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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 25/07/2017

25 de Julho de 2017

Pastoral de Favelas: Vida apesar de tudo

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Pastoral de Favelas: Vida apesar de tudo

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14/07/2017 18:21 - Atualizado em 14/07/2017 18:21
Por: Priscila Xavier

Pastoral de Favelas: Vida apesar de tudo 0

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Ao longo dos anos, a Pastoral de Favelas tem sido um reflexo da preocupação da Igreja no Rio de Janeiro junto aos mais pobres, cujo principal objetivo é promover dignidade humana e cidadania em favor dos moradores das comunidades.

Neste ano, a Pastoral de Favelas completou 40 anos de fundação, e para celebrar o Cardeal Orani João Tempesta presidiu missa em ação de graças na Igreja Nossa Senhora da Consolação e Correia, no Morro do Vidigal, onde também se recordou a visita do Papa João Paulo II à comunidade, há 37 anos. A missa foi concelebrada pelo coordenador da Pastoral de Favelas, monsenhor Luiz Antônio Pereira Lopes, e pelo pároco da Igreja de Santa Mônica, padre Roan Cleber Ataíde. Também, o diácono permanente Guilherme Barbosa.

Logo na procissão de entrada, um cartaz com imagens recordou a visita do Pontífice à comunidade, em 1980, trazido pelos moradores Paulo Roberto Muniz e Armando Almeida, que atuaram na luta contra a remoção da população do Vidigal, acompanhados da atual conselheira da Pastoral do Menor, Maria Cristina Sá.

Na homilia, o cardeal destacou: “Tanto hoje como no passado, vivemos tempos difíceis, de violência, perdas de direitos, maldades, perseguições, tanto para os cristãos como para aqueles que desejam fazer o bem. São tantas as situações em que as pessoas sofrem no dia a dia. Apesar disso, o Senhor nos fala para sermos presença de Cristo junto àqueles que passam por dificuldade, junto aos que estão cansados e abatidos, cheios de necessidade”, finalizou.

O cardeal ainda recordou o nascimento das mais diversas pastorais de cunho social da arquidiocese. “Diante dessas circunstâncias, a Igreja, vendo as necessidades do povo, principalmente a dos mais pobres e excluídos, passou a criar pastorais para atender as mais diversas situações. Há 40 anos, nasceu a Pastoral de Favelas, com o objetivo de trabalhar ainda mais na evangelização. Depois, para sacramentar todo esse trabalho de divulgação da Pastoral do Solo, no Vidigal, tivemos a visita de São João Paulo II, marcando a presença da Igreja nessa realidade concreta”, acrescentou.

Durante a celebração, os moradores Paulo Roberto Muniz, Armando Almeida e Mário Sérgio Teixeira leram um texto que narrou desde o momento em que a população recebeu a ordem de remoção até a visita de São João Paulo II à comunidade.

Depois, o coordenador da Pastoral de Favelas, monsenhor Luiz Antônio Pereira afirmou que “tornamo-nos uma defensoria pública para os moradores de favelas, pois eles recorrem à pastoral para que, dessa forma, encaminhemos o caso para os órgãos governamentais. Realizamos esse trabalho porque, em primeiro lugar, temos um amor muito grande ao Evangelho de Cristo, e, segundo, porque amamos o povo que mora na favela, de pessoas dignas e que têm direito a uma habitação de qualidade, e seus direitos são desrespeitados”, ressaltou.

Em seguida, ele recordou a mensagem de Francisco ao visitar uma comunidade do Rio de Janeiro em 2013: “Como disse o Papa Francisco quando visitou a favela da Varginha, ‘a Igreja tem de ser a promotora da justiça e defensora dos pobres’. A Pastoral de Favelas tem essa missão: promover e defender a justiça, que está muito presente na Doutrina Social da Igreja, e o respeito ao outro como imagem e semelhança de Deus”, frisou.

O Vidigal, a luta e a fé

O início da Pastoral de Favelas se mistura com a situação em que vivia o Morro do Vidigal. Em 24 de outubro de 1977, os moradores foram notificados pela Fundação Leão XIII, órgão responsável pela parte social do Estado do Rio de Janeiro, de que deveria sair da localidade, pois havia risco de deslizamento.

Logo depois, descobriu-se que o grande motivo para a remoção foi a aprovação de um projeto imobiliário que planejava a construção de 84 casas de luxo. A região já tinha até mesmo sido comprada. Metade do valor estava pago e a outra parte seria quitada após a desocupação.

Era o momento de resistir. E os moradores resistiram. Mas, para isso, foram em busca de ajuda e apoio. Encontraram na Igreja Católica, através do então arcebispo, Dom Eugenio de Araujo Sales, que encaminhou a população para a Pastoral de Favelas, ainda recém-criada, que funcionava na Paróquia Santa Cruz, em Copacabana, cujo coordenador era o padre Ítalo Coelho. Era uma luz no fim do túnel.

Os trabalhos tiveram início com a busca de liminares e documentos, idas aos cartórios e reuniões com os moradores, a fim de orientá-los e conscientizá-los sobre seus direitos e garantias fundamentais. O trabalho contou também com o forte apoio da população e da imprensa que, junto à Igreja, mudaram a demografia do Rio de Janeiro para sempre.

Coube a Dom Eugenio a tarefa de demolir a principal alegação para a remoção: ele contratou uma empresa geotécnica para analisar o solo e avaliar a possibilidade de desabamento. A constatação era a que todos esperavam: não havia risco. A partir disso, deu-se a conquista do direito de viver no Morro do Vidigal.

Além disso, para coroar a vitória, no ano de 1980, o Papa João Paulo II veio visitar o Rio de Janeiro, e decidiu que visitaria uma comunidade carioca. Muitas favelas estavam na listagem, principalmente as que possuíam uma melhor aparência.

Mas depois de muita luta por parte da Pastoral de Favelas e insistência de Dom Eugenio, foi decidido que o Papa subiria o Morro do Vidigal, no dia 2 de julho de 1980. Nenhuma obra foi realizada na comunidade, exceto a colocação de pó de pedra no chão, uma vez que, sem isso, caso chovesse, o Pontífice ficaria impedido de visitar a região.

O Morro do Vidigal passou a ser conhecido, mundialmente, como a Favela do Papa. Aliás, depois de tão ilustre visita, ninguém teria coragem de remover os filhos de João de Deus.

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Fotos: Carlos Moioli

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