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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 24/05/2018

24 de Maio de 2018

Memória da Virgem Maria, Mãe da Igreja

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Memória da Virgem Maria, Mãe da Igreja

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09/03/2018 11:48 - Atualizado em 09/03/2018 11:48
Por: Padre Arnaldo Rodrigues

Memória da Virgem Maria, Mãe da Igreja 0

No dia 11 de fevereiro de 2018, memória de Nossa Senhora de Lourdes, a Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos apresentou o decreto sobre a celebração da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja.

Mistérios de Cristo

O padre Fábio Balbino, da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro e doutorando em liturgia na Universidade Santo Anselmo em Roma, explicou que o Calendário Romano inclui solenidades, festas e memórias, celebradas ao longo do ano. O Papa Paulo VI, na carta em forma de Motu Proprio chamada “Mysterii Paschalis”, publicada em 11 de fevereiro de 1969, tratou justamente das normas para o Ano Litúrgico e para o Calendário Romano.

“Com este documento, o Papa Paulo VI colocou em evidência que ao longo do Ano Litúrgico nós celebramos os mistérios de Cristo, o mistério da nossa salvação. E que a este mistério não se opõe às festas da Virgem Maria e também à memória dos santos. Assim se justifica o último decreto do dia 11 de fevereiro de 2018, incluindo no calendário romano a memória da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja”, disse.

Maternidade de Maria

O que muda com este decreto – continuou o padre Fábio Balbino, é que a memória estará sendo celebrada na segunda-feira após Pentecostes, que é uma solenidade móvel, não tendo uma data fixa. É uma memória que sobressai à maternidade de Maria na Igreja.

“Enquanto Igreja, podemos viver a maternidade de Maria unidos a ela na celebração dos mistérios de Cristo. Por exemplo no Advento, podemos viver intensamente a expectativa da vinda do Senhor como Maria viveu. No Natal podemos contemplar intensamente o mistério da encarnação, como ela contemplou. Assim também como no mistério da Paixão podemos viver com ela aos pés da Cruz, aguardando a alegria do anúncio da ressurreição”, explicou.

É na própria Solenidade de Pentecostes – continuou padre Fábio Balbino - que “nós vivemos a maternidade de Maria enquanto Igreja, porque naquele momento no qual acontece uma epifania da Igreja, ali está Maria em unidade com os apóstolos em oração. Então é dessa maneira, vivendo com ela os mistérios de Cristo, que nós teremos Maria também vivendo intensamente a sua maternidade”.

Decreto: Papa institui festa dedicada a Maria

A feliz veneração em honra à Mãe de Deus da Igreja contemporânea, à luz das reflexões sobre o mistério de Cristo e sobre a sua própria natureza, não poderia esquecer aquela figura de Mulher (cf. Gal. 4,4), a Virgem Maria, que é Mãe de Cristo e com Ele Mãe da Igreja.

De certa forma, este fato já estava presente no modo próprio do sentir eclesial a partir das palavras premonitórias de Santo Agostinho e de São Leão Magno. De fato, o primeiro diz que Maria é a mãe dos membros de Cristo porque cooperou, com a sua caridade, ao renascimento dos fiéis na Igreja. O segundo, diz que o nascimento da Cabeça é, também, o nascimento do Corpo, o que indica que Maria é, ao mesmo tempo, Mãe de Cristo, Filho de Deus, e Mãe dos membros do seu corpo místico, isto é, da Igreja. Essas considerações derivam da maternidade divina de Maria e da sua íntima união à obra do Redentor, que culminou na hora da cruz.

A Mãe, que estava junto à cruz (cf. Jo 19, 25), aceitou o testamento do amor do seu Filho e acolheu todos os homens, personificado no discípulo amado, como filhos a regenerar à vida divina, tornando-se a amorosa Mãe da Igreja, que Cristo gerou na cruz, dando o Espírito. Por sua vez, no discípulo amado, Cristo elegeu todos os discípulos como herdeiros do seu amor para com a Mãe, confiando-a a eles para que estes a acolhessem com amor filial.

Dedicada guia da Igreja nascente, Maria iniciou, portanto, a própria missão materna já no cenáculo, rezando com os apóstolos na expectativa da vinda do Espírito Santo (cf. At 1, 14). Ao longo dos séculos, por este modo de sentir, a piedade cristã honrou Maria com os títulos, de certo modo equivalentes, de Mãe dos discípulos, dos fiéis, dos crentes, de todos aqueles que renascem em Cristo e, também, “Mãe da Igreja”, como aparece nos textos dos autores espirituais, assim como nos do magistério de Bento XIV e Leão XIII.

Assim, resulta, claramente, sobre qual fundamento o Beato Papa Paulo VI, a 21 de novembro de 1964, por ocasião do encerramento da terça sessão do Concílio Vaticano II, declarou a bem-aventurada Virgem Maria “Mãe da Igreja, isto é, de todo o Povo de Deus, tanto dos fiéis como dos pastores, que lhe chamam Mãe amorosíssima”, e estabeleceu que “com este título suavíssimo seja a Mãe de Deus doravante honrada e invocada por todo o povo cristão”.

A Sé Apostólica, por ocasião do Ano Santo da Reconciliação (1975), propôs uma missa votiva em honra de Santa Maria, Mãe da Igreja, que foi inserida no Missal Romano. A mesma deu a possibilidade de acrescentar a invocação deste título na Ladaínha Lauretana (1980), e publicou outros formulários na Coletânea de Missas da Virgem Santa Maria (1986). Para algumas nações e famílias religiosas que pediram, concedeu a possibilidade de acrescentar esta celebração no seu calendário particular.

O Sumo Pontífice Francisco, considerando atentamente o quanto a promoção desta devoção possa favorecer o crescimento do sentido materno da Igreja nos pastores, nos religiosos e nos fiéis, como, também, da genuína piedade mariana, estabeleceu que esta memória da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, seja inscrita no Calendário Romano na segunda-feira depois do Pentecostes, e que seja celebrada todos os anos.

Esta celebração ajudará a lembrar que a vida cristã, para crescer, deve ser ancorada no mistério da Cruz, na oblação de Cristo no convite eucarístico e na Virgem oferente, Mãe do Redentor e dos redimidos.

Esta memória deverá, pois, aparecer, em todos os calendários e livros litúrgicos para a celebração da Missa e da Liturgia das Horas. Os respectivos textos litúrgicos são apresentados em anexo a este decreto, e a sua tradução, aprovada pelas conferências episcopais. Serão publicados depois da confirmação por parte deste Dicastério.

Onde a celebração da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, por norma do direito particular aprovado, já se celebra num dia diferente com grau litúrgico mais elevado, pode continuar a ser celebrada desse modo.

Nada obste em contrário.

Sede da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, 11 de fevereiro de 2018, memória da Bem-Aventurada Virgem Maria de Lourdes.

 

Roberto Card. Sarah

Prefeito

 

Artur Roche

Arcebispo secretário

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