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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/12/2018

18 de Dezembro de 2018

Venezuelanos chegam ao Brasil em busca de esperança

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Venezuelanos chegam ao Brasil em busca de esperança

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09/03/2018 09:46 - Atualizado em 10/03/2018 20:45
Por: Priscila Xavier / Symone Matias

Venezuelanos chegam ao Brasil em busca de esperança 0

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A Arquidiocese do Rio de Janeiro recebeu uma visita de cortesia, no dia 3 de março, de representantes da agência norte-americana Word Relief, que trata da integração de refugiados reassentados dos Estados Unidos, indicados pela Organização das Nações Unidas.

No encontro, realizado no Palácio São Joaquim, na Glória, estavam presentes o arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta, o diretor da Cáritas Arquidiocesana, Cândido Feliciano da Ponte Neto, junto com três representantes da World Relief Cintia Meirelles Azevedo, Mark Reddy e Emily Gray, além da coordenadora do Programa de Atendimento aos Refugiados da Cáritas, Aline Thuller e da colaboradora Nina Quiroga. O encontrou contou, também, com a presença do monsenhor André Sampaio, que traduziu.

Na pauta, a crise na Venezuela, que vive uma crise política, social e econômica. A situação tem sido o principal motivo para milhares de venezuelanos deixarem o país de origem, cruzando fronteiras em busca de sobrevivência. Muitos têm encontrado a esperança no país vizinho: o Brasil.

A principal porta de entrada brasileira para os migrantes é o pequeno município de Pacaraima, no Estado de Roraima, no norte do país. Porém, a maior concentração se dá na capital, Boa Vista, cujo número de migrantes venezuelanos chegou a 40 mil, o que representa mais de 10% dos 330 mil habitantes local.

De acordo com Cândido Feliciano, a visita de cortesia foi uma oportunidade para a troca de experiências entre duas entidades que realizam o mesmo trabalho na questão dos refugiados e migrantes. “Vieram ao Rio de Janeiro conversar com a Cáritas Arquidiocesana, que trabalha com refugiados e migrantes há muitos anos, e trocar informações. Esse grupo enriqueceu nosso trabalho, e acreditamos que ele também saiu daqui com algumas experiências do que realizamos”, comentou.

Segundo ele, a entidade trabalha com a questão do reassentamento. “A instituição atua com pessoas que já estão refugiadas em algum lugar do mundo, mas por questões culturais e políticas, não conseguem exercer, normalmente, suas atividades enquanto cidadãos, não conseguem emprego, não se adaptam culturalmente. São pessoas que vivem isoladas, por vezes, num campo de refúgio, ou nas fronteiras dos países em conflito, e que precisam ser retiradas desses locais e levadas a um local seguro. Essas pessoas já são refugiadas e precisam do acolhimento de um segundo país para que possam ter uma vida mais digna. Isso se chama reassentamento”, explicou.

O diretor da Cáritas também afirmou que a questão da crise humanitária na Venezuela foi um dos temas centrais do encontro. “Um dos temas da conversa foi a crise social, política e econômica que vive a Venezuela, o que obriga os cidadãos a deixarem o país em busca de uma vida melhor, realizando o processo de migração”, comentou.

Em busca de esperança

Ao chegar ao território brasileiro, muitos venezuelanos continuam na capital de Roraima, Boa Vista. Outros, a partir daí, chegam aos demais estados brasileiros na esperança de melhores condições de vida. “Aqui, no Rio de Janeiro, a Cáritas atendeu, até dezembro do ano passado, mais de 300 venezuelanos”, disse Cândido.

No Rio, a atuação da Cáritas para com os venezuelanos é, justamente, no trabalho de orientação. “Primeiro, ajudamos na orientação jurídica, porque muitos não sabem ou possuem pouca informação acerca de que o governo brasileiro entende que todo venezuelano que chega ao país, fugindo da crise humanitária, pode permanecer no Brasil com um visto humanitário, que, além de garantir direitos nas políticas, também garante direitos de residência e trabalho. Uma resolução do Governo Federal garante, ainda, que esses fiquem isentos do pagamento do visto, em razão da grave situação que atravessam”, esclareceu.

Cândido completou: “Damos, também, orientações sobre os direitos e deveres brasileiros. Encaixamos alguns venezuelanos em nossas turmas de português, pois, embora sejam idiomas próximos, há a necessidade de domínio da língua. Ajudamos nos primeiros passos da integração à sociedade. É estimado que o Brasil já possua mais de 40 mil venezuelanos”, acrescentou.

Segundo o diretor da Cáritas, um dos principais problemas no Rio de Janeiro é, justamente, a falta de abrigos destinados aos migrantes. “Nós os orientamos acerca das moradias, o que é um problema muito sério, porque o Rio não dispõe de abrigos para migrantes, ao contrário de São Paulo que possui uma boa quantidade, inclusive alguns ligados a instituições católicas”, contou.

Sobre isso, ele afirmou que a Cáritas Arquidiocesana realiza um estudo para a possibilidade de encontrar um local destinado a ser uma ‘casa de passagem’ para abrigar aqueles que chegam à cidade. “Eles não vão morar neste local.Será uma espécie de ‘casa de passagem’, onde os que não possuem condições de pagarem pela estada permanecerão por um período”, disse.

Uma crise pior que a guerra

Formado em ciências sociais, Cândido Feliciano acredita que a crise humanitária tenha consequências piores que a Segunda Guerra Mundial. “A crise humanitária é maior do que qualquer outra na História, pior até do que o pós-Segunda Guerra Mundial. Atualmente, 60 milhões de pessoas deslocaram-se de suas casas em razão, por um lado, dos conflitos e guerras, e outros por perseguição. Destes, 30 milhões necessitam de proteção internacional. Se retornarem aos países de origem, correm o risco de sofrer torturas, prisão ou até a morte”, ressaltou, destacando a problemática vivida pelos refugiados.

Preocupações do Papa Francisco

Durante o Encontro do Corpo Diplomático, no dia 8 de janeiro de 2018, o Papa Francisco recordou as crises humanitárias vivenciadas em diversos países e, de maneira especial, na Venezuela. “Penso especialmente na querida Venezuela, que está atravessando uma crise política e humanitária cada vez mais dramática e sem precedentes. A Santa Sé, ao mesmo tempo que exorta a responder sem demora às necessidades primárias da população, almeja que se criem as condições para que as eleições, agendadas para o ano em curso, sejam capazes de dar solução aos conflitos existentes, e se possa olhar de novo com serenidade para o futuro”, afirmou.

Ela ainda ressaltou a importância do acolhimento àqueles que sofrem. “Acolher o outro requer um compromisso concreto, uma corrente de apoios e beneficência, uma atenção vigilante e abrangente, a gestão responsável de novas situações complexas que às vezes se vêm juntar a outros problemas já existentes em grande número, bem como recursos que são sempre limitados. Praticando a virtude da prudência, os governantes saberão acolher, promover, proteger e integrar, estabelecendo medidas práticas, “nos limites consentidos pelo bem da própria comunidade retamente entendido, para lhes favorecer a integração”, acrescentou.

World Relief e o Papa

Recentemente, o presidente e um dos fundadores da LMA International Consulting – empresa representante da World Relief no Brasil, Luciano Meirelles, entregou ao Papa o documento “Chasing Justice”, que significa “Em busca de justiça”. “Nesse documento pedimos a contribuição teológica de Sua Santidade para embasamento das necessárias ações humanitárias. Perguntamos quais seriam as ‘verdades inegáveis’ do Evangelho que podem construir pontes entre todas as diferentes correntes religiosas, mas em especial, as cristãs. Solicitamos uma entrevista para qual já recebemos uma sinalização positiva. Estamos apenas aguardando a data ser comunicada pelo Vaticano. Nessa entrevista pretendemos tratar da crise de refugiados no mundo e os possíveis projetos da World Relief em conjunto com a Cáritas no Brasil”, afirmou Luciano.

Meirelles continuou explicando as frentes de atuação na agência no mundo. “A World Relief é uma agência de reassentamento de Refugiados parceira do Governo Norte Americano. Com iniciativas que se concentram em resposta a desastres, saúde e desenvolvimento infantil, serviços de refugiados e imigração, desenvolvimento econômico e construção da paz, trabalhamos de forma holística com paróquias, e outras igrejas cristãs para defender os doentes, os viúvos, os órfãos, os alienados, os deslocados, os devastados, marginalizados e privados de direitos. A World Relief opera em 20 cidades dos EUA e 24 países ao redor do mundo, incluindo toda a Palestina, Síria, Iraque e o norte da África. Trabalhamos para transformar comunidades economicamente e socialmente, para que as vidas dos vulneráveis possam prosperar e crescer”, comentou.

De acordo com Luciano, os projetos para a atuação da agência no Brasil estão voltados para parcerias públicas e privados, no intuito de auxiliar no fluxo migratório de venezuelanos para o país. “Pretendemos implantar um escritório no Brasil visando estabelecer parceria publicas e privadas, atuando em conjunto com outras organizações como a Cáritas que, para nós, é um exemplo de organização que tem feito um grande trabalho no Brasil. Queremos não apenas trazer fundos e investimento, mas também nossa experiência em reassentamento de refugiados e interiorização de imigrantes. É inegável a crise social e econômica da Venezuela e o grande fluxo migratório para o Brasil. Queremos ajudar a lidar com essa questão tão sensível assim como em parceria com outras entidades e com a Igreja, ampliar os projetos de reassentamentos de refugiados, inclusive projetos privados”, destacou.

>> Leia mais: World Relief Issues Statement on supporting Refugees and the Vulnerable Immigrants in Brazil



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