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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/11/2017

23 de Novembro de 2017

“A Igreja na era digital”: Monsenhor Lucio Adrian Ruiz participa do 4º Seminário de Comunicação

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23 de Novembro de 2017

“A Igreja na era digital”: Monsenhor Lucio Adrian Ruiz participa do 4º Seminário de Comunicação

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09/11/2017 19:30 - Atualizado em 09/11/2017 19:35
Por: Raphael Freire / Flávia Muniz

“A Igreja na era digital”: Monsenhor Lucio Adrian Ruiz participa do 4º Seminário de Comunicação 0

A Arquidiocese do Rio de Janeiro está promovendo entre os dias 7 e 10 de novembro o 4º Seminário de Comunicação, no Centro de Estudos de Formação do Sumaré. Na manhã desta quinta-feira (9), os presentes, que representam mais de 40 dioceses do Brasil, tiveram a oportunidade de participar da conferência “A Igreja na era digital”, proferida pelo secretário da Secretaria para a Comunicação da Santa Sé (Dicastério para a Comunicação), monsenhor Lucio Adrian Ruiz.

"Saber ler nossa cultura, saber entendê-la, compreendê-la, permite-nos poder atuar bem. Motivado pelo tema desta conferência, a primeira coisa que quero destacar é esse momento histórico que estamos vivendo. Estamos no meio de uma crise que é global (globalizada e globalizante), porque não apenas chega em tempo real a todos os rincões da terra, como desencadeia consequências planetárias imediatas. Está se modificando rapidamente o equilíbrio de forças que tinha mantido uma certa estabilidade. É difícil prever como será a nova convivência planetária com o surgimento de novas potências, o ressurgir das antigas e a ascensão de outras. Todos os dias temos que estar atentos se Trump disse algo que o coreano não gostou, e se a China terá que intervir... Assim, o câmbio - a mudança - é o eixo em torno do qual gira toda a sociedade contemporânea mundial: a sociedade, as empresas, as instituições, os modelos, as comunidades, as pessoas mudam; e essa capacidade de mudar é hoje um dos claros parâmetros que utilizamos para julgar a atitude de uma pessoa", disse.

Todos "na nuvem"

O secretário do Dicastério para a Comunicação também refletiu sobre o processo digital contemporâneo e os serviços oferecidos nas áreas de tecnologia, organização, economia, sociologia e, inclusive, antropologia. Ao olhar para a experiência eclesial, monsenhor Lucio pontuou que, sendo uma realidade transversal, o mundo digital deixa de ser alguma coisa apenas para os técnicos e se converte em um fenômeno social que deve interessar a todos, e a todos relacionar interdisciplinarmente.

"Estamos todos 'na nuvem', hoje todo o mundo está 'na nuvem'. Imaginem quando digo isso aos senhores cardeais, aos bispos? Espantam-se "o que você está dizendo?" Então, vendo o título "cloud computing", provavelmente, o primeiro pensamento que vem à mente é "esta salvação técnica não me interessa. Só estou no computador para as minhas coisas, a homilia...", mas a ideia é sempre a mesma: "não é para mim, não me interessa". Essa é uma questão transversal na Igreja, aqui ou no Japão, dá no mesmo, nos vértices eclesiais e com boa parte dos dirigentes eclesiais; não pensemos só nas gerações com 60, 70 e 80 anos; tenho muitos companheiros de ordenação meus, que usam o computador apenas para fazer suas homilias, para que o trabalho esteja bonito, mas não entendem o peso específico que tem a cultura contemporânea. (...) A realidade digital está presente como modelo em toda a realidade do homem. A potencialidade digital entra em todos os ambientes e tem um influxo antropológico, porque, interferindo nas relações pessoais, interfere em nossa própria realidade, com suas consequências espaço-temporais", afirmou.

Identidade pessoal x Responsabilidade moral

Outra importante realidade sobre a qual o conferencista abordou sua exposição foi no que tange as relações ligadas a identidade pessoal, que tem como consequência a responsabilidade moral.

"O 'nickname', o 'avatar', são a minha representação no âmbito digital; não é simplesmente a questão de que em vez de Lúcio me chamo 'Pipo'! Acontece que esse 'Pipo' pode ter características que 'Lúcio' não tem, porque Lúcio tem uma história, 'Pipo' poderia não ser sacerdote, poderia não ter 53 anos e ninguém necessita investigar essa identidade, porque só me interessa essa identidade virtual e isso tem uma consequência direta com a responsabilidade moral: 'Lucio' tem responsabilidade moral, por sua história, por sua formação, pelo que faz, enquanto 'Pipo' não tem vínculos, ele nasce quando eu crio o nick ou o avatar, não possui uma história, e a configuração que lhe foi dada, portanto, sua responsabilidade moral, depende unicamente do perfil que foi criado", recordou.

Prosseguindo com sua conferência, Monsenhor Lucio fez questão de ressaltar que há também coisas que não mudam e se mantêm sempre intactas, dentre elas: a integridade, a verdade de Deus, do Bem, do Amor, e a verdade do próprio homem. Para ele tudo isso permanece, porém, a mudança questiona a verdade e a capacidade do homem de conhecê-la; de interrogar sobre questões já, antes, pacificamente aceitas e sobre novas realidades que se apresentam não somente ao pensamento, mas à vida cotidiana das pessoas. Ainda de acordo com o clérigo, essa dinâmica exige que todos reaprendam e repensem, inclusive, a mensagem de Jesus, porque ela não muda, a forma de apresentá-la é que se transforma. A mensagem, em sua essência, é sempre Jesus, porém a mensagem transmitida está inserida na cultura.

"Aos bispos que visitam o nosso dicastério eu lhes pergunto "Vocês acham que comunicação são os veículos? Comunicação, em primeiro lugar, chama-se homilia, catequese, chama-se visita pastoral, diálogo com as pessoas; chama-se confissão, diálogo cotidiano: aí está a comunicação, depois se faz rádio, televisão, Twitter e Facebook; a primeira comunicação se chama querigma, anúncio; e o querigma sempre é "o Verbo se fez carne", portanto sempre se incultura. Se não compreendemos a cultura, se nós impedimos que se faça de novo - isto é essencial para compreender se não ficamos na comodidade do ex opere operato, ou seja,  os sacramentos atuam por si mesmos; mas Jesus não quis assim que a redenção se fizesse ex opere operato e acabou a história! O homem sempre intervém e intervirá na redenção, mas para que queira receber esta Eucaristia, queira escutar Jesus, queira viver devemos nos comunicar e envolvê-lo no processo da Redenção. Certamente, a mudança cultural é marcada por todo uma gama de informações e de  comunicação que não são acidentais e que o tocarão de modo tangencial. As mudanças que decorrem desse avanço tecnológico atuam sobre todas as pessoas, sobre as instituições, sobre o dinamismo do diálogo, sobre a configuração da família, das comunidades, sobre a educação, mudando o modo de pensar, de sentir, de ver, de se relacionar com os outros e com Deus", explicou.

O Papa da ternura

Para exemplificar tudo o que trouxe como contribuição sobre “A Igreja na era digital”, o secretário da Secretaria para a Comunicação da Santa Sé destacou a figura do Papa Francisco dentro dos meios digitais.

"Gosto de levar, nas minhas visitas aos enfermos, fotografias do Papa abraçando algum doente; tão logo as entrego, o gesto que fazem ao receber é levá-la ao coração e a lágrima escorre; pode ser ateu, protestante, para eles é o Papa da ternura. Quem está enfermo, num leito, solitário, percebe o afeto desse homem vestido de branco que caminha pelo universo. Outro gesto foi quando o Papa, escreveu uma mensagem a um casal que lhe pediu orações e que o seguia pelos canais digitais, dizendo que ele se lembraria deles em suas orações, diariamente, como seu tesouro precioso. São coisas muito fortes que se falam na cultura contemporânea; essa é a era digital e é o desafio que devemos encarar", finalizou. 

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