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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 17/07/2018

17 de Julho de 2018

Dom Romer: 60 anos de serviço a Deus e à Igreja

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17 de Julho de 2018

Dom Romer: 60 anos de serviço a Deus e à Igreja

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16/03/2018 11:00 - Atualizado em 16/03/2018 11:01
Por: Priscila Xavier

Dom Romer: 60 anos de serviço a Deus e à Igreja 0

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Se completar 60 anos de vida é uma dádiva divina, imagine 60 anos dedicados ao sacerdócio, entregando-se inteiramente a Deus e à Igreja? É com essa alegria que a Arquidiocese do Rio de Janeiro celebrará os 60 anos de presbiterado do bispo auxiliar emérito Dom Karl Josef Romer.

A Missa em Ação de Graças será presidida pelo Cardeal Orani João Tempesta, na Igreja São Pedro Príncipe dos Apóstolos, no Rio Comprido, no dia 22 de março, às 18h30.

História

Karl Josef Romer nasceu em Benken, na Suíça, no dia 8 de julho de 1932, próximo à antiga abadia de São Gallo, fundado em 613, e nomeado em honra de São Gallo, santo irlandês, companheiro e discípulo de São Columbano. “Meus pais trabalharam muito, porque precisavam sustentar dez filhos, dos quais eu era o quarto”, recordou.

Os estudos clássicos foram realizados num colégio católico de frades, onde o jovem Romer se preparou para a universidade. Estudou teologia em Innsbruck, na Áustria – na qual havia professores renomados mundialmente; e, três anos depois, na Pontifícia Universidade Gregoriana, concluiu o doutorado em teologia, em 1958. Em seguida, fez um curso de pós-doutorado em München (Munique), na Alemanha.

Após o período de estudos, veio a ordenação sacerdotal. “Fui ordenado sacerdote em minha diocese de origem, em 22 de março de 1958. De lá, fui nomeado vigário cooperador na Paróquia de Sargans, lugar muito antigo, que possuía um belíssimo castelo medieval. O povo até hoje está muito ligado a mim, com muita amizade e gratidão. Dois anos depois, fui enviado para Saint Gallen, sede da diocese, onde permaneci por três anos numa paróquia com 10 mil habitantes. Em 1964, fui ‘vítima’ do Concílio Vaticano II”, contou.

A missão no Brasil

Nesse mesmo ano, o então padre Karl Josef Romer recebeu uma carta de um padre amigo que estava em Roma. O sacerdote relatava a procura de um bispo brasileiro por padres que pudessem ser professores de teologia no Brasil. “Viajei durante 12 horas em direção a Roma, com a esperança de continuar trabalhando em minha pátria e a preocupação de ser enviado ao Brasil, país que eu conhecia geograficamente, porém, nada além disso”, relatou.

Já em Roma, o jovem padre deparou-se com o então arcebispo da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, Dom Eugenio de Araujo Sales. “Na ocasião, Dom Eugenio disse que precisava de novas forças, de novos padres para o seminário. Meu bispo perguntou se eu queria ir ao Brasil. Disse a ele que a pergunta não era essa, mas sim, se a Igreja precisava de sacerdotes no Brasil e se ele me concederia a bênção”, memorou.

Já no fim de janeiro de 1965, padre Romer embarcou da Suíça para Gênova, na Itália, a fim de seguir de navio para o Brasil. “Foi algo muito duro para os meus pais, porque eles tinham medo de me perder. Precisei embarcar de navio, pois trouxe comigo minha biblioteca e havia cerca de 300 kg de livros”, destacou.

Na viagem rumo às terras brasileiras, uma surpresa: “No trajeto, houve uma parada em Lisboa. Depois, caí num engano da companhia de viagem. De Lisboa, o navio partiria, sem escalas, para o Rio de Janeiro, uma vez que diziam que os melhorem navios iam ao Rio e não à Bahia. Porém, como seguiria do Rio a Salvador? Pensei que pudesse pegar o trem. E as pessoas no navio me questionavam: quê trem?”, disse.

Finalmente, padre Romer chegou ao Rio de Janeiro no dia 11 de fevereiro de 1965. “Hospedei-me em Copacabana, nas Irmãs Sacre Coeur, onde havia um sacerdote que tinha de levar uma Kombi para Salvador. Viajei com ele e parte de minha bagagem”, comentou.

Na Arquidiocese de São Salvador da Bahia, ele permaneceu durante sete anos trabalhando no Seminário São João Maria Vianney e na organização do Instituto Superior de Teologia – que hoje é da Pontifícia Universidade Católica da Bahia. “Fui diretor e professor. Conseguimos, ainda, professores colaboradores da Itália, da França e da Bélgica”, argumentou.

No Rio de Janeiro

Com a transferência de Dom Eugenio Sales para o Rio de Janeiro, padre Romer – com a permissão do bispo de sua diocese de origem – acompanhou o arcebispo. Assim que chegou à cidade carioca, logo iniciou os trabalhos na Faculdade de Teologia, na PUC-Rio, e no Seminário Arquidiocesano de São José e também na fundação do Instituto Superior de Teologia, hoje eclesiasticamente ligado à PUC-Rio.

Ele atuou como professor até o ano de 1975, quando foi nomeado, pelo então Papa Paulo VI, bispo titular de Columnata e auxiliar do Rio de Janeiro, cuja ordenação aconteceu no dia 12 dezembro do mesmo ano. “Estiveram presentes mais de 15 bispos, além do que havia me ordenado padre na Suíça. Foi uma grande surpresa, embora meu pai já estivesse morto, ver que minha mãe, meu irmão e minha cunhada estavam na celebração. Foi algo de Deus, eu não merecia. Mas assumi com alegria o episcopado, sob o lema: ‘Pra mim, viver é Cristo’ (Fl 1,21)”, comentou.

As vocações

Já como bispo auxiliar, uma das primeiras iniciativas de Dom Romer foi o zelo pelas vocações. “Percebi que Dom Eugenio ordenava um sacerdote por ano, o que era muito preocupante. Fiz um planejamento para divulgar o tema da vocação sacerdotal, o seguimento dos apóstolos como servidores de Cristo. Alguns padres rejeitaram. Mas comecei a pregar em algumas paróquias mais afastadas. Após cada pregação, um ou outro rapaz dizia que desejava ingressar no seminário, e esse era o grande perigo: facilitar a entrada de quem não tivesse motivação verdadeira”, frisou.

A partir disso, Dom Romer pedia para que os vocacionados permanecessem durante um ano fora do seminário – do qual ele era o bispo animador, mas em contato frequente com os diretores espirituais e com ele próprio.

No fim do ano, era realizado um discernimento vocacional, uma espécie de seminário que durava três dias. A partir disso, os jovens poderiam ingressar no seminário. “O crescimento não foi rápido. Passaram-se vários anos até alcançarmos 15 seminaristas. Mesmo cansado, continuei. Chegamos a 18, 24, 25 seminaristas. Muitos padres que desacreditavam dessa iniciativa começaram a me apoiar. Muitos perguntavam se os seminaristas podiam servir em suas paróquias, e eu dizia que sim, desde que a comunidade enviasse um seminarista para o seminário”, ironizou.

De volta à Europa

No ano 2000, Dom Romer foi convocado pelo então Papa João Paulo II para atuar como secretário geral do Pontifício Conselho para a Família – função que desempenhou até 2007. Mesmo diante de tal ofício, o suíço de coração brasileiro, recordou-se do seminário carioca. “Em Roma, me disseram que o seminário já tinha 120 seminaristas, sendo também uma parte de outras dioceses que confiavam em nosso método de trabalho. Em 2010, voltei para o Rio com o apoio do novo arcebispo, Dom Orani, para continuar meu trabalho, dando aulas no seminário com muita alegria”, enfatizou.

Quando chegou, agora como bispo emérito, Dom Orani lhe confiou uma nova missão. “Reformular e fundar uma iniciativa iniciada por Dom Estevão Bittencourt: o Instituto Superior de Ciências Religiosas, onde tenho excelentes colaboradores”, esclareceu.

Ao chegar aos 60 anos de serviço ao Senhor, Dom Romer afirmou: “Sinto-me muito feliz, e só posso dizer a Deus que se meus trabalhos tiveram frutos, devo a Ele, à sua graça maravilhosa. Nesta comemoração, só posso rezar no silêncio, com alegria, agradecendo a Cristo e confiando a Ele o futuro de minha vida e a minha entrega cada vez mais total. Para mim, ‘viver é Cristo e morrer é lucro’ (Fl 1, 21). Digo isso a Deus com muita confiança”, acrescentou.

Palavras do pastor

Arcebispo do Rio de Janeiro desde 2009, o Cardeal Orani João Tempesta destacou a humildade de Dom Romer. “Uma palavra poderia resumir a ação apostólica de Dom Romer: o humilde serviço. Seu lema poderia ser resumido na obediência irrestrita ao Senhor em que Dom Romer vive o seu sacerdócio e o seu ministério episcopal. Como um homem de Deus, temente à Palavra, tem sido um fiel seguidor dos passos de Cristo, amando a Cruz”, ressaltou.

De acordo com o cardeal, um dos principais trabalhos realizados pelo bispo emérito na Arquidiocese do Rio de Janeiro é o Curso Anual para os Bispos, inspirado por Dom Eugenio. “Como estreito colaborador do Cardeal Eugenio Sales, há 28 anos Dom Romer é, o principal animador do Curso Anual para os Bispos do Brasil, no Sumaré, mesmo após sua ida a Roma. Muito obrigado por estes cursos que tanto bem tem feito ao nosso episcopado. Não poderia deixar de manifestar meu agradecimento pelo seu incansável trabalho em favor da vida religiosa e consagrada em nossa arquidiocese. Religiosos e religiosas comprometidos com a evangelização e com o testemunho do Cristo Redentor, inseridos em suas comunidades e na vida da Igreja arquidiocesana. Ele continua hoje com pregações de retiros e orientações de congregações”, completou.

Por fim, o arcebispo intercedeu: “Que o seu exemplo de, acima de tudo, amar a Cristo nos ajude a edificar sempre o corpo de Cristo, que é a Igreja, e evangelizar com renovado ardor missionário neste tempo de mudança de época em que precisamos de testemunhas credíveis do Evangelho do Senhor. Que a Maternidade de Maria Santíssima, cujo ícone na Capela do Sumaré tanto o inspira, continue abençoando e guiando seus passos e os ministérios presbiteral e episcopal”, finalizou.

Foto: Carlos Moioli

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