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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 24/04/2018

24 de Abril de 2018

Congresso de Educação Católica: na escolástica dos gênios e dos santos

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24 de Abril de 2018

Congresso de Educação Católica: na escolástica dos gênios e dos santos

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16/04/2018 11:47 - Atualizado em 16/04/2018 11:52
Por: Flávia Muniz / Symone Matias

Congresso de Educação Católica: na escolástica dos gênios e dos santos 0

Aconteceu, entre os dias 7 e 8 de abril de 2018, no Edifício João Paulo II, na Glória, a segunda edição do Congresso de Educação Católica, promovido pelo Instituto Sophia Perennis, com o apoio da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro e do Instituto Antônio Royo Marín. Com a presença de educadores do Rio e de cidades vizinhas, o congresso foi aberto pelo bispo da Administração Apostólica São João Maria Vianney, de Campos (RJ), Dom Fernando Arêas Rifan.

Educação católica que faz a diferença

Segundo o organizador do congresso, professor Felipe Nery Martins Neto, também presidente do Observatório Interamericano de Biopolítica e do Instituto Sophia Perennis, o objetivo e motivo do evento foi despertar, tanto nos pais como nos educadores, uma reflexão para perceber o processo de declínio da educação hoje.

“Entre 1910 e 1930, nós tínhamos uma melhor qualidade da educação no Brasil. O padre Leonel Franca escreveu que todos os jovens terminavam o ginásio falando cinco línguas. Entretanto, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) divulgou, recentemente, que a quase totalidade dos jovens que terminam o ensino médio não consegue interpretar textos, ou seja, não tem domínio sequer de sua própria língua materna. Então, como é que antes os jovens adquiriam o domínio de cinco línguas estrangeiras e, hoje, não têm nem da sua própria língua materna? Tem algum problema”, enfatizou.

Para o professor Felipe Nery, os dados históricos comprovam que os áureos tempos da educação brasileira remontam aos anos em que a educação católica fez a diferença no processo formativo da sociedade brasileira. Alicerçada no esforço contínuo de busca da verdade e da prática das virtudes, esta foi a educação que forjou, ao longo da história, grandes gênios da Humanidade e também os santos.

“A escola católica tem, na sua identidade, a missão de levar a criança à real finalidade da educação, que é encontrar a verdade. Conduzindo uma criança a encontrar a verdade, você a está conduzindo a uma vida sobrenatural; ela não cairá em ideologias. Como educadores e católicos, sentimos a necessidade de mostrar qual é a identidade da educação católica. Estamos falando de algo que atravessou séculos - as escolas de grandes santos educadores - grandes gênios e heróis saíram dessas escolas (católicas), e precisamos falar sobre isso. Demonstrar que, com objetivo político, está em marcha, no Brasil, um declínio humano, sendo feito, já de longa data, através da educação. E as pessoas não imaginam que isso aconteça”, concluiu o professor Felipe Nery.

Horizonte da obra literária

O professor Rodrigo Gurgel, do Instituto Sophia Perennis, na sua palestra “O jovem e a literatura”, disse: “Quanto menos um personagem se parece comigo, mais ele amplia o meu horizonte; quanto menos ele reflete o que eu sou, mais ele enriquece o meu universo e o meu ser. O que uma obra literária nos dá (ou nos ensina) é uma nova capacidade de comunicação com pessoas e realidades diferentes de nós, por isso a obra literária está sempre próxima da experiência moral do homem e o horizonte da obra literária pode ser uma forma de verdade (...). Portanto, se vocês não acompanharem o que seus filhos leem, vão entregar nas mãos dos professores, das escolas, o que há de mais precioso na vida deles: a formação moral. E a escola de hoje não está preocupada com isso”.

Desenvolvimento intelectual

O padre José Eduardo de Oliveira, da Diocese de Osasco (SP), proferiu a palestra “A arte de ensinar segundo São Tomás de Aquino”, explicando que os pedagogos do primeiro milênio foram, sobretudo, grandes observadores do funcionamento do intelecto humano. E, ao mesmo tempo, com as premissas básicas do cristianismo - o mandamento de ensinar, a pregação, a meditação dos sentidos mais profundos dos textos da Sagrada Escritura - eles adquiriram um desenvolvimento intelectual muito grande, de tal modo que se chega ao auge da Idade Média com a compreensão de três operações básicas que antecedem à retórica, isto é, a arte de ensinar; são elas: a leitura (não a mera leitura direta de textos, mas a absorção profunda de conteúdos); a meditação (reflexão que o intelecto faz, ativamente, sobre o que a leitura absorveu). “Sem este passo, não ocorre a experiência da verdade, que brilha ao nosso intelecto, quando, no exercício da reflexão, comparamos os conteúdos adquiridos com a realidade em si, formando um patrimônio. O terceiro passo é a contemplação, a percepção de que há uma ordem que dá consistência profunda às verdades acumuladas (o patrimônio); é neste ponto que se dá, segundo São Tomás, a operação da retórica, isto é: ensinar aos outros. Este foi o modelo que produziu as mentes mais geniais da história da Humanidade”, explicou padre José Eduardo.

Roupagem de novas ideologias

Além dos professores dos institutos que promoveram o congresso, o convidado especial e anfitrião, Cardeal Orani João Tempesta, proferiu palestra sobre a “Contribuição da Igreja Católica para a Educação no Brasil”.

Ele explicou que o início do processo educativo se deu com a chegada dos jesuítas, em 1549. “Um dos expoentes desse trabalho pioneiro foi São José de Anchieta, que, justamente por isso, ficou conhecido como o Apóstolo do Brasil”. O segundo momento histórico - continuou Dom Orani - situa-se quando nosso país já havia sido elevado à condição de Vice-Reino, tendo o seu representante na figura do primeiro ministro, o Marquês de Pombal. Dentre as medidas por ele tomadas, ocorreu a expulsão dos jesuítas, em 1759, desmantelando o único sistema de educação que havia no país. “O terceiro desafio para a contribuição da Igreja à educação no Brasil, surge com a proclamação da República. Com a separação entre Igreja e Estado, conforme a Constituição republicana de 1891, promoveu-se uma laicização da sociedade, e foi retirado o ensino religioso do currículo das escolas. Esses desafios persistem, e até se agravam na atualidade, sob a roupagem de novas ideologias. A Igreja caminha no aprendizado de conviver com as divergências dos novos tempos, mas conserva vivo seu testemunho de que somente uma educação integral forma o homem segundo sua dignidade”, completou Dom Orani.

Testemunhas de Jesus

No encerramento do primeiro dia, 7 de abril, Dom Orani presidiu missa na Capela do Edifício João Paulo II, e ao explicar a liturgia do dia, fez um paralelo do episódio do milagre à porta do templo, que ensejou a prisão dos apóstolos e a proibição de darem testemunho da ressurreição e do nome de Jesus, com a situação enfrentada pelos educadores católicos, nos dias de hoje.

“A escola tem sofrido muito por essas situações. Assim se faz, nos nossos dias, em relação ao ensino religioso, criando-se dificuldades à evangelização, os problemas burocráticos que se colocam à ação da Igreja, até mesmo a fragilização da sua imagem, por meio de fofocas e das falsas notícias. São formas, nem sempre explícitas, de também tentar calar ou desautorizar a Igreja a falar em nome de Jesus. Porém, como respondeu Simão Pedro, ‘importa obedecermos mais a Deus do que aos homens’. Somos chamados a não deixar de anunciar o Evangelho, a obedecer ao Senhor e a não nos deixar cercear. Nos regimes totalitários, uma vez instalados, a primeira coisa que fazem é proibir o anúncio do Evangelho. Nós somos chamados a testemunhar o Senhor, mesmo à custa da própria vida”, disse Dom Orani.

Os princípios da educação católica

O congresso contou, também, com a participação do bispo auxiliar emérito, Dom Karl Josef Romer, também diretor do Instituto Superior de Ciências Religiosas, que presidiu a missa na manhã do segundo dia, 8 de abril, e proferiu a palestra “Os verdadeiros princípios da educação católica”.

Dom Romer explicou que o Papa Pio XI, no dia 31 de dezembro de 1929, apresentou-se, na Carta Encíclica Divini Illius Magistri, como o representante do Divino Mestre, que, com seu imenso amor pela juventude, especialmente pelas crianças, assim declarou: “Deixai vir a mim as crianças”, mostrando que não é somente um direito, é muito mais, é um amor divino à educação.

“A Igreja, esposa de Cristo, faz nascer filhos espiritualmente, e esta maternidade implica também ensinar o encanto, a beleza, a nobreza e a grandeza da vida. E, enviada por Cristo, para pregar a todos os povos, a Igreja tem também o dever de ensinar, não em nome de uma teoria ou de um partido, mas em nome do Evangelho. Por isso, em todos os tempos a Igreja criou escolas. Quando o Estado não tinha ainda assumido a promoção da escola, a Igreja o fazia, já há séculos. E afirmou Pio XI: ‘é seu dever indispensável vigiar por toda a educação de seus filhos, os fiéis’”, concluiu.

Continuidade

Além destes, também proferiram palestras os professores Rafael Fálcon, Joel Gracioso, Thomas Giuliano, Danilo Gustavo da Silva e Dante Mantovani, que é maestro. O Congresso de Educação Católica aconteceu como parte das atividades do “Curso de Formação Continuada para professores: Identidade e Atualidade”, promovido pela Pastoral da Educação, com o apoio da Arquidiocese do Rio de Janeiro e do Instituto Sophia Perennis. O segundo módulo do curso acontecerá no dia 28 de abril, das 9h às 17h, no 2º andar do Edifício João Paulo II.

As inscrições podem ser feitas pelo formulário eletrônico disponível em arqrio.org. Para obtenção de outras informações, há o e-mail pastoraldaeducacao@arquidiocese.org.br.


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