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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 24/04/2018

24 de Abril de 2018

Sábado Santo e Vigília Pascal: "Não desperteis o Amor, antes que ele o queira"

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24 de Abril de 2018

Sábado Santo e Vigília Pascal: "Não desperteis o Amor, antes que ele o queira"

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31/03/2018 00:00 - Atualizado em 02/04/2018 11:26
Por: Flávia Muniz e Raphael Freire

Sábado Santo e Vigília Pascal: "Não desperteis o Amor, antes que ele o queira" 0

A manhã do Sábado Santo é marcada pelo silêncio da comunidade cristã, que ainda vela junto ao sepulcro. Calam os sinos e os instrumentos. É o dia da ausência. O Esposo nos foi arrebatado. Ele, o Verbo, está calado, desde Suas últimas palavras, dirigidas ao Pai, no Calvário: "Tudo está consumado... em tuas mãos entrego o meu espírito." Para a Igreja, este silêncio é, todavia, a plenitude da Palavra. O Sábado Santo guarda o mistério do Cristo que desceu à mansão dos mortos. Seu corpo no sepulcro experimenta o novo repouso sabático de Deus, depois de realizar a salvação que restabeleceu, na paz, o universo inteiro. Cai a tarde, e a Esposa espera, em vigília, que Seu Amado "desperte": "Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, que não acordeis nem desperteis o amor, antes que ele o queira..." (Cant. 8, 4).

Seguindo a exortação do Evangelho (Lc. 12, 35 ss),  tendo acesas as lâmpadas como os servos que aguardam o seu Senhor voltar e, encontrando-os em vigília, fazê-los sentar-se à Sua mesa, os fiéis da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, reuniram-se, na noite do Sábado Santo, 31 de março, para celebrar a chamada "Mãe de todas as Vigílias", em torno de seu arcebispo, Cardeal Orani João Tempesta, na Catedral Metropolitana, e demais representantes do clero arquidiocesano.

A liturgia teve início, conforme o costume, ainda na área externa da igreja, com o Rito da Luz, em que se abençoa o Fogo Novo e prepara-se o Círio Pascal, que representa Cristo, Alfa e Ômega, Princípio e Fim, vencedor sobre o pecado e a morte, que irrompe em meio às trevas como Luz do mundo e salvação dos que crêem. Após acenderem suas velas na chama do Círio Pascal, os ministros e todo o povo de Deus, em procissão, adentraram pelas portas da Catedral, para aguardarem a solene entronização do Círio, sob a tríplice aclamação "Eis a Luz de Cristo", seguida pela resposta do povo: "Demos graças a Deus".

Após estes ritos iniciais, foi cantada solenemente a Proclamação da Páscoa, seguida da Liturgia da Palavra, com as sete leituras e salmos do Antigo Testamento, pelos quais se recorda toda a História da Salvação e a aliança de Deus com o Seu Povo, Israel. Feitas as leituras do antigo documento, a Igreja, em júbilo, entoou o "Glória", trazendo de volta as flores e as toalhas ao presbitério.

A ação redentora do Cristo, afirmada na leitura da Carta de São Paulo aos Romanos, extraída do Novo Testamento, introduziu a Comunidade na atmosfera da nova aliança. O "Aleluia", enfim, pôde ser cantado para proclamar o Evangelho da Vida que venceu a morte, anunciando a Boa Notícia: "Ele ressuscitou... e irá à vossa frente, na Galiléia."

“Aleluia! O Senhor ressuscitou! Feliz Páscoa! Queridos irmãos, vivemos juntos esses dias todos de Vigília Pascal e, hoje, realizamos esse grande anúncio da vida que vence a morte, e que ecoa por todos os séculos. O Senhor está vivo, ressuscitado no meio de nós. E a Igreja, que somos nós, o encontramos não só nesta celebração, mas aos domingos, quando evangelizamos, nas nossas ações concretas, e encontrá-lo tantas vezes marca a nossa vida para toda a eternidade. O que acontece hoje no meio de nós, em nossas vidas, é uma atualização deste mistério. E eis o grande anúncio que a Igreja é chamada a proclamar e anunciar neste mundo com tantas mazelas e dificuldades. Os cristãos são aqueles que fazem a experiência de anunciar vida, salvação, libertação e uma vida nova em Jesus Cristo que está presente no meio de nós. Descobrimos sentido na vida porque encontramos com o Senhor Ressuscitado e o anunciamos ao mundo que tanto precisa. Neste mundo onde muitas vezes querem afastar, matar e esquecer a Deus de todas as formas, somos chamados a afirmar que o Senhor está vivo, ressuscitado, e que nós somos suas testemunhas, aqueles que vivem o Evangelho e fazem ressoar essa verdade em seus corações”, exortou Dom Orani durante a homilia.  

Cardeal Tempesta também disse que a Vigília Pascal apresenta alguns sinais que ajudam os cristãos a anunciarem e proclamarem que Cristo Ressuscitou. Ele destacou o rito da luz, a bênção do fogo novo, o Círio Pascal; também a leitura da História da Salvação, a importância de se viver e testemunhar o batismo e a participação na Eucaristia.   

“Com a bênção do fogo novo somos chamados a anunciar que Jesus ressuscitou, na certeza de que a luz de Cristo ilumina as trevas e, que, com nosso testemunho cristão, deixamo-nos iluminar por Ele e levamos essa luz por onde formos. Outra maneira de sermos anunciadores de Cristo é vermos toda História da Salvação. Os gestos e sinais dessas nove leituras que realizamos hoje bem demonstram isso. Se as leituras do Antigo Testamento eram e ainda são o anúncio de Jesus Cristo, com o início do Novo Testamento tudo se ilumina e se elucida. É muito importante cada vez mais buscarmos a Palavra de Deus, a lectio divina, deixando que a Palavra fale ao nosso coração e em nossa vida. A vivência batismal e a renovação das promessas do batismo também nos ajudam a anunciar Jesus Cristo vivo. E viver o nosso batismo, em especial, nesse Ano do Laicato, supõe ter a consciência da fé, ser presença no mundo, laicato que se sente, ama e anuncia, homens e mulheres que vão vivendo seu batismo de forma heroica nesse mundo sempre em revolução e que questiona sempre a vida cristã. Batizados que reafirmam seu compromisso com os irmãos e lutam para construir um mundo melhor. Por fim, ao participarmos da Eucaristia deixamo-nos transformar em Jesus Cristo. Que alimentados pela Eucaristia não nos omitamos nessa sociedade tão polarizada por ideologias que nos criticam por todos os lados, mas, pelo contrário, sejamos sinais de comunhão, unidade, de encontro com Jesus vivo porque ele ressuscitou verdadeiramente, aleluia!”, afirmou o arcebispo do Rio.

Concluída a homilia, teve início a liturgia batismal, entoando-se a Ladainha de Todos os Santos. Na sequência, quatro ex-moradores de rua, catequizados pelas Irmãs Missionárias da Caridade, receberam os sacramentos do Batismo e da Crisma, tornando-se, assim, membros do Corpo Místico de Cristo e sendo acolhidos no seio da comunidade cristã, que, unida, renovou suas promessas batismais. No momento da Comunhão, os neófitos receberam o sacramento da Eucaristia, com toda a comunidade dos batizados, ali reunida.

 

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