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23 de Novembro de 2017

Cristãos no Egito, uma presença de dois mil anos

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Cristãos no Egito, uma presença de dois mil anos

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28/04/2017 10:13 - Atualizado em 28/04/2017 10:13
Por: Rádio Vaticano

Cristãos no Egito, uma presença de dois mil anos 0

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Um dos encontros muito aguardados no Cairo esta sexta-feira, é o de Francisco com o Patriarca copta Tawadros II.

No dia em que a Igreja festejou São Marcos Evangelista – 25 de abril – o Papa iniciou sua homilia na Capela da Casa Santa Marta oferecendo a celebração ao Patriarca Tawadros II e aos cristãos coptas.

O cristianismo chegou ao Egito, de fato, com São Marcos Evangelista, que segundo a tradição, foi o primeiro Patriarca de Alexandria. Cópias do Novo Testamento e fragmentos do Evangelho de João em língua copta - que remontam ao século II - testemunham que a religião se difundiu rapidamente na região.

Nos primeiros cinco séculos da era cristã, a Igreja Copta deu uma contribuição notável ao crescimento do cristianismo, graças aos seus escritores, exegetas, filósofos e aos seus Patriarcas, Confessores e Doutores da Igreja, como Atanásio, Teófilo, Cirilo.

Em Alexandria – que após Roma tornou-se a segunda sede em ordem de importância – foi fundada aquela que é considerada a primeira Escola de Catequese da cristandade (190 d.C.) e que teve mestres como Atenágoras, Clemente, Dídimo, Orígenes e ilustres visitantes como São Jerônimo, por exemplo. Nela, era ensinada não somente teologia, mas também ciências, matemática e letras.

A Escola de Alexandria - copta-ortodoxa - foi refundada em 1893 e atualmente tem campus universitário também no exterior, onde é ensinado, entre outros, Teologia, História, Línguas, Música, Iconografia, etc.

Monaquismo

No século IV, no deserto egípcio, começou a difundir-se o monaquismo, que contribuiu para plasmar a Igreja local. Muitos dos primeiros monges morreram mártires. Entre os Padres do Deserto figuram Santo Antônio – o primeiro monge; São Pacômio; São Paulo – o primeiro anacoreta; São Macário, o Grande; São Moisés, o Negro e São Mina.

Concílio de Calcedônia

No século V a Igreja Copta separou-se - ao lado de outras Igrejas Orientais - da Igreja Latina e Grega, por ter rejeitado as conclusões do Concílio de Calcedônia, convocado em 451, e no qual foi condenado o monofisismo – a doutrina herética de Eutique – que reconhecia em Cristo uma só natureza, a divina, negando a humana.

Não se pode esquecer o contexto político da época, com a disputa surgida entre duas capitais do Império Romano do Oriente: Alexandria – centro do pensamento teológico e filosófico – e Constantinopla, centro do poder político. O contraste entre as duas culturas e entre os dois nacionalismos – o copta e o bizantino – transformou-se em rivalidade entre as duas metrópoles eclesiásticas.

Seguiu-se uma divisão no Patriarcado de Alexandria: a maioria “anticalcedoniana” seguiu o Patriarca Dióscoro e rejeitou as conclusões do Concílio de Calcedônia e a submissão à autoridade do Imperador bizantino, enquanto uma minoria de fiéis “calcedonianos”, proclamaram a aceitação das resoluções e da autoridade do rei e por isto foram chamados de “malaquitas” ou “melquitas” (fiéis ao rei). Os primeiros, deram origem à atual Igreja Copta Ortodoxa.

Conquista árabe

Com a divisão, seguiram-se diversas e infrutuosas tentativas de acordo, mas também de violência de ambas as partes, até a ocupação do Egito por parte de Bizâncio. Neste contexto acontece a conquista árabe, em 641 d.C., acolhida inicialmente com alívio pelos coptas.

Em um primeiro momento, os cristãos foram tolerados pelos novos ocupantes, mas progressivamente passou a ser aplicada a Shari’a, a lei islâmica, que impôs a proibição de construção de novas igrejas e a reforma das existentes, além de rígidas regras a respeito das vestes e uma taxa especial aos não-muçulmanos, a “gìzia” (que vigorou até o final do século XIX).

Além da violenta repressão, foi aplicada uma sistemática discriminação “legal”, que levou um número crescente de coptas a converterem-se à religião islâmica. Já no século IX, os cristãos não representavam mais a maioria dos egípcios.

A época da dominação dos mamelucos (XIII – XVI) foi muito dura para a Igreja Copta, como o foi o sucessivo período otomano. No início do século XIX, esta comunidade cristã chegou a um mínimo histórico: cerca de 100 mil fiéis.

Em 1805, Muhamad ‘Alì, comandante albanês, foi enviado pelos Otomanos para “normalizar” o Egito, transformando-o em uma potência regional, em troca de pesados tributos. Neste novo clima de relativa liberdade e bem-estar, a população egípcia aumentou, e com ela, o número de coptas.

Franciscanos

No século XIII, o cuidado pastoral para com os católicos europeus estabelecidos no Egito foi confiado aos Franciscanos da Terra Santa, que visitavam o país uma vez ao ano.

A primeira presença franciscana remonta, de fato, a 1212, data da visita de São Francisco. O fato é confirmado por um escrito do Bispo de São João do Acre, mais tarde Cardeal Tiago de Vitry, que encontro o “Pobrezinho de Assis” em Damieta no Egito.

Igreja Copta-católica

Em 1666, a Ordem Franciscana que havia fundado uma missão no Cairo em 1630 - seguida em 1675 pelos jesuítas - estabeleceu-se no país. Deve-se à pregação dos frades franciscanos o surgimento da primeira comunidade copta-católica, isto no século XVIII.

Criação do Patriarcado

Em 1741, o Papa Bento XVI nomeou o Bispo copta de Jerusalém Atanásio como Vigário Apostólico para os Coptas do Egito. Em 1824 a Santa Sé criou um Patriarcado para os católicos coptas, que porém, existiu somente no papel. Ele foi restabelecido em 1895 pelo Papa Leão XIII com a Carta Apostólica “Christi Domini”.

No início do século XIX, o número dos católicos coptas começou a crescer, até tornar-se a principal comunidade católica no Egito.

Cristãos no Egito hoje

A maioria dos cristãos no Egito são coptas, sendo difícil estabelecer com precisão os números reais, visto variarem segundo a fonte. Estimativas mais confiáveis falam de cerca de 9 milhões de fiéis, cerca de 10% da população, dentre os quais, de 150 a 200 mil são coptas-católicos e cerca de 100 mil coptas-evangélicos.

Foto: EPA

 

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