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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 24/11/2017

24 de Novembro de 2017

Assistentes religiosos: Derrubar muros e construir pontes

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Assistentes religiosos: Derrubar muros e construir pontes

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12/08/2017 17:34 - Atualizado em 12/08/2017 17:34
Por: Priscila Xavier

Assistentes religiosos: Derrubar muros e construir pontes 0

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Em tempos em que a violência assume lugar em diversas partes do Rio de Janeiro, um pequeno grupo de aproximadamente 50 católicos espalham sementes da misericórdia pelas unidades do Departamento Geral de Ações Socioducativas (Degase).

Eles fazem parte da Comissão Arquidiocesana de Assistência Religiosa ao Adolescente Privado de Liberdade, que integra a Pastoral do Menor da Arquidiocese do Rio, a qual tem a missão de anunciar a Boa Nova aos jovens e adolescentes que cumprem medidas educativas nas unidades de internação e semiliberdade.

Com o objetivo de alavancar mais operários para a messe, a comissão promoverá a oitava edição do Seminário de Capacitação de Novos Assistentes Religiosos, que será realizado na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, na Ilha do Governador, no dia 21 de agosto, das 9h às 17h. 

O evento será gratuito e voltado para pessoas acima dos 18 anos. Os interessados devem realizar inscrições através do telefone paroquial 3975-1987 ou pelo telefone da Pastoral do Menor 2292-3132 - ramal 333. O candidato ainda deve ter recebido os Sacramentos de Iniciação Cristã, ter uma vivência pastoral e apresentar uma indicação do pároco para atuação na área.

De acordo com o assessor eclesiástico adjunto da comissão, padre Gilvan André da Silva, a quantidade de pessoas que atuam na comissão ainda é insuficiente. “O número de assistentes ainda é muito pouco, é insuficiente. Se tivéssemos 200, poderíamos realizar um melhor acompanhamento, além de mais visitas. Somos apenas 50 para atuar nas nove unidades do Degase”, destacou.

O coordenador da assistência religiosa, diácono Roberto José dos Santos, explicou os próximos passos depois dos candidatos participarem da capacitação. “Após a capacitação, aqueles que se sentirem aptos e tiverem preenchidos essas exigências, serão integrados a um grupo que já atua nas unidades. Ninguém será colocado sozinho, pois o trabalho é feito sempre em equipe, porque, assim, um pode ajudar o outro, e demonstramos aos jovens uma presença comunitária”, esclareceu.

No seminário, será apresentado a realidade do sistema de medidas socioeducativas, as possíveis causas que levaram os jovens a cometerem atos infracionais e, sobretudo, a fundamentação teológica e mística da missão, baseada no Evangelho de São Mateus (Mt 25, 35 – 36).

Segundo padre Gilvan André, o trabalho da comissão existe há 11 anos, porém a atuação da Igreja junto aos jovens privados de liberdade já acontece há quase 20 anos. “Esse trabalho existe, oficialmente, há 11 anos, porque antes ele era realizado pela Pastoral Carcerária. Mas houve a necessidade de criar uma assistência religiosa específica para os menores em conflito com a lei. Então, passamos a ser um segmento dentro da Pastoral do Menor, uma vez que ela possui outros projetos de prevenção. Esse é um trabalho não preventivo”, explicou.

O assessor eclesiástico ainda complementou, afirmando que: “Independentemente dos erros que eles tenham cometido, são plenamente amados por Deus e não foram trazidos ao mundo para serem sinais de ameaça à sociedade. Muito pelo contrário, acreditamos que o próprio Cristo está naqueles meninos e meninas, e eles não estão perdidos. A Igreja, junto também a demais denominações religiosas, deseja mostrar que eles são capazes, que Deus os ama, mas que depende exclusivamente deles”, frisou padre Gilvan André.

Doar a própria vida pelo outro

Foi durante uma palestra para as equipes de Nossa Senhora proferida pelo padre Bruno Trombetta, então coordenador da Pastoral Penal, hoje chamada Pastoral Carcerária, em março de 1997, que Elio Luiz Carvalho e Paulo Roberto, junto às suas respectivas esposas, disseram ‘sim’ à missão de anunciar a Boa Nova aos jovens privados de liberdade.

Hoje supervisor da assistência religiosa nas unidades do Degase, Elio Luiz ainda se recorda do chamado feito há 20 anos. “A Campanha da Fraternidade daquele ano falava sobre os encarcerados. Esse também era o tema da palestra de padre Bruno. Levantei a mão no mesmo instante. Inicialmente, o trabalho seria realizado com adultos, mas Dom Eugenio Sales pediu para que atendêssemos aos adolescentes. Minha esposa e eu, junto a mais três casais da equipe de Nossa Senhora, atuamos no antigo Instituto Padre Severino, hoje Centro Socioeducacional Dom Bosco, por muitos anos”, destacou.

Para Paulo Roberto, o desejo de ajudar aos demais foi um incentivo para participar da iniciativa. “O que me motivou foi o desejo de prestar serviço à sociedade, à Igreja e a esses adolescentes que, em geral, receberam tão pouco em suas vidas e ainda estão numa idade em que é mais fácil mudar o rumo de suas existências. Mas o objetivo principal foi o de ser útil”, enfatizou.

Em 2001, o juiz Alyrio Cavallieri – reconhecido por sua atuação junto a crianças e adolescentes infratores e desabrigados – questionou o motivo do trabalho não ser realizado nas demais unidades socioeducativas. “Foi a partir disso que expandimos o trabalho, e realizamos o primeiro seminário de conscientização, junto a Dom Eugenio, no qual participaram 200 pessoas. Ao fim, 54 delas se inscreveram para atuar nas unidades conosco”, contou Elio.

Ao longo desses 20 anos de trabalho, Paulo comentou as alegrias e obstáculos vivenciados nessa missão. “O trabalho é desafiador porque se faz num ambiente em que a dureza preside as relações entre as pessoas, muitas vezes envolvendo a violência e a desconsideração dos valores. As alegrias aparecem ao vermos resultados que fogem à nossa lógica. Nesse trabalho, todos os momentos são marcantes, até mesmo os difíceis, porque neles acabamos passando uma mensagem positiva com as nossas atitudes. Mas o que mais me emociona é receber o agradecimento espontâneo dos adolescentes”, sublinhou.

Já Elio destacou a principal característica de um assistente religioso. “Recebemos muito mais do que vamos dar. Não temos de pensar que vamos salvar alguém, mas vamos levar o amor de Jesus ao outro. Para ser um assistente religioso é preciso querer amar, querer estar perto daquele jovem para ouvi-lo e amá-lo. É isso que Jesus nos pede. Não devemos nos preocupar com a colheita, mas com a semeadura. Devemos nos preocupar em plantar a semente; outras pessoas vão colher o fruto, mas nós devemos fazer nosso trabalho”, finalizou.

Derrubar muros e construir pontes

Cada vez mais surge a necessidade de evangelizar nas periferias existenciais e humanas da sociedade. Diante da violência e dos grandes conflitos existentes no mundo, a principal estrutura humana desses jovens é abalada: a família. E ser cristão é ser família de Deus, é ser Corpo Místico de Cristo e enxergar no próximo um irmão.

O discurso do Papa Francisco, pedindo para que a Igreja permanecesse em saída, em estado permanente de missão, foi o que motivou Celma Regina Alves Ibraim, que atua no grupo há dois anos.

Celma esclareceu que “a maioria dos adolescentes que cumpre medidas socioeducativas é vítima do sistema que vivemos: pais ausentes e mães com dupla jornada de trabalho, sem condições de educar os filhos, entregues à triste realidade da ausência de políticas públicas direcionadas a sua formação moral e profissional. Um dos maiores desafios é ajudá-los a compreender que eles nasceram para dar certo e auxiliá-los a terem maior autonomia sobre suas vidas”, explicou.

Muitos assistentes, durante a missão, percebem um dom ainda maior: o de levar Cristo através da Sagrada Escritura, por meio da catequese. Dessa forma, muitos deles recebem os Sacramentos da Iniciação Cristã. Os encontros catequéticos não seguem o tempo estabelecido pelo Diretório de Catequese, uma vez que o período dos jovens no local é breve, devido aos processos do sistema.

Mas, além da Palavra, a música tem sido um dos principais aliados para derrubar muros e construir pontes. “Junto ao diácono Roberto, organizamos um coral com os adolescentes para cantar nas celebrações eucarísticas que acontecem periodicamente nas unidades do Degase, na Ilha do Governador. São cem vozes, e o que nos surpreende é a harmonia entre eles. A forma como acolhem os assistentes e os frutos das partilhas nos encontros semanais trazem para nós a certeza de que vale a pena nos doarmos para este ministério da evangelização”, contou Celma.

Já para Maria do Sacorro Braga Mesquita, há três anos como assistente, o desejo de evangelizar, acreditando na recuperação do ser humano, tendo Cristo como caminho, foi fundamental para que ela dissesse ‘sim’ ao chamado. 

Para ela, a alegria em contribuir no crescimento e mudança de vida dos jovens é sua principal gratificação. “Os desafios são todos, mas a alegria de ensinar valores e despertar esperança neles e em mim é muito gratificante. Todos os momentos me marcam, pois minha satisfação é imensa diante da realidade que se apresenta. Espero que o Espírito Santo jamais deixe de encher meu coração”, ressaltou.

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Fotos: Gustavo de Oliveira / Divulgação

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