônio, em Salvador”, comentou.

Foi dessa forma, através desses dois exemplos, arrastada pelos testemunhos dos religiosos que doaram a própria vida em prol dos mais necessitados e humildes, que Zeth foi além da admiração. Ela agiu tal como os servos de Deus.

Um anjo no Leblon

Durante o Congresso Internacional, ela era paroquiana da Igreja Santa Mônica, no Leblon. Nesse período, os moradores da comunidade da Praia do Pinto, também no Leblon, foram removidos de suas casas e direcionados aos subúrbios cariocas.

Nesse contexto, Dom Helder travou uma batalha com as autoridades públicas da época, alegando que os pobres também tinham o direito de morar na Zona Sul, e criou o conjunto habitacional Cruzada São Sebastião, que contava com dez blocos de sete andares cada, somando 987 apartamentos. “Dessa forma, muitas de minhas amigas foram chamadas para doarem cestas básicas às famílias, e fui convidada por elas para participar também. Com a Cruzada, surgiu, logo depois, a Igreja Santos Anjos, a qual passei a ajudar, pois era uma paróquia muito pobre,  não tinha nada. E cada padre que por aqui passou fez um pouco”, contou.

Com as visitas frequentes à comunidade, Zeth tornou-se parte dela. “O pároco da época, padre Marcos Belizário, colocou-me como coordenadora da Pastoral da Caridade, em 1991. Iniciamos com as cestas básicas. Depois, tive a ideia de criar um bazar, o qual acontece há 27 anos, e cuja arrecadação é sempre voltada para a paróquia, na qual estou há 30 anos”, disse.

Atualmente, a Pastoral da Caridade é composta por seis mulheres voluntárias, com idades entre 85 e 91 anos. “Somos nós quem fazemos as triagens e visitamos as 112 famílias atendidas, justamente para saber a necessidade de cada uma delas. Se for preciso dar banho nas idosas que visitamos, eu lá estarei. Muitas não têm condições de realizar os enterros de seus entes. Como também atuo como voluntária no Hospital Miguel Couto, no Leblon, eu as encaminho para lá”, relatou.

Para Zeth, “a cesta básica é um paliativo. Mas é a Palavra de Deus que alimenta. Comecei a ir à igreja ainda muito nova, porém, não tinha conhecimento desse Deus maravilhoso. Para Jesus, temos de trabalhar com amor”, completou.

Ainda segundo ela, a entrega das cestas acontece toda quinta-feira após o primeiro domingo “e é sempre acompanhada por um lanche e muita festa”, declarou.

Além da Pastoral da Caridade e do voluntariado no hospital, o qual realiza uma vez na semana, Zeth também é presidente da Legião de Maria e atua como ministra extraordinária da Sagrada Comunhão (Mesc) há 27 anos.

Atual pároco da Igreja Santos Anjos, padre Thiago Azevedo Pereira destacou a personalidade da paroquiana. “Ela é formidável. Sempre a relaciono com Irmã Dulce e digo que ela é ‘o anjo bom do Leblon’. Totalmente desprendida de seus bens materiais e que soube vencer qualquer ponte e obstáculo social, ela consegue ser na paróquia uma manifestação viva da caridade. Como boa baiana, a inspiração dela é Irmã Dulce, e aqui ela consegue manter viva, em outra proporção, a mesma obra da religiosa, sobretudo com os mais pobres e necessitados”, frisou.

Mesmo aos 85 anos, Zeth afirmou que “ser voluntária é servir a Jesus com amor. Tenho certeza de que se não fosse por Jesus e Maria, eu não estaria aqui. Isso me fortalece, porque eles me chamaram. São eles que me dão forças”, finalizou.

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