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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 25/07/2017

25 de Julho de 2017

Resíduos: ‘o homem passa a se jogar no lixo’

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Resíduos: ‘o homem passa a se jogar no lixo’

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15/07/2017 16:44 - Atualizado em 15/07/2017 16:49
Por: Priscila Xavier

Resíduos: ‘o homem passa a se jogar no lixo’ 0

O último dia da segunda edição do Congresso Internacional Laudato Si’ e Grandes Cidades apontou a problemática vivenciada quanto aos resíduos sem tratamento lançados no meio ambiente. O encontro foi realizado no auditório do Edifício João Paulo II, na Glória, neste sábado, 15 de junho.

A parte da manhã foi presidida pelo arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer. Durante o momento reservado para as perguntas da assembleia, o cardeal destacou a questão dos mais necessitados, os quais são os principais afetados na degradação ambiental.

Segundo ele: “Devemos todos cuidar de nossa Casa Comum, do contrário, os mais prejudicados serão os mais pobres, que não possuem recursos para se defenderem e que serão, sempre mais, colocados nas periferias, nos cantos da Casa Comum ou, até mesmo, expulsos dela. Essa também é uma questão de justiça, solidariedade e fraternidade. Não são apenas questões idealistas e ambientais, mas éticas e morais”, finalizou.

Para que jogar fora se é possível reciclar?

A primeira palestra deste terceiro dia teve início com o professor da Pontifícia Universidade Católica de Valparaiso, no Chile, Marcel Szzanto Narea, que discorreu sobre o tema “Resíduos urbanos nas grandes cidades, impactos ambientais e sociais”.

De acordo com o professor, cerca de 3,5 bilhões de pessoas não tem acesso ao tratamento do lixo. Dois bilhões de toneladas de resíduos são despejadas nas águas e 30% da produção de alimentos é descartada. Além disso, mais de um quarto de comida é desperdiçado. O pesquisador ainda destacou que a geração mundial de lixo será duas vezes maior em 2025 e três vezes maior em 2100.

Para Szzanto Narea, há uma grande relação entre pobreza e lixo. “Jogar lixo é um costume do homem, porém passou a ser um problema quando a população começou a viver na cidade. Agora, não temos de falar de resíduos, mas sim, sobre a ineficiência. Pois, se adquirimos algo e depois o jogamos fora, fomos ineficientes da utilização do mesmo. Vivemos um momento em que o homem passa a se jogar no lixo”, destacou.

O especialista advertiu: “Se continuarmos desse jeito, veremos impactos ainda maiores sobre as paisagens, além de águas poluídas, contaminação do solo e perigo aeroviário. Precisamos ser mais eficientes para que o mundo tenha equilíbrio”, alertou.

O conferencista ainda afirmou que mais de 15 milhões de pessoas vivem da reciclagem. Segundo ele: “Essas pessoas têm se organizado para a realização desse trabalho e como isso tem sido importante, pois, dessa forma, esses resíduos não chegam aos lixões. Para que jogar fora se é possível reciclar? Precisamos mudar essa qualidade de vida. Muitas pessoas nascem, crescem e vivem nos lixões”, frisou.

A importância de separar os resíduos urbanos

A segunda conferência foi presidida pela presidente da Associação Interamericana de Engenharia Sanitária e Ambiental e gerente geral da HP Assessoria Ambiental SA de CV, ambas no México, Carmen del Pilar Tello Espinoza, que abordou sobre a temática “Gestão adequada de resíduos urbanos e industriais em cidades em desenvolvimento”.

Na palestra, a pesquisadora apontou que apenas 10% do dinheiro dos poderes públicos são destinados à coleta seletiva de lixo. A partir disso, foi possível perceber que apenas 7,6% do Brasil teve cobertura total de coleta em 2015.

De acordo com ela, a principal dificuldade nessa questão é, justamente, a ausência de dados, o que dificulta uma análise mais profunda sobre o tema. “A diferença é que, há dados coletados sobre a qualidade da água e do ar. Em contrapartida, isso não existe para os resíduos, não há informação de base. Por isso o problema tem se tornado tão grande, pois não conseguimos analisar melhor, além de dificultar na tomada de decisões”, afirmou.

A conferencista também recordou o importante trabalho realizado pelos recicladores. Segundo ela, 90% do material reciclado na América Latina vem do setor informal.

Porém, Carmen ainda destacou as condições precárias desses trabalhadores. “O volume de resíduos que eles retiram é fundamental. Mas, não há uma valorização dos serviços realizados pelos recicladores, nem mesmo um trabalho digno. Não é só o governo o responsável pelos resíduos. A participação do cidadão comum é fundamental”, pontuou.

Além disso, Carmen sublinhou as medias mais urgentes a serem adotadas pelos países em desenvolvimento, como o Brasil. “O mais importante é a separação correta dos resíduos para que, a partir disso, reciclar e o produto chegará em melhores condições para as indústrias. Por outro lado, os resíduos orgânicos não podem chegar aos aterros, pois isso liberará biogás e metano, um dos gases causadores naturais do efeito estufa, o qual, mesmo bem ensaco, escapa. Há muitos hectares com a presença de metano, essa é uma realidade que precisamos solucionar”, completou.

A ética das Bem Aventuranças

A terceira conferência realizada pela manhã abordou as “Reflexões éticas sobre os problemas apresentados nas palestras sobre resíduos”, ministrada pelo chanceler da Pontifícia Academia de Ciências, monsenhor Marcelo Sanchéz Sorondo.

Para o chanceler, a atual crise ambiental é um reflexo da falta de ética e moral da humanidade. “É uma crise, antes, de moral e valores. Se as pessoas viverem segundo a ética das Bem Aventuranças e também as normais, que é a mesma da justiça, da fé e da fraternidade, não haveria esses problemas terríveis”, enfatizou.  

Ele também explicou a questão da influência da religiosidade na busca pela preservação do meio ambiente. De acordo com o monsenhor: “Existem muitos tipos de espiritualidade, porém, a mais universal, são as Bem Aventuranças, a qual afirma que os pobres de espírito; os que tem um coração puro; os que tem sede e fome de justiça; os que sofrem pela justiça; os misericordiosos e os que são operadores da paz possuirão a terra. Não no sentido de comprar, mas usar. São Francisco possuía a terra, mas não era rico. Eles serão chamados filhos de Deus e verão o Pai”, afirmou.

Foto: Gustavo de Oliveira

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