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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 22/11/2017

22 de Novembro de 2017

Palestra de Dom Antonio Augusto sobre Ideologia de Gênero na PUC-Rio

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22 de Novembro de 2017

Palestra de Dom Antonio Augusto sobre Ideologia de Gênero na PUC-Rio

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13/09/2017 18:46 - Atualizado em 13/09/2017 18:49
Por: Flavia Muniz

Palestra de Dom Antonio Augusto sobre Ideologia de Gênero na PUC-Rio 0

Palestra de Dom Antonio Augusto sobre Ideologia de Gênero na PUC-Rio / Arqrio

Evocando a palavra 'respeito', o bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio, Dom Antônio Augusto Dias Duarte, abriu, no dia 19 de agosto, o Seminário sobre Ideologia de Gênero, no auditório Padre José de Anchieta, que fica no campus da PUC-Rio, na Gávea, zona sul da cidade.

Cerca de 500 pessoas, distribuídas entre o auditório e três salas de aula, acompanharam por quatro horas o seminário, que teve também transmissão ao vivo pelas redes sociais. A iniciativa foi do Programa de Liderança Católica (MOVE) da PUC-Rio, sob a direção do padre Alexandre Paciolli, reitor da Capela Sagrado Coração, localizada no campus.

Dom Antonio Augusto, que também é bispo animador da Pastoral Familiar, foi acolhido pelo padre Alexandre e iniciou seu discurso, lembrando a universalidade da oração do Pai-Nosso, que traduz o princípio da partilha (do Pai, do pão e também do espaço, o Reino), pois "dizemos, não 'meu pai', 'meu pão', mas 'nosso', e venha a 'nós' o Vosso Reino, portanto, o espaço é 'nosso', não 'meu'", explicou Dom Antônio, para quem "o respeito é atitude mais fundamental da humanidade; o respeito pelo outro é o fundamento de toda a verdadeira convivência, na nação, no Estado e na humanidade. A falta de respeito rompe e corrompe a comunidade", disse o bispo, nas palavras do pensador e teólogo Dietrich von Hildebrand.

Consciente de possíveis manifestações, pois estavam presentes 25 integrantes do coletivo "Madame Satã", representativo das reinvindicações LGBTQIs, na PUC-Rio, Dom Antônio exortou: "Devemos, pelo menos, conjugar o 'nosso' e manter o respeito." Ainda assim, em meio à palestra, o grupo de militantes interrompeu o palestrante para a leitura de uma carta-manifesto. Dom Antônio ofereceu o seu microfone e os convidou a subirem ao tablado. Os manifestantes leram a carta, ouvida em silêncio e sem revide pelos presentes, e depois se retiraram, gritando palavras de ordem.  

Modernidade, Feminismo e... "Paulo não é Nietzche!"

O seminário, dividido em dois momentos, tinha como ementa a história do pensamento moderno, a gênese do feminismo e a ideologia de gênero. Passando por acontecimentos históricos como o Iluminismo e a Revolução Francesa, citando fontes não católicas, como os filósofos Rousseau, Kant, Marx, Nietzche e Hegel, além do Código Napoleônico (1804) e a "Filosofia do Direito" (Hegel), Dom Antonio Augusto elucidou que, desde o século XVIII até o século XX, as ideias desses pensadores foram e ainda são norteadoras dos movimentos totalitários de que se tem notícia, pois "a formação intelectual, na lógica do pensamento moderno, depois dos séculos XIX e XX, já não é mais a busca da verdade, mas, sim, a imposição de ideias, daí que toda ideologia é totalitária", disse.

Segundo Dom Antonio Augusto, as ideias de Rousseau, Kant e, posteriormente, Hegel cunharam um modelo de sociedade, na qual o homem deveria ser cidadão perfeito, e a mulher, a esposa perfeita. Também a ótica marxista do senhor e do escravo, assim como a nietzcheana sobre o dominador e o dominado foram determinantes, no século XIX, para que as mulheres fossem definidas como sujeitos (apenas) do espaço privado (da reprodução), enquanto os homens seriam sujeitos do espaço público (da produção), como sintetizado por Nietzche: "O homem deve ser educado para a guerra e a mulher para a recreação do guerreiro. Tudo o mais é bobagem." Dom Antonio Augusto deixou claro que o primeiro feminismo surgiu, de fato, como reação das mulheres à opressão que sofriam naquele modelo de sociedade.

A primeira onda feminista teria iniciado na França, Dinamarca, Suécia e Rússia, e teve como marco a fundação de associações para introduzir as mulheres na esfera pública, conquistando para elas postos de trabalho, com o intuito de retirá-las da esfera doméstica e dos papéis de esposa e mãe; visavam também obter, para as mulheres, o direito de voto e de educação, tornando-se, dessa forma, cidadãs, com direito à propriedade, à ascensão social e profissional; conquistarem direitos civis e derrubarem o monopólio masculino na educação, pondo fim à dependência econômica, política e jurídica em relação aos homens.

Alcançadas essas conquistas, surge a segunda onda feminista, que teve como expoente a americana Margareth Sanger, enfermeira, sexóloga, fundadora e ativista do movimento pró-aborto e fervorosa defensora da prática de eugenia. Para Dom Antonio Augusto, "este segundo momento surge, de fato, como um antifeminismo, porque culpabiliza as mulheres por tudo o que acontece de conflito no mundo". É quanto defende Margareth Sanger, em seu livro "A mulher e a nova raça", de 1920, referindo-se a 'populações inferiores que não deveriam crescer: pobres, deficientes físicos e psíquicos.' A tese de Sanger é que 'os problemas mundiais são causados pelas mulheres, devido à sua fertilidade; são elas que levam o mundo à superpopulação'", ilustrou o bispo com as palavras da própria feminista, fundadora e presidente da Fundação Planned Parenthood, de 1952 a 1959.

É dessa fase também o feminismo de Simone de Beauvoir, que em seu tratado "O Segundo Sexo" propõe: "é preciso negar a existência de uma feminilidade natural." Donde a sua tese de que "não se nasce mulher, torna-se mulher." Assegura Beauvoir que a identidade sexual esteve sob condicionamentos sociais e que as mulheres os aceitaram passivamente; para ela, de fato, a feminilidade não existe. Assim, pontuou Dom Antonio Augusto: "o centro geométrico de todo o feminismo da segunda geração é o corpo feminino." E, no bojo dos grandes movimentos pelos direitos civis e de liberação sexual que marcaram a transição da primeira para a segunda metade do século XX, passou-se, então, de um feminismo não mais reivindicatório, para um feminismo revolucionário, portanto, de raiz marxista, com foco na sexualidade feminina.

As ideias de Sanger, Beauvoir e outras contemporâneas motivaram as metas estabelecidas nas conferências do México, Copenhague e Nairóbi, entre 1975 e 1985 (a chamada 'Década das Nações Unidas para as mulheres'), realizadas pela ONU, que passou a promover, em escala global, a legalização do aborto e distribuição massiva de anticoncepcionais e contracepcionais, como "planejamento familiar". Para Dom Antonio Augusto, fica claro, no entanto, que "a mulher, na segunda fase do feminismo, deixou de estar sob a opressão do homem, para estar sob a opressão da química, para ser dona do próprio corpo"; e indagou aos presentes: "E então é o cristianismo o responsável pela violência e opressão às mulheres?"

Respondendo à própria pergunta, Dom Antonio Augusto que é médico pediatra, formado pela Escola de Medicina da USP, citou, do livro de história da medicina, mulheres que alcançaram grande notoriedade na Igreja e na sociedade de seu tempo, foram elas: Santa Brígida da Irlanda (453-525), abadessa que viveu no século V e foi especialista em Medicina; Hilda de Whitby (614-680), superiora dos ramos masculino e feminino de sua ordem e considerada prestigiosa cirurgiã; também Hildegarda de Bingen (1098-1108), tida como um dos modelos mais sobressalentes de liderança intelectual, abadessa de um mosteiro na Alemanha, escritora, compositora, cientista, naturalista e doutora. "E ainda acusa-se a Igreja de ser machista, anticientífica e antiuniversitária. O escritor John Grey tem razão ao dizer que 'a maioria dos conflitos existentes são causados pela má comunicação gerada pelo desconhecimento e desatenção mútua da diferença entre as pessoas'", pontuou dom Antônio, enfatizando que todo diálogo deve estar baseado em quatro princípios: clareza, mansidão, prudência e confiança.

Sobre o preceito paulino "mulheres, sede submissas aos seus maridos" (Ef. 5, 22), Dom Antonio Augusto deu uma resposta: "Paulo não é Nietzche!" O auditório, tomado de jovens, prorrompeu em aplausos e assobios. O bispo esclareceu que Paulo usou a expressão "sub missio", referindo-se ao fato de que a esposa deve estar "sob a missão" do esposo, indicada no versículo "maridos, amai vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela". Ora, Cristo renunciou a Si mesmo pela Igreja. É nesse sentido que a esposa, como a Igreja, deve estar "sub missio" ao marido, cuja missão é a mesma de Cristo, em relação à Igreja; é amada assim que a mulher humaniza a sociedade", esclareceu.

Feminismo e Gênero

A terceira onda feminista surge influenciada também pelo filósofo e fundador do partido comunista italiano Antônio Gramsci, para quem a estratégiatemp_titleDSC_0058_13092017184610 revolucionária não se dá pela luta de classes, como propõe o marxismo, mas pela via da cultura: "é preciso conquistar a classe intelectual", pois esta, sem regras morais e sem verdades religiosas reveladas, seria  porta-voz das mudanças sociais. Na esteira desses pressupostos, "chega-se ao cume da modernidade ideológica, que é o esvaziamento de sentidos, a crise máxima de valores, até o ódio ao cristianismo, já preconizado por Nietzche", alertou o bispo.

Para Dom Antonio Augusto, a formulação ideológica da terceira geração feminista abarca os vários -ismos que marcaram o final do século XIX e avançaram pelo século XX: os liberalismos, os nacionalismos, os marxismos, o cientificismo, o niilismo e, sobretudo, o permissivismo da Escola de Frankfurt (Alemanha), surgida na primeira metade do século XX, para a qual não importa a verdade, mas a funcionalidade, sendo administrada pela cultura, que deve ser de total liberação. Essa ideologia segue a visão antropológica de Simone de Beauvoir e está na raiz de um feminismo mais radical, porque nega a feminilidade natural da mulher.

Dom Antonio Augusto também comentou que o pansexualismo de Sigmund Freud está no cerne da ideologia de gênero, pois sua concepção antropológica, segundo a qual, todo desejo é estritamente sexual ou sublimação do desejo sexual, faz do ser humano uma projeção da própria libido e não mais imagem e semelhança de Deus, e estando o inconsciente dominado pelo impulso sexual. Reconheceu, contudo, as contribuições do pai da psicanálise para a medicina, sobretudo no ramo da psiquiatria.

Para Dom Antonio Augusto, na terceira onda feminista, o critério pansexualista freudiano é ampliado pela noção de 'sexo-economia' de Wilhelm Reich, discípulo de Freud e para quem "o decisivo na sociedade é ideológico. Nela, tudo se move pelo sexo-economia, segundo Reich, sendo necessário, então, acabar com a família e a Igreja, pois, para Reich, a Igreja, defendendo a vida, acaba com o sexo", explicou Dom Antonio Augusto. Ainda na visão reichiana, seria necessária uma revolução linguística, médica e cultural-educacional, ou seja, dar outro valor/sentido às palavras; formar as pessoas nesses valores e eliminar todo sinal de autoridade, sobretudo familiar e religiosa. Neste ponto, Dom Antonio Augusto ressaltou a importância de o Papa emérito Bento XVI, na encíclica "Deus é Amor", ter resgatado o sentido verdadeiro do termo eros (dar-se ao outro), desmentindo, com isso, a noção ideologizada por Nietzche de que o ato sexual seja utilitário, para "diversão".

Partindo da concepção de Karen Offen, que define o feminismo de terceira geração como "uma ideologia e um movimento de mudança sociopolítica, baseada na análise crítica dos privilégios do homem e da subordinação da mulher em qualquer tipo de sociedade", Dom Antonio Augusto observou que o feminismo, autodefinindo-se como ideologia, revela-se tão indemonstrável e totalitarista como qualquer outra. E esse totalitarismo fica demonstrado, também, na proposição da feminista Shulamith Firestone, para quem "deve-se devolver às mulheres a propriedade do seu próprio corpo, assim como o controle feminino da fertilidade humana, incluindo tanto a nova tecnologia, como todas as instituições sociais relativas à educação das crianças”. Para ela, "o lar é o campo de concentração confortável, do qual a mulher deve ser libertada" e objetivo final da revolução feminista deve ser, não só a eliminação do privilégio masculino, mas a eliminação da própria distinção dos sexos, de forma que "as diferenças genitais entre os seres humanos nunca mais teriam nenhuma importância" ilustrou o bispo auxiliar, citando Firestone.

Kate Millet e Juliet Mitchell, seguindo o viés rechiano, postulam que o objetivo da luta feminista é a destruição das estruturas sociais, econômicas e culturais; acabar com as estruturas de reprodução, de educação da sexualidade e da socialização das crianças (Millet). Portanto, a atitude de pensamento radical desse feminismo é a destruição da família, da Igreja e da Academia (a educação tradicional). O feminismo de terceira geração defende que "mudanças linguísticas levarão a mudanças institucionais" (Mitchell), e palavras como 'família', 'maternidade', 'amor', 'eros', 'valor', 'direitos', 'biologia' ganham novas significações, forjadas mediante 'preconceitos necessários'. Por isso, hoje em dia, defender a natureza humana, o sexo biológico, a família natural etc. é visto como preconceito, explicou dom Antônio.

Gênero e reengenharia social

A chamada teoria gender ou teoria queer, da americana Judith Butler, professora de retórica e literatura comparada na Universidade da Califórnia (EUA), postula  que o gênero é performativo, isto é, são os próprios atos que determinam as identidades sexuais, a chamada performatividade queer, ou seja, identidades sexuais instáveis, mutáveis conforme as ações que o indivíduo decida realizar ou assumir. A ideologia de gênero prega que o ser humano é 'informe', devendo ser modulado pelo processo político ideológico, por meio de reengenharia social, ou seja, a identidade modulada ideologicamente. Para a terceira onda feminista, o gênero deve ser construído socialmente: "sexo é corpo; gênero é identidade. É fruto da construção sociocultural da sexualidade. A terceira geração feminista admite ter identificado (até o momento) cerca de 31 gêneros existentes", pontuou o bispo.

Desdobramento da teoria queer é a chamada teoria cyborg, formulada nos anos 90 do século XX, pela filósofa e zoóloga americana Donna Haraway. Para ela, deve ser eliminada toda distinção entre o humano e a máquina. Segundo o bispo, tal conceito foi introduzido sutilmente pelo cinema, através do filme "Transformers". Também a não distinção entre humano e animal seria a motivação, por exemplo, do caso espanhol de um casamento, registrado em 2015, no cartório civil de Madrid, entre um homem e uma cabra. "As consequências teórico-práticas da ideologia de gênero seriam que todos os tipos de união dos sexos têm o mesmo valor antropológico, ético, social e legal; sexo entre adultos e crianças (pedofilia), por exemplo, seria, na perspectiva de gênero, social e legalmente admitido", explicou.

A Conferência da ONU para as mulheres, ocorrida em Pequim em 1995, estabeleceu metas, segundo as quais, para construir o gênero é preciso "destruir os condicionamentos externos, criados por uma cultura patriarcal, machista, com poder de domínio e de caráter moral religioso. O objetivo político do feminismo radical é, portanto, mudar a cultura, redefinindo o conceito de pessoa, de forma que a igualdade de gênero será entendida como homogeneidade absoluta, e não mais como igualdade de dignidade, de direitos e de natureza; a identidade sexuada deve ser mudada com a educação das crianças, e a conduta sexual seria, então, fruto de um aprendizado, através de uma prática poliforme (ou seja: como e com quem quiser)", resumiu Dom Antonio Augusto.

Em 2005, a espanhola Núria Varela postulou que "é preciso transformar o espaço íntimo da família, num espaço público-privado, pois 'o pessoal é político'". Dessa visão, observou dom Antônio, decorrem, por exemplo, a adoção de banheiros públicos sem distinção de sexo e as leis que  tiram dos pais o direito natural sobre seus filhos.

Esta é a razão, observou Dom Antonio Augusto, pela qual se está impondo a Base Nacional Curricular Comum (BNCC), norteada pela ideologia de gênero, a fim de consolidar seu projeto de reengenharia social, também no Brasil, pela via da cultura (como propunha Gramsci), revelando-se como a implantação política mais radical do racionalismo neomarxista. A BNCC, portanto, não seria outra coisa senão o controle absoluto das instituições família e escola pelo Estado, visando a completa destruição de identidades. Rejeitando qualquer essencialismo e mesmo a existência de qualquer identidade sexual fixa, a perspectiva queer nega a distinção homem, mulher, gay, lésbica etc., e reconhece tão somente o gênero, sendo este mutável, informe, performático.  Entretanto, o feminismo de terceira geração se utiliza do que Judith Butler chama de "essencialismo estratégico", para "avançar na agenda". Segundo explicou Dom Antonio Augusto, trata-se "de uma reengenharia social, que se revela política, jurídica, cultural e, portanto, neototalitária", para cujos fins interessa a adoção de Bases Curriculares Comuns.

Segundo demonstrou Dom Antonio Augusto, a pretensa "defesa" das mulheres e das minorias, sobretudo LGBTQIs, revela-se falaciosa, sendo, na verdade, tão somente de motivação política. Dom Antonio Augusto problematizou, a propósito, como seria, por exemplo, a aplicação da Lei Maria da Penha, no Brasil, na perspectiva da performatividade queer: se a ideologia não admite, por definição, que exista homem ou mulher, aliás, nega tal distinção, como definir, então, a autoria de uma agressão? Tendo em vista o gênero que agressor e agredido declarassem, como se daria a aplicação da Lei? Ficou, assim, demonstrado que a defesa das mulheres ou das minorias LGBTQIs parece ser, efetivamente, a última das preocupações das ideólogas de gênero, embora façam disso bandeira e agenda.

Por fim, Dom Antonio Augusto dirigiu um conselho aos pais: "gastem tempo com seus filhos, e não terceirizem a educação deles, tanto científica, como cultural e religiosa; para isso, é necessário redimensionar seu tempo, pois alega-se não ter tempo, mas o têm para a academia, o barzinho etc., só não para dialogar com seus filhos", concluiu o bispo, sendo ovacionado. Após a bênção final e a convite de padre Alexandre Paciolli, o auditório, em uníssono, entoou o cântico Salve Regina (em latim), em torno da imagem de Nossa Senhora de Fátima, numa genuína demonstração católica de que ubi episcopus ibi Ecclesia ("onde está o bispo, aí está a Igreja").

Depoimentos

Dom Antônio Augusto atribuiu o êxito do seminário à intercessão de Nossa Senhora e de todos que oraram, fizeram vigílias e mortificações por essa causa, mas também à coragem e determinação dos jovens: "Quem semeia com lágrimas, recolhe com alegria. Eu sou aquele que está colhendo com alegria o que os jovens semearam, com sacrifício e com lágrimas, e pudemos presenciar esse tão elevado número de pessoas, sem falar dos que acompanharam pelo Facebook. Foi uma ação que começou pequena e tornou-se surpreendentemente grande", disse.

Alexandre Uhlmann, integrante do "Move", disse não esperar tamanha repercussão, pois a estimativa era de 60 pessoas, mas "caminhando na fé, na oração e com o anseio do alunado católico, a divulgação tomou vulto, apesar de uma organização bem modesta. Recebemos todo apoio da reitoria, da vice-reitoria comunitária, percebemos que PUC estava sentindo falta dessa ocupação do alunado católico, com amor e paixão pela universidade e pela Igreja", afirmou.

O diretor espiritual do "Move", padre Alexandre Paciolli ressaltou a relevância da evangelização feita pela liderança católica dentro do ambiente universitário e, segundo ele, foi "um trabalho espetacular. Temos que agradecer a Deus, por esse evento que foi um sucesso de evangelização, aqui na PUC, provocando reflexões profundas", comentou padre Alexandre.

Maria Inês Medeiros elogiou a iniciativa pois, segundo ela, o vídeo de seu discurso na Câmara dos Vereadores, quando da discussão da temática de gênero no Plano Municipal de Educação, atingiu 30 milhões de visualizações, sendo 30% por casais homoafetivos que se declaram "a favor do que estamos lutando, eles não nos veem como inimigos, estão nos apoiando de verdade nessa causa, eles acreditam na família natural, na família cristã", disse.

Para Joyce da Conceição Alves de Jesus, aluna do 4º período de Psicologia, é muito importante mostrar "o quanto tem fundamento aquilo que defendemos, como dom Antônio Augusto mostrou, utilizando as fontes não católicas, pois costumam dizer que não valem os nossos argumentos; vimos que a opressão da mulher não veio da Igreja, e isso foi mostrado nos textos de pensadores 'endeusados', como Nietzche", observou.

Maria José Macedo, coordenadora arquidiocesana da Pastoral Familiar, considera que Dom Antonio Augusto "apresentou o tema com muita sabedoria, ele possui uma ampla cultura, mas o que faz a diferença é a sua personalidade, com características como a clareza, a mansidão, a confiança, a prudência e o amor, que permeia tudo isso e que foi necessário exercer, quando sua palavra foi interrompida por um grupo de manifestantes. E ele com extrema elegância os ouviu, o que para nós foi um exemplo", ressaltou.

O bispo auxiliar emérito e membro do Pontifício Conselho para a Família, Dom Karl Joseph Romer elogiou o seminário, pela urgência do assunto e por ter sido por iniciativa dos jovens que estão dando à PUC "uma identidade humana, aberta, mas claramente católica", disse. Dom Romer considera que "é importante distinguir - se é possível dizer - o 'bom feminismo', 'justo', porque, de fato, a mulher era considerada inferior. O Gênesis refere que Deus "homem e mulher os criou, à sua imagem e semelhança", portanto, ambos em igualdade de dignidade. E o último livro, o Apocalipse, apresenta a mulher "como noiva", uma figura feminina, portanto, como protótipo da humanidade (inteira) salva. Esses dois motivos justificam a luta pela dignidade das mulheres. Porém, há um 'feminismo trágico', que quer se promover, ao preço de destruir o que há de feminino na mulher", concluiu Dom Romer.

Fotos: Flavia Muniz

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