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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 25/09/2017

25 de Setembro de 2017

Congresso Internacional do Meio Ambiente tem início na Arquidiocese do Rio

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25 de Setembro de 2017

Congresso Internacional do Meio Ambiente tem início na Arquidiocese do Rio

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13/07/2017 18:27 - Atualizado em 14/07/2017 15:12
Por: Priscila Xavier

Congresso Internacional do Meio Ambiente tem início na Arquidiocese do Rio 0

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Sendo uma das três questões ambientais chave, a água foi o primeiro tema abordado no primeiro dia da segunda edição do Congresso Internacional Laudato Si’ e Grandes Cidades, realizado no auditório do Edifício João Paulo II, na Glória, na manhã do dia 13 de junho. O encontro tem como objetivo debater as questões ecológicas e ambientais das mais diversas metrópoles no planeta.

A encíclica Laudato Si’, escrita pelo Papa Francisco, será utilizada durante todo o encontro como ponto inicial de discussão, com o objetivo de abordar os aspectos ambientais, sociais, éticos e de gestão associados às grandes cidades.

A mesa foi composta pelo arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta; o arcebispo emérito de Barcelona e presidente da Fundação Antoni Gaudi para Grandes Cidades, Cardeal Lluiz Martinez Sistach e o representante do ministro do Meio Ambiente e diretor-presidente da Agência Nacional de Águas, Vicente Andreu Guillo.

‘Devemos fazer a diferença’

De acordo com o Cardeal Orani João Tempesta, as três questões ambientais chave: água, ar e resíduos, foram escolhidos porque as demais situações giram em torno desses componentes. “Tivemos de escolher alguns passos para falar de Meio Ambiente, então, resolvemos discorrer sobre a água, o ar e os resíduos, porque são os três principais componentes dessa questão. Os demais problemas que existem, giram em torno desses três eixos que são fundamentais em relação ao meio ambiente”, argumentou.

Além disso, o cardeal ainda acrescentou: “Ao mesmo tempo, vemos que há uma cidade e uma mentalidade doente, que não respeita a vida e sofre com essas consequências. Se não respeitamos a vida no seu nascimento, não respeitamos também depois; são consequências daquilo que vivemos e percebemos os resultados de opções tomadas. Creio que a igreja deve atuar na conscientização, além de abordar soluções políticas, econômicas, sociais. A sociedade tomou um caminho errado e devemos fazer a diferença”, finalizou.

Laudato Si’ e Grandes Cidades

O II Congresso Internacional Laudato Si’ e Grandes Cidades é organizado pela Fundação Antoni Gaudi para as Grandes Cidades, localizada em Barcelona, na Espanha, cujo objetivo é contribuir para a humanização dos grandes centros urbanos. A instituição nasceu logo após a Conferência Internacional das Grandes Cidades, em Barcelona e Roma, em 2015.

O nome da fundação, de acordo com o Cardeal Sistach, é uma homenagem ao arquiteto catalão Antoni Gaudi, que buscava inspiração na natureza para criar suas obras de arte.

Ele ainda apresentou os pontos que influenciaram na escolha do Brasil como sede do evento. “Pensamos em sediar no Brasil porque o país está localizado na América do Sul e o Papa Francisco vem daqui. Além disso, por se tratar de ecologia e das grandes cidades, uma vez que o continente sul-americano tem muitas pessoas que vivem em grandes cidades, são grandes "urbes", então há sempre maior necessidade de mais água, mais ar e mais resíduos são produzidos”, afirmou.

Papa Francisco e os três ‘R’

Para o congresso, o Papa Francisco enviou uma mensagem aos conferencistas e participantes. Na carta, ele diz: “São três ‘R’ que ajudam atuar de forma conjunta diante dos imperativos mais essenciais de nossa convivência: respeito, responsabilidade e relacionamento”, escreveu.

Segundo ele, o respeito trata-se de uma atitude do homem para com a criação, a qual deve ser repassada às gerações futuras, de maneira que elas possam prosseguir desfrutando e admirando a natureza. A responsabilidade para com a obra da criação é uma tarefa primordial. Para Francisco, a atual situação é o reflexo da maneira irresponsável com que o ser humano tem tratado a criação.

E, por último, o Pontífice destaca o relacionamento, afirmando que, tanto nas áreas urbanas como rurais, há uma crescente falta de relação. Ele ainda afirma que a falta de raízes e o isolamento das pessoas são formas de pobreza, a partir das quais surgem os guetos, a violência e a injustiça.

Francisco encerra a mensagem pedindo a intercessão da Virgem Maria e para que os fiéis continuem a rezar por ele. “Peço a intercessão da Virgem Santa, Rainha do céu e da terra, por essas jornadas de estudo e de reflexão. Que seu conselho e guia oriente suas decisões em favor de uma ecologia integral que proteja nossa casa comum e construa uma civilização cada vez mais humana e solidária. Por favor, lhes peço que rezem por mim e peço ao Senhor que vos abençoe”, finalizou.

A população urbana e a questão ambiental

O representante do ministro do Meio Ambiente e diretor-presidente da Agência Nacional de Águas, Vicente Andreu Guillo, recordou que é fundamental a recuperação do rio Paraíba do Sul, fundamental no abastecimento do estado. “É importante que haja uma proteção adequada às margens rios e reservatórios para que se possa oferecer água em quantidade à população. No caso do Rio de Janeiro, permaneceu pendente a questão da recuperação das margens do rio Paraíba do Sul, que está absolutamente degradado. Imaginando ter resolvido a crise com o volume de chuvas das últimas grandes inundações, acreditou-se que todo o problema da água estaria concluído”, alertou.

Ele ainda ressaltou que a crise da água é vista, tanto por empresa quanto pela população, como algo rural e ambientalista. “O país, segundo os dados mostram, é eminentemente urbano, mas há um largo distanciamento da população urbana quanto ao problema ambiental e, sobretudo, ao das águas. A problemática é vista como questão rural e ambientalista, inclusive pelas empresas de gestão pública nesse setor, que ao serem chamadas ao debate nem sempre vislumbram a perspectiva urbana”, disse.

Segundo Vicente Andreu Guillo, é necessário que o tema seja o foco das políticas públicas. “A questão do saneamento deve estar no centro das políticas públicas e precisa vir acompanhado de um mais alto nível de conscientização das pessoas, não poluindo os rios, mas também cobrando politicamente para que tenhamos das autoridades o saneamento como uma questão fundamental na sua agenda política", frisou.

Cardeal Hummes preside conferências no II Congresso Laudato Si' e Grandes Cidades

Presidiu a primeira a sessão de conferências do "II Congresso Laudato Si' e Grandes Cidades", o arcebispo emérito de São Paulo e presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), Cardeal Cláudio Hummes, que acolheu, na manhã do primeiro dia, os conferencistas Cardeal Lluiz Martinez Sistach, arcebispo emérito de Barcelona e Presidente da Fundação Antoni Gaudi para as Grandes Cidades, organizadora do Congresso, e o Prof. Dr. Joan O. Grimalt, Diretor do Instituto de Avaliação Ambiental e Pesquisa da Água (IDAEDA) e membro do Conselho Superior de Investigação Científica, de Barcelona.

Antes de apresentar os dois conferencistas, Cardeal Hummes teceu algumas considerações, destacando dois acontecimentos que, segundo ele, circunscrevem  este II congresso: a publicação da Encíclica Laudato Si' (LS), em maio de 2015, e a Cop21, a Conferência das Nações Unidas sobre mudança climática, ocorrida em Paris, em dezembro do mesmo ano. Cardeal Hummes ressaltou que, durante a Conferência, a encíclica foi citada diversas vezes. Recordou ainda a importância da Cop21, que culminou com o Acordo de Paris, assinado pelos grandes países, inclusive a Índia, que tem sua energia produzida por usinas termelétricas à base de carvão mineral, sendo, portanto, grande emissora de CO2.

Para D. Claúdio "a crise ambiental é real, grave e urgente. A crise é climática e ecológica, a despeito de quem tente negá-la", disse, referindo-se à saída dos Estados Unidos do Acordo. E, a propósito, recordou a célebre exortação que norteou a Cop21: "plus tard ce sera trop tard" ("Mais tarde será muito tarde").

Referindo-se a um diálogo que teve pouco antes com Padre Josafá Carlos de Siqueira, reitor da PUC-Rio também ali presente, Cardeal Hummes defendeu que essa problemática deve ser levada às paróquias (iniciação cristã), às universidades e, sobretudo, à mídia, para uma efetiva conscientização e, dessa forma, a sociedade civil organizada exerça sua "pressão" para que os governos cumpram os acordos.

Sendo o presidente da REPAM, D. Cláudio observou que "as grandes cidades são os vilões da questão climática, e, no Brasil, isso tem reflexos também na região amazônica". Cardeal Hummes recordou, ainda, as palavras do Papa Francisco, segundo o qual "a sociedade que é livre é também libertadora."

Num momento de descontração, brincou com o jeito 'franciscano' do Papa e declarou-se, por essa razão, entusiasmado com a LS, por ser inspirada no Cântico das Criaturas, de São Francisco de Assis, e pelo tom franciscano do Papa Francisco: "desde que o Papa jesuíta se tornou 'franciscano', eu, que sou franciscano, me tornei um devoto dos jesuítas", disse.

Francisco, Laudato Si' e as Grandes Cidades

Abrindo a sessão de Conferências, ainda na manhã do primeiro dia do II Congresso Laudato Si' e Grandes Cidades, o Presidente da Fundação Antoni Gaudi, Cardeal Lluiz Martinez Sistach, explicou que a Encíclica tem grande relevância pelo seu alcance universal, já que não foi escrita para os católicos, para os cristãos, mas "foi dirigida a todo o mundo, a todos que queiram escutar sua mensagem." Para D. Sistach, o Papa Francisco, que foi Bispo de uma grande cidade, Buenos Aires, está verdadeiramente "sensível à problemática ecológica e ambiental, em relação às grandes cidades, porque é um fato humano; as cidades estão muito insalubres para se viver, não só devido à poluição ou contaminação por substâncias tóxicas, mas também, os meios de transportes, o crescimento desordenado, a contaminação do solo, entre outros fatores".

Para D. Sistach, as grandes cidades seriam como que grandes estruturas ineficazes, porque desordenadas, e que gastam energia e água em excesso. Para ele, Laudato Si' demonstra ainda a preocupação do Santo Padre com os mais pobres, já que, não somente nas grandes cidades como também nas regiões rurais, são estes os que mais sofrem com os danos ambientais e a escassez dos recursos naturais. Por essa razão, "é necessária uma vontade, uma conversão ecológica, e Francisco em sua carta, coloca cada um ante à própria responsabilidade e convida a todos, homens e mulheres de boa vontade, a que se empenhem no cuidado com a Casa Comum", frisou Cardeal Sistach.

Água: herança inegociável

Sob o título "Qualidade e tratamento da água", a segunda conferência foi proferida por Joan O. Grimalt, Diretor do Instituto de Avaliação Ambiental e Pesquisa da Água (IDAEDA) e membro do Conselho superior de Investigação Científica, de Barcelona, que abordou os prejuízos causados à qualidade da água e os problemas na gestão do tratamento.

Para Grimalt, os erros cometidos pela má gestão e contaminação das águas comprometem a qualidade até o subsolo, atingindo os lençóis freáticos. Ressaltou, por exemplo, o alto teor de Arsênio, que compromete muito a qualidade da água, seja para consumo humano e a irrigação, seja em vista da contaminação do solo. Segundo ele, disso resulta também a proliferação dos mosquitos e outros insetos que causam diversas doenças ao homem e aos animais, por vezes, gerando epidemias até mundiais, como se viu, recentemente, com relação à Dengue, Zicha e Chicungunya.

Outra preocupação apontada pelo especialista refere-se à poluição da atmosfera, como fator de contaminação das águas: "Se a atmosfera estiver poluída, ao caírem as chuvas, essa água também já estará contaminada e essa contaminação penetra o solo e atinge os lençóis freáticos. Se queremos ter saúde, devemos ter um (meio) ambiente saudável", disse Grimalt.

Ainda segundo Grimalt, o uso dos pesticidas, agrotóxicos, compostos químicos oriundos de toda espécie de resíduos industriais, além de fertilizantes, solventes, farmacêuticos etc., que sendo altamente tóxicos, são, por isso também, poluentes, tornam-se o principal fator de contaminação dos rios e da água do subsolo.

Para o Diretor do IDAEA, "a 1ª meta para a melhoria do tratamento dado à água é evitar que bactérias estejam presentes na água destinada ao consumo humano." Mas ressaltou, também, que é preciso elevar o fluxo dos rios: "é imprescindível que haja água suficiente para se manter o fluxo dos rios, garantindo também a recuperação e sobrevivência da flora e fauna características", disse.

Por fim, Grimalt defendeu que é necessária a mudança de visão acerca do uso da água. Para ele, interesses comerciais não devem se sobrepor ao verdadeiro fim desse imprescindível recurso natural, devendo ser entendido como um bem destinado a todos, sobretudo  às futuras gerações: "A água não pode ser vista como algo que se comercializa, mas sim um bem, que se deixa de herança", finalizou.

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Colaboração: Flávia Muniz

Fotos: Gustavo de Oliveira

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