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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/09/2018

23 de Setembro de 2018

Dirigentes de empresas comprometidos com a Doutrina Social da Igreja

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Dirigentes de empresas comprometidos com a Doutrina Social da Igreja

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01/04/2018 00:00 - Atualizado em 06/04/2018 13:39
Por: Priscila Xavier

Dirigentes de empresas comprometidos com a Doutrina Social da Igreja 0

Com o propósito de mostrar que fé e negócios podem caminhar juntos, a Arquidiocese do Rio, retomou os trabalhos da Associação de Dirigentes Cristãos de Empresa (ADCE), durante encontro no Edifício João Paulo II, na Glória, no dia 15 de março.

O evento foi conduzido pelo arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta, e contou com a presença do presidente da União Internacional das Associações Patronais Católicas (Uniapac – Brasil) Sérgio Cavalieri, do coordenador da implantação da ADCE-Rio, Humberto Mota, do presidente da ADCE-MG, Sérgio Frade, e do diretor da ADCE-SP, José Luiz Lourenço Junior, além de diversos convidados.

O Cardeal Orani explicou como se deu a retomada da associação na arquidiocese. “O Rio de Janeiro teve, no passado, uma ADCE muito forte. Conheci a iniciativa, em âmbito nacional, quando eu atuava na Comissão Episcopal para a Cultura, Educação e Comunicação da CNBB, através da qual participei de vários encontros da ADCE. Ao chegar ao Rio, percebi que a ADCE – considerada uma das maiores e mais antigas, estava desativada. Na época, tentei retomar e entrar em contato com os antigos diretores, mas não consegui. Agora, convidamos alguns leigos para retomar o trabalho”, esclareceu.

O arcebispo ainda reforçou que a associação retorna às atividades no ano dedicado aos leigos. “Que os empresários católicos possam fazer a diferença nesse tempo de tanta dificuldade para o país, mas, também, para o Rio de Janeiro. Renasce a retomada da ADCE, justamente no Ano do Laicato, sendo este o trabalho do leigo que atua em todas as áreas, presentes no mundo, fazendo a diferença. Que a ADCE possa retomar com entusiasmo”, pontuou.

Implantação no Rio

Essa é a segunda vez que a ADCE é implantada no Rio de Janeiro. A primeira fundação teve início, entre os anos de 1980 e 1990, com o acadêmico e padre Fernando Bastos de Ávila, então coordenador da Pastoral da Cultura, que introduziu, através de encontros de reflexão, o pensamento social da Igreja aos empresários.

Anos depois, a associação retorna levando ao mundo dos negócios a mensagem sobre a importância da consciência cristã. “A função da ADCE é formar a consciência cristã no meio empresarial. Isso se converte no respeito ao ser humano, e, dessa forma, a dignidade humana é colocada no centro do empreendimento: a empresa continua na busca de seus resultados econômicos e financeiros, mas também pensa nas pessoas e nos impactos positivos que oferecerá à sociedade”, afirmou Sérgio Cavalieri.

De acordo com o coordenador da implantação, Humberto Mota, a ADCE dará os primeiros passos ainda no mês de abril. “Faremos uma reunião, no mês de abril, com aqueles que participaram do lançamento, para traçarmos o programa de implantação e os primeiros passos para a instalação. Também, neste encontro, organizaremos um calendário para o ano de 2018”, contou.

Ainda segundo Mota, “o que pretendemos é evangelizar através do trabalho. No dia a dia, o gestor precisa ser o exemplo de vivência cristã, fazendo com que essa consciência seja ampliada por toda a empresa”.

Para Cavalieri, a associação chega ao Rio num período relevante. “A ADCE retorna ao Rio num momento muito importante, justamente por conta do equilíbrio que carrega entre o empreender e a contribuição positiva que deixa na sociedade. Estamos em um período de crise, mas essa não é uma barreira para o funcionamento da empresa. Na verdade, a consciência cristã alavanca seus valores e a coloca em vantagem sobre as demais organizações”, completou.

Consciência social cristã

A apresentação dos associados à ADCE acontece durante um encontro de reflexão – uma espécie de retiro que, normalmente, tem início numa sexta-feira e se encerra no domingo.

No encontro, os associados passam a compreender o que é a Doutrina Social da Igreja, o pensamento cristão, os propósitos da ADCE e o papel do empresário no mundo à luz da fé.“É um trabalho de formação, pois,
à medida que o mundo evolui, a Igreja também evolui. Em todo o tempo, nos atualizamos, preservando os valores fundamentais, mantendo-nos sempre no caminho da ética, da verdade e da solidariedade”, acrescentou Cavalieri.

Além disso, a associação também realiza encontros periódicos, como retiros espirituais, palestras, encontros de partilha e reflexão.

Escolhido para ser o assessor espiritual da ADCE-Rio, monsenhor Osvaldo Neves de Almeida, sacerdote encardinado na Prelazia da Opus Dei - consultor da Segunda Seção da Secretaria de Estado da Santa Sé, destacou a importância da atividade do leigo no mundo. “Todos somos Igreja, sejam os leigos, padres ou bispos. Então, cada um precisa colaborar na Igreja com a hierarquia e com os irmãos, até mesmo com os que não são cristãos, para a salvação das almas e o bem da sociedade, cada um a partir do seu lugar”, sublinhou.

Ele ainda ressaltou – citando o Papa Francisco – a missão no empresariado na missão evangelizadora. “O próprio Pontífice nos diz que ser empresário é uma vocação, uma vez que, criar empregos e fazer funcionar a economia, é uma necessidade para o bem comum. O empresário também é um testemunho da fé e da vida de Cristo”, pontuou.

Monsenhor ainda recordou que o Papa Francisco recebeu os participantes da Conferência Internacional das Associações de Empresários Católicos, promovida pela Uniapac, no dia 17 de novembro de 2016, em Roma.

Na ocasião, o Pontífice frisou que “todas as atividades humanas, também a empresarial, podem ser uma prática da misericórdia, que é participação no amor de Deus por todos os homens”.

A evangelização empresarial no Brasil e no mundo

Devido às fortes mudanças que a classe operária sofria no fim do século XIX, com a Revolução Industrial e as sociedades democráticas, o então Papa Leão XIII escreveu a encíclica “Rerum novarum”, que significa “Das coisas novas”.

O documento tratava das questões sociais daquele período, como o apoio à organização dos trabalhadores em sindicatos, a negação do socialismo e a defesa da propriedade privada e melhor distribuição das riquezas. Dessa forma, a encíclica tornou-se o pilar para a constituição da Doutrina Social da Igreja.

Passados 40 anos, em 1931, o então Papa Pio XI escreveu a encíclica “Quadragesimo Anno” em homenagem à “Rerum novarum”, retomando as problemáticas abordadas por Leão XIII, que faz uma nova leitura da ordem social.

É a partir disso que surge, na Bélgica, nesse mesmo ano, o movimento de empresários cristãos – predominantemente católicos. “Eles perceberam que a Igreja enviava uma mensagem, e decidiram criar uma associação internacional que reunisse todos os movimentos de empresários cristãos – uma vez que muitos já existiam naquele período na Europa – preocupados com os impactos sociais”, explicou Cavalieri.

O encontro contou com representantes de países como França, Itália e Holanda. A associação foi batizada, em francês, como Union Internacionale des Associations Patronales Catholiques – Uniapac, que se espalhou por vários países e formou associações regionais, as ADCEs.

No Brasil, o movimento surgiu através de empresários paulistas, em 1961, os quais realizaram expansões. Atualmente, oito estados brasileiros possuem ADCEs, tendo, ao todo, 3 mil associados. Além disso, 43 países também aderiram ao movimento, os quais somam mais de 20 mil sócios.

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