Arquidiocese do Rio de Janeiro

27º 20º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 22/07/2018

22 de Julho de 2018

Francisco promove a renovação dos estudos católicos

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

22 de Julho de 2018

Francisco promove a renovação dos estudos católicos

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

05/02/2018 11:54 - Atualizado em 05/02/2018 11:55
Por: Rádio Vaticano

Francisco promove a renovação dos estudos católicos 0

O Vaticano publicou, no dia 29 de janeiro, um novo documento escrito pelo Papa Francisco: a constituição apostólica “Veritatis gaudium” (“Alegria da verdade”), sobre as universidades e as faculdades eclesiásticas.

O documento foi apresentado à imprensa em coletiva, com as presenças do prefeito da Congregação para a Educação Católica, Cardeal Giuseppe Versaldi; do secretário da Congregação, Dom Angelo Vincenzo Zani, e do presidente do Instituto Universitário Sophia, professor Piero Coda.

“A nova Constituição sobre os estudos acadêmicos eclesiásticos indica o sentido e, mais especificamente, os critérios de fundo para uma renovação e um impulso da contribuição dos estudos eclesiásticos em uma Igreja missionária ‘em saída’, como ilustrado no amplo proêmio, inspirado na ‘Evangelii gaudium’”, afirmou Cardeal Versaldi.

Até então, as universidades e faculdades eclesiásticas eram regidas pela Constituição Apostólica “Sapientia christiana” (“Sabedoria cristã”), datada de 15 de abril de 1979 e escrita por São João Paulo II. Diante dos desafios atuais, a Congregação para a Educação Católica propôs ao Papa Francisco um novo quadro normativo. O Papa assumiu esta revisão e decidiu fazer uma nova constituição apostólica. Ele mesmo, no proêmio do documento, defende essa necessidade de atualização.

“Passados quase 40 anos, fiéis ao espírito e às orientações do Vaticano II e como sua oportuna atualização, torna-se hoje necessário e urgente uma atualização da referida Constituição Apostólica. De fato, permanecendo plenamente válida na sua visão profética e no seu lúcido ditame, precisa de ser integrada com as disposições normativas, entretanto emanadas, tendo em conta, ao mesmo tempo, o desenvolvimento no campo dos estudos acadêmicos que se registrou nas últimas décadas bem como as mudanças no contexto sociocultural a nível global, e ainda quanto foi recomendado a nível internacional na implementação das várias iniciativas a que aderiu a Santa Sé”, escreve o pontífice.

Renovação corajosa dos estudos eclesiásticos

No transformado contexto sociocultural a nível planetário, caracterizado por uma crise antropológica e socio-ambiental, o Santo Padre considera “urgente” uma “renovação sapiente e corajosa” dos estudos eclesiásticos, por uma mais incisiva missão nesta nova época da História, como programaticamente proposta na “Evangelii gaudium”.

Universidades católicas por uma Igreja em saída

Partindo da exigência prioritária da transformação missionária de uma Igreja “em saída” que deve envolver todo o Povo de Deus, o pontífice evidencia que hoje os estudos eclesiásticos “não são somente chamados a oferecer lugares e percursos de formação qualificada dos presbíteros, das pessoas de vida consagrada e dos leigos engajados, mas constituem uma espécie de providencial laboratório cultural, no qual a Igreja faz exercício da interpretação performativa da realidade que brota do evento de Jesus Cristo e que se alimenta dos dons da sabedoria e da ciência, dos quais o Espírito Santo enriquece em várias formas todo o Povo de Deus: do sensus fidei fidelium ao magistério dos pastores; do carisma dos profetas ao dos doutos e dos teólogos.

Revolução cultural à luz da Tradição

Trata-se de realizar uma mudança radical de paradigma, aliás, “uma corajosa revolução cultural” em que a rede mundial das universidades e faculdades eclesiásticas é chamada a levar a decisiva contribuição do fermento, do sal e da luz do Evangelho de Jesus Cristo e da Tradição viva da Igreja sempre aberta a novos cenários e a novas propostas, afirma Francisco.

Torna-se hoje cada vez mais evidente que “é necessária uma verdadeira hermenêutica evangélica para compreender melhor a vida, o mundo, os homens; não de uma síntese, mas de uma atmosfera espiritual de investigação e certeza fundamentada nas verdades da razão e da fé. A filosofia e a teologia permitem adquirir as convicções que consolidam e fortalecem o intelecto e iluminam a vontade, mas tudo isto só será fecundo, se for feito com a mente aberta e de joelhos”, afirma o Papa.

Descobrir Deus em cada homem

O Santo Padre indica quatro critérios de fundo para uma renovação e um relançamento da contribuição dos estudos eclesiásticos para uma Igreja em saída missionária: Antes de mais nada, critério prioritário e permanente é a contemplação e a introdução espiritual, intelectual e existencial no coração do querigma, ou seja, da feliz notícia, sempre nova e fascinante, do Evangelho de Jesus,  “que cada vez mais e melhor se vai fazendo carne” na vida da Igreja e da Humanidade.

Daí brota aquela fraternidade universal “que sabe ver a grandeza sagrada do próximo, que sabe descobrir Deus em cada ser humano, que sabe tolerar as moléstias da convivência agarrando-se ao amor de Deus, que sabe abrir o coração ao amor divino para procurar a felicidade dos outros como a procura o seu Pai bom”.

Daí o imperativo a escutar no coração e fazer ressoar na mente o clamor dos pobres e da terra, para tornar concreta a “dimensão social da evangelização” como parte integrante da missão da Igreja: porque “Deus, em Cristo, não redime somente a pessoa individual, mas também as relações sociais entre os homens”.

Diálogo com crentes e não crentes

Um segundo critério inspirador é o diálogo sem reservas: não como mera atitude tática, mas como exigência intrínseca para fazer experiência comunitária da alegria da Verdade e aprofundar o seu significado e implicações práticas. O que o Evangelho e a doutrina da Igreja estão atualmente chamados a promover, em generosa e franca sinergia com todas as instâncias positivas que fermentam o crescimento da consciência humana universal, é uma autêntica cultura do encontro; antes – bem se poderia dizer – uma cultura do encontro entre todas as culturas autênticas e vitais, graças a um intercâmbio recíproco dos respectivos dons no espaço de luz desvendado pelo amor de Deus para todas as suas criaturas.

Unidade do saber diante de um pluralismo incerto e fragmentado

O terceiro critério fundamental é “a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade exercidas com sabedoria e criatividade à luz da Revelação”, segundo o princípio vital e intelectual da unidade do saber”, e isso também em relação ao fragmentado e não raro desintegrado panorama hodierno dos estudos universitários e ao pluralismo incerto, conflitual ou relativista, das convicções e das opções culturais.

O Papa cita Bento XVI quando na “Caritas in veritate” afirma que hoje há “uma carência de sabedoria, de reflexão, de pensamento capaz de realizar uma síntese orientadora.  Joga-se aqui, especificamente, a missão que está confiada ao sistema dos estudos eclesiásticos” a fim de que tenham uma “efetiva relevância cultural e humanizadora”.

Criar rede

O quarto e último critério diz respeito à necessidade urgente de “criar rede” entre as várias instituições que, em todas as partes do mundo, cultivam e promovem os estudos eclesiásticos, ativando decididamente as oportunas sinergias também com as instituições acadêmicas dos diferentes países e com as que se inspiram nas várias tradições culturais e religiosas, “dando vida simultaneamente a centros especializados de investigação, com a finalidade de estudar os problemas de grandeza epocal que hoje investem a Humanidade, chegando a propor pistas oportunas e realistas de resolução”.

Relançar a pesquisa

Ademais, Francisco afirma a grande exigência de dar um novo impulso à pesquisa científica em nossas universidades e faculdades eclesiásticas. Os estudos eclesiásticos não podem limitar-se a transferir conhecimentos, competências, experiências aos homens e às mulheres de nosso tempo, desejosos de crescer em sua consciência cristã, mas devem adquirir a urgente tarefa de elaborar instrumentos intelectuais capazes de propor-se como paradigmas de ação e de pensamento, úteis ao anúncio num mundo marcado pelo pluralismo ético-religioso.

Teologia viva na fronteira

A teologia e a cultura de inspiração cristã estiveram à altura da sua missão quando souberam, de forma arriscada e fiel, viver na fronteira. O desafio de hoje é “um grande desafio cultural, espiritual e educativo que implicará longos processos de regeneração” também para as universidades e as faculdades eclesiásticas.

Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.