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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/11/2017

20 de Novembro de 2017

Seminário de São José: 278 anos de compromisso vocacional

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20 de Novembro de 2017

Seminário de São José: 278 anos de compromisso vocacional

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08/09/2017 11:41 - Atualizado em 08/09/2017 14:21
Por: Priscila Xavier / Symone Matias

Seminário de São José: 278 anos de compromisso vocacional 0

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Há 278 anos era fundado o Seminário Arquidiocesano de São José, o mais antigo do país. Referência na formação religiosa, a instituição presta grande serviço à Igreja, junto ao compromisso de acompanhar desde a decisão inicial dos vocacionados até o ápice do tempo formativo, que é a ordenação sacerdotal.

Para celebrar a data, o Cardeal Orani João Tempesta presidiu missa em ação de graças na Igreja de São Pedro, no Rio Comprido, dia 5 de setembro.

Entre os concelebrantes estavam o bispo de Itaguaí, Dom José Ubiratan Lopes, o reitor do Seminário São José, cônego Leandro Câmara, o reitor do Seminário Missionário Redemptoris Mater, Marcos André Nascimento Silva e Dom Paulo Celso Demartini, O.Cist., e diversos sacerdotes.

Na ocasião, também houve o Rito de Admissão às Ordens Sacras dos seminaristas José Bezerra Rodrigues, Márcio Carvalho da Silva, Tobias Carlos Lemes, Emerson Manoel da Silva, Gleiciano de Freitas da Silva, Joelson da Cruz Nazareth, Vitor Aguillar da Silva e Adeilto Custódio de Lima.

Na homilia, o arcebispo do Rio ressaltou que o mundo atual faz com que muitos cristãos não assumam a radicalidade do Evangelho. “No mundo de hoje, os católicos nem sempre têm a dimensão positiva da radicalidade para seguir a Deus. Essa questão faz com que os fiéis sejam mais ‘lights’ na vida, no testemunho e no compromisso em transformar a sociedade num mundo novo. Porém, muitos levam a radicalidade a sério, seja na vida matrimonial ou consagrada. Deixam tudo e vivem a vida cristã com generosidade e disponibilidade nas paróquias e comunidades”, frisou.

E ainda acrescentou: “se isso é válido para todos os cristãos, mais ainda para os seminaristas, além dos formadores e professores do seminário, os quais possuem a responsabilidade de levar adiante a missão. Nesses anos de existência, o Senhor nos chama a nunca perdermos de vista aquilo que é a origem de todo o chamado: colocá-Lo acima de tudo. Isso deve se concretizar no seminário, porque, antes de ser um bom padre, é preciso ser um bom cristão”, finalizou.

Após a celebração, Dom Orani deu a bênção e inaugurou a imagem da Imaculada no jardim do seminário.

Providência Divina

Atualmente, o Seminário Arquidiocesano de São José possui 209 seminaristas, sendo 18 deles oriundos de outras dioceses. Nessa conta não entram os seminaristas missionários, uma vez que eles vivem numa outra estrutura. De acordo com o reitor, cônego Leandro Câmara, a expectativa para o próximo ano é de receber mais 50 seminaristas nos seminários Maior e outros dez no Menor.

Segundo ele, a graça de Deus e a Providência Divina foram fundamentais em todos esses anos. “Nada disso é feito sem a ação de Deus, sem a Providência Divina, que atua na nossa vida e nos faz construir essa história. Percebemos que, desde a fundação até o presente momento, não faltaram o amor e a graça de Deus. Enfrentamos os desafios de cada época, contando, justamente, com a graça de Deus na resposta que cada período nos exige”, exclamou.

O reitor ainda contou uma das recentes dificuldades que, com a ajuda dos demais sacerdotes e fiéis, o seminário conseguiu ultrapassar. “Há pouco tempo, passamos por uma dificuldade quanto à falta de alimentos não perecíveis. Houve a mobilização das paróquias, dos padres e fiéis para reabastecer a dispensa do seminário. Esse foi um belo sinal da comunhão dos sacerdotes e do povo do Senhor em torno das necessidades do seminário. Graças a Deus e à generosidade de nossos irmãos, superamos as dificuldades”, sublinhou.

Em contrapartida, cônego Leandro ainda destacou outro problema, mas que, dessa vez, tem uma causa positiva. “Hoje lidamos com um grande desafio, porém é uma boa dor de cabeça: estamos com pouco espaço, devido ao aumento de vocações sacerdotais. Não temos espaço para acolher a todos os seminaristas em 2018. Então, no próximo mês, faremos obras internas no seminário, para criar novos espaços, novos quartos, para que todos sejam acolhidos e continuem o caminho formativo”, completou.

278 anos de história

No século 18, não havia casas de formação e estudos destinadas aos futuros sacerdotes no Brasil. Dessa forma, só restavam duas opções para os vocacionados: estudar nos colégios dirigidos por padres jesuítas ou, os que tivessem condições financeiras, realizavam os estudos no exterior.

Pensando nisso e com o objetivo de atender aos apelos do Concílio de Trento, Dom Frei Antônio de Guadalupe criou o Seminário São José, o primeiro do Brasil, através da provisão de 5 de setembro de 1739.

A primeira construção foi no início do Morro do Castelo, o qual recebeu o nome de Ladeira do Seminário. Porém, o prédio desapareceu, junto à demolição do morro, para a construção da Avenida Central, hoje Avenida Rio Branco.

Em 1873, o Seminário Menor foi transferido para o Rio Comprido. No mesmo local, foi lançada a primeira pedra fundamental da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, atualmente Igreja São Pedro, na qual, até a década de 1970, eram realizadas as solenidades externas do seminário.

Com a Proclamação da República, os seminários Maior e Menor voltaram a ficar juntos e, em 1892, o Papa Leão XIII elevou o Rio de Janeiro ao título de arquidiocese. A partir disso, a instituição recebeu o nome de Seminário Arquidiocesano de São José.

Em 1907, o seminário foi fechado por motivos econômicos e só foi reaberto em 1924, na Ilha de Paquetá. Para arcar com os gastos dos vocacionados, Dom Sebastião Leme criou a Obra das Vocações Sacerdotais (OVS), a partir da qual as famílias dos seminaristas e benfeitores poderiam contribuir.

Já em 1932, o seminário voltou ao Rio Comprido, onde Dom Jaime de Barros Câmara havia concluído a construção do prédio na Avenida Paulo de Frontin e, depois, outro prédio para o Seminário Menor.

Porém, devido ao excesso de ruído com a construção do Elevado Paulo de Frontin, Dom Eugenio de Araujo Sales determinou a construção de um novo prédio, com entrada pela Ladeira do Sumaré.

As atividades do Seminário Menor foram encerradas por Dom Eusébio Oscar Scheid, que inaugurou o Seminário Propedêutico Rainha dos Apóstolos, na Tijuca, destinado aos jovens que se preparam para ingressar no Seminário Maior.

No governo de Dom Orani João Tempesta, em 2012, tanto o Seminário Maior quanto o Menor passaram a caminhar juntos nas dependências do prédio em Rio Comprido. A partir desta transferência, passou a funcionar no local o Seminário Arquidiocesano Missionário, o Redemptoris Mater para a Nova Evangelização. No complexo do Seminário, também abriga a Casa do Padre Cardeal Câmara, onde estão os sacerdotes idosos, que muito contribuíram para a Igreja do Rio.

A confirmação do chamado

Durante a celebração, o Cardeal Orani João Tempesta admitiu oito seminaristas às Ordens Sacras. Dessa forma, a Igreja atesta os sinais legítimos de vocação nos futuros sacerdotes, após um período de formação.

Logo após o rito, o seminarista José Bezerra leu uma carta de agradecimento na qual destacou: “Louvamos a Deus por manter e sustentar, em Sua providência, esta casa que continua a formar padres para a Igreja do Senhor. Deus, ainda hoje, continua a passar e a escolher homens para segui-Lo mais de perto e, por isso, estamos aqui”, pontuou.

E finalizou: “que a Virgem Maria continue a gestar as nossas vocações, e que São José, nosso patrono, continue a zelar por elas, para que algum dia possamos nos configurar por inteiro ao Bom Pastor”, completou.

O seminarista Gleiciano de Freitas salientou a importância de rezar pelas vocações. “Essa é a resposta de Deus que tanto precisávamos. Quando recebemos as admissões, sentimo-nos ainda mais próximos do presbiterado. Sou muito grato a esta casa que se dedica na formação dos sacerdotes. Sou muito feliz aqui. Muitos bispos e padres saíram deste seminário. Por isso, devemos rezar pelas vocações”, ressaltou.

Já o seminarista Vitor Aguilar da Silva recordou aqueles que deram a vida para que o seminário continuasse as atividades. “Esse é um passo muito importante da nossa vocação, pois a igreja confirma nossa caminhada, ao ver sinais autênticos e concretos de vocação em nós. Somos chamados a não fixar o olhar nesse passo, mas na meta que está por vir: o sacerdócio. Além disso, é uma alegria fazer parte da história do seminário. Muitas pessoas deram a vida pelo serviço de Deus, para que hoje estivéssemos aqui”, acrescentou.

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Fotos: Carlos Ébano

 

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