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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 25/09/2017

25 de Setembro de 2017

Poluição atmosférica: ‘essa é uma questão de saúde pública’

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25 de Setembro de 2017

Poluição atmosférica: ‘essa é uma questão de saúde pública’

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14/07/2017 15:19 - Atualizado em 14/07/2017 15:25
Por: Priscila Xavier

Poluição atmosférica: ‘essa é uma questão de saúde pública’ 0

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O ar foi o tema central do segundo dia da II Conferência Internacional Laudato Si’ e Grandes Cidades, realizado no auditório do Edifício João Paulo II, na Glória, na manhã do dia 14 de julho. O encontro foi presidido pelo presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Cardeal Sérgio da Rocha.

De acordo com ele, é necessário que haja união entre sociedade e poder público para a solução dos problemas ambientais. “Não temos condições de enfrentar os problemas socioambientais contando apenas com o interior da comunidade eclesial. Precisamos de parcerias para superar as dificuldades e colaborar na superação dos desafios ambientais. Devemos unir as forças da sociedade civil organizada e do poder púbico. Não é só pessoalmente que agimos, mas em comunidade. Precisamos da ação do poder público porque as questões ultrapassam aquilo que cada um de nós pode fazer individualmente ou como comunidade”, pontuou.

A poluição atmosférica

O primeiro conferencista foi o diretor geral do Centro Mario Molina, em Santiago do Chile, Pedro Oyola, que abordou o tema “Fontes e consequências da poluição atmosférica nas zonas urbanas os países em desenvolvimento”. Com base na temática, o conferencista alertou para a importância do ar afirmando que “o ser humano consegue passar dias sem comer ou beber água, mas não consegue ficar muito tempo sem respirar”, destacou.

Oyola recordou que a poluição atmosférica tem início antes da criação dos automóveis, justamente com a descoberta do fogo, responsável pela emissão de grandes quantidades de gases de efeito estufa. A partir disso, o especialista afirmou que a poluição é um problema global, por isso, a solução também deve ser global.

Segundo ele: “Ainda que se melhorem os meios e transporte público, se as pessoas não se conscientizarem, não será possível solucionar o problema. É necessário realizar um estudo aprofundado sobre a abordagem para que possamos avançar. Para diminuir a poluição, são necessárias mudanças estruturais”, sublinhou.

Consequências da poluição do ar

A segunda conferencista foi a diretora do Departamento de Saúde Pública e Meio Ambiente da Organização Mundial de Saúde (OMS), na Suíça, Maria Neira. A partir do tema “Efeitos da poluição atmosférica sobre a saúde e medidas para reduzir a poluição do ar”, ela apresentou dados alarmantes, publicados recentemente pela OMS, com relação às consequências da degradação ambiental.

De acordo com o estudo, 25% da população mundial morre, por ano, em decorrência da destruição do meio ambiente. Desses, 6,5 milhões de pessoas morrem vítimas da poluição do ar. Além disso, a contaminação atmosférica é um dos fatores que influenciam no aumento de doenças como acidente vascular cerebral, infarto no miocárdio e o câncer.

A conferencista explicou que, a partir dos números, percebe-se que o assunto já se tornou uma questão de saúde. “A partir desses dados, podemos mudar a discussão sobre as questões ambientais e o cabeamento climático. As pessoas precisam entender que essa é uma questão de saúde pública. No dia em que o cidadão perceber que tudo isso afeta seus pulmões e seu sistema cardiovascular, ele vai mudar a pressão política sobre esse tema. Essa já não é uma questão econômica nem de planeta, mas de saúde”, declarou.  

Ela ainda continuou: “A aliança entre política de meio ambiente e saúde é fundamental, porque o argumento saúde vai modificar a maneira de as pessoas observarem o tema, a pressão política que eles vão fazer nos governos, nos presidentes, primeiros ministros, para que eles façam uma aplicação do Acordo de Paris sobre cambio climático. Se a poluição não diminuir, não se pode proteger as pessoas. Para isso, é necessário tomar medidas. A questão da saúde deve ser o primeiro ponto na lista política”, argumentou. 

A ética e o meio ambiente

Logo após, o reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), padre doutor Josafá Carlos de Siqueira presidiu a conferência que refletiu sobre as questões éticas e os problemas apresentados nas palestras sobre a água.

O sacerdote destacou que a crise da água também é uma consequência da crise humana. “Vivemos uma crise ética e isso implica no fator humano. Grande parte dessa crise está ligada ao fator antropológico. Então, a humanidade tem responsabilidade sobre a crise, seja ela na perda da biodiversidade, na escassez de recursos hídricos”, afirmou.

Ele ainda acrescentou que falta de responsabilidade para o cuidado com a criação acarretou nas problemáticas vivencias atualmente. “Tudo isso também é fruto de uma má administração, uma vez que não seguimos os grandes preceitos que a tradição hermenêutica da Bíblia nos coloca: exercermos os papéis de guardiões da criação. Quando esses paradigmas são quebrados, sofremos essas consequências. Precisamos corrigir, porque ainda é tempo de mudar”, alertou.

Ainda sobre a temática, o cônego da Catedral Arquidiocesana de Tarragona, na Espanha, abordou sobre a ética quanto às problemáticas destacadas durante as palestras sobre o ar.

O cônego salientou a importância de uma conversão ecológica para que sejam possíveis as transformações ambientais. “A criação sempre está mudando, mas agora, o problema que temos está modificando o que temos, através da humanidade. Por isso, temos grande responsabilidade enquanto seres humanos. Se atuarmos de outra maneira, as coisas também funcionariam de outra maneira. Acredito que vale muito uma um conversão ecológica, porque se não há mudança de mentalidade, não há mudança de atitude”, finalizou. 

Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas

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